Medicamentos para tratamento da depressão

PorWilliam Coryell, MD, University of Iowa Carver College of Medicine
Reviewed ByMark Zimmerman, MD, South County Psychiatry
Revisado/Corrigido: modificado jan. 2026
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Visão Educação para o paciente

Várias classes farmacológicas e fármacos são utilizados para tratar depressão:

Escolha e iniciação de antidepressivos

A escolha do medicamento pode ser orientada pela resposta anterior do paciente a um antidepressivo específico. Do contrário, inbidores da recaptação de serotonina (ISRSs) costumam ser os medicamentos iniciais de escolha. Embora os diferentes ISRSs sejam igualmente eficazes nos casos típicos, certas propriedades os tornam menos ou mais apropriados para certos pacientes. Os medicamentos antidepressivos são frequentemente utilizados em conjunto com psicoterapia (ver tabela e Transtornos depressivos: tratamento).

Tabela
Tabela

Se um ISRS for ineficaz, outro ISRS pode substituí-lo, mas um antidepressivo de classe diferente pode em vez disso ser utilizado. A tranilcipromina é frequentemente eficaz para depressão refratária às tentativas sequenciais com outros antidepressivos; ela deve ser administrada por médico com experiência no uso de inibidores da monoaminoxidase (IMAOs). O suporte psicológico dos pacientes e de seus entes queridos é particularmente importante em casos refratários.

Para a depressão psicótica, a combinação de um antidepressivo e um antipsicótico é mais eficaz do que um deles utilizado isoladamente (1). Os pacientes que se recuperaram de depressão psicótica têm maior risco de recaída do que aqueles que tinham depressão não psicótica, assim o tratamento profilático é particularmente importante.

A resposta terapêutica com muitas classes de antidepressivos costuma ocorrer em cerca de 2 ou 3 semanas (algumas vezes tão cedo quanto 4 dias ou tão tarde como 8 semanas). Para um primeiro episódio de depressão leve ou moderada, o antidepressivo deve ser ministrado por 6 meses e ser descontinuado gradativamente em 2 meses. Se o episódio é grave, é uma recorrência ou há risco de suicídio, deve-se manter a dose que produz remissão completa como manutenção.

A terapia contínua com antidepressivo por 6 a 12 meses (por até 2 anos em pacientes > de 50 anos) é geralmente necessária para prevenir recaída.

Muitos antidepressivos, em especial os ISRSs, devem ser descontinuados gradativamente (diminuindo-se a dose em aproximadamente 25% a cada semana), em vez de abruptamente; parar um ISRSs de forma abrupta pode resultar em síndrome de descontinuação (náuseas, tremores, dores musculares, tontura, ansiedade, irritabilidade, insônia e fadiga). A probabilidade e a gravidade da abstinência variam inversamente com a meia-vida do ISRS.

Referência sobre escolha e administração de antidepressivos

  1. 1. Kruizinga J, Liemburg E, Burger H, et al. Pharmacological treatment for psychotic depression. Cochrane Database Syst Rev.12(12):CD004044, 2021. doi: 10.1002/14651858.CD004044.pub5

Classes de medicamentos antidepressivos

Inibidores seletivos de recaptação de serotonina

Os ISRSs inibem a recaptação da serotonina (5-hidroxitriptamina [5-HT]). Os ISRSs incluem citalopram, escitalopram, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina e vilazodona. Embora tais medicamentos tenham o mesmo mecanismo de ação, diferenças em suas propriedades clínicas tornam a seleção importante. Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs) têm margem terapêutica ampla; são relativamente simples de administrar, com pouca necessidade de ajustes de dose (exceto para a fluvoxamina).

Ao prevenir a recaptação pré-sináptica de 5-HT, os ISRSs resultam em mais 5-HT para estimular os receptores 5-HT pós-sinápticos. Os ISRSs são seletivos para o sistema 5-HT, mas inespecíficos para diferentes receptores 5-HT. Estimulam os receptores 5-HT1 com efeitos ansiolíticos e antidepressivos, mas também estimulam os receptores 5-HT2 comumente causando ansiedade, insônia e disfunção sexual, e os receptores 5HT3, quase sempre resultando em náuseas e cefaleia. Assim, paradoxalmente os ISRSs podem aliviar e ocasionar ansiedade.

