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Transtornos depressivos

Por

William Coryell

, MD, Carver College of Medicine at University of Iowa

Última modificação do conteúdo mai 2018
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Caracterizam-se por tristeza suficientemente grave ou persistente para interferir no funcionamento e, muitas vezes, para diminuir o interesse ou o prazer nas atividades. A causa exata é desconhecida, mas provavelmente envolve hereditariedade, alterações nos níveis de neurotransmissores, alteração da função neuroendócrina e fatores psicossociais. O diagnóstico baseia-se na história. O tratamento geralmente inclui medicações, psicoterapia ou ambos e, algumas vezes, eletroconvulsoterapia (ECT).

O termo depressão é utilizado com frequência para se referir a qualquer um dos vários transtornos depressivos. Alguns estão classificados no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (DSM-5) por sintomas específicos:

Outros são classificados pela etiologia:

Os transtornos depressivos ocorrem em qualquer idade, mas normalmente se desenvolvem em meados da adolescência, terceira ou quarta década de vida ( Transtornos depressivos em crianças e adolescentes). Em contextos de atenção primária, até 30% dos pacientes relatam sintomas depressivos, porém < 10% têm depressão maior.

Desmoralização e desolamento

O termo depressão é usado muitas vezes para descrever o humor para baixo ou desencorajado que resulta de desapontamentos (p. ex., calamidade financeira, desastre natural, doença grave) ou perdas (p. ex., morte de uma pessoa querida) Entretanto, termos melhores para esse tipo de humor são desmoralização e desolamento.

Os sentimentos negativos de desmoralização e tristeza, contrariamente aos da depressão, fazem o seguinte:

  • Ocorrem em ondas que tendem a estar vinculadas a pensamentos ou lembranças do evento deflagrador

  • Desaparecem quando as circunstâncias ou os eventos melhoram

  • Podem ser intercalados por períodos de emoção e humor positivos

  • Não são acompanhados de sentimentos generalizados de inutilidade e autodepreciação

O humor para baixo geralmente dura dias, ao contrário de semanas ou meses; pensamentos de suicídio e perda funcional prolongada são muito menos prováveis.

Mas eventos e estressores que causam desmoralização e pesar também podem precipitar um episódio depressivo maior, particularmente em pessoas vulneráveis (p. ex., aqueles com história passada ou história familiar de depressão maior).

Etiologia

A causa exata dos transtornos depressivos é desconhecida, mas fatores genéticos e ambientais contribuem.

A hereditariedade explica cerca de metade da etiologia (menos na depressão de início tardio). Dessa forma, a depressão é mais comum entre parentes de 1º grau de pacientes deprimidos, e a concordância entre gêmeos idênticos é alta. Além disso, os fatores genéticos provavelmente influenciam o desenvolvimento de respostas depressivas a eventos adversos.

Outras teorias se concentram nas alterações dos níveis dos neurotransmissores, como desregulação dos neurotransmissores colinérgicos, catecolaminérgicos (noradrenérgicos e dopaminérgicos) glutamatérgicos e serotoninérgicos (5-hidroxitriptamina) (1). A desregulação neuroendócrina pode ser um fator, com ênfase particular em 3 eixos: hipotálamo-hipófise-adrenal, hipotálamo-hipófise-tireoide e hormônio do crescimento.

Fatores psicossociais também parecem estar envolvidos. Estressores vitais importantes, em especial separações e perdas, comumente precedem episódios de depressão maior; entretanto, tais eventos não causam, em geral, depressão grave e duradoura, exceto em pessoas predispostas a um transtorno do humor.

Pessoas que tiveram um episódio de depressão maior têm risco maior de episódios subsequentes. Pessoas que são menos resilientes e/ou que têm tendências ansiosas podem ter mais chance de desenvolver transtorno depressivo. Muitas vezes, tais pessoas não desenvolveram as habilidades sociais para se ajustar às pressões da vida. A depressão também pode se desenvolver em pessoas com outros transtornos mentais.

