Evento inexplicável breve resolvido (EIBR)

PorRichard D. Goldstein, MD, Harvard Medical School
Reviewed ByMichael SD Agus, MD, Harvard Medical School
Revisado/Corrigido: modificado out. 2025
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Visão Educação para o paciente

EBIR (eventos breves, inexplicáveis e resolvidos) denota um episódio de cianose ou palidez, respiração anormal, tônus muscular anormal ou responsividade alterada em lactente. O EBIR não é uma doença específica e é diagnosticado apenas quando nenhuma outra causa é identificada para um evento que se qualifica. O consenso entre especialistas é de que o EIBR é uma entidade distinta da SMSL (síndrome da morte súbita do lactente) e da MSIL (morte súbita inesperada do lactente). 

O EIBR é formalmente definido como um evento que ocorre em um lactente < 1 ano de idade, relatado por um observador como um episódio súbito, breve e depois resolvido, e inclui ≥ 1 dos seguintes (1):

  • Cianose ou palidez

  • Respiração ausente, diminuída ou irregular

  • Alteração acentuada do tônus (hipertonia ou hipotonia)

  • Nível alterado de responsividade

Os elementos definidores de um EIBR são: duração de < 1 minuto (breve); retorno ao estado basal de saúde com sinais vitais e aparência normais após o episódio (resolvido); e ausência de detecção de uma condição médica subjacente explicativa na avaliação inicial (inexplicado). O EIBR só pode ser diagnosticado quando não há explicação para o evento qualificador após a realização de uma anamnese e exame físico adequados. Lactentes sintomáticos, por exemplo, aqueles com febre ou desconforto respiratório, são excluídos deste diagnóstico, assim como qualquer lactente cuja anamnese ou avaliação física sugira uma causa.

Eventos semelhantes eram anteriormente denominados eventos com aparente risco de morte (EARMs), que descreviam eventos assustadores e de curta duração em lactentes que os cuidadores temiam ser fatais (2). Embora a definição de EARM se sobreponha ao EIBR, os dois são entidades separadas. Por fim, pesquisas demonstraram que a maioria dos EARMs não representa risco de morte, e os médicos passaram a reconhecer que o critério diagnóstico de "assustador para o observador" é menos útil clinicamente do que as descrições fisiológicas do lactente durante o evento (sem, de modo algum, minimizar a importância de os cuidadores agirem com responsabilidade ao buscar atendimento médico). Além disso, o estudo dos elementos fisiológicos permitiu aos médicos diferenciar entre eventos de alto risco que requerem diagnóstico definitivo e eventos de baixo risco nos quais uma avaliação adicional provavelmente não será útil.

Relação com a SMSL

A terminologia sobre esses tipos de eventos evoluiu ao longo do tempo. O constructo diagnóstico do EIBR evoluiu do estudo de eventos médicos que eram chamados de "quase-SMSL". Frequentemente, lactentes que passam por tal evento são levados ao atendimento médico por um cuidador que interrompeu o evento e está preocupado com a possibilidade de que fosse fatal.

Além das questões sobre se lactentes que têm SMSL podem ser reanimados ou sobreviver, a SMSL e o EIBR têm perfis de risco distintos, e o consenso atual entre especialistas médicos é que eles não estão relacionados. A distinção baseia-se em vários fatores:

  • Idades diferentes de pico de incidência (SMSL: 1 a 4 meses com pico no terceiro mês de vida; EIBR: < 2 meses) (3–5)

  • Razão homem:mulher diferente (SMSL: 1,5:1; EIBR: 1:1) (3, 6)

  • Risco substancialmente maior de SMSL/MSIL associado à prematuridade e baixo peso ao nascer em comparação ao EIBR (7, 8)

  • Forte associação da SMSL, mas não do EIBR, com o sono e elementos do ambiente do sono (dormir em decúbito ventral, dormir em sofás, a maioria dos eventos ocorrendo durante as horas de sono e muitos após a meia-noite) (4, 9)

  • Resposta diferencial das taxas de eventos após a maior adoção do sono em decúbito dorsal (a taxa de SMSL diminuiu, a taxa de EIBR/EARM não) (10)

Diferenças adicionais nos perfis de fatores de risco também foram descritas (8, 11). Embora a apneia esteja incluída no diagnóstico diferencial do EIBR, sua associação com a SMSL é fraca, e numerosos estudos ao longo dos anos não conseguiram confirmar uma relação causal entre apneia preexistente e SMSL (4). O aleitamento materno e o consumo de leite humano são protetores contra a SMSL; enquanto fatores como superalimentação e coordenação da alimentação estão relacionados ao EIBR (1, 12, 13).

