Contraceptivos orais (COs) são hormônios esteroides que inibem a liberação do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) pelo hipotálamo, inibindo assim a liberação dos hormônios hipofisários que estimulam a ovulação. COs também afetam a mucosa do útero, diminuindo a probabilidade de implantação de um embrião, e causam espessamento do muco do colo do útero, tornando-o impermeável aos espermatozoides. Se utilizado de forma consistente e correta, COs são uma forma eficaz de contracepção.
Os COs podem ser iniciados em qualquer idade, desde a menarca até a menopausa.
Os COs podem ser uma combinação do hormônio estrogênio e uma progestina, ou apenas progestina.
Contraceptivos orais de estrogênio-progestina
Para a maioria dos contraceptivos orais de estrogênio-progestina, toma-se diariamente um comprimido contendo estrogênio e progestina durante 21 a 24 dias. Em seguida, uma pílula placebo é tomada diariamente por 4 a 7 dias para permitir o sangramento de privação. Em algumas apresentações, a pílula placebo contém ferro e folato (ácido fólico); em outras, essa pílula não é verdadeiramente inativa, mas contém uma dose menor de etinilestradiol do que as pílulas utilizadas durante as outras semanas. COs de estrogênio-progestina também estão disponíveis como produtos de ciclo prolongado (com 84 pílulas ativas, tomadas uma por dia, seguido de 7 dias de pílulas placebo) ou como produtos de uso contínuo (pílulas ativas todos os dias, sem pílulas placebo).
A maioria dos COs de estrogênio-progestina contém 10 a 35 mcg de etinil estradiol. O valerato de estradiol ou estetrol é utilizado em algumas formulações em vez de etinilestradiol. As doses de estrogênio e progestina são as mesmas ao longo do mês em alguns COs de estrogênio-progestina (pílulas monofásicas); em outros, as doses variam ao longo do mês (pílulas multifásicas).
Todos os COs de estrogênio-progestina possuem eficácia semelhante; a taxa de gravidez após 1 ano é de 0,3% com o uso correto e de cerca de 9% com o uso típico (isto é, inconsistente) (1).
Contraindicações aos contraceptivos de estrogênio-progestina (pílulas, adesivo, anel vaginal)
COs com estrogênio-progestina ou outros contraceptivos com estrogênio-progestina (adesivo, anel vaginal) devem ser utilizados com cautela em algumas mulheres (para mais informações, consulte US Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 2024).
O risco de efeitos adversos dos contraceptivos de estrogênio-progestina varia, dependendo do fator de risco e complicações associadas. O uso de contraceptivos de estrogênio-progestina representa um risco inaceitável para a saúde em pacientes com as seguintes características:
< 21 dias pós-parto
Mutação trombogênica, trombofilia (incluindo síndrome antifosfolipídica) ou tromboembolismo venoso atual ou passado (trombose venosa profunda ou embolia pulmonar)
Câncer ativo (metastático, recebendo terapia ou dentro de 6 meses após a remissão clínica), excluindo câncer de pele que não melanoma
Câncer de mama atual
Imobilidade prolongada decorrente de cirurgia de grande porte
Enxaqueca com aura
Tabagismo em mulheres ≥ 35 anos
Hipertensão grave (sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 100 mmHg) ou complicada por doença vascular
Cardiomiopatia periparto < 6 meses ou com insuficiência cardíaca moderada ou grave
Doença cardíaca isquêmica ou múltiplos fatores de risco de doença cardiovascular aterosclerótica
Acidente vascular cerebral
Cardiopatias valvares com complicações
Diabetes por > 20 anos ou com doença vascular (p. ex., neuropatia, nefropatia, retinopatia)
Lúpus eritematoso sistêmico com anticorpos antifosfolipídios positivos (ou desconhecidos)
Transplante de órgão sólido com complicações
Cirrose (descompensada) grave, adenoma hepatocelular ou câncer hepático
Hepatite viral aguda
O uso de contraceptivos de estrogênio-progestina representa um risco teórico ou comprovado que geralmente supera as vantagens em pacientes com as seguintes características:
≤ 42 dias pós-parto com fatores de risco de tromboembolismo venoso
Trombose venosa superficial (trombose associada a um catéter intravenoso periférico pode ter menor risco)
Câncer de mama passado e nenhuma evidência de doença atual por 5 anos
Tabagismo em mulheres < 35 anos
Hipertensão adequadamente controlada
Cardiomiopatia periparto ≥ 6 meses
Esclerose múltipla com imobilidade prolongada
Doença inflamatória intestinal, se houver fatores de risco de tromboembolismo venoso
Doença da vesícula biliar atual ou tratada clinicamente ou história de colestase relacionada a contraceptivos
Cirurgia bariátrica com má absorção devido ao encurtamento do intestino delgado funcional (p. ex., bypass gástrico em Y de Roux ou desvio biliopancreático)
Tratamento atual com fosamprenavir, rifampicina, rifabutina, lamotrigina ou certos medicamentos anticonvulsivantes
Contraceptivos orais contendo somente progestina
Para que sejam eficazes, COs contendo somente progestina devem ser tomados na mesma hora do dia, todos os dias. A mesma dose é tomada diariamente, e nenhuma pílula inativa é incluída. A metrorragia é um efeito adverso comum.