Os ISRSs, que tendem a estimular muitos pacientes depressivos, devem ser administrados pela manhã. Administrar toda a dose do antidepressivo heterocíclico na hora de deitar geralmente torna desnecessário o uso de sedativos, minimiza os efeitos colaterais durante o dia e melhora a aderência. Inibidores da monoaminoxidase (IMAOs) quase sempre são administrados pela manhã e no início da tarde para evitar estimulação excessiva.

Alguns pacientes podem parecer mais agitados, deprimidos e ansiosos uma semana após iniciar ou aumentar a dose dos ISRSs, e há preocupações sobre ISRSs e potencial de suicídio.

Trata-se a insônia, um efeito adverso comum dos ISRSs, reduzindo a dose, administrando a dose de manhã ou adicionando uma dose baixa de trazodona, ou outro antidepressivo sedativo na hora de dormir. Náuseas e fezes amolecidas iniciais geralmente se resolvem, mas a cefaleia nem sempre remite, necessitando que se troque a classe do medicamento. Um ISRS deve ser interrompido se causar agitação. Quando ocorre diminuição da libido, disfunção erétil ou anorgasmia durante a terapia com ISRS, redução da dose ou troca para um modulador de serotonina ou um inibidor de recaptação de noradrenalinadopamina pode ajudar.

A disfunção sexual (especialmente dificuldade em atingir o orgasmo, mas também diminuição da libido e disfunção erétil) ocorre em mais da metade dos pacientes (1, 2). Alguns ISRSs causam ganho de peso. Outros, sobretudo a fluoxetina, causam anorexia nos primeiros meses. Os ISRSs têm poucos efeitos anticolinérgicos, adrenolíticos e na condução cardíaca. A sedação é mínima ou inexistente, mas alguns pacientes tendem a se apresentar sonolentos durante o dia nas primeiras semanas de tratamento. Fezes amolecidas ou diarreia acontecem em alguns pacientes.

As interações medicamentosas são relativamente incomuns; entretanto, fluoxetina, paroxetina e fluvoxamina podem inibir as isoenzimas do citocromo P-450 (CYP450) no fígado e outros tecidos, o que pode acarretar interações medicamentosas sérias. Por exemplo, esses medicamentos podem inibir o metabolismo de certos betabloqueadores, incluindo propranolol e metoprolol, resultando, potencialmente, em hipotensão e bradicardia; o metabolismo de outros medicamentos, incluindo clonidina e lidocaína, também pode ser afetado. Testes genéticos para essas enzimas metabólicas estão disponíveis. Porém, a utilidade clínica permanece limitada (especialmente em jovens). Médicos que solicitam esses testes precisam ajudar as famílias a interpretar os resultados.

Sintomas da interrupção (p. ex., irritabilidade, ansiedade, náuseas) podem ocorrer se o medicamento for suspenso abruptamente; estes efeitos são menos prováveis com a fluoxetina.

Moduladores da serotonina (bloqueadores 5-HT2)

Esses medicamentos primariamente bloqueiam o receptor 5-HT2 e inibem a recaptação de 5-HT e noradrenalina. Moduladores da serotonina incluem:

  • Trazodona

  • Mirtazapina

Os moduladores da serotonina têm efeitos antidepressivos e ansiolíticos, mas não provocam disfunção sexual.

A trazodona pode causar priapismo e, como um bloqueador alfa-1-noradrenérgico, pode causar hipotensão ortostática (postural). É bastante sedativa, assim, seu uso em doses antidepressivas (p. ex., > 200 mg/dia) é limitado. É mais frequentemente tomado na hora de dormir para pacientes deprimidos e com insônia.