O tabagismo materno é um fator de risco tanto para a SMSL quanto para o EIBR.

Referências gerais

  1. 1. Tieder JS, Bonkowsky JL, Etzel RA, et al. Brief Resolved Unexplained Events (Formerly Apparent Life-Threatening Events) and Evaluation of Lower-Risk Infants. Pediatrics. 2016;137(5):e20160590. doi:10.1542/peds.2016-0590

  2. 2. National Institutes of Health Consensus Development Conference on Infantile Apnea and Home Monitoring, Sept 29 to Oct 1, 1986. Pediatrics. 1987;79(2):292-299.

  3. 3. Nama N, Shen Y, Bone JN, et al. External Validation of Brief Resolved Unexplained Events Prediction Rules for Serious Underlying Diagnosis. JAMA Pediatr. 2025;179(2):188-196. doi:10.1001/jamapediatrics.2024.4399

  4. 4. Moon RY, Carlin RF, Hand I; TASK FORCE ON SUDDEN INFANT DEATH SYNDROME and THE COMMITTEE ON FETUS AND NEWBORN. Evidence Base for 2022 Updated Recommendations for a Safe Infant Sleeping Environment to Reduce the Risk of Sleep-Related Infant Deaths. Pediatrics. 2022;150(1):e2022057991. doi:10.1542/peds.2022-057991

  5. 5. Habich M, Zielenkiewicz P, Paczek L, Szczesny P. Correlation of gestational age and age at death in sudden infant death syndrome: another pointer to the role of critical developmental period?. BMC Pediatr. 2024;24(1):259. Published 2024 Apr 19. doi:10.1186/s12887-024-04712-3

  6. 6. Oltman SP, Rogers EE, Baer RJ, et al. Early Newborn Metabolic Patterning and Sudden Infant Death Syndrome. JAMA Pediatr. 2024;178(11):1183-1191. doi:10.1001/jamapediatrics.2024.3033

  7. 7. Carlin RF, Moon RY. Risk Factors, Protective Factors, and Current Recommendations to Reduce Sudden Infant Death Syndrome: A Review. JAMA Pediatr. 2017;171(2):175-180. doi:10.1001/jamapediatrics.2016.3345

  8. 8. Esani N, Hodgman JE, Ehsani N, Hoppenbrouwers T. Apparent life-threatening events and sudden infant death syndrome: comparison of risk factors. J Pediatr. 2008;152(3):365-370. doi:10.1016/j.jpeds.2007.07.054

  9. 9. Blair PS, Platt MW, Smith IJ, Fleming PJ; SESDI SUDI Research Group. Sudden Infant Death Syndrome and the time of death: factors associated with night-time and day-time deaths. Int J Epidemiol. 2006;35(6):1563-1569. doi:10.1093/ije/dyl212

  10. 10. Kiechl-Kohlendorfer U, Hof D, Peglow UP, Traweger-Ravanelli B, Kiechl S. Epidemiology of apparent life threatening events. Arch Dis Child. 2005;90(3):297-300. doi:10.1136/adc.2004.049452

  11. 11. Hoppenbrouwers T, Hodgman JE, Ramanathan A, Dorey F. Extreme and conventional cardiorespiratory events and epidemiologic risk factors for SIDS. J Pediatr. 2008;152(5):636-641. doi:10.1016/j.jpeds.2007.10.003

  12. 12. Meek JY, Noble L. Technical Report: Breastfeeding and the Use of Human Milk. Pediatrics. 2022;150(1):e2022057989. doi:10.1542/peds.2022-057989

  13. 13. Quitadamo P, Mosca C, Verde A, et al. Infants' Feeding Habits and Brief Resolved Unexplained Events (BRUEs): A Prospective Observational Study. J Clin Med. 2025;14(6):1910. Published 2025 Mar 12. doi:10.3390/jcm14061910

Etiologia da EIBR

As etiologias de EIBR podem ser genéticas ou adquiridas. Se um lactente está sob os cuidados de uma pessoa e apresenta episódios repetidos sem etiologia clara, deve-se considerar abuso infantil.