As mulheres têm risco maior, mas nenhuma teoria explica o motivo. Possíveis fatores incluem:

  • Maior exposição ou resposta aumentada a estresses cotidianos

  • Níveis mais elevados de monoamino-oxidase (a enzima que degrada neurotransmissores considerados importantes para o humor)

  • Taxas mais altas de disfunção tireoidiana

  • Alterações endócrinas que ocorrem com a menstruação e na menopausa

Na depressão de início n peri-parto, os sintomas se desenvolvem durante a gestação ou em 4 semanas após o parto (depressão pós parto); alterações endócrinas foram implicadas, mas a causa específica é desconhecida.

Nos transtornos afetivos sazonais, os sintomas se desenvolvem em um padrão sazonal, normalmente durante outono ou inverno; o transtorno tende a ocorrer em climas com invernos longos ou intensos.

Sintomas ou transtornos depressivos podem acompanhar vários distúrbios físicos, incluindo doenças da tireoidedoenças da glândula adrenal, tumores cerebrais benignos e malignos, acidente vascular encefálico, aids, doença de Parkinson e esclerose múltipla ( Algumas causas dos sintomas de depressão e mania).

Certos fármacos, como corticoides, alguns betabloqueadores, interferona e reserpina, também podem resultar em transtornos depressivos. O abuso de algumas drogas recreativas (p. ex., álcool, anfetaminas) pode levar a ou acompanhar a depressão. Efeitos tóxicos ou abstinência de drogas podem causar sintomas depressivos transitórios.

Tabela
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Algumas causas dos sintomas de depressão e mania

Tipos de transtorno

Depressão

Mania

Tecido conjuntivo

Lúpus eritematoso sistêmico

Endócrino

Hipertireoidismo

Infeccioso

Paralisia geral (neurossífilis parenquimatosa)

TB

Hepatite viral

Pneumonia viral

Aids

Paralisia geral

Influenza

Encefalite de St. Louis

Neoplásica

Carcinomatose disseminada

Neurológico

Acidente vascular encefálico (frontal esquerdo)

Convulsões parciais complexas (lobo temporal)

Tumores diencefálicos

Trauma cranioencefálico

Esclerose múltipla

Acidente vascular encefálico

Nutricionais

Outros*

Farmacológicos

Anfotericina B

Inseticidas com anticolinesterase

Barbitúricos

Betabloqueadores (alguns, p. ex., propranolol)

Cimetidina

Corticoides

Ciclosserina

Tratamento com estrógenos

Indometacina

Interferona

Mercúrio

Metildopa

Metoclopramida

Contraceptivos orais

Fenotiazinas

Reserpina

Tálio

Vimblastina

Vincristina

Certos antidepressivos

Bromocriptina

Corticoides

Levodopa

Metilfenidato

Fármacos simpaticomiméticos

Mental (exceto transtornos do humor)

Demências na fase inicial

*A depressão é altamente associada a tais transtornos, mas não foram estabelecidas relações causais.

Referência sobre etiologia

  • 1. Ghasemi M, Phillips C, Fahimi A, et al: Mechanisms of action and clinical efficacy of NMDA receptor modulators in mood disorders. Neurosci Biobehav Rev 80:555-572, 2017. doi: 10.1016/j.neubiorev.2017.07.002.

Sinais e sintomas

A depressão provoca disfunções cognitivas, psicomotoras e de outros tipos (p. ex., dificuldade de concentração, fadiga, perda do desejo sexual, perda de interesse ou prazer em praticamente todas as atividades que anteriormente eram apreciadas, distúrbios do sono), bem como humor depressivo. Pessoas com transtorno depressivo frequentemente têm pensamentos suicidas e podem tentar o suicídio. Outros sintomas ou transtornos mentais (p. ex., ansiedade e ataques de pânico) comumente coexistem, algumas vezes complicando diagnóstico e tratamento.

Os pacientes com todas as formas de depressão têm mais probabilidade de abusar de álcool ou de outros drogas recreacionais na tentativa de automedicar distúrbios do sono ou sintomas de ansiedade; entretanto, a depressão é uma causa menos comum de alcoolismo e abuso de drogas do que já se pensou. Os pacientes também têm mais chance de se tornarem fumantes pesados e de negligenciar sua saúde, aumentando o risco de desenvolvimento ou progressão de outras enfermidades (p. ex., DPOC]).

A depressão pode reduzir as respostas imunitárias protetoras. A depressão eleva o risco de doenças cardiovasculares, IAM e acidente vascular encefálico, talvez porque na depressão citocinas e fatores que aumentam a coagulação sanguínea estão elevados e a variabilidade da frequência cardíaca está reduzida — todos fatores de risco de doenças cardiovasculares.

Depressão maior (depressão unipolar)

Os pacientes podem parecer infelizes, com olhos lacrimejantes, testa enrugada, cantos da boca voltados para baixo, postura retraída, pouco contato visual, perda da expressão facial, pouco movimento corporal e mudanças no discurso (p. ex., voz suave, perda da prosódia, uso de palavras monossilábicas). A aparência pode ser confundida com doença de Parkinson. Em alguns pacientes, o humor deprimido é tão profundo que as lágrimas secam; eles relatam que ficam incapazes de sentir as emoções habituais e sentem que o mundo se tornou sem cor ou sem vida.

A nutrição pode estar gravemente comprometida, exigindo intervenção imediata.

Alguns pacientes depressivos negligenciam a higiene pessoal ou mesmo seus filhos, entes queridos ou animais de estimação.

Para o diagnóstico da depressão maior ≥ 5 dos seguintes devem estar presentes quase todos os dias durante o mesmo período de 2 semanas, e um deles deve ser humor deprimido ou perda de interesse ou prazer:

  • Humor deprimido durante a maior parte do dia

  • Diminuição acentuada do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades durante a maior parte do dia

  • Ganho ou perda ponderal significativo (> 5%) ou diminuição ou aumento do apetite

  • Insônia (muitas vezes insônia de manutenção do sono) ou hipersonia

  • Agitação ou atraso psicomotor observado por outros (não autorrelatado)

  • Fadiga ou perda de energia

  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada

  • Capacidade diminuída de pensar, concentrar-se ou indecisão

  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio, tentativa de suicídio ou um plano específico para cometer suicídio

Transtorno depressivo persistente

Sintomas depressivos que persistem por 2 anos sem remissão são classificados como transtorno depressivo persistente (TDP), uma categoria que consolida os transtornos anteriormente denominados transtorno depressivo maior crônico e transtorno distímico.

Os sintomas tipicamente começam insidiosamente durante a adolescência e podem persistir por muito anos ou décadas. O número de sintomas muitas vezes oscila acima e abaixo do limiar para episódio depressivo maior.

Os pacientes afetados podem estar habitualmente melancólicos, pessimistas, sem senso de humor, passivos, letárgicos, introvertidos, hipercríticos de si mesmos e dos outros e queixosos. Pacientes com TDP também têm maior probabilidade de ter ansiedade, uso de substâncias ou transtornos de personalidade subjacentes.

Para o diagnóstico do transtorno depressivo persistente, os pacientes devem ter tido humor deprimido na maior parte do dia por um número maior de dias do que os dias sem sintomas durante ≥ 2 anos, e ≥ 2 dos seguintes:

  • Baixo apetite ou comer em excesso

  • Insônia ou hipersonia

  • Baixa energia ou fadiga

  • Baixa autoestima

  • Falta de concentração ou dificuldade em tomar decisões

  • Sentimentos de desespero

Transtorno disfórico pré-menstrual

O transtorno disfórico pré-menstrual envolve sintomas de humor e ansiedade claramente relacionadas ao ciclo menstrual, com início durante a fase pré-menstrual e um intervalo livre de sintomas após a menstruação. Os sintomas devem estar presentes durante a maioria dos ciclos menstruais por todo o último ano.

