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Cultura

Por

Kevin C. Hazen

, PhD, Duke University Health System

Última modificação do conteúdo jun 2018
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Cultura é o crescimento microbiano em um meio nutricional sólido ou líquido; um número maior de microrganismos simplifica a identificação. A cultura facilita também a suscetibilidade antimicrobiana.

A comunicação com o laboratório é essencial. Embora a maioria das amostras seja inserida em meios inespecíficos (p. ex., ágar sangue ou ágar chocolate), alguns patógenos exigem a inclusão de nutrientes e inibidores específicos (ver tabela Meios seletivos para isolamento de bactérias comuns) ou outras condições especiais de incubação (p ex., temperatura específica, concentração de oxigênio ou dióxido de carbono ou duração). Se houver suspeita de um desses patógenos mais fastidiosos ou se o paciente estiver tomando antimicrobianos, recomenda-se informar o laboratório. A fonte da amostra é notificada de modo que o laboratório possa diferenciar patógenos da flora normal de locais específicos.

Tabela
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Meios seletivos para isolamento de bactérias comuns

Organismo

Meio preferido

Bacteroides sp

Ágar-sangue com canamicina-vancomicina

Bacteroides fragilis

Bile-esculina Bacteroides (com gentamicina e bile)

Bordetella pertussis

Ágar Bordet-Gengou mais meticilina ou cefalexina

Ágar Regan-Lowe cefalexina

Ágar sangue de cavalo-carvão

Burkholderia cepacia

Ágar para Burkholderia cepacia

Campylobacter jejuni ou C. coli

Ágares seletivos para Campylobacter (p. ex., ágar cefoperazona-vancomicina)

Corynebacterium diphtheriae

Ágar Tinsdale

Ágar-sangue cistina-telurito

Meio sérico coagulado de Löffler

Escherichia coli ou patógenos entero-hemorrágicos (produtores da toxina de Shiga, incluindo O157-H7)

Ágar-sorbitol de MacConkey

Francisella tularensis

Ágar-sangue ou chocolate-cistina

Legionella sp

Ágar-tampão extrato de levedura-carvão

Leptospira sp

Meio de Fletcher ou Stuart com soro de coelho ou meio de Leptospira com soro bovino albumina-Tween 80

Neisseria gonorrhoeae ou N. meningitidis

Ágar Thayer-Martin modificado

Ágar New York City

Salmonella e Shigella sp

Pode crescer em MacConkey padrão ou eosina-azul de metileno

Alternativa: Hektoen ou xilose-lisina-desoxicolato, ágar Salmonella-Shigella, meio para Gram-negativo ou enriquecido com selenito

Vibrio sp

Ágar sacarose de sais biliares-citrato-tiossulfato

Yersinia sp

Ágar cefsulodina-irgasan-novobiocina

Coleta de amostras

A coleta dos espécimes é importante. Para o diagnóstico de doenças infecciosas, a regra de ouro é obter uma amostra do local da infecção. Para as lesões, obter a amostra da borda, não do centro.

O uso de swabs é desencorajