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Visão geral dos vírus

Por

Laura D Kramer

, PhD, Wadsworth Center, NYSDOH

Última modificação do conteúdo fev 2018
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Vírus são os menores parasitas, tipicamente variando 0,02 a 0,3 μm, embora vários vírus muito grandes de até 1 μm de comprimento (megavírus chilensis, pandoravírus) tenham sido descobertos recentemente. Vírus dependem completamente das células (bactérias, plantas ou animais) para se reproduzir. Os vírus têm uma cobertura externa de proteína e algumas vezes de lípidos, um núcleo de RNA ou DNA e, algumas vezes, as enzimas necessárias para as primeiras etapas da replicação viral.

Os vírus são principalmente classificados de acordo com a natureza e estrutura dos seus genomas e seus métodos de replicação, não de acordo com as doenças que eles causam. Assim, há vírus de DNA e vírus de RNA; cada tipo pode conter material genético de fita simples ou dupla. Os vírus de RNA de fita simples são divididos naqueles com RNA de senso (+) e senso (-). Os vírus de DNA tipicamente se replicam no núcleo da célula hospedeira e os vírus de RNA normalmente se replicam no citoplasma. Mas alguns vírus de RNA de fita simples e senso (+), denominados retrovírus, usam um método muito diferente de replicação.

Os retrovírus usam a transcrição reversa para criar uma cópia de DNA de fita dupla (um pró-vírus) do seu genoma RNA, que é inserida no genoma da sua célula hospedeira. A transcrição reversa é realizada por meio da enzima de transcriptase reversa, que o vírus transporta com ele dentro de seu invólucro. Exemplos de retrovírus são os vírus da imunodeficiência humana e os vírus da leucemia de células T humanas. Depois que o pró-vírus está integrado ao DNA da célula hospedeira, ele normalmente é transcrito utilizando mecanismos celulares típicos para produzir as proteínas virais e o material genético. Se a célula infectada pertencer à linhagem germinativa, o pró-vírus integrado pode ser estabelecido como um retrovírus endógeno que é transmitido para a descendência.

O sequenciamento do genoma humano revelou que pelo menos 1% do genoma humano consiste em sequências retrovirais endógenas, representando encontros anteriores com retrovírus durante o curso da evolução humana. Alguns retrovírus humanos endógenos permaneceram transcricionalmente ativos e produzem proteínas funcionais (p. ex., as sincitinas que contribuem para a estrutura da placenta humana). Alguns especialistas supõem que algumas doenças de etiologia incerta, como a esclerose múltipla, certas doenças autoimunes e vários tipos de câncer, possam ser causadas por retrovírus endógenos.

Como a transcrição do RNA não envolve os mesmos mecanismos de verificação de erros que a transcrição do DNA, os vírus de RNA, sobretudo os retrovírus, são especialmente propensos a mutações.

Para que a infecção ocorra, o vírus primeiramente ataca a célula do hospedeiro em um ou em um das várias moléculas receptoras na superfície celular. O DNA ou o RNA viral, então, separa-se da camada externa (desencapsulamento) e reproduz-se dentro da célula hospedeira, em um processo que requer enzimas específicas. Os componentes virais recém-sintetizados então formam uma partícula viral completa. A célula hospedeira geralmente morre, liberando novos vírus que infectam outras células hospedeiras. Cada passo da replicação viral recruta diferentes enzimas e substratos e oferece uma oportunidade de interferir no processo da infecção.

As consequências de uma infecção viral variam consideravelmente. Muitas infecções causam doença grave após um breve período de incubação, mas algumas são assintomáticas ou provocam sintomas leves que talvez não possam ser reconhecidos, exceto em retrospecto. Muitas infecções virais são eliminadas pelas defesas do organismo, mas algumas permanecem em estado latente, e algumas causam doença crônica.