As causas subjacentes possíveis mais comuns incluem:

Causas subjacentes possíveis menos comuns incluem:

  • Cardiopatias

  • Distúrbios metabólicos

  • Obstrução das vias respiratórias superiores (p. ex., apneia obstrutiva do sono)

  • Outros (p. ex., relacionados a drogas ou toxinas [p. ex., etanol, preparações de anti-histamínicos e/ou descongestionantes sem prescrição] [1, 2], anafilaxia, abuso)

Em estudos de coorte de pacientes que apresentaram EIBR, um diagnóstico explicativo foi alcançado em 45 a 47% dos pacientes, e um diagnóstico subjacente grave foi alcançado em entre 4% e 17% dos pacientes, às vezes após a recorrência do EIBR inicial (3–6). Em um estudo, diagnósticos que requerem reconhecimento imediato porque atrasos poderiam causar morbidade e mortalidade, incluindo convulsões, foram identificados em 4,6% dos pacientes (5). Em um estudo de coorte conduzido em um único centro envolvendo 124 lactentes hospitalizados com EIBR, os diagnósticos mais comuns incluíram refluxo gastroesofágico (42%), disfagia orofaríngea (7%), laringomalácia (6%) e dificuldades alimentares (4%) (7). Muitos desses lactentes tiveram sintomas recorrentes após a alta.

Referências sobre etiologia

  1. 1. Pitetti RD, Whitman E, Zaylor A. Accidental and nonaccidental poisonings as a cause of apparent life-threatening events in infants. Pediatrics. 2008;122(2):e359-e362. doi:10.1542/peds.2007-3729

  2. 2. Tieder JS, Bonkowsky JL, Etzel RA, et al. Brief Resolved Unexplained Events (Formerly Apparent Life-Threatening Events) and Evaluation of Lower-Risk Infants. Pediatrics. 2016;137(5):e20160590. doi:10.1542/peds.2016-0590

  3. 3. Tieder JS, Sullivan E, Stephans A, et al. Risk Factors and Outcomes After a Brief Resolved Unexplained Event: A Multicenter Study. Pediatrics. 2021;148(1):e2020036095. doi:10.1542/peds.2020-036095

  4. 4. Nama N, Lee Z, Picco K, et al. Identifying serious underlying diagnoses among patients with brief resolved unexplained events (BRUEs): a Canadian cohort study. BMJ Paediatr Open. 2024;8(1):e002525. Published 2024 Sep 24. doi:10.1136/bmjpo-2024-002525

  5. 5. Nama N, Hall M, Neuman M, et al. Risk Prediction After a Brief Resolved Unexplained Event. Hosp Pediatr. 2022;12(9):772-785. doi:10.1542/hpeds.2022-006637

  6. 6. Mittal MK, Tieder JS, Westphal K, et al. Diagnostic testing for evaluation of brief resolved unexplained events. Acad Emerg Med. 2023;30(6):662-670. doi:10.1111/acem.14666

  7. 7. Duncan DR, Liu E, Growdon AS, Larson K, Rosen RL. A Prospective Study of Brief Resolved Unexplained Events: Risk Factors for Persistent Symptoms. Hosp Pediatr. 2022;12(12):1030-1043. doi:10.1542/hpeds.2022-006550

Epidemiologia da EIBR

EIBR é um termo relativamente novo, e a incidência do EIBR não é clara. Estudos do termo anterior, EARM, estimam que a incidência de EARMs era de 2,5 a 4,1 por 1000 nascidos vivos (1, 2). No entanto, um estudo de pacientes diagnosticados com EARM constatou que menos da metade atendia aos critérios diagnósticos para EIBR (3).

As estimativas prognósticas para o EIBR também permanecem provisórias. Em dados sobre EARM, a mortalidade em um ano após um evento é inferior a 1% (4).

Referências sobre epidemiologia

  1. 1. Kiechl-Kohlendorfer U, Hof D, Peglow UP, Traweger-Ravanelli B, Kiechl S. Epidemiology of apparent life threatening events. Arch Dis Child. 2005;90(3):297-300. doi:10.1136/adc.2004.049452

  2. 2. Monti MC, Borrelli P, Nosetti L, et al. Incidence of apparent life-threatening events and post-neonatal risk factors. Acta Paediatr. 2017;106(2):204-210. doi:10.1111/apa.13391

  3. 3. Ramgopal S, Soung J, Pitetti RD. Brief Resolved Unexplained Events: Analysis of an Apparent Life Threatening Event Database. Acad Pediatr. 2019;19(8):963-968. doi:10.1016/j.acap.2019.08.001

  4. 4. Parker K, Pitetti R. Mortality and child abuse in children presenting with apparent life-threatening events. Pediatr Emerg Care. 2011;27(7):591-595. doi:10.1097/PEC.0b013e3182225563

Estratificação de risco para EIBR

Lactentes com EIBR são estratificados como de baixo ou alto risco de ter um distúrbio subjacente grave e/ou um desfecho adverso com base em certos critérios.

Os critérios para lactentes de baixo risco incluem os seguintes (1, 2):

  • Idade > 60 dias

  • Idade gestacional ao nascimento ≥ 32 semanas e idade gestacional corrigida ≥ 45 semanas

  • Apresentação ao atendimento médico após um evento único e não repetido (sem EIBR prévio e sem agrupamento de EIBRs)

  • Ausência de RCP administrada por profissional de saúde treinado

  • Ausência de características preocupantes identificadas na história (p. ex., preocupação com abuso infantil, história familiar de morte súbita) ou durante o exame físico (p. ex., afebril, normotenso)

É pouco provável que lactentes de baixo risco tenham uma doença subjacente grave, e as diretrizes recomendam pouca ou nenhuma intervenção além de observação limitada e orientação para o cuidador (1).

Lactentes de alto risco incluem todos aqueles que não atendem os critérios para baixo risco (2). Pacientes no grupo de alto risco têm maior probabilidade de ter um distúrbio subjacente grave, e os clínicos devem buscar um diagnóstico explicativo. Em estudos, a maioria (87 a 94%) dos BRUEs é categorizada como de alto risco (3, 4).

Referências sobre estratificação de risco

  1. 1. Tieder JS, Bonkowsky JL, Etzel RA, et al. Brief Resolved Unexplained Events (Formerly Apparent Life-Threatening Events) and Evaluation of Lower-Risk Infants. Pediatrics. 2016;137(5):e20160590. doi:10.1542/peds.2016-0590

  2. 2. Merritt JL 2nd, Quinonez RA, Bonkowsky JL, et al. A Framework for Evaluation of the Higher-Risk Infant After a Brief Resolved Unexplained Event. Pediatrics. 2019;144(2):e20184101. doi:10.1542/peds.2018-4101

  3. 3. Nama N, Hall M, Neuman M, et al. Risk Prediction After a Brief Resolved Unexplained Event. Hosp Pediatr. 2022;12(9):772-785. doi:10.1542/hpeds.2022-006637

  4. 4. Nama N, Lee Z, Picco K, et al. Identifying serious underlying diagnoses among patients with brief resolved unexplained events (BRUEs): a Canadian cohort study. BMJ Paediatr Open. 2024;8(1):e002525. Published 2024 Sep 24. doi:10.1136/bmjpo-2024-002525

Diagnóstico de EIBR

  • História e exame físico

  • Para lactentes de baixo risco: observação com monitoramento contínuo por oximetria de pulso, eletrocardiograma, teste para coqueluche

  • Para lactentes de alto risco: testes adicionais guiados pelo cenário clínico

Diagnostica-se o EBIR apenas quando não há explicação para o evento. Vários distúrbios podem se manifestar com anormalidades semelhantes na respiração, responsividade, tônus e cor da pele, e as possibilidades de diagnóstico diferencial e exames são amplas. Qualquer lactente que não atenda aos critérios de baixo risco é, por definição, de alto risco. Médicos que estão avaliando e gerenciando lactentes com alto risco de EIBR devem buscar um diagnóstico explicativo.

A avaliação de lactentes com sinais ou sintomas que impedem o diagnóstico de EIBR é descrita em outras partes (ver, por exemplo, tosse, febre, náuseas e vômitos, convulsões e Abordagem do paciente com suspeita de distúrbio metabólico hereditário).

Lactentes diagnosticados com infecção, arritmia, convulsões ou abuso infantil durante sua avaliação inicial não têm um evento inexplicado e, portanto, EIBR não é um diagnóstico apropriado.