Os COs só de progestina fornecem contracepção eficaz, principalmente porque espessam o muco do colo do útero e impedem que o espermatozoide atravesse o canal do colo do útero e a cavidade endometrial para fertilizar o óvulo. Em alguns ciclos, esses COs também suprimem a ovulação, mas esse não é o efeito principal do mecanismo de ação. As taxas de gravidez com o uso correto e típico de COs só de progestina são semelhantes às observadas com COs de estrogênio-progestina. A drospirenona suprime a ovulação em taxas ligeiramente mais altas do que outras progestinas.
Contraindicações aos contraceptivos contendo somente progestina (pílulas, implantes, injeções)
Os COs só de progestina são comumente prescritos quando as mulheres desejam tomar COs, mas o estrogênio é contraindicado.
Mulheres com câncer de mama atual não devem utilizar pílulas, implantes ou injeções contendo somente progestina.
O uso de contraceptivo contendo somente progestina representa um risco teórico ou comprovado que geralmente supera as vantagens em pacientes com as seguintes características:
Câncer de mama passado e nenhuma evidência de doença atual por 5 anos
Sangramento vaginal inexplicável
História atual e passada de cardiopatia isquêmica
Cirrose (descompensada) grave, adenoma hepatocelular ou câncer hepático
História de cirurgia de revascularização do miocárdio (para pílulas contendo somente progestina)
Tratamento atual com rifampicina, rifabutina ou certos medicamentos anticonvulsivantes (para pílulas contendo somente progestina)
Doença cardíaca isquêmica, hipertensão grave ou múltiplos fatores de risco de doença cardiovascular aterosclerótica (para injeções de contraceptivos de progestina)
Doença vascular, incluindo devido a diabetes ou lúpus eritematoso sistêmico (para injeções de contraceptivos de progestina)
(Para mais informações, ver US Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 2024.)
Referência geral
1. Shoupe D: The Contraception Handbook: Evidence Based Practice Recommendations and Rationales, ed. 3. New York, Humana Press, 2020. doi:10.1007/978-3-030-46391-5
Efeitos adversos dos contraceptivos orais
Embora os contraceptivos orais tenham alguns efeitos adversos potenciais, o risco geral desses efeitos é pequeno. Distensão abdominal, sensibilidade mamária, náuseas e cefaleia são os efeitos adversos mais comuns.
Pacientes em uso de COs de estrogênio-progestina podem desenvolver amenorreia ou sangramento de escape (sangramento ao tomar as pílulas ativas) com uso prolongado. Qualquer um desses efeitos pode ser tratado mudando para uma pílula com uma dose maior de estrogênio. Pílulas contendo somente progestina frequentemente causam sangramento vaginal irregular.
Em algumas mulheres, a ovulação permanece inibida por alguns meses após a suspensão dos COs, mas não há efeito a longo prazo sobre a fertilidade. Os COs não afetam de maneira adversa o curso de uma eventual gestação, quando a concepção ocorre durante ou após o seu uso.
O estrogênio aumenta a produção de aldosterona e causa retenção de sódio, o que pode acarretar aumento relacionado com a dose e reversível da pressão arterial (PA) e de peso (até 2 kg). O ganho ponderal pode ser acompanhado por distensão e edema.
A maioria das progestinas utilizadas em COs está relacionada com 19-nortestosterona e é androgênica. Norgestimato, etonogestrel e desogestrel são menos androgênicos do que levonorgestrel, noretindrona, acetato de noretindrona e diacetato de etinodiol. Os efeitos androgênicos podem incluir alterações na pele e cabelo e um efeito anabólico resultando em aumento de peso. Se uma mulher ganha > 4,5 kg/ano, um contraceptivo oral menos androgênico deverá ser procurado. Progestinas antiandrogênicas mais recentes de 4ª geração incluem dienogeste e drospirenona (relacionada com espironolactona, um diurético).
A incidência de tromboembolismo venoso (TEV) é aumentada aproximadamente 3 vezes em usuárias de contraceptivos orais com estrogênio-progestina em comparação com nunca usuárias, porque o estrogênio aumenta a produção hepática de fatores de coagulação e aumenta a adesão plaquetária. Apesar desse aumento, o risco absoluto de TEV para usuárias de CO com estrogênio-progestina é baixo (3 a 15 por 10.000 mulheres-ano), especialmente em comparação com o risco absoluto de TEV em pacientes no pós-parto (40 a 65 por 10.000 mulheres-ano) (1). As progestinas nos COs de estrogênio-progestina têm efeito mínimo neste risco. Os COs que contêm levonorgestrel como progestina parecem ter um risco ligeiramente menor do que aqueles que contêm drospirenona ou desogestrel, mas isso provavelmente se deve a fatores de seleção dos participantes do estudo e não deve alterar os hábitos de prescrição. Se houver suspeita de TEV em uma mulher sob uso de COs, estes devem ser interrompidos imediatamente até que os resultados dos testes diagnósticos possam confirmar ou excluir o diagnóstico. Além disso, os COs devem ser interrompidos pelo menos 1 mês antes de qualquer cirurgia de grande porte que exija imobilização por um período prolongado e não devem ser tomados novamente até 1 mês após a cirurgia. Pacientes com expectativa de serem ambulatoriais no pós-operatório não precisam interromper o uso de COs. Mulheres com história ou alto risco de tromboembolismo venoso não devem utilizar COs que contenham estrogênio. O rastreamento universal de fatores de hipercoagulabilidade, como o fator V de Leiden, não é recomendado (2).
Os resultados dos estudos variam quanto ao uso de COs e risco de câncer de mama (3). Alguns estudos descobriram um pequeno aumento do risco em usuárias atuais ou recentes (4).
O risco de câncer de colo do útero aumenta discretamente em mulheres que utilizaram COs por > 5 anos, mas esse risco diminui para o nível basal 10 anos depois da interrupção do COs (5). Se esse risco está relacionado com um efeito hormonal ou comportamentos (isto é, não utiliza métodos contraceptivos de barreira) não está claro.
Os efeitos no sistema nervoso central causados por COs podem incluir náuseas, vômitos, cefaleia, depressão e distúrbios do sono. Embora o aumento de risco de acidente vascular cerebral tenha sido atribuído ao uso de COs, COs de estrogênio-progestina de baixa dosagem não parecem aumentar o risco de AVC em mulheres saudáveis, normotensas e não fumantes. Contudo, se sintomas neurológicos focais, afasia ou outros sintomas que possam levar ao desenvolvimento de acidente vascular cerebral, deve-se interromper o uso dos COs imediatamente. Fumantes com mais de 35 anos de idade não devem utilizar contraceptivos que contêm estrogênio por causa do maior risco de infarto do miocárdio e/ou acidente vascular cerebral.
Embora progestinas possam causar resistência à insulina reversível e relacionada à dosagem, o uso de COs com doses menores de progestina raramente resulta em hiperglicemia.
Os níveis séricos de colesterol do tipo HDL podem baixar quando são utilizados COs com alta dose de progestina, mas normalmente aumentam quando utilizados com baixas dosagens de progestina e estrogênio. O estrogênio nos COs aumenta os níveis de triglicérides e podem exacerbar hipertrigliceridemia preexistente. A maioria das alterações nos níveis séricos de outros metabólitos não são clinicamente significativas. A capacidade da globulina ligadora de tiroxina em usuárias de COs pode aumentar; os níveis de tiroxina livre e de TSH e a função da tireoide não são afetados.
Os níveis de piridoxina, folato, outras vitaminas do complexo B, ácido ascórbico, cálcio, magnésio e zinco diminuem; os níveis de vitamina A aumentam. Nenhum desses efeitos é clinicamente significativo, e a suplementação de vitaminas não é aconselhável como um adjunto ao uso de COs.
Os COs não devem ser tomados se colestase ou icterícia desenvolvido com o uso anterior. COs podem causar icterícia em mulheres que tiveram colestase da gestação (icterícia recorrente idiopática da gestação) e, portanto, devem ser utilizados com cuidado.
O risco de desenvolvimento de cálculos biliares parece não aumentar com o uso de COs em baixas doses.
Raramente, desenvolvem-se adenomas hepáticos benignos que podem se romper espontaneamente. A incidência aumenta à medida que a duração do uso e a dose de contraceptivo oral aumentam; normalmente os adenomas regridem espontaneamente após a suspensão do contraceptivo oral.
Em algumas mulheres, ocorre melasma; este se agrava com a luz do sol e desaparece lentamente após a interrupção do uso de COs. Como o tratamento é difícil, deve-se interromper os COs no primeiro sinal de melasma. Os COs não aumentam o risco de melanoma.
Referências sobre efeitos adversos
1. Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Electronic address: ASRM@asrm.org; Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Combined hormonal contraception and the risk of venous thromboembolism: a guideline. Fertil Steril. 2017;107(1):43-51. doi:10.1016/j.fertnstert.2016.09.027
2. Creinin MD, Lisman R, Strickler RC. Screening for factor V Leiden mutation before prescribing combination oral contraceptives. Fertil Steril. 1999;72(4):646-651. doi:10.1016/s0015-0282(99)00318-0
3. Fitzpatrick D, Pirie K, Reeves G, et al: Combined and progestagen-only hormonal contraceptives and breast cancer risk: A UK nested case-control study and meta-analysis. PLoS Med 20(3):e1004188, 2023. Published 2023 Mar 21. doi:10.1371/journal.pmed.1004188
4. ACOG Practice Advisory: Hormonal contraception and risk of breast cancer. American College of Obstetricians and Gynecologists. Published 2018, reaffirmed 2022.
5. Iversen L, Sivasubramaniam S, Lee AJ, et al: Lifetime cancer risk and combined oral contraceptives: the Royal College of General Practitioners' Oral Contraception Study. Am J Obstet Gynecol 216(6):580.e1-580.e9, 2017. doi:10.1016/j.ajog.2017.02.002
Benefícios dos contraceptivos orais
Os benefícios à saúde associados aos COs incluem risco reduzido de (1):
Câncer endometrial em 60% após pelo menos 10 anos de uso
Câncer de ovário em cerca de 50% após 5 anos de uso e 80% após ≥ 10 anos de uso
Também diminuem o risco de cistos ovarianos funcionais, tumores ovarianos benignos, sangramento uterino anormal devido à disfunção ovulatória, dismenorreia, transtorno disfórico pré-menstrual, anemia ferropriva e doenças mamárias benignas. Salpingites, que prejudicam a fertilidade, ocorrem menos frequentemente em usuárias de COs.
Referência sobre benefícios
1. Iversen L, Sivasubramaniam S, Lee AJ, et al: Lifetime cancer risk and combined oral contraceptives: the Royal College of General Practitioners' Oral Contraception Study. Am J Obstet Gynecol 216(6):580.e1-580.e9, 2017. doi:10.1016/j.ajog.2017.02.002
Interações farmacológicas dos contraceptivos orais
Interações medicamentosas com contraceptivos hormonais podem diminuir a eficácia contraceptiva ou alterar a eficácia terapêutica dos medicamentos concomitantes.
Falha contraceptiva pode ocorrer se as interações medicamentosas resultarem em níveis séricos reduzidos de contraceptivos hormonais. O uso concomitante de medicamentos que induzem enzimas do citocromo P450 (CYP450) pode acelerar o metabolismo de estrogênios e/ou progestinas, resultando em concentrações plasmáticas reduzidas e risco aumentado de falha contraceptiva (1). Pacientes que tomam esses medicamentos não devem utilizar contraceptivos hormonais, com exceção de um DIU de levonorgestrel, a menos que outros métodos contraceptivos sejam contraindicados ou indisponíveis; a eficácia de um DIU de levonorgestrel não é afetada por esse tipo de interação medicamentosa porque o hormônio é liberado localmente no útero. Os indutores de CYP450 incluem medicamentos nas seguintes classes farmacológicas: antibióticos (rifampicina, rifabutina); antirretrovirais (efavirenz, inibidores de protease potencializados com ritonavir); e anticonvulsivantes (p. ex., fenitoína, carbamazepina). O suplemento à base de erva-de-são-joão também é um indutor de CYP450.
Os agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) e do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP) retardam o esvaziamento gástrico, o que pode diminuir a absorção de medicamentos orais. Para tirzepatida, um agonista combinado de GLP-1/GIP, há evidências de que durante o início e o escalonamento da dose do medicamento, as concentrações plasmáticas de contraceptivos orais são significativamente reduzidas (2, 3). A Sociedade de Planejamento Familiar recomenda que indivíduos que estão tomando contraceptivos orais mudem para um método de contracepção não oral ou usem métodos adicionais por 4 semanas ao iniciar tirzepatida e após um aumento de dose (4). Reduções clinicamente significativas nas concentrações plasmáticas de contraceptivos orais não foram observadas com o uso de agonistas de GLP-1.
Contraceptivos orais podem aumentar a depuração renal de lamotrigina, um anticonvulsivante, e assim podem diminuir sua eficácia terapêutica (5).
Referências sobre interações medicamentosas
1. Teal S, Edelman A. Contraception Selection, Effectiveness, and Adverse Effects: A Review. JAMA. 2021;326(24):2507-2518. doi:10.1001/jama.2021.21392
2. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 9. Pharmacologic Approaches to Glycemic Treatment: Standards of Care in Diabetes-2025. Diabetes Care. 2025;48(1 Suppl 1):S181-S206. doi:10.2337/dc25-S009
3. Skelley JW, Swearengin K, York AL, Glover LH. The impact of tirzepatide and glucagon-like peptide 1 receptor agonists on oral hormonal contraception. J Am Pharm Assoc (2003). 2024;64(1):204-211.e4. doi:10.1016/j.japh.2023.10.037
4. Zwayne N, Lyman E, Ebersole A, Morse J; with the assistance of Elise Boos and Antoinette Nguyen on behalf of the Clinical Affairs Committee, and Monica Skoko Rodríguez. Society of Family Planning Committee Statement: Contraception and body weight. Contraception. 2025;141:110725. doi:10.1016/j.contraception.2024.110725
5. Christensen J, Petrenaite V, Atterman J, et al. Oral contraceptives induce lamotrigine metabolism: evidence from a double-blind, placebo-controlled trial. Epilepsia. 2007;48(3):484-489. doi:10.1111/j.1528-1167.2007.00997.x
Introdução dos contraceptivos orais
Antes de contraceptivos orais serem iniciados, os médicos devem obter uma história clínica, familiar e social completa para avaliar possíveis contraindicações para o uso. Deve-se medir a pressão arterial. Um teste de gravidez não é necessário e deve ser realizado com base em fatores de risco para gravidez. Os COs não devem ser prescritos a menos que a pressão arterial esteja normal e um teste de gravidez na urina (se indicado) seja negativo. Um exame físico não é necessário antes de iniciar os COs. Exames de sangue de rotina não são necessários em pacientes sem comorbidades. Rastreamento de rotina de glicose, lipídios, enzimas hepáticas ou trombofilia não é necessário em um paciente sem histórico médico (1).
Recomenda-se a prescrição de contraceptivos orais por períodos de 13 meses, para minimizar barreiras ao uso contínuo, com acesso facilitado às renovações.