Manifestações são semelhantes àquelas da síndrome pré-menstrual, mas são mais graves, causando sofrimento clinicamente significativo e/ou prejuízo acentuado no funcionamento social ou ocupacional. O transtorno pode começar a qualquer momento após a menarca; pode piorar com a aproximação da menopausa, mas cessa depois da menopausa. Estima-se que a prevalência seja 2 a 6% em mulheres que menstruam em um dado intervalo de 12 meses.

Para o diagnóstico, as pacientes devem ter ≥ 5 sintomas na semana antes da menstruação. Os sintomas devem começar a diminuir em alguns dias após o início da menstruação e tornam-se mínimos ou inexistentes na semana após a menstruação. Sintomas devem incluir ≥ 1 dos seguintes:

  • Oscilações de humor acentuadas (p. ex., sentir-se de repente triste ou chorosa)

  • Irritabilidade ou raiva acentuada ou conflitos interpessoais intensificados

  • Depressão acentuada, sensação de desesperança ou pensamentos de autodepreciação

  • Ansiedade acentuada, tensão ou sensação de nervos à flor da pele

Além disso, ≥ 1 dos seguintes deve estar presente:

  • Interesse diminuído em atividades habituais

  • Dificuldade de concentração

  • Baixa energia ou fadiga

  • Alteração significativa no apetite, comer em excesso ou desejos por alimentos específicos

  • Hipersonia ou insônia

  • Sensação de opressão ou de falta de controle

  • Sintomas físicos como dor à palpação ou edma de mamas, artralgia ou mialgia, sensação de estar empanturrado e ganho de peso

Outros transtornos depressivos

Grupos de sintomas com características de transtorno depressivo que não atendem todos os critérios para outros transtornos depressivos, mas que causam sofrimento ou prejuízo do funcionamento clinicamente significativo são classificados como outros transtornos depressivos (especificados ou não especificados).

Estão incluídos períodos recorrentes de disforia com ≥ 4 outros sintomas depressivos que duram < 2 semanas em pessoas que nunca atenderam os critérios para outro transtorno de humor (p. ex., depressão breve recorrente) e os períodos de depressão que duram mais tempo, mas que incluem sintomas insuficientes para o diagnóstico de outro transtorno depressivo.

Especificadores

Depressão maior e transtorno depressivo persistente podem incluir um ou mais especificadores que descrevem manifestações adicionais durante um episódio depressivo:

  • Sofrimento ansioso: pacientes se sentem tensos e extraordinariamente inquietos; eles têm dificuldade de concentração porque se preocupam ou temem que algo terrível pode acontecer, ou eles sentem que podem perder o controle deles mesmos.

  • Características mistas: pacientes também têm ≥ 3 sintomas de mania ou hipomaníacos (p. ex., humor elevado, grandiosidade, maior loquacidade do que o habitual, fuga de ideias, diminuição do sono). Pacientes com esse tipo de depressão têm risco de transtorno bipolar.

  • Melancólico: pacientes perderam o prazer em quase todas as atividades ou não respondem a estímulos geralmente agradáveis. Eles podem estar desanimados ou desesperados, sentir culpa excessiva ou inapropriada, ter despertar matutino precoce, agitação ou retardo psicomotor marcantes e anorexia ou perda ponderal significante.

  • Atípico: o humor dos pacientes melhora temporariamente em resposta a eventos positivos (p. ex., visita de filhos). Eles também têm ≥ 2 dos seguintes: reação exagerada a críticas ou rejeição percebida, sentimentos de paralisia de chumbo (sensação pesada ou de peso, geralmente nas extremidades), ganho de peso ou aumento de apetite e hipersonia.

  • Psicótico: pacientes têm delírios e/ou alucinações. Delírios muitas vezes envolvendo ter cometido pecados ou crimes imperdoáveis, de portar transtornos incuráveis ou vergonhosos ou de ser perseguido. Alucinações podem ser auditivas (p. ex., ouvir vozes acusatórias ou condenatórias) ou visuais. Se apenas vozes forem descritas, deve-se ter consideração especial se as vozes representam alucinações verdadeiras.

  • Catatônico: pacientes têm retardo psicomotor grave, envolvem-se em atividade excessiva sem propósito e/ou se isolam; alguns pacientes fazem caretas e imitam fala (ecolalia) ou movimento (ecopraxia).

  • Início no peri-parto: o início ocorre durante a gestação ou até a 4ª semana após o parto. Características psicóticas podem estar presentes; infanticídio é frequentemente associado a episódios psicóticos envolvendo alucinações de comando para matar o lactente ou delírios de que o recém-nascido está possuído.

  • Padrão sazonal: os episódios ocorrem em um determinado momento do ano, na maioria das vezes no outono ou inverno.

Diagnóstico

  • Critérios clínicos (DSM-5)

  • Hemograma completo, eletrólitos, níveis de hormônio tireoestimulante, vitamina B12 e folato para descartar enfermidades físicas que provocam depressão

O diagnóstico dos transtornos depressivos baseia-se na identificação dos sinais e sintomas e nos critérios clínicos descritos acima. Para ajudar a diferenciar transtornos depressivos de variações comuns no humor, deve existir sofrimento significativo ou comprometimento do funcionamento social, ocupacional ou de outras áreas importantes.

Diversos questionários breves estão disponíveis para rastreio. Eles ajudam a identificar alguns sintomas depressivos, mas não podem ser usados isoladamente para o diagnóstico. Questões fechadas específicas ajudam a determinar se os pacientes têm os sintomas exigidos pelos critérios do DSM-5 para o diagnóstico de depressão maior.

A gravidade é determinada por grau de sofrimento e incapacitação (física, social e ocupacional) e duração dos sintomas. O médico deve gentilmente, porém de forma direta, perguntar ao paciente sobre quaisquer pensamentos e planos de ferir a si mesmo ou outros, quaisquer ameaças prévias e/ou tentativas de suicídio e outros fatores de risco. Psicose e catatonia indicam depressão grave. Características melancólicas indicam depressão moderada ou grave. Condições físicas coexistentes, transtornos de abuso de substâncias e transtornos de ansiedade podem acrescentar gravidade.

Diagnóstico diferencial

Os transtornos depressivos devem ser distinguidos da desmoralização e do desolamento. Outros transtornos mentais (p. ex., transtornos de ansiedade) podem mimetizar ou obscurecer o diagnóstico de depressão. Algumas vezes, há mais de um transtorno. O transtorno de depressão maior (transtorno unipolar) deve ser distinguido do transtorno bipolar.

Em pacientes idosos, a depressão pode se manifestar como demência da depressão (anteriormente chamada pseudodemência), que provoca muitos dos sinais e sintomas de demência como retardo psicomotor e diminuição da concentração. Entretanto, demência inicial pode causar depressão. Em geral, quando o diagnóstico é incerto, o tratamento do transtorno depressivo deve ser tentado.

Diferenciar transtornos depressivos crônicos, tais como a distimia, dos transtornos por abuso de substâncias pode ser difícil, particularmente porque eles podem coexistir e um pode contribuir para o outro.

Enfermidades físicas também devem ser excluídas como causas de sintomas depressivos. O hipotireoidismo frequentemente provoca sintomas de depressão e é comum, principalmente entre idosos. A doença de Parkinson, em particular, pode se manifestar com sintomas que mimetizam a depressão (p. ex., perda de energia, falta de expressividade, pobreza de movimentos). Exame neurológico completo é necessário para excluir o transtorno.

Exames

Nenhum achado laboratorial é patognomônico para transtornos depressivos. No entanto, os testes laboratoriais são necessários para excluir condições físicas que podem ocasionar depressão. Os testes devem incluir hemograma completo, níveis de TSH e níveis de rotina de eletrólitos, vitamina B12 e folato. Algumas vezes, testes para uso de drogas ilícitas são apropriados.

Tratamento

  • Suporte

  • Psicoterapia

  • Fármacos

Os sintomas podem remitir espontaneamente, sobretudo, quando são leves ou de curta duração. A depressão leve pode ser tratada com suporte geral e psicoterapia. A depressão moderada a grave é tratada com fármacos, psicoterapia ou ambos e, algumas vezes, ECT. Alguns pacientes necessitam de uma combinação de fármacos. A melhora pode não ser aparente até depois de uma a 4 semanas de tratamento medicamentoso.

