Morte súbita inesperada do lactente (MSIL) e síndrome da morte súbita do lactente (SMSL)

PorRichard D. Goldstein, MD, Harvard Medical School
Reviewed ByMichael SD Agus, MD, Harvard Medical School
Revisado/Corrigido: modificado out. 2025
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Visão Educação para o paciente

Morte súbita inesperada do lactente (MSIL) é um termo que descreve todas as mortes súbitas inesperadas de lactentes cuja causa não é aparente no momento da morte. A MSIL inclui a síndrome da morte súbita do lactente (SMSL), as mortes de causa indeterminada, e o sufocamento e estrangulamento acidental na cama (SEAC) em lactentes < 1 ano de idade.

A MSIL abrange todas as seguintes categorias de mortes infantis (1):

  • SMSL

  • Causa de morte indeterminada

  • Sufocamento e estrangulamento acidental na cama (SEAC)

A atribuição da morte a qualquer uma dessas causas muitas vezes se baseia na interpretação dos fatores de risco presentes no ambiente de sono, e não em evidências físicas obtidas na autópsia. Contudo, práticas de sono inseguras semelhantes ocorrem na grande maioria dos casos em cada subcategoria de MSIL (2). Apesar dos esforços para reduzir os fatores de risco para MSIL no ambiente de sono infantil desde 1992, e apesar de uma redução na mortalidade por SMSL associada a esses esforços, a mortalidade geral por MSIL apresentou pouca melhora desde 1996 (3).

Nos Estados Unidos em 2022, a taxa de MSIL foi de aproximadamente 1/1000 nascidos vivos, composta por 41% SMSL, 31% causa de morte indeterminada e 28% SEAC (4). Disparidades raciais e socioeconômicas são observadas. A taxa de MSIL em lactentes negros não hispânicos é aproximadamente 3 vezes maior do que em lactentes brancos não hispânicos. A taxa de MSIL entre lactentes que vivem em locais de alta pobreza é mais que o dobro daquela entre os que vivem em locais menos pobres (7).

SMSL é o maior componente do MSIL e é uma das principais causas de morte nos Estados Unidos para lactentes na faixa etária desde o final do período neonatal (> 28 dias) até 1 ano de idade (5). A SMSL é definida como a morte súbita e inesperada de um lactente aparentemente saudável < 1 ano de idade que permanece inexplicada após uma investigação minuciosa, incluindo a realização de uma autópsia completa com testes complementares, exame da cena da morte e revisão do histórico clínico (6). A incidência de SMSL atinge o pico entre 1 e 4 meses de idade (com 90% dos casos ocorrendo antes dos 6 meses de idade). Esse padrão de incidência é notável porque poupa relativamente os lactentes no primeiro mês de vida, um período em que eles pareceriam mais suscetíveis à sufocação causada por força e tônus limitados.

Referências gerais

  1. 1. Malloy MH, MacDorman M. Changes in the classification of sudden unexpected infant deaths: United States, 1992-2001. Pediatrics. 2005;115(5):1247-1253. doi:10.1542/peds.2004-2188

  2. 2. Kemp JS, Unger B, Wilkins D, et al. Unsafe sleep practices and an analysis of bedsharing among infants dying suddenly and unexpectedly: results of a four-year, population-based, death-scene investigation study of sudden infant death syndrome and related deaths. Pediatrics. 2000;106(3):E41. doi:10.1542/peds.106.3.e41

  3. 3. Goldstein RD, Kinney HC, Guttmacher AE. Only Halfway There with Sudden Infant Death Syndrome. N Engl J Med. 2022;386(20):1873-1875. doi:10.1056/NEJMp2119221

  4. 4. Shapiro-Mendoza CK, Woodworth KR, Cottengim CR, et al. Sudden Unexpected Infant Deaths: 2015-2020. Pediatrics. 2023;151(4):e2022058820. doi:10.1542/peds.2022-058820

  5. 5. Moon RY, Carlin RF, Hand I; TASK FORCE ON SUDDEN INFANT DEATH SYNDROME and THE COMMITTEE ON FETUS AND NEWBORN. Evidence Base for 2022 Updated Recommendations for a Safe Infant Sleeping Environment to Reduce the Risk of Sleep-Related Infant Deaths. Pediatrics. 2022;150(1):e2022057991. doi:10.1542/peds.2022-057991