Nas infecções latentes, o RNA ou o DNA viral permanece nas células hospedeiras, mas não se replica nem causa doenças por muito tempo, algumas vezes por muitos anos. Infecções virais latentes podem ser transmissíveis durante o período assintomático, facilitando o contágio de pessoa para pessoa. Às vezes, um deflagrador (particularmente, a imunossupressão) provoca reativação.

Vírus comuns que permanecem latentes incluem

As infecções virais crônicas são caracterizadas pela transmissão viral contínua e prolongada; exemplos são a infecção congênita pelo vírus da rubéola ou por citomegalovírus e hepatite B ou C persistente. O HIV pode causar tanto infecções crônicas como latentes.

Algumas doenças são causadas por reativação viral no sistema nervoso central após um período de latência muito longo. Essas doenças incluem

A variante da doença de Creutzfeldt-Jakob e a encefalopatia espongiforme bovina eram anteriormente denominadas doenças virais lentas porque têm incubações demoradas (anos), mas agora são conhecidas por serem causadas por príons; príons são agentes proteicos causadores de doenças que não são bactérias, fungos ou vírus, e que não contêm material genético.

Várias centenas de vírus diferentes infectam seres humanos. Vírus que primariamente infectam seres humanos com frequência disseminam-se por via respiratória e por excreções entéricas. Alguns são de transmissão sexual e por meio de transferência de sangue (p. ex., via transfusão, contato com a mucosa ou punção com agulha contaminada) ou por meio de transplante de tecido. Muitos vírus são transmitidos por meio de vetores roedores ou artrópodes, e os morcegos foram recentemente identificados como hospedeiros de quase todos os vírus de mamíferos, incluindo alguns responsáveis por certas infecções humanas graves [p. ex., a síndrome respiratória aguda (SARS)].

Os vírus existem mundialmente, mas sua disseminação é limitada por resistência inata, imunização por infecções anteriores ou vacinas, medidas de controle sanitário e outras medidas de saúde pública e fármacos antivirais profiláticos.

O ciclo biológico dos vírus zoonóticos ocorre principalmente em animais; seres humanos são os hospedeiros secundários ou acidentais. Esses vírus são limitados a áreas e ambientes capazes de suportar seus ciclos naturais de infecção em não humanos (vertebrados, artrópodes, ou ambos).

(Ver também Tipos de doenças virais.)

Vírus e câncer

Alguns vírus são oncogênicos e predispõem a certos tipos de câncer:

Diagnóstico

Algumas doenças virais podem ser diagnosticadas como a seguir:

O diagnóstico definitivo é necessário principalmente quando o tratamento específico puder ser útil ou quando o agente puder ser uma ameaça à saúde pública (p. ex., HIV). Exames laboratoriais de rotina dos hospitais podem testar alguns vírus, mas para as doenças menos comuns (p. ex., raiva, encefalite equina oriental ou parvovírus humano B19), as amostras devem ser enviadas para laboratórios de saúde estatais ou (nos Estados Unidos) para os CDCs.

Exame sorológico durante as fases aguda e convalescente pode ser sensível e específico, mas é demorado; com alguns vírus, sobretudo flavivírus, reações cruzadas confundem o diagnótico. Diagnóstico mais rápido pode ser feito utilizando cultura, PCR ou testes para antígenos virais. Histopatologia com microscopia eletrônica (não luz) às vezes pode ajudar. Procedimentos diagnósticos específicos são descritos no {blank} Introdução ao diagnóstico laboratorial das doenças infecciosas.

Os genomas virais são pequenos; o genoma dos vírus de RNA varia de 3,5 quilobases (alguns retrovírus) a 27 quilobases (alguns reovírus), e o genoma dos vírus de DNA varia de 5 quilobases (alguns parvovírus) a 280 quilobases (alguns poxvírus). Esse tamanho administrável juntamente com os avanços atuais na tecnologia de sequenciamento de nucleotídeos significa que o sequenciamento parcial e total do genoma dos vírus irá tornar-se um componente essencial nas investigações epidemiológicas das epidemias de doenças.