História

Inicialmente, a avaliação de um evento EIBR envolve anamnese detalhada, incluindo

  • Observações de quem testemunhou o acontecimento, particularmente descrição das alterações da respiração, cor, tônus muscular, olhos, ruídos, duração dos episódios e quaisquer sinais anteriores como angústia respiratória ou hipotonia

  • Intervenções realizadas (p. ex., estimulação suave, respiração boca a boca, RCP)

  • Uso de medicamentos, tabaco, álcool ou substâncias ilícitas pelo cuidador atual e no pré-natal (materna)

  • Informações sobre o nascimento da criança (p. ex., idade gestacional, complicações perinatais)

  • Hábitos alimentares (ocorrência de engasgamento, tosse, vômitos ou ganho de peso deficiente)

  • História do crescimento e desenvolvimento (p. ex., percentis de comprimento e peso, características do desenvolvimento)

  • Eventos anteriores, incluindo doença ou trauma recente

  • Exposição recente a doenças infecciosas

  • História familiar de eventos semelhantes, mortes precoces, síndrome do QT longo, outras arritmias ou possíveis doenças causadoras

Características na anamnese sugestivas de abuso infantil devem ser cuidadosamente avaliadas. Eventos recorrentes preocupantes para abuso são aqueles em que os achados do exame não correspondem à história e o evento só ocorre quando o mesmo cuidador está sozinho com o lactente.

Como a disposição depende em parte das capacidades e recursos da família, também é importante para os clínicos avaliar a situação de moradia e da família do recém-nascido, o nível de ansiedade do cuidador e se o recém-nascido tem acesso imediato a acompanhamento médico.

Exame físico

O exame físico é realizado para verificar sinais vitais anormais, anormalidades respiratórias, malformações e deformidades evidentes, anormalidades neurológicas (p. ex., posturas anormais, atraso inapropriado da cabeça), sinais de infecção ou trauma (incluindo, em especial, hemorragia retiniana à fundoscopia) e outros indicadores de possível abuso físico.

Exames

Para lactentes de baixo risco, as diretrizes recomendam o mínimo de testes (1). Se houver quaisquer achados ou exceções aos critérios de baixo risco, o lactente é considerado de alto risco, e uma avaliação completa é necessária.

Para lactentes de baixo risco, é razoável monitorá-los brevemente com oximetria de pulso contínua e observação por 1 a 4 horas (1). Um eletrocardiograma de 12 derivações e teste para coqueluche podem ser considerados; no entanto, testes adicionais, incluindo estudos de imagem, ecocardiografia, eletroencefalografia e exames de sangue, não são recomendados. A admissão no hospital apenas para monitoramento cardiorrespiratório é desencorajada.

O planejamento de alta para o lactente de baixo risco deve incluir educação sobre EIBR e tomada de decisão compartilhada com os pais ou cuidadores sobre avaliação adicional e acompanhamento. O treinamento em RCP para cuidadores deve ser encorajado.

Para lactentes de alto risco, testes laboratoriais e exames de imagem são realizados para avaliar possíveis etiologias. Alguns testes são realizados rotineiramente, enquanto outros devem ser realizados com base na suspeita clínica de uma etiologia específica, conforme sugerido pelas características específicas do episódio (ver tabela ). Lactentes costumam ser hospitalizados para monitoramento cardiorrespiratório, particularmente se exigiram reanimação ou apresentam alguma anormalidade.

A eficácia dos testes diagnósticos é relativamente baixa, mesmo em lactentes de alto risco. Em estudos, exames laboratoriais, de imagem ou outros contribuíram para um diagnóstico explicativo em cerca de 3% dos pacientes com EIBR de alto risco e em 7% dos lactentes hospitalizados com EIBR (2, 3).

Tabela
Tabela

Referências sobre diagnóstico

  1. 1. Tieder JS, Bonkowsky JL, Etzel RA, et al. Brief Resolved Unexplained Events (Formerly Apparent Life-Threatening Events) and Evaluation of Lower-Risk Infants. Pediatrics. 2016;137(5):e20160590. doi:10.1542/peds.2016-0590

  2. 2. Bochner R, Tieder JS, Sullivan E, et al. Explanatory Diagnoses Following Hospitalization for a Brief Resolved Unexplained Event. Pediatrics. 2021;148(5):e2021052673. doi:10.1542/peds.2021-052673

  3. 3. Mittal MK, Tieder JS, Westphal K, et al. Diagnostic testing for evaluation of brief resolved unexplained events. Acad Emerg Med. 2023;30(6):662-670. doi:10.1111/acem.14666

Tratamento do EBIR

  • Orientações ao cuidador

  • Acompanhamento atento

  • Tratamento da causa se identificada

Lactentes de baixo risco

Deve-se instruir os pais e cuidadores sobre EBIRs e oferecer treinamento em RCP para lactentes e em cuidados de segurança para o lactente. Monitoramento cardiorrespiratório em casa não é necessário.

Deve-se reavaliar os lactentes em até 24 horas.

Lactentes de alto risco

Deve-se tratar, se identificada, a causa.

Os pais devem receber treinamento em RCP em lactentes e em cuidados seguros com lactentes. Até o momento, nenhum estudo demonstrou que monitores domésticos fornecem informações que possam ser utilizadas para intervir durante eventos ou para prevenir com sucesso a morte súbita inexplicada. A consideração do uso de monitores domésticos deve ocorrer apenas após um diagnóstico específico (1, 2).

A exposição à fumaça de tabaco deve ser eliminada.

Os lactentes que não foram hospitalizados devem receber acompanhamento clínico com seu médico de atenção primária em até 24 horas.

Referências sobre tratamento

  1. 1. Moon RY, Carlin RF, Hand I; TASK FORCE ON SUDDEN INFANT DEATH SYNDROME and THE COMMITTEE ON FETUS AND NEWBORN. Evidence Base for 2022 Updated Recommendations for a Safe Infant Sleeping Environment to Reduce the Risk of Sleep-Related Infant Deaths. Pediatrics. 2022;150(1):e2022057991. doi:10.1542/peds.2022-057991

  2. 2. Ramanathan R, Corwin MJ, Hunt CE, et al. Cardiorespiratory events recorded on home monitors: Comparison of healthy infants with those at increased risk for SIDS. JAMA. 2001;285(17):2199-2207. doi:10.1001/jama.285.17.2199

Prognóstico para EBIR

O risco de recorrência do EIBR é de aproximadamente 10%.

Entre lactentes hospitalizados após EIBR, 15% tiveram visitas adicionais ao pronto-socorro ou hospitalizações, 65% tiveram episódios subsequentes de engasgo e 10% tiveram EIBR subsequente (1).

Em um grande estudo comparativo de EARM, todas as mortes ocorreram em lactentes com condições médicas subjacentes (2).

Referências sobre prognóstico

  1. 1. Duncan DR, Liu E, Growdon AS, Larson K, Rosen RL. A Prospective Study of Brief Resolved Unexplained Events: Risk Factors for Persistent Symptoms. Hosp Pediatr. 2022;12(12):1030-1043. doi:10.1542/hpeds.2022-006550

  2. 2. McGovern MC, Smith MB. Causes of apparent life threatening events in infants: A systematic review. Arch Dis Child. 2004;89(11):1043–1048. doi:10.1136/adc.2003.031740

Pontos-chave

  • Define-se EBIR (evento breve, inexplicável e resolvido) como um episódio de cianose ou palidez, respiração anormal, tônus muscular anormal ou responsividade alterada em um lactente < 1 ano de idade, sem causa identificável, e de acordo com a caracterização do evento feita pelo médico e não pela percepção do cuidador de que o evento era potencialmente fatal.

  • Pode-se classificar os lactentes que experimentam EBIR como de baixo ou alto risco com base na história e exame físico.

  • É improvável que os eventos em lactentes de baixo risco sejam decorrentes de uma doença clínica grave e exijam avaliação mínima.

  • Eventos de alto risco têm muitas causas possíveis, mas frequentemente nenhuma etiologia é encontrada.

  • Deve-se considerar doenças respiratórias, neurológicas, infecciosas, cardíacas, metabólicas e gastrointestinais, bem como abuso; os exames são feitos de acordo com os achados clínicos.

  • Lactentes com achados anormais ao exame, resultados laboratoriais anormais, que necessitaram de intervenção ou que têm história clínica preocupante são hospitalizados.

  • O tratamento é direcionado à causa subjacente; o monitoramento domiciliar não demonstrou reduzir a mortalidade.

  • O prognóstico depende da causa.

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