  6. 6. Goldstein RD, Blair PS, Sens MA, et al. Inconsistent classification of unexplained sudden deaths in infants and children hinders surveillance, prevention and research: recommendations from The 3rd International Congress on Sudden Infant and Child Death. Forensic Sci Med Pathol. 2019;15(4):622-628. doi:10.1007/s12024-019-00156-9

  7. 7. Mohamoud YA, Kirby RS, Ehrenthal DB. County Poverty, Urban-Rural Classification, and the Causes of Term Infant Death : United States, 2012-2015. Public Health Rep. 2021;136(5):584-594. doi:10.1177/0033354921999169

  8. 8. Park S, Han JH, Hwang J, et al. The global burden of sudden infant death syndrome from 1990 to 2019: a systematic analysis from the Global Burden of Disease study 2019. QJM. 2022;115(11):735-744. doi:10.1093/qjmed/hcac093

Etiologia de MSIL e SMSL

A SMSL é considerada pela maioria dos pesquisadores da área como um distúrbio heterogêneo que se apresenta como morte súbita, predominantemente relacionada ao sono, em um lactente aparentemente saudável. Sua etiologia decorre da interação entre pequenas ameaças externas à respiração, normalmente não fatais, e vulnerabilidades intrínsecas não aparentes em lactentes (1). Por exemplo, a posição decúbito ventral para dormir não é fatal na grande maioria dos lactentes, mas está fortemente associada à SMSL, e sua redução acompanha a diminuição das taxas de SMSL (2). Embora essas mortes levantem preocupações relativas à proteção infantil e levem a investigações forenses obrigatórias, uma investigação subsequente identificou evidências de dano não acidental em < 4% dos casos (3). Estudos de herdabilidade repetidos mostram um risco mais do que 4 vezes maior de SMSL para um irmão subsequente de um lactente que morreu de SMSL (4, 5).

Mortes por SMSL que ocorreram enquanto os lactentes estavam em monitores revelaram um subconjunto crucial de SMSL no qual os eventos terminais, em lactentes bradicárdicos e hipoxêmicos, envolveram incapacidade de autorrecuperação (auto-reanimação), caracterizada por respiração agônica sem resposta cardíaca, a chamada dissociação cardiorrespiratória, e incapacidade de despertar (6). Pesquisas para entender esse subconjunto encontraram deficiências de serotonina, seus receptores e seus precursores nos troncos cerebrais de aproximadamente 40% dos lactentes estudados (7), e pesquisadores replicaram esse mecanismo de morte em modelos animais (8). Outras descobertas recentes fundamentais incluem alterações patológicas no hipocampo, também observadas na epilepsia, presentes em 41% dos lactentes (9) e variantes genéticas causais em 11%, divididas entre mecanismos de suscetibilidade cardíacos e neurológicos (10). Em um amplo estudo de coorte, cerca de 4% dos lactentes que morreram de SMSL apresentaram mutações patogênicas ou provavelmente patogênicas em genes cardíacos, informação que pode ser útil na avaliação e/ou tratamento de familiares; essa proporção é inferior à relatada anteriormente (11, 12). A maioria dessas mutações correspondia a síndromes de arritmia hereditária, incluindo as canalopatias.

Fatores de risco para morte súbita inexplicada do neonato e síndrome da morte súbita do lactente

Posição do sono

Na ausência de testes diagnósticos para identificar lactentes antes da ocorrência da morte, compreender os fatores de risco e modificá-los, quando possível, constitui a abordagem médica fundamental para MSIL e SMSL. (Exceções notáveis a isso são o rastreamento e o diagnóstico precoces da deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia média [MCAD] e da síndrome do QT longo, duas condições que antigamente eram consideradas SMSL [13].)

Como fator de risco, o sono em decúbito ventral pode ser entendido como um aspecto modificável de uma série de eventos terminais incompletamente compreendidos. Esse aspecto modificável é melhor exemplificado por campanhas de saúde pública altamente bem-sucedidas que incentivam a posição em decúbito dorsal para o sono de lactentes, como a campanha Safe to Sleep (anteriormente Back to Sleep). Essas campanhas buscam modificar o risco associado à posição de sono em decúbito ventral porque lactentes que dormem em decúbito ventral têm um risco até 13 vezes maior de SMSL em comparação com aqueles que dormem em decúbito dorsal (14).