A depressão, em especial em pacientes que já tiveram > 1 episódio, provavelmente recorrerá; dessa forma, casos graves quase sempre necessitam de farmacoterapia de manutenção a longo prazo.

Muitas pessoas com depressão são tratadas ambulatorialmente. Pacientes com ideação suicida significativa, principalmente na ausência de suporte familiar, exigem hospitalização, assim como aqueles com sintomas psicóticos ou debilidade física.

Em pacientes com transtornos de abuso de substâncias, os sintomas depressivos geralmente desaparecem em poucos meses com a interrupção do uso da droga. O tratamento antidepressivo tem muito menos chances de ser eficaz enquanto o abuso de substâncias continuar.

Se um distúrbio físico ou toxicidade por fármaco puder ser a causa, o tratamento é direcionado primeiro para a causa subjacente. Entretanto, se o diagnóstico for duvidoso ou se os sintomas forem incapacitantes ou incluírem ideação suicida ou desesperança, uma tentativa terapêutica com antidepressivo ou estabilizador do humor pode ajudar.

Suporte inicial

Até que melhora clara comece, um médico pode precisar ver o paciente semanalmente ou a cada duas semanas a fim de fornecer suporte e educação, além de monitorar o progresso. Ligações telefônicas podem complementar as visitas ao consultório.

Pacientes e seus entes queridos podem estar preocupados ou constrangidos com a ideia de ter um transtorno mental. O médico pode ajudar explicando que a depressão é um transtorno médico sério causado por distúrbios biológicos que requer tratamento específico e que o prognóstico com tratamento é bom. Pacientes e seus entes queridos devem ser assegurados de que a depressão não reflete falha de caráter (p. ex., preguiça, fraqueza). Contar aos pacientes que o caminho para a recuperação muitas vezes oscila, os ajuda a colocar os sentimentos de desesperança em perspectiva e melhorar a adesão.

Incentivar os pacientes a gradualmente aumentar atividades simples (p. ex., caminhar, exercitar-se regularmente) e elevar interações sociais deve ser balanceado com o reconhecimento do seu desejo de evitar atividades. O médico pode sugerir que os pacientes evitem se culpar e deve explicar que pensamentos obscuros são parte do transtorno e desaparecerão.

Psicoterapia

Inúmeros estudos controlados mostraram que a psicoterapia, particularmente a terapia comportamental cognitiva e terapia interpessoal, é eficaz em pacientes com transtorno depressivo maior, tanto para tratar os sintomas agudos como para diminuir a probabilidade de recaída. Pacientes com depressão leve tendem a apresentar resultados melhores do que aqueles com depressão mais grave, mas a magnitude da melhoria é maior em pacientes com depressão mais grave.

Tratamento medicamentoso da depressão

Várias classes farmacológicas e fármacos podem ser usados para tratar depressão:

A escolha do fármaco pode ser orientada pela resposta anterior a um antidepressivo específico. De outra maneira, os ISRS costumam ser os fármacos de escolha inicial. Ainda que os diferentes ISRS sejam igualmente efetivos para casos típicos, certas propriedades dos fármacos os tornam menos ou mais apropriados para certos pacientes ( Antidepressivos ).

Eletroconvulsoterapia (ECT)

Os seguintes são muitas vezes tratados com ECT se os fármacos forem ineficazes:

  • Depressão suicida grave

  • Depressão com agitação ou retardo psicomotor

  • Depressão delirante

  • Depressão durante a gestação

Pacientes que pararam de comer podem precisar de ECT para impedir a morte. A ECT é especialmente eficaz para depressão psicótica.

A resposta a 6 a 10 sessões de ECT, em geral, é dramática e pode salvar a vida. Recaída após ECT é comum; muitas vezes, a farmacoterapia é mantida após a interrupção da ECT.

Fototerapia

É mais conhecida por seus efeitos na depressão sazonal, mas parecer ser igualmente eficaz para depressão não sazonal.