A mirtazapina é um antagonista do receptor 5-HT e bloqueia os autorreceptores alfa-2-adrenérgicos, bem como os receptores 5-HT2 e 5-HT3. O resultado é aumento nas funções serotoninérgica e noradrenérgica, sem disfunção sexual ou náuseas. Ela não apresenta efeitos adversos cardíacos, tem interação mínima com o metabolismo de fármacos por enzimas hepáticas e, geralmente, é bem tolerada, exceto por sedação e ganho de peso, mediados pelo bloqueio de H1 (histamina).

Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs)

Tais medicamentos (p. ex., desvenlafaxina, duloxetina, levomilnaciprana, milnaciprano, venlafaxina, vortioxetina) têm um mecanismo de ação dual em 5-HT e noradrenalina, assim como os antidepressivos tricíclicos (ATCs).

Entretanto, sua toxicidade se aproxima daquela dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs). Náuseas são o problema mais comum durante as 2 primeiras semanas (3); discretos aumentos da pressão arterial (PA) proporcionais à dose ocorrem com as doses altas. Os sintomas de descontinuação (p. ex., irritabilidade, ansiedade, náuseas) ocorrem muitas vezes quando o medicamento é interrompido de forma abrupta.

A duloxetina se assemelha à venlafaxina em eficácia e efeitos adversos.

Inibidor de recaptação de dopamina e noradrenalina

Por mecanismos não claramente compreendidos, essa classe de medicamentos influenciam de modo favorável as funções dopaminérgica e catecolaminérgica e não influenciam o sistema 5-HT.

Atualmente, a bupropiona é o único medicamento dessa classe. Pode ajudar os pacientes deprimidos com transtorno de deficit de atenção/hiperatividade ou transtorno por uso de cocaína e aqueles tentando abandonar o tabagismo. A bupropiona causa hipertensão em poucos pacientes, mas não tem outros efeitos sobre o sistema cardiovascular. A bupropiona pode produzir convulsões em 0,4% dos pacientes com doses > 150 mg 3 vezes ao dia (ou > 200 mg de liberação sustentada [LS] duas vezes ao dia ou > 450 mg de liberação prolongada [LP], uma vez ao dia) (4); o risco é aumentado em pacientes com bulimia. A bupropiona não produz efeitos sexuais adversos e interage pouco com fármacos coadministrados, embora iniba a isoenzima hepática CYP2D6. A agitação, que é comum, é consideravelmente atenuada com as formas de liberação sustentada ou prolongada.

Antagonista do receptor de N-metil D-aspartato (NMDA)/agonista sigma-1

Uma preparação combinada bupropiona/dextrometorfano oferece ainda outro mecanismo de ação. Como forte inibidor da CYP2D6, a bupropiona na combinação serve para limitar o metabolismo do dextrometorfano, que exerce efeitos antidepressivos por meio do antagonismo do receptor NMDA e do agonismo do receptor sigma-1.

Antidepressivos heterocíclicos (AHCs)

Esse grupo de medicamentos, antigo tratamento convencional, contém tricíclicos (as aminas terciárias amitriptilina e imipramina, e seus metabólitos secundários, as aminas nortriptilina e desipramina), tricíclicos modificados e antidepressivos tetracíclicos.

Agudamente, antidepressivos heterocíclicos aumentam, de forma, primária a disponibilidade de noradrenalina e, em alguma extensão, de 5-HT pelo bloqueio da recaptação na fenda sináptica. A administração crônica causa regulação para baixo de receptores alfa-1-adrenérgicos na membrana pós-sináptica — uma possível via final comum de sua atividade antidepressiva.

Apesar de serem eficientes, tais medicamentos raramente são utilizados hoje em dia, pois sua superdosagem ocasiona toxicidade e têm mais efeitos colaterais que os outros antidepressivos. Os efeitos colaterais mais comuns dos heterocíclicos derivam de seu bloqueio muscarínico e histamínico e de ações alfa-1-adrenolíticas. Muitos heterocíclicos têm propriedades anticolinérgicas forte e, portanto, não são adequados para pacientes idosos e aqueles com hipertrofia prostática benigna, glaucoma ou obstipação crônica. Todos os heterocíclicos, particularmente maprotilina e clomipramina, diminuem o limiar para convulsões.