Em 1994, o primeiro ano da campanha Back to Sleep, estimava-se que cerca de 70% dos lactentes nos Estados Unidos dormissem em decúbito ventral (15). Até 1996, o sono não em decúbito dorsal havia diminuído para 24%. Estimativas recentes indicam que 88% dos lactentes dormem em decúbito dorsal aos 4 meses, diminuindo para 77% aos 12 meses, e que as taxas permaneceram relativamente estáveis de 2016 a 2022 (16).

As taxas de SMSL caíram aproximadamente 50% quando a recomendação do sono em decúbito dorsal foi primeiramente promovida, embora a queda tenha sido concordante com uma diminuição na mortalidade geral não-SMSL (17). De 1994 a 2019, a taxa de SMSL caiu de 120 para 33 por 100.000 nascidos vivos. Embora a promoção do sono em decúbito dorsal tenha tido um grande impacto na diminuição da taxa de SMSL, esta permanece sendo a maior causa de morte no período pós-neonatal nos Estados Unidos (e é uma causa líder mundialmente) (12, 18).

Outros fatores de risco no ambiente de sono do lactente incluem dormir em superfícies macias, sofás ou poltronas, e superaquecimento (12).

Outros fatores de risco

Outros fatores de risco e protetores importantes não estão relacionados ao ambiente de sono, como prematuridade, baixo peso ao nascer, tabagismo materno, estado vacinal e alimentação com leite humano (por qualquer meio).

As taxas de MSIL em lactentes nascidos com 24 a 27 semanas de gestação são 5,3 vezes maiores do que em lactentes nascidos a termo, com risco decrescente à medida que a idade gestacional aumenta (19).

O risco de MSIL mais do que duplica com qualquer tabagismo materno durante a gestação, e o risco aumenta linearmente com cada cigarro adicional fumado por dia (até 20) durante a gestação (20).

Múltiplos estudos mostram um risco aumentado de MSIL entre lactentes não imunizados ou subimunizados, mas não mostram qualquer aumento nas taxas de MSIL após a imunização (21–23).

Lactentes que recebem leite humano por qualquer duração têm cerca de metade do risco de MSIL em comparação com aqueles que não recebem leite humano (12).

Ter tido um irmão que morreu de SMSL é um fator de risco para SMSL (4, 5).

Referências sobre etiologia

  1. 1. Wojcik MH, Poduri AH, Holm IA, MacRae CA, Goldstein RD. The fundamental need for unifying phenotypes in sudden unexpected pediatric deaths. Front Med (Lausanne). 2023;10:1166188. Published 2023 Jun 2. doi:10.3389/fmed.2023.1166188

  2. 2. Goldstein RD, Trachtenberg FL, Sens MA, Harty BJ, Kinney HC. Overall Postneonatal Mortality and Rates of SIDS. Pediatrics. 2016;137(1):10.1542/peds.2015-2298. doi:10.1542/peds.2015-2298

  3. 3. Bajanowski T, Vennemann M, Bohnert M, et al. Unnatural causes of sudden unexpected deaths initially thought to be sudden infant death syndrome. Int J Legal Med. 2005;119(4):213-216. doi:10.1007/s00414-005-0538-8

  4. 4. Christensen ED, Berger J, Alashari MM, et al. Sudden infant death "syndrome"-Insights and future directions from a Utah population database analysis. Am J Med Genet A. 2017;173(1):177-182. doi:10.1002/ajmg.a.37994

  5. 5. Glinge C, Rossetti S, Oestergaard LB, et al. Risk of Sudden Infant Death Syndrome Among Siblings of Children Who Died of Sudden Infant Death Syndrome in Denmark. JAMA Netw Open. 2023;6(1):e2252724. Published 2023 Jan 3. doi:10.1001/jamanetworkopen.2022.52724

  6. 6. Poets CF, Meny RG, Chobanian MR, Bonofiglo RE. Gasping and other cardiorespiratory patterns during sudden infant deaths. Pediatr Res. 1999;45(3):350-354. doi:10.1203/00006450-199903000-00010

  7. 7. Duncan JR, Paterson DS, Hoffman JM, et al. Brainstem serotonergic deficiency in sudden infant death syndrome. JAMA. 2010;303(5):430-437. doi:10.1001/jama.2010.45

  8. 8. Dosumu-Johnson RT, Cocoran AE, Chang Y, Nattie E, Dymecki SM. Acute perturbation of Pet1-neuron activity in neonatal mice impairs cardiorespiratory homeostatic recovery. Elife. 2018;7:e37857. Published 2018 Oct 23. doi:10.7554/eLife.37857

  9. 9. Kinney HC, Cryan JB, Haynes RL, et al. Dentate gyrus abnormalities in sudden unexplained death in infants: morphological marker of underlying brain vulnerability. Acta Neuropathol. 2015;129(1):65-80. doi:10.1007/s00401-014-1357-0

  10. 10. Koh HY, Haghighi A, Keywan C, et al. Genetic Determinants of Sudden Unexpected Death in Pediatrics. Genet Med. 2022;24(4):839-850. doi:10.1016/j.gim.2021.12.004

  11. 11. Tester DJ, Wong LCH, Chanana P, et al. Cardiac Genetic Predisposition in Sudden Infant Death Syndrome. J Am Coll Cardiol. 2018;71(11):1217-1227. doi:10.1016/j.jacc.2018.01.030

  12. 12. Moon RY, Carlin RF, Hand I; TASK FORCE ON SUDDEN INFANT DEATH SYNDROME and THE COMMITTEE ON FETUS AND NEWBORN. Evidence Base for 2022 Updated Recommendations for a Safe Infant Sleeping Environment to Reduce the Risk of Sleep-Related Infant Deaths. Pediatrics. 2022;150(1):e2022057991. doi:10.1542/peds.2022-057991

  13. 13. Nosetti L, Zaffanello M, Lombardi C, et al. Early Screening for Long QT Syndrome and Cardiac Anomalies in Infants: A Comprehensive Study. Clin Pract. 2024;14(3):1038-1053. Published 2024 May 31. doi:10.3390/clinpract14030082

  14. 14. Carpenter RG, Irgens LM, Blair PS, et al. Sudden unexplained infant death in 20 regions in Europe: case control study. Lancet. 2004;363(9404):185-191. doi:10.1016/s0140-6736(03)15323-8

  15. 15. Willinger M, Hoffman HJ, Wu KT, et al. Factors associated with the transition to nonprone sleep positions of infants in the United States: the National Infant Sleep Position Study. JAMA. 1998;280(4):329-335. doi:10.1001/jama.280.4.329

  16. 16. Ding G, Peng A, Chen Y, et al. Nonsupine Sleep Position Among US Infants. JAMA Netw Open. 2024;7(12):e2450277. doi:10.1001/jamanetworkopen.2024.50277

  17. 17. Goldstein RD, Trachtenberg FL, Sens MA, Harty BJ, Kinney HC. Overall Postneonatal Mortality and Rates of SIDS. Pediatrics. 2016;137(1):10.1542/peds.2015-2298. doi:10.1542/peds.2015-2298

  18. 18. Park S, Han JH, Hwang J, et al. The global burden of sudden infant death syndrome from 1990 to 2019: a systematic analysis from the Global Burden of Disease study 2019. QJM. 2022;115(11):735-744. doi:10.1093/qjmed/hcac093

  19. 19. Ostfeld BM, Schwartz-Soicher O, Reichman NE, Teitler JO, Hegyi T. Prematurity and Sudden Unexpected Infant Deaths in the United States. Pediatrics. 2017;140(1):e20163334. doi:10.1542/peds.2016-3334

  20. 20. Anderson TM, Lavista Ferres JM, Ren SY, et al. Maternal Smoking Before and During Pregnancy and the Risk of Sudden Unexpected Infant Death. Pediatrics. 2019;143(4):e20183325. doi:10.1542/peds.2018-3325

  21. 21. Fleming PJ, Blair PS, Platt MW, Tripp J, Smith IJ, Golding J. The UK accelerated immunisation programme and sudden unexpected death in infancy: case-control study. BMJ. 2001;322(7290):822. doi:10.1136/bmj.322.7290.822

  22. 22. Vennemann MM, Höffgen M, Bajanowski T, Hense HW, Mitchell EA. Do immunisations reduce the risk for SIDS? A meta-analysis. Vaccine. 2007;25(26):4875-4879. doi:10.1016/j.vaccine.2007.02.077

  23. 23. Deschanvres C, Levieux K, Launay E, et al. Non-immunization associated with increased risk of sudden unexpected death in infancy: A national case-control study. Vaccine. 2023;41(2):391-396. doi:10.1016/j.vaccine.2022.10.087

Diagnóstico de MSIL e SMSL

  • Autópsia, exame da cena da morte e revisão da história clínica.

MSIL é uma categoria de morte e não uma causa específica.

SMSL e causas indeterminadas de morte são diagnósticos de causa de morte por exclusão utilizados quando uma avaliação pós-morte não identifica uma etiologia ou razão específica para a morte. (Ingestões de substâncias, trauma cranioencefálico não reconhecido, infecção súbita ou distúrbios da coagulação sanguínea são exemplos de causas específicas que são raramente identificadas.) Sufocamento e estrangulamento acidental na cama (SEAC) é uma causa específica e requer evidência suficiente além da mera presença de um fator de risco de sufocamento para o legista concluir que o mecanismo de sufocamento causou a morte.

Como afirmado acima, a confusão entre fatores de risco e causa é uma questão central nesta área, e a pesquisa mostra que os constructos diagnósticos não são independentes. Muitos legistas se opõem ao conceito de síndrome da morte súbita do lactente e empregam diagnósticos alternativos, mesmo quando os critérios diagnósticos para SMSL são preenchidos. As classificações diagnósticas atuais distinguem entre SMSL, SEAC e uma causa indeterminada de morte (1).

O diagnóstico baseia-se em uma investigação minuciosa do caso, incluindo a realização de uma autópsia completa com testes auxiliares, exame da cena da morte e revisão da história clínica.

Os detalhes do que constitui uma autópsia completa não são uniformes. Variações vão desde casos em que uma autópsia não é realizada além de um exame externo até o uso padrão de ferramentas especializadas de autópsia que incluem avaliação neuropatológica de rotina e testes genômicos.

O exame da cena da morte inclui um conjunto padronizado de observações sobre o último período de sono do lactente, incluindo a posição em que foi encontrado. Em conjunto com a investigação dos serviços de proteção à criança (SPC), outros fatores que possam ter impactado a saúde e segurança da criança também são investigados. A SMSL é utilizada como diagnóstico apenas quando todos os elementos de uma investigação completa foram satisfeitos e os investigadores determinam que nada do que foi encontrado é a causa da morte.

Referência sobre diagnóstico

Manejo de MSIL e SMSL

Um lactente que morre subitamente, inesperadamente e sem uma causa determinada é um desafio terrível e excepcional para qualquer família. Além da perda imensurável da vida de um lactente, MSIL e SMSL constituem uma crise familiar. O luto é profundo. Os pais relatam que a morte continua a afetá-los diariamente mais de uma década depois (1). Um ano após uma morte, o transtorno do luto prolongado ocorre em 10% das pessoas que choram a perda de um parceiro de vida mais velho, mas ocorre em 60% das mães que choram a perda de um lactente por SMSL (2). O choque de encontrar um lactente morto, a brutalidade da reanimação e, por vezes, o tratamento severo durante a investigação da morte deixam muitos pais com pensamentos intrusivos e angustiantes relacionados ao óbito.

Durante a investigação pós-morte, os médicos que trabalham com a família podem ajudá-los a acompanhar a investigação e interpretar quaisquer achados. Dada a variação nas avaliações pós-morte, os médicos envolvidos com a família podem recomendar programas para uma avaliação adicional e mais completa. Se houver achados que justifiquem uma avaliação adicional dos pais ou irmãos vivos, os clínicos podem desempenhar um papel importante em auxiliar os pais enlutados a abordar quaisquer implicações para a saúde da família. Em todos os casos, os serviços de apoio, seja um encaminhamento para uma organização de pais enlutados para apoio entre pares ou para aconselhamento individualizado com um profissional de saúde mental, são importantes para os pais que podem estar lutando para compreender ou defender suas necessidades.

