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Cuidados hospitalares e idosos

Por

Debra Bakerjian

, PhD, APRN, Betty Irene Moore School of Nursing, UC Davis

Última modificação do conteúdo fev 2018
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Recursos do assunto

Um hospital pode prestar cuidados médicos emergenciais, testes diagnósticos, tratamentos intensivos ou cirúrgicos, que podem ou não necessitar a internação. Os idosos usam mais os hospitais que os jovens; têm maior taxa de admissão hospitalar ao serviço de emergência e estadias mais longas, além de usarem mais recursos quando são hospitalizados.

Cuidados no serviço de emergência

Em 2011, cerca de 20% das pessoas com 65 a 74 de idade e 27% das pessoas com ≥ 75 anos passaram pelo menos uma vez pelo serviço de emergência. Os idosos tendem a ser mais enfermos. Mais de 40% dos pacientes idosos atendidos no serviço de emergência são internados no hospital; 6% vão para unidade de terapia intensiva. São prescritos novos fármacos para mais de 50% deles. O idoso pode usar o serviço de emergência em substituição aos cuidados primários ou por não estar recebendo os cuidados adequados do seu médico de tratamento primário. Em geral, as consultas ao DE são decorrentes de colapsos na estrutura social de um paciente idoso frágil — p. ex., a ausência ou doença do cuidador pode levar as pessoas a chamar uma ambulância em vez de ir ao consultório médico. No entanto, em muitos casos, as razões são emergências reais.

Uma consulta no serviço de emergência pode gerar mais estresse aos idosos porque tipicamente não há acomodações especiais para eles (p. ex., quartos silenciosos, camas mais baixas, travesseiros extras, iluminação indireta).

A avaliação do idoso normalmente leva mais tempo e requer mais testes diagnósticos, isto porque muitos idosos não apresentam sintomas bem definidos ou típicos e sinais de uma determinada doença. Por exemplo, o infarto do miocárdio se manifesta com dores no peito em < 50% dos pacientes com > 80 anos. Em vez disso, os idosos podem se queixar de sensação de fraqueza generalizada ou simplesmente não sentirem nada.

Os fatores que não são aparentes (p. ex., polifarmácia e efeitos adversos dos fármacos) podem afetar a apresentação do paciente idoso. Por exemplo, uma queda pode resultar de abuso ao idoso, efeito adverso de um fármaco (p. ex., supersedação), de riscos domésticos, problemas físicos (p. ex., falta de acuidade visual), depressão ou alcoolismo crônico. Os efeitos adversos dos fármacos representam pelo menos 5% das admissões hospitalares do idoso.

Cerca de 30 a 40% dos indivíduos idosos que chegam aos serviços de emergência têm transtornos cognitivos, mas não têm diagnóstico de demência; em 10%, não é reconhecido um transtorno cognitivo compatível com delirium. Quando indicado (p. ex., se um paciente idoso tem dificuldade de orientar-se em relação a pessoas, lugares ou tempo), deve-se fazer uma avaliação cognitiva padronizada no departamento de emergência. No entanto, uma avaliação cognitiva padronizada é apropriada para qualquer paciente idoso que chegue ao serviço de emergência. O transtorno cognitivo afeta a confiabilidade da história do paciente, bem como o diagnóstico, aumenta o risco de delirium durante a internação e deve ser considerado quando se planeja a disposição do paciente. Saber se o início do transtorno cognitivo é recente ajuda a determinar se a disfunção deve ser totalmente avaliada no serviço de emergência. O transtorno cognitivo de início recente pode indicar sepse, hemorragia subdural oculta ou efeito adverso de um fármaco.

O risco de suicídio, o risco de quedas, a incontinência e os estados nutricional e de imunização devem ser avaliados no serviço de emergência para que sejam disponibilizados cuidados de acompanhamento.