Inibidores da monoaminoxidase (IMAOs)

Esses medicamentos inibem a desaminação oxidativa das 3 classes de aminas biogênicas (noradrenalina, dopamina e 5-HT) e de outras feniletilaminas.

Seu valor primário está no tratamento da depressão refratária ou atípica quando inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRSs), antidepressivos tricíclicos e, às vezes, terapia eletroconvulsiva (TEC) são ineficazes.

Inibidores da monoaminoxidase (IMAOs) comercializados como antidepressivos nos Estados Unidos (p. ex., fenelzina, tranilcipromina, isocarboxazida) são irreversíveis e não seletivos (inibem a MAO-A e MAO-B). Outro IMAO (selegilina), que inibe apenas a MAO-B em doses baixas, está disponível como adesivo.

Crises hipertensivas podem ocorrer se IMAOs que inibem MAO-A e MAO-B forem ingeridos simultaneamente com um medicamento simpatomimético ou alimento contendo tiramina ou dopamina. Esse efeito é chamado “reação do queijo”, pois o queijo curado tem alto conteúdo de tiramina. Os IMAO são pouco utilizados em razão da preocupação com essa reação. Dose baixa do adesivo de selegilina é considerada segura para uso sem restrições dietéticas específicas, a menos que a dose tenha que ser maior do que os níveis iniciais (um adesivo de 6 mg). Os IMAO reversíveis e mais seletivos (p. ex., moclobemida e befloxatona), os quais inibem MAO-A, são relativamente livres dessas interações, mas não estão disponíveis nos Estados Unidos.

Para prevenir crises hipertensivas e febris, pacientes que tomam IMAOs devem evitar simpatomiméticos (p. ex., pseudoefedrina), dextrometorfano, reserpina e meperidina, bem como cervejas à base de malte, vinhos Chianti, cerejas, licores, alimentos em conserva e envelhecidos, os quais contêm tiramina e dopamina (p. ex., fava, feijão, extratos com leveduras, figo em calda, uva passa, iogurte, queijo, creme azedo, molho de soja, peixes em conserva, caviar, fígado, casca de banana e carnes do tipo tender).

Os efeitos adversos comuns dos IMAOs são disfunção erétil (menos comum com a tranilcipromina), ansiedade, náuseas, tontura, insônia, edema nos pés e ganho ponderal.

Os IMAO não devem ser utilizados com outras classes de antidepressivos e devem transcorrer pelo menos 2 semanas (5 semanas com a fluoxetina, a qual tem meia-vida mais longa) de intervalo entre o uso das 2 classes de fármacos. IMAOs utilizados com antidepressivos que afetam o sistema 5-HT (p. ex., SSRIs) podem causar síndrome serotoninérgica (um distúrbio potencialmente fatal em que os pacientes podem exibir alterações do estado mental, hipertermia e hiperatividade autonômica e neuromuscular).

Pacientes recebendo IMAO e que também necessitam de medicamentos antiasmáticos ou antialérgicos, anestésicos locais ou gerais devem ser tratados por psiquiatra e um clínico, dentista ou anestesista com experiência em neuropsicofarmacologia.

Antidepressivo melatonérgico

A agomelatina é um agonista melatonérgico (MT1/MT2) e um antagonista do receptor de 5-HT2C que é tomado na hora de dormir. Ela é utilizada para episódios depressivos maiores.

A agomelatina tem menos efeitos adversos do que a maioria dos antidepressivos (5) e não provoca sedação diurna, insônia, ganho de peso ou disfunção sexual. Ela não é viciante e não causa sintomas de abstinência. Pode causar cefaleia, náuseas e diarreia. Ela também pode aumentar os níveis de enzimas hepáticas, e esses níveis devem ser avaliados antes do início do tratamento e a cada 6 semanas posteriormente. É contraindicada para os pacientes com disfunção hepática.

Cetamina e escetamina

A cetamina e escetamina (o enantiômero S da cetamina) são antagonistas do receptor de N-metil-D-aspartato (NMDA). Os receptores de NMDA são um subtipo de receptores de glutamato (6). Esses 2 agentes mostraram-se eficazes como terapia em pacientes com depressão unipolar resistente ao tratamento.

Acredita-se que o mecanismo presumido de ação da cetamina subanestésica comece com o bloqueio do receptor N-metil-D-aspartato (NMDA), que desinibe a liberação de glutamato. Isso, por sua vez, aumenta a síntese do fator neurotrófico derivado do encéfalo (FNDE) e por meio da ativação tanto do alvo de rapamicina de mamíferosquinases TOR (mTOR) como dos receptores para ácido alfa-amino-3-hidroxi-5-metil-4-isoxazol propiônico (AMPA), leva a aumentos rápidos da densidade dendrítica da coluna vertebral nas células piramidais corticais afetadas especificamente por estresse crônico e hipercortisolemia.

Como tratamento para depressão, a cetamina é geralmente administrada por via intravenosa, mas também pode ser administrada por via oral ou intranasal. O uso de cetamina para tratamento da depressão não é aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. A cetamina também é utilizada clinicamente como anestésico. Às vezes, também é utilizada como droga de abuso (6).

Uma única infusão de cetamina (dosagens estudadas variam de 0,1 a 1,0 mg/kg) resulta em remissão dos sintomas depressivos e demonstrou diminuir os sintomas depressivos em 4 horas, com efeito máximo em aproximadamente 24 horas (7, 8). O efeito terapêutico de uma dose única geralmente desaparece em 1 a 2 semanas. Múltiplas administrações ao longo de várias semanas prolongam a duração da melhora, mas as taxas de recaída são altas nos meses subsequentes (9). Os médicos que administram cetamina frequentemente ajustam o intervalo entre os tratamentos, e alguns pacientes conseguem manter a melhora com tratamentos mensais.

A maioria dos efeitos adversos da cetamina intravenosa é limitada a um período de 1 a 2 horas após a administração e pode incluir náusea, tontura, cefaleia, dissociação, ansiedade, aumentos na pressão arterial e aumentos na frequência cardíaca (10). Como a cetamina tem potencial de uso abusivo bem conhecido, a administração deve ser realizada em ambiente clínico. Deve-se monitorar o paciente na clínica por 2 horas após a administração e aconselhá-lo a não dirigir até o dia seguinte. O aumento agudo na pressão arterial pode exigir intervenção.

A escetamina é aprovada pela FDA para o tratamento da depressão resistente ao tratamento e do transtorno depressivo maior com suicidalidade. É administrada por via intranasal duas vezes por semana durante 4 semanas; a administração continuada depende da avaliação clínica.

A escetamina demonstrou ser eficaz no tratamento da depressão resistente ao tratamento e foi estudada como terapia adjuvante a um antidepressivo oral ou como monoterapia (11, 12). Os efeitos adversos geralmente se manifestam dentro de 2 horas após a administração e incluem náusea, tontura, cefaleia e dissociação (13).

Referências sobre classes de medicamentos antidepressivos

  1. 1. Montejo AL, Calama J, Rico-Villademoros F, et al. A Real-World Study on Antidepressant-Associated Sexual Dysfunction in 2144 Outpatients: The SALSEX I Study. Arch Sex Behav. 2019;48(3):923-933. doi:10.1007/s10508-018-1365-6

  2. 2. {Montejo AL, Llorca G, Izquierdo JA, Rico-Villademoros F. Incidência de disfunção sexual associada a agentes antidepressivos: um estudo prospectivo multicêntrico de 1022 pacientes ambulatoriais. Spanish Working Group for the Study of Psychotropic-Related Sexual Dysfunction. J Clin Psychiatry. 2001;62 Suppl 3:10-21.

  3. 3. Gosmann NP, Costa MA, Jaeger MB, et al. Incidence of adverse events and comparative tolerability of selective serotonin reuptake inhibitors, and serotonin and norepinephrine reuptake inhibitors for the treatment of anxiety, obsessive-compulsive, and stress disorders: a systematic review and network meta-analysis. Psychol Med. 2023;53(9):3783-3792. doi:10.1017/S0033291723001630

  4. 4. Dhillon S, Yang LP, Curran MP. Bupropion: A review of its use in the management of major depressive disorder. Drugs. 68(5):653-689, 2008. doi: 10.2165/00003495-200868050-00011. Erratum in: Drugs. 68(7):980, 2008.

  5. 5. Cipriani A, Furukawa TA, Salanti G, et al. Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs for the acute treatment of adults with major depressive disorder: a systematic review and network meta-analysis. Lancet. 2018;391(10128):1357-1366. doi:10.1016/S0140-6736(17)32802-7

  6. 6. Calder CN, Kwan ATH, Teopiz KM, et al. Number needed to treat (NNT) for ketamine and esketamine in adults with treatment-resistant depression: A systematic review and meta-analysis. J Affect Disord. 2024;356:753-762. doi:10.1016/j.jad.2024.04.039

  7. 7. Alnefeesi Y, Chen-Li D, Krane E, et al. Real-world effectiveness of ketamine in treatment-resistant depression: A systematic review & meta-analysis. J Psychiatr Res. 2022;151:693-709. doi:10.1016/j.jpsychires.2022.04.037

  8. 8. Newport DJ, Carpenter LL, McDonald WM, et al. Ketamine and Other NMDA Antagonists: Early Clinical Trials and Possible Mechanisms in Depression. Am J Psychiatry. 2015;172(10):950-966. doi:10.1176/appi.ajp.2015.15040465

  9. 9. McIntyre RS, Rosenblat JD, Nemeroff CB, et al. Synthesizing the Evidence for Ketamine and Esketamine in Treatment-Resistant Depression: An International Expert Opinion on the Available Evidence and Implementation. Am J Psychiatry. 2021;178(5):383-399. doi:10.1176/appi.ajp.2020.20081251

  10. 10. Short B, Fong J, Galvez V, Shelker W, Loo CK. Side-effects associated with ketamine use in depression: a systematic review. Lancet Psychiatry. 2018;5(1):65-78. doi:10.1016/S2215-0366(17)30272-9

  11. 11. Ouyang Y, Li J. Efficacy of esketamine nasal spray for treatment-resistant depression: A meta-analysis of randomized controlled studies. Medicine (Baltimore). 2025;104(9):e41495. doi:10.1097/MD.0000000000041495

  12. 12. Janik A, Qiu X, Lane R, et al. Esketamine Monotherapy in Adults With Treatment-Resistant Depression: A Randomized Clinical Trial. JAMA Psychiatry. 2025;82(9):877-887. doi:10.1001/jamapsychiatry.2025.1317

  13. 13. SPARVATO. Package insert. Janssen Pharmaceuticals; 2019.

Antidepressivos e risco de suicídio

Pacientes com depressão e outras condições psiquiátricas têm risco significativo de suicídio e devem ser cuidadosamente monitorados para comportamentos e ideação suicida. O risco de suicídio pode aumentar no início do tratamento da depressão, quando o retardo psicomotor e a indecisão podem ter melhorado, mas o humor deprimido melhorou apenas parcialmente. Ao iniciar o uso de antidepressivos ou aumentar sua dose, alguns pacientes sentem-se agitados, ansiosos e com maior gravidade do humor deprimido, o que pode aumentar a probabilidade de pensamentos suicidas e, em raras instâncias, até mesmo comportamento suicida.

Múltiplos estudos sugerem uma associação fraca entre o início do uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) e outros antidepressivos e o aumento do risco de pensamentos suicidas (e, raramente, tentativas) em crianças, adolescentes e adultos com menos de 25 anos, embora nem todos os estudos tenham relatado esse efeito (1–4) (ver também Comportamento Suicida e Tratamento de Transtornos Depressivos em Crianças e Adolescentes).

As advertências de saúde pública emitidas pelo U.S. Food and Drug Administration sobre a possível associação entre o uso de antidepressivos e pensamentos e tentativas de suicídio em crianças, adolescentes e adultos jovens inicialmente levaram a uma redução significativa (> 30%) nas prescrições de antidepressivos para essas populações nos Estados Unidos. Posteriormente, as taxas de suicídio em jovens aumentaram (5–7). Portanto, ao desencorajar o tratamento medicamentoso da depressão, essas advertências podem ter resultado temporariamente em mais, não menos, mortes por suicídio.