Referências sobre tratamento

  1. 1. Dyregrov A, Dyregrov K. Long-term impact of sudden infant death: a 12- to 15-year follow-up. Death Stud. 1999;23(7):635-661. doi:10.1080/074811899200812

  2. 2. Goldstein RD, Lederman RI, Lichtenthal WG, et al. The Grief of Mothers After the Sudden Unexpected Death of Their Infants. Pediatrics. 2018;141(5):e20173651. doi:10.1542/peds.2017-3651

Prevenção da morte súbita inexplicada do neonato e síndrome da morte súbita do lactente

As seguintes recomendações da Academia Americana de Pediatria (AAP) baseiam-se em evidências consistentes, de qualidade e orientadas ao paciente (1):

  • Coloque a criança para dormir em decúbito dorsal durante todo o sono (assim que for desenvolvimentalmente possível e medicamente razoável para lactentes prematuros hospitalizados); lactentes que conseguem rolar de decúbito ventral para dorsal e vice-versa podem permanecer na posição de sono que assumirem.

  • Utilize uma superfície de sono firme, plana e não inclinada para reduzir o risco de sufocamento ou compressão/aprisionamento. 

  • Alimente os lactentes com leite humano.

  • Recomenda-se que os lactentes durmam no quarto dos pais, próximos à cama deles, mas em uma superfície distinta projetada para lactentes, idealmente durante pelo menos os primeiros 6 meses.

  • Mantenha objetos macios, como travesseiros, brinquedos semelhantes a travesseiros, edredons, cobertores, protetores de colchão, materiais semelhantes a pele, e roupa de cama solta (como mantas e lençóis não ajustados), longe da área de sono do lactente para reduzir o risco de SMSL, sufocamento, aprisionamento ou compressão, e estrangulamento. 

  • Ofereça uma chupeta na hora da sesta e na hora de dormir. 

  • Evite a exposição à fumaça e nicotina durante a gestação e após o parto. 

  • Evite o uso de álcool, maconha, opioides, cigarros eletrônicos e drogas ilícitas durante a gestação e após o parto. 

  • Evite superaquecer o corpo e cobrir a cabeça de lactentes. 

  • Obtenha cuidados pré-natais regulares quando estiver grávida. 

  • Imunize os lactentes de acordo com as diretrizes da AAP e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). (Ver também Calendários de vacinação infantil.)

  • Não utilize monitores cardiorrespiratórios domésticos como estratégia para reduzir o risco de SMSL. 

  • Supervisione períodos curtos de tempo em decúbito ventral, iniciando logo após a alta hospitalar, enquanto o lactente estiver acordado, para facilitar o desenvolvimento e minimizar o risco de plagiocefalia posicional (objetivo de pelo menos 15 a 30 minutos por dia até 7 semanas de idade).

Referência sobre prevenção

  1. 1. Moon RY, Carlin RF, Hand I; TASK FORCE ON SUDDEN INFANT DEATH SYNDROME and THE COMMITTEE ON FETUS AND NEWBORN. Evidence Base for 2022 Updated Recommendations for a Safe Infant Sleeping Environment to Reduce the Risk of Sleep-Related Infant Deaths. Pediatrics. 2022;150(1):e2022057991. doi:10.1542/peds.2022-057991

Pontos-chave

  • A morte súbita e inexplicada do lactente (MSIL) é um termo que inclui diagnósticos de causa de morte infantil que antes eram abrangidos pela síndrome da morte súbita do lactente (SMSL), incluindo SMSL, causa indeterminada de morte e sufocamento e estrangulamento acidental na cama (SEAC).

  • A SMSL permanece sendo a principal causa de mortalidade pós-neonatal nos Estados Unidos e é uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo.

  • O diagnóstico de SMSL requer uma autópsia completa, investigação da cena da morte e revisão da história médico do lactente.

  • As dificuldades de compreender e lidar com essa perda impõem demandas excepcionais à família enlutada.

  • A prevenção envolve a posição de sono em decúbito dorsal e outras recomendações específicas.

Informações adicionais

Os recursos em inglês a seguir podem ser úteis. Observe que este Manual não é responsável pelo conteúdo desses recursos.

  1. American SIDS Institute

  2. Safe to Sleep

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