Comunicação entre os profissionais

A boa comunicação entre os médicos do serviço de emergência e os pacientes, cuidadores, médicos de cuidados primários e membros da equipe de cuidados de longa permanência aumenta significativamente a evolução dos pacientes idosos com problemas complicados. As diretivas antecipadas devem ser pronta e claramente comunicadas aos médicos do serviço de emergência. A informação inicial do médico pessoal do paciente facilita a avaliação e o planejamento do tratamento no serviço de emergência. Os relatórios do médico de cuidados primários do paciente devem descrever até as lesões simples (p. ex., entorse de tornozelo, fratura de punho de Colles), uma vez que tais lesões podem afetar significativamente a capacidade funcional e a independência.

Disposição

O planejamento da alta hospitalar pode ser complexo devido a doença ou lesão aguda e pode prejudicar a capacidade funcional, sobretudo em pacientes idosos (p. ex., uma simples entorse de tornozelo pode ser incapacitante, a menos que o indivíduo tenha um bom suporte em casa). O planejamento da alta pode ser melhorado quando enfermeiros, assistentes sociais e médicos de cuidados primários estão envolvidos. Isto deve incluir o seguinte:

  • Estratégias para lidar com problemas (p. ex., depressão, alcoolismo e incapacidade funcional) identificados na avaliação do serviço de emergência

  • Determinar se os pacientes são capazes de obter e tomar os fármacos de acordo com as orientações e obterem cuidados de acompanhamento necessários

  • Avaliação das capacidades do cuidador (p. ex., se os serviços temporários de descanso são necessários)

Muitos pacientes idosos são hospitalizados depois de serem avaliados no serviço de emergência.

Ocasionalmente, os idosos são levados ao serviço de emergência por cuidadores que se recusam a levá-los de volta para casa ou que vão embora, abandonando os pacientes no hospital.

Hospitalização

Quase metade dos adultos que ocupam os leitos hospitalares tem 65 anos; espera-se que esta proporção aumente com o envelhecimento da população. Os custos para o Medicare dos tratamentos hospitalares foram cerca de US$ 149 bilhões/ano em 2015, representando 25% das despesas de saúde para o tratamento hospitalar nos EUA (1).

A hospitalização pode potencializar a magnitude das alterações fisiológicas relacionadas à idade e aumentar a morbidade.

Somente os pacientes idosos em estado grave, que não podem ser adequadamente atendidos em outros locais, devem ser hospitalizados. A hospitalização por si só apresenta riscos aos pacientes idosos por envolver confinamento, imobilidade, testes diagnósticos e tratamentos (particularmente, mudanças no regime medicamentoso). Quando os pacientes são transferidos para ou de um hospital, é provável que novos fármacos sejam acrescentados ou alterados, levando a maior risco de efeitos adversos. O tratamento em hospitais pode ser desumanizador e impessoal. O cuidado hospitalar agudo deve durar somente o tempo necessário para permitir a transição bem-sucedida para a assistência domiciliar, unidade de enfermagem especializada ou programa de reabilitação ambulatorial.

O resultado da hospitalização parece ser mais pobre com o avanço da idade, embora a idade fisiológica seja um preditor mais importante do resultado que a cronológica. O resultado é melhor para pacientes hospitalizados devido a procedimentos eletivos (p. ex., substituição da articulação) do que para aqueles hospitalizados por doenças graves (p. ex., falência de múltiplos órgãos e sistemas).

Cerca de 75% dos pacientes com 75 anos, que são funcionalmente independentes à admissão hospitalar, tornam-se dependentes ao receberem alta; 15% dos pacientes com 75 anos são encaminhados para instituições de enfermagem especializada quando recebem alta. A tendência à abreviação da permanência hospitalar aguda, seguida por cuidados subagudos e de reabilitação em uma unidade de enfermagem qualificada, pode explicar essas porcentagens elevadas. No entanto, mesmo quando uma doença é tratável ou surgem complicações, os pacientes podem não voltar ao estado funcional pré-hospitalar.