O tratamento adequado da depressão com medicamentos e/ou algum tipo de psicoterapia é considerado uma maneira eficaz de reduzir o risco geral de suicídio.

Considerando tanto a importância do tratamento eficaz da depressão quanto os riscos potenciais, a melhor abordagem é incentivar o tratamento adequado, administrado com as devidas precauções, tais como (8):

  • Agendar consultas e monitoramento mais frequentes no início do tratamento

  • Alertar claramente pacientes, familiares e outros entes queridos acerca de sintomas como agitação, insônia ou ideação suicida

  • Instruir pacientes, familiares e outras pessoas importantes para que chamem imediatamente o médico responsável pela prescrição ou procurar atendimento em outros lugares se os sintomas piorarem ou se ocorrer ideação

  • Prescrever antidepressivos que não são letais se tomados em doses excessivas

  • Dispensar antidepressivos em quantidades subletais

Quando os pacientes são identificados por seu médico como estando em risco de suicídio, a boa prática consiste em dispensar quantidades menores de medicamentos, a fim de reduzir a possibilidade de seu uso em uma tentativa de suicídio. Embora a maioria dos medicamentos apresente índice terapêutico suficientemente alto para que overdoses não sejam, em geral, letais, alguns poucos medicamentos possuem índice terapêutico estreito; portanto, a prescrição de quantidades menores é considerada boa prática para qualquer medicamento prescrito a pacientes com maior risco. Além disso, os médicos consideram não apenas os riscos dos medicamentos, mas também o risco de não otimizar o manejo da doença psiquiátrica primária com medicamentos ou terapia, bem como o potencial impacto negativo no risco de suicídio quando o tratamento não é plenamente otimizado.

Referências sobre antidepressivos e risco de suicídio

  1. 1. Eugene AR. Country-specific psychopharmacological risk of reporting suicidality comparing 38 antidepressants and lithium from the FDA Adverse Event Reporting System, 2017-2023. Front Psychiatry. 2024;15:1442490. Published 2024 Nov 1. doi:10.3389/fpsyt.2024.1442490

  2. 2. Björkenstam C, Möller J, Ringbäck G, Salmi P, Hallqvist J, Ljung R. An association between initiation of selective serotonin reuptake inhibitors and suicide - a nationwide register-based case-crossover study. PLoS One. 2013;8(9):e73973. Published 2013 Sep 9. doi:10.1371/journal.pone.0073973

  3. 3. Cheung K, Aarts N, Noordam R, et al. Antidepressant use and the risk of suicide: a population-based cohort study. J Affect Disord. 2015;174:479-484. doi:10.1016/j.jad.2014.12.032

  4. 4. Dragioti E, Solmi M, Favaro A, et al. Association of Antidepressant Use With Adverse Health Outcomes: A Systematic Umbrella Review [published correction appears in JAMA Psychiatry. 2021 May 1;78(5):569. doi: 10.1001/jamapsychiatry.2021.0314.]. JAMA Psychiatry. 2019;76(12):1241-1255. doi:10.1001/jamapsychiatry.2019.2859

  5. 5. Lu CY, Zhang F, Lakoma MD, et al. Changes in antidepressant use by young people and suicidal behavior after FDA warnings and media coverage: quasi-experimental study. BMJ. 2014;348:g3596. Published 2014 Jun 18. doi:10.1136/bmj.g3596

  6. 6. Gibbons RD, Brown CH, Hur K, et al. Early evidence on the effects of regulators' suicidality warnings on SSRI prescriptions and suicide in children and adolescents. Am J Psychiatry. 2007;164(9):1356-1363. doi:10.1176/appi.ajp.2007.07030454

  7. 7. National Library of Medicine. DailyMed. Label: PROZAC- fluoxetine hydrochloride capsule. Accessed October 2, 2025.

  8. 8. Zisook S, Domingues I, Compton J. Pharmacologic Approaches to Suicide Prevention. Focus (Am Psychiatr Publ). 2023;21(2):137-144. doi:10.1176/appi.focus.20220076

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