Os COs podem ser iniciados no mesmo dia da consulta contraceptiva (frequentemente denominado “método de início rápido”), independentemente do dia da semana ou da fase do ciclo menstrual. Mas, se COs são iniciados > 5 dias após o primeiro dia da menstruação, as mulheres devem utilizar um método contraceptivo alternativo (p. ex., preservativos) durante os primeiros 7 dias de uso do COs.
Consulta de acompanhamento depois de 3 meses pode ser útil para discutir os potenciais efeitos adversos e para reverificar a pressão arterial.
Doses atrasadas ou perdidas de contraceptivos orais
Contraceptivos orais com estrogênio-progestina também devem ser tomados no mesmo horário diariamente, mas apresentam certa flexibilidade dentro de uma janela de 24 horas, dados os efeitos combinados de estrogênio e progestina na supressão da ovulação. Se as usuárias de CO de estrogênio-progestina se esquecerem de tomar uma pílula em um dia, elas são aconselhadas a tomar 2 pílulas no dia seguinte. Se esquecerem de tomar uma pílula por 2 dias, elas devem voltar a tomar o CO a cada dia e devem utilizar um método alternativo durante 7 dias. Se esquecerem de tomar a pílula durante 2 dias e tiverem relações sexuais desprotegidas nos 5 dias antes de esquecerem de tomar a pílula, podem considerar contracepção de emergência.
Os COs contendo somente progestina devem ser tomados diariamente, no mesmo horário todos os dias. Se decorrerem > 27 horas entre as doses de um CO contendo somente progestina, as mulheres devem utilizar um método contraceptivo alternativo por 7 dias, além de tomar o CO diário, porque o mecanismo depende do espessamento do muco cervical.
Uso pós-parto de contraceptivos orais
O momento para iniciar COs de estrogênio-progestina após a gravidez varia:
Após aborto espontâneo ou induzido no 1º trimestre: iniciados imediatamente
Para partos na 12ª à 28ª semana de gestação: iniciados depois de 1 semana se as mulheres não apresentarem outros fatores de risco significativos para tromboembolismo
Após um parto em > 28 semanas: os COs não devem ser iniciados antes de > 21 dias pós-parto porque o risco de tromboembolismo é ainda maior durante o período pós-parto; o início deve ser adiado por 42 dias se o risco de tromboembolismo venoso da paciente for maior (p. ex., por causa de uma cesárea recente ou comorbidades médicas)
Se a paciente estiver em amamentação exclusiva (isto é, amamentando sob demanda, inclusive à noite, e sem oferecer outros alimentos), ela pode usar a amenorreia lactacional como método contraceptivo por até 6 meses após o parto. Deve-se aconselhar o início de contraceptivos orais quando a transição da amenorreia lactacional ocorre antes de 6 meses após o parto.
Contraceptivos orais só de progestina podem ser utilizados imediatamente após o parto.
Referência de iniciação
1. Curtis KM, Nguyen AT, Tepper NK, et al. U.S. Selected Practice Recommendations for Contraceptive Use, 2024. Appendix C: Examinations and Tests Needed Before Initiation of Contraceptive Methods MMWR Recomm Rep. 2024;73(3):1-77. Published 2024 Aug 8. doi:10.15585/mmwr.rr7303a1
Pontos-chave
Contraceptivos orais (COs) são geralmente bem tolerados, mas podem causar cefaleia, náuseas, distensão abdominal ou sensibilidade mamária.
Os COs contendo apenas progestina podem causar sangramento irregular e devem ser tomados na mesma hora, todos os dias, para que sejam eficazes.
Os COs podem ser retirados da menarca até a menopausa se não tiverem contraindicações.
Os COs de estrogênio-progestina aumentam o risco de tromboembolismo venoso em 3 vezes o risco basal, mas esse risco é menor do que o associado à gravidez.
Os resultados dos estudos sobre o uso de COs e risco de câncer de mama são variáveis, mas alguns estudos descobriram um pequeno aumento do risco em usuários atuais ou recentes; por outro lado, os COs diminuem o risco de câncer de ovário e câncer endometrial.
Antes que COs sejam prescritos, uma história completa da paciente é necessária; um exame físico não é necessário.