Melhora dos resultados

As seguintes estratégias podem auxiliar na diminuição do declínio funcional e na melhora dos cuidados aos pacientes idosos:

  • Equipe interdisciplinar de geriatria: para identificar e atender as necessidades complexas dos pacientes idosos e para observar e prevenir problemas comuns em idosos e que podem se desenvolver ou piorar durante a hospitalização

  • Cuidados primários de enfermagem (enfermeira por tempo integral responsável com um paciente em particular): para administração do plano de cuidados da equipe, monitoramento da resposta aos cuidados médicos e de enfermagem, assim como para o ensino e aconselhamento dos pacientes, membros da equipe e familiares

  • Mudanças no ambiente hospitalar, muitas vezes feitas por enfermeiros: por exemplo, transferir os pacientes contestadores para o local próximo ao posto de enfermagem ou trocar os companheiros de quarto

  • Programas de quarto compartilhado com um membro da família: para prestar cuidados melhores para cada paciente, aliviar os membros da equipe de algumas tarefas de cuidados, acalmar a ansiedade do paciente (especialmente quando tem delirium ou demência) e para permitir que familiar participe ativamente da recuperação do paciente

  • Boa comunicação entre os médicos: para evitar erros e duplicação de procedimentos de diagnósticos e tratamentos (principalmente fármacos)

  • Documentação do regime terapêutico: para registrar a indicação para cada novo fármaco, manter uma lista diária de fármacos prescritos e recebidos, e, dessa forma, evitar o uso de fármacos desnecessários e ajudar a evitar interações medicamentosas

  • Diretivas antecipadas: para documentar as escolhas do paciente em relação aos aspectos legais do tratamento e as decisões sobre cuidados de saúde

  • Mobilização precoce e participação em atividades funcionais: para evitar a deterioração física devido à diminuição das atividades durante doença e hospitalização

  • Planejamento da alta: assegurar que os cuidados adequados sejam continuados.

  • Unidades de cuidados agudos de idosos (ACE): para fornecer assistência eficaz para os idosos hospitalizados usando a maioria das estratégias listadas acima

As diretivas antecipadas, se já estiverem preparadas, devem ser levadas para o hospital o mais rápido possível. Os médicos devem reafirmar essas escolhas durante a hospitalização aguda. Se as diretivas não forem documentadas, os médicos deverão envidar todos os esforços para determinar a vontade do paciente.

Os problemas comuns em idosos requerem consideração específica durante a hospitalização, principalmente durante cuidados pós-operatórios; muitos deles podem ser lembrados usando o acrônimo CLDERCS. No hospital, os pacientes idosos frequentemente vivenciam confusão noturna (síndrome do pôr do sol), fraturam ossos sem traumas identificáveis, caem ou se tornam incapazes de andar. A hospitalização pode precipitar ou agravar a desnutrição, úlceras de pressão, incontinência urinária, impactação fecal e retenção urinária. Tais problemas podem prolongar a convalescença.

Tabela
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ALOERCS: algumas questões importantes para o idoso EM

Acrônimo

Questão

A

Alimentação (estado nutricional)

L

Lucidez (estado mental)

O

Orientações para limitação do cuidado (p. ex., não reanimar)

E

Eliminação (incontinência)

R

Reabilitação (necessária devido aos efeitos do imobilismo em leito)

C

Cuidados com a pele (para prevenir e tratar úlceras de pressão)

S

Serviços sociais (planejamento de alta hospitalar)

Referência sobre hospitalização

Efeitos adversos dos fármacos

As taxas de hospitalização causadas por efeitos adversos de fármacos são 4 vezes maiores em idosos ( 17%) quando comparadas aos jovens (4%). As razões desses efeitos incluem

  • Polifarmácia

  • Alterações relacionadas à idade na farmacocinética e farmacodinâmica

  • Mudanças intencionais e não intencionais nos fármacos durante a internação e na alta ( Problemas relacionados a fármacos em idosos)

Prevenção

A manutenção de uma lista diária de fármacos prescritos e recebidos pode auxiliar a evitar os efeitos adversos e interações medicamentosas.

As seguintes considerações devem ser adotadas, visto que distribuição, metabolismo e eliminação dos fármacos são amplamente variáveis nos pacientes idosos:

  • As doses dos fármacos devem ser cuidadosamente tituladas.

  • O depuração de creatinina dos fármacos excretados por via renal deve ser calculado, quando as doses forem ajustadas.

  • Os níveis séricos do fármaco devem ser medidos.

  • As respostas dos pacientes devem ser observadas.

Certos fármacos ou categorias de fármacos devem ser evitados em indivíduos idosos ( Fármacos potencialmente inapropriados em idosos (com base nos critérios de Beers da American Geriatrics Society atualizados em 2015)). Deve-se minimizar o uso de fármacos hipnóticos porque pode ocorrer taquifilaxia e o risco de quedas e delirium é maior; deve-se tentar medidas para melhorar a higiene do sono antes das medicações. Se as medicações forem necessárias, os benzodiazepínicos de curta ação normalmente representarão a melhor escolha. Os anti-histamínicos têm efeitos anticolinérgicos e não devem ser utilizados para sedação.

Efeitos do repouso em leito

O repouso prolongado em leito, como pode ocorrer durante a hospitalização, causa descondicionamento e raramente é justificado. A inatividade resultante tem os seguintes efeitos:

  • Com a inatividade completa, a força muscular diminui em 5% ao dia, aumentando o risco de quedas.

  • Os músculos se encurtam e há alterações estruturais articulares cartilaginosas e periarticulares (mais rapidamente nas pernas), limitando o movimento e contribuindo para o desenvolvimento de contraturas.

  • A capacidade aeróbica diminui acentuadamente, reduzindo de forma substancial o consumo máximo de O2.

  • Há perda óssea (desmineralização) acelerada.

  • Risco maior de trombose venosa profunda.

Mesmo depois de alguns dias de repouso prolongado no leito, os pacientes idosos com reduzidas reservas fisiológicas, mas que ainda podem funcionar de forma independente, podem também perder essa capacidade. Ainda que a perda seja reversível, exige intervenção cara e relativamente longa com reabilitação física.

Em pacientes idosos, o repouso prolongado no leito pode causar perda de massa óssea vertebral 50 vezes mais rápida do que em jovens. A perda ocorrida em 10 dias de repouso prolongado no leito leva 4 meses para ser restaurada.

Prevenção

A menos que proibida por alguma razão específica, a atividade (particularmente, caminhada) deve ser incentivada. Os terapeutas devem prestar auxílio em horários programados, caso seja necessário, para a deambulação. No entanto, os médicos, enfermeiros e membros da família também devem ajudar os pacientes a caminhar durante o dia. As ordens hospitalares devem enfatizar a necessidade da atividade.

Os procedimentos para a prevenção de trombose venosa profunda são recomendados, a menos que contraindicados, caso a imobilização seja necessária ou resultante de doença prolongada.

A reabilitação muitas vezes é necessária. As metas realistas para a reabilitação domiciliar podem ser baseadas no nível de atividade pré-hospitalização e necessidades atuais.

Quedas

As alterações relacionadas à idade (p. ex., falta de sensibilidade dos barorreceptores, diminuição da água corporal e do volume plasmático) resultam em tendência ao desenvolvimento de hipotensão ortostática. Essas alterações associadas aos efeitos do repouso prolongado no leito e uso de sedativos e certos anti-hipertensivos aumentam o risco de quedas (e síncope).

Em pacientes idosos hospitalizados, > 60% das quedas ocorrem no banheiro; muitas vezes, os pacientes são atingidos por objetos duros. Alguns pacientes caem ao saírem dos leitos hospitalares. Os pacientes estão em umo leito estranha e em ambiente estranho e podem facilmente ficar confusos. Embora grades no leito possam ajudar a lembrá-los de pedir ajuda antes de tentar se levantar, elas podem também ser escaladas por eles, contribuindo para as quedas.

Prevenção

Normalmente, as grades do leito devem ser removidas ou mantidas abaixadas. As melhores alternativas para o uso de restrições físicas ou químicas são identificar, analisar com cuidado e modificar ou corrigir fatores de risco de quedas (incluindo agitação) e observar cuidadosamente os pacientes em risco. Usar camas baixas e manter desimpedidas as vias em quartos e corredores também pode ajudar a reduzir o risco de quedas.

Incontinência

A incontinência urinária ou fecal se desenvolve em > 40% dos pacientes hospitalizados com 65 anos, muitas vezes no dia da internação. As razões incluem

  • Ambiente não familiar

  • Caminho confuso para o banheiro

  • Doenças que prejudicam a deambulação

  • Cama muito alta

  • Grades da cama

  • Equipamentos difíceis de serem manipulados, com os acessos IV instiladores de oxigênio nasal, monitores cardíacos e cateteres

  • Fármacos psicoativos que podem reduzir a percepção da necessidade de urinar, inibir função vesical ou intestinal ou prejudicar a deambulação

  • Fármacos que podem resultar em incontinência urinária (p. ex., anticolinérgicos, opioides, que causam excessiva incontinência urinária; e os diuréticos, que causam incontinência de urgência)

As “comadres” podem ser desconfortáveis, especialmente para pacientes pós-cirúrgicos ou pacientes com artrite crônica. Os pacientes com demência ou distúrbio neurológico podem ser incapazes de usar a campainha de chamada para solicitar assistência ao banheiro.

A impactação fecal, infecção no trato gastrointestinal (p. ex., colite induzida por Clostridium difficile), efeitos adversos dos fármacos e suplementos nutricionais podem causar diarreia incontrolável.

Com o diagnóstico e tratamento adequados, a continência pode ser restabelecida.

Alterações do estado mental

Os pacientes idosos podem parecer confusos por terem demência, delirium, depressão ou a combinação de alguns desses. No entanto, os profissionais de saúde devem sempre lembrar que a confusão pode ter outras causas, e sua presença exige avaliação completa.

A confusão pode decorrer de uma doença específica ( Causas do delírio). No entanto, ela pode ocorrer ou ser exacerbada porque o ambiente hospitalar agrava os efeitos da doença aguda e alterações cognitivas relacionadas à idade. Por exemplo, os pacientes idosos sem os seus óculos e aparelhos auditivos podem tornar-se desorientados em uma sala de hospital calma e inadequadamente iluminada. Os pacientes também podem tornar-se confusos com os procedimentos hospitalares programados (p. ex., despertares frequentes em ambientes e salas estranhas), efeitos de fármacos psicoativos e o estresse da cirurgia ou doença. Na unidade de terapia intensiva, a luz constante e o ruído podem resultar em agitação, ideias paranoicas e exaustão física e mental.

Prevenção

Os membros da família podem ser solicitados a trazer os óculos e aparelhos auditivos que foram esquecidos. Colocar um relógio de parede, calendário e fotografias da família na sala pode ajudar a manter os pacientes orientados. O quarto deve ser iluminado o suficiente para permitir que os pacientes reconheçam o que e quem está em seu quarto e onde se encontram. Sempre que apropriado, os membros da equipe e da família devem periodicamente lembrar os pacientes do tempo e local. Os procedimentos devem ser explicados antes e como eles serão efetuados.

O uso de restrições físicas é desencorajado. Para os pacientes agitados, as restrições aumentam invariavelmente, de acordo com o nível de agitação. A identificação e a modificação dos fatores de risco da agitação, assim como a observação detalhada dos pacientes, podem ajudar a preveni-la ou minimizá-la. Dispositivos invasivos e não invasivos conectados aos pacientes (p. ex., oxímetros de pulso, cateteres urinários, linhas IV) também podem causar agitação; deve-se considerar a relação risco:benefício dessas intervenções.