Tratamento

Fármacos antivirais

O progresso no uso de fármacos antivirais está ocorrendo rapidamente. Quimioterapia antiviral pode ser direcionada a várias fases da replicação viral. Ela pode

  • Interferir na ligação das partículas virais com as membranas das células hospedeiras ou remover revestimentos de ácidos nucleicos virais

  • Inibir um receptor ou fator celular necessário para a replicação viral

  • Bloquear enzimas codificadas por vírus específicas e proteínas que são produzidas nas células hospedeiras e que são essenciais para a replicação viral, mas não para o metabolismo normal da célula hospedeira

Usam-se frequentemente antivirais de forma terapêutica ou profilática contra herpes-vírus (incluindo citomegalovírus), vírus respiratórios, HIV, hepatite crônica B e hepatite crônica C. Porém, alguns fármacos são eficazes contra muitos tipos diferentes de vírus. Alguns fármacos contra HIV são usadas para outras infecções virais, como pelo vírus da hepatite B (HBV, hepatitis B virus).

Interferonas

Interferonas são compostos liberados de células infectadas do hospedeiro, em resposta ao vírus ou a outros antígenos estranhos.

Há muitas interferonas diferentes com numerosos efeitos, incluindo bloqueio na translação e na transcrição de RNA viral e interrupção da replicação viral sem alterar a função normal da célula do hospedeiro.

As interferonas, às vezes, são ligadas ao polietilenoglicol (formulações peguiladas), o que permite uma lenta e contínua liberação da interferona.

As doenças virais às vezes tratadas com terapia com interferona são

Efeitos adversos das interferonas incluem febre, calafrios, fraqueza e mialgia, iniciando-se tipicamente 7 a 12 h após a primeira injeção e prevalecendo até 12 h. Depressão, hepatite e supressão de medula óssea, quando usadas em doses altas, também podem ocorrer.

Prevenção

Vacinas

Vacinas funcionam estimulando a imunidade. Vacinas virais de uso geral incluem hepatite A, hepatite B, papilomavírus humano, influenza, encefalite japonesa, sarampo, caxumba, poliomielite, raiva, rotavírus, rubéola, encefalite transmitida por carrapato, varicela e febre amarela. Vacinas contra adenovírus e varíola estão disponíveis, mas são utilizadas somente em grupos de alto risco (p. ex., recrutas militares).

As doenças virais podem ser erradicadas por meio de boas vacinas. A varíola foi erradicada em 1978, e a peste bovina (causada por um vírus estreitamente relacionado com o vírus do sarampo humano) foi erradicada em 2011. A poliomielite foi erradicada de todos, exceto alguns países onde a logística e o sentimento religioso continuam a impedir a vacinação. O sarampo foi praticamente erradicado de algumas regiões do mundo, nomeadamente das Américas, mas como o sarampo é altamente contagioso e a cobertura vacinal é incompleta mesmo nas regiões onde é considerado erradicado, a erradicação final não é iminente.

As perspectivas para a erradicação de outras infecções virais mais intratáveis (como o HIV) são atualmente incertas.

Imunoglobulinas

Imunoglobulinas ({blank} Imunização passiva) estão disponíveis para imunização passiva profilática em situações limitadas. Podem ser usadas antes da exposição (p. ex., para hepatite A), depois da exposição (p. ex., raiva ou hepatite) e no tratamento das doenças (p. ex., eczema vacinal).

Medidas de proteção

Muitas infecções virais podem ser evitadas através de medidas de proteção de senso comum (que variam dependendo do modo de transmissão de um determinado agente).

Medidas importantes de prevenção incluem

  • Lavar as mãos

  • Preparação adequada de alimentos e tratamento da água

  • Evitar contato com pessoas enfermas

  • Práticas sexuais seguras

Para as infecções por insetos vetores (p. ex., mosquitos, carrapatos), é importante evitar o vetor.

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