O tratamento pode ser feito em casa com 2.500 a 10.000 lux, à distância de 30 a 60 cm, por 30 a 60 min/dia (mais tempo com fonte de luz menos intensa).

Para pacientes que vão dormir tarde da noite e acordam tarde de manhã, a fototerapia é mais eficaz pela manhã, algumas vezes complementada com exposições de 5 a 10 minutos entre 15:00 e 19:00. Para pacientes que dormem e levantam cedo, a fototerapia é mais eficaz entre 15 h e 19 h.

Outros tratamentos

Psicoestimulantes (p. ex., dextroanfetamina, metilfenidato) são usados algumas vezes, frequentemente, com antidepressivos; entretanto, eles não foram estudados em ensaios clínicos controlados.

Ervas medicinais são usadas por alguns pacientes. A erva-de-são-joão pode ser eficaz para tratar depressão leve, embora os dados sejam contraditórios. A erva-de-são-joão pode interagir com outros antidepressivos e outros fármacos. Alguns estudos controlados com placebo de suplementação com ômega-3, utilizada como potencialização ou monoterapia, sugeriram que o ácido eicosapentaenoico 1 a 2 g/dia possui efeitos antidepressivos úteis.

A estimulação do nervo vago envolve a estimulação intermitente do nervo vago por meio de gerador de pulso implantado. Pode ser útil para a depressão refratária a outros tratamentos, mas costuma levar 3 a 6 meses para ser eficaz.

O uso de estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) para o tratamento agudo do transtorno depressivo maior tem suporte substancial de estudos controlados. EMTr de baixa frequência pode ser aplicada ao córtex pré-frontal dorsolateral direito (CPDL), e EMTr de alta frequência pode ser aplicada ao CPDL esquerdo. Os efeitos adversos mais comuns são dores de cabeça e desconforto no couro cabeludo; ambos ocorrem mais frequentemente quando EMTr de alta frequência em vez de baixa freqüência é usada.

Estimulação cerebral profunda visando o cingulado subgenual ou cápsula ventral interna anterior/estriado ventral teve resultados promissores em uma série de casos não controlados (1). Ensaios controlados estão em realização.

Grupos de suporte (p. ex., a Depression and Bipolar Support Alliance [DBSA]) podem ajudar os pacientes fornecendo um fórum para compartilhar suas experiências e sentimentos comuns.

Referência sobre o tratamento

  • 1. Bergfeld IO, Mantione M, Hoogendoorn MLC, et al: Deep brain stimulation of the ventral anterior limb of the internal capsule for treatment-resistant depression: A randomized clinical trial. JAMA Psychiatry 73 (5):456–64, 2016. doi: 10.1001/jamapsychiatry.2016.0152.

Pontos-chave

  • A depressão é um transtorno comum que envolve humor deprimido e/ou perda quase completa do interesse ou prazer em atividades que eram anteriormente apreciadas; manifestações somáticas (p. ex., alteração de peso, distúrbios do sono) e cognitivas (p. ex., dificuldade de concentração) são comuns.

  • A depressão pode prejudicar acentuadamente a capacidade de funcionar no trabalho e interagir socialmente; o risco de suicídio é significativo.

  • Às vezes, os sintomas depressivos são causados por distúrbios físicos (p. ex., doenças tireoidianas ou da glândula suprarrenal, tumores cerebrais benignos ou malignos, acidente vascular encefálico, aids, doença de Parkinson, esclerose múltipla) ou uso de certos fármacos (p. ex., corticoides, alguns betabloqueadores, interferon, alguns fármacos recreativas).

  • O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos; distúrbios físicos devem ser excluídos por meio de avaliação clínica e testes selecionados (p. ex., hemograma; eletrólitos, níveis de TSH, B12 e folato).

  • O tratamento envolve psicoterapia e geralmente fármacos; ISRSs são geralmente tentados primeiro e, se forem ineficazes, outros fármacos que afetam a serotonina e/ou noradrenalina podem ser tentados.

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