Escaras de decúbito

As úlceras de pressão se desenvolvem com frequência em pacientes idosos hospitalizados devido a alterações cutâneas relacionadas à idade. A pressão direta pode causar necrose cutânea em apenas 2 h, caso a pressão seja maior que a pressão de perfusão capilar de 32 mmHg. As úlceras de pressão podem começar a se desenvolver em uma visita típica ao serviço de emergência, enquanto os pacientes idosos estão deitados uma maca dura à espera de serem avaliados. Após curtos períodos de imobilização, as pressões sacrais chegam a 70 mmHg e a pressão sob uma carga não suportada atinge em média 45 mmHg. Ocorrem forças de cisalhamento quando os pacientes permanecem sentados em cadeiras de rodas ou apoiados no leito. Incontinência, nutrição inadequada e doenças crônicas podem contribuir para o desenvolvimento das úlceras de pressão.

Prevenção

Deve-se iniciar um protocolo para prevenção e tratamento das feridas por pressão imediatamente no momento da internação. Deve ser observado diariamente pelo enfermeiro de cuidados primários e revisto regularmente pela equipe interdisciplinar. As úlceras de pressão podem representar a única razão para o envio dos pacientes a uma instituição de longa permanência em vez de voltarem para casa.

Desnutrição

No hospital, os pacientes idosos podem ficar rapidamente desnutridos ou estar desnutridos quando são admitidos. A hospitalização prolongada agrava os problemas preexistentes e geralmente resulta em perda nutricional significativa. A desnutrição é particularmente grave nos pacientes hospitalizados por serem menos capazes de combater infecções, manter a integridade da pele e participar da reabilitação; as feridas cirúrgicas podem não cicatrizar bem.

A hospitalização contribui para a desnutrição de várias formas:

  • As refeições rigorosamente programadas, o uso de fármacos e as mudanças no ambiente podem afetar o apetite e a ingestão nutricional.

  • A comida hospitalar e as dietas terapêuticas (p. ex., dietas com restrição de sal) não são familiares e, muitas vezes, pouco apetitosas

  • É difícil comer em umo leito de hospital com uma bandeja, principalmente quando as grades do leito e as restrições limitam o movimento.

  • Os pacientes idosos podem precisar de ajuda na alimentação; a ajuda pode demorar para vir, resultando em comida fria e pouco apetitosa.

  • O idoso pode não estar bebendo água o suficiente porque sua percepção de sede está reduzida, a água é de difícil acesso ou ambos os casos; pode se desenvolver desidratação grave (algumas vezes, levando a letargia e oonfusão).

  • As dentaduras podem ser deixadas em casa ou fora do lugar, dificultando a mastigação; as dentaduras etiquetadas ajudam a evitar que sejam perdidas ou descartadas com a bandeja de comida.

Prevenção

Os pacientes com alterações nutricionais preexistentes devem ser identificados no processo de admissão e adequadamente tratados. Os médicos e funcionários devem se antecipar e prevenir as deficiências nutricionais em pacientes idosos.

As seguintes medidas podem ajudar:

  • Interrupção de quaisquer ordens de restrição alimentar o mais rápido possível

  • Monitorar a ingestão nutricional diária

  • Conferir com os pacientes e membros da família as preferências alimentares e tentar adaptar uma dieta específica razoável para cada paciente

  • Incentivar os membros da família a se unir ao paciente no horário das refeições, visto que as pessoas comem mais quando estão em presença de outros

  • Ter certeza de que os pacientes são adequadamente alimentados em todos os momentos (p. ex., garantir que as refeições sejam servidas se os pacientes estiverem fora de sua unidade de exames ou na hora da refeição)

  • Considere o uso de nutrição parenteral temporária ou permanente ou alimentação por tubo gastrointestinal no caso de pacientes com dificuldade de engolir

  • Dar ordens explícitas para o paciente ingerir líquidos (p. ex., fornecer um jarro de água fresca e facilmente acessível na cabeceira do leito ou outros líquidos, a menos que os líquidos sejam limitados; aconselhar os membros da família, amigos e membros da equipe a oferecerem regularmente líquidos aos pacientes)

Transições do atendimento

Uma transição do atendimento ocorre sempre que um paciente muda de um ambiente de atendimento para outro. Na última década, pesquisas significativas mostraram que o atendimento ao paciente durante as transições são fragmentados, frequentemente apressados e não há comunicação entre os profissionais, o que resulta em efeitos desfavoráveis para os pacientes. Nas transições do atendimento é quando acontece o maior número de erros, criando maior risco de morbidade e mortalidade, particularmente para idosos que nem sempre podem se defender. Os profissionais que atendem idosos devem prestar atenção especial aos muitos pontos de transição que ocorrem quando um idoso entra no sistema de saúde. As melhores práticas incluem assegurar que

  • Todos os prontuários médicos relevantes sejam transferidos

  • O paciente e a família estejam totalmente informados sobre o que esperar da nova instituição de saúde

  • Ocorra uma transferência cordial—pelo menos, uma ligação telefônica entre a instituição que dá alta e aquela que recebe o paciente e, idealmente, uma ligação telefônica entre o médico que assina a alta e aquele que recebe o paciente.

Informações adicionais

Plano de alta e transferência

Inicialmente, o planejamento eficaz da alta tem muitos benefícios:

  • Abreviar o tempo de hospitalização

  • Reduzir a probabilidade de nova hospitalização

  • Identificar as alternativas de cuidados mai baratos

  • Facilitar a colocação de equipamentos (p. ex., leito hospitalar, oxigênio) na casa do paciente

  • Ajudar a aumentar a satisfação do paciente

  • Possivelmente evitar o envio para uma instituição de longa permanência

Assim que o paciente é admitido, todos os membros da equipe interdisciplinar iniciam o planejamento da alta. O assistente social ou coordenador de planejamento de alta avalia as necessidades do paciente dentro de 24 h da admissão. Os enfermeiros ajudam os médicos a determinar quando a alta é segura e qual é o estabelecimento mais adequado.

Para casa

Os pacientes que recebem alta para ir para casa precisam de instruções detalhadas sobre os cuidados de acompanhamento e os membros da família ou outros cuidadores podem precisar de treinamento para prestar esses cuidados. Existe a probabilidade de resultados adversos e de nova hospitalização, caso os pacientes e familiares não sejam ensinados a administrar os fármacos, implementar o tratamento e monitorar a recuperação. As consultas de acompanhamento e os horários dos fármacos podem ajudar os pacientes e familiares. No momento da alta, uma cópia do plano de alta deve ser fornecido aos pacientes ou membros da família, caso tenham dúvidas sobre os cuidados antes de o médico de cuidados primários receber o plano oficial.

Para outra instituição de cuidados de saúde

Quando um paciente recebe alta e é transferido para uma instituição de longa permanência ou outro tipo de instituição, deve-se enviar eletronicamente um resumo por escrito para a instituição receptora e também fazer uma ligação telefônica para essa instituição. Idealmente, o médico que assina a alta deve ligar para o médico ou enfermeiro ou profissional de enfermagem que cuidará do paciente na nova instituição. O resumo deve conter informações completas e precisas sobre os seguintes itens:

  • Estado mental e funcional do paciente

  • Horários em que o paciente recebeu os últimos fármacos

  • Lista dos fármacos e dosagens que estão sendo usadas atualmente

  • Alergias conhecidas a fármacos

  • Diretivas antecipadas, incluindo o estado de reanimação

  • Contatos familiares e de apoio

  • Acompanhamento de consultas e exames

  • Um resumo do atendimento prestado no hospital, incluindo cópias dos exames e procedimentos relevantes

  • Nomes e números de telefone de um enfermeiro e do médico que podem dar informações adicionais

Uma cópia escrita da história médica e social do paciente deve acompanhar o paciente durante a transferência e também pode ser enviada eletronicamente para a instituição que o receberá para assegurar que não ocorram lacunas de informações.

A comunicação eficaz entre os membros da equipe das instituições ajuda a garantir cuidados continuados. Por exemplo, o enfermeiro do paciente pode ligar para a instituição de acolhimento para analisar as informações pouco antes da transferência do paciente e telefonar para o enfermeiro que cuidará do paciente após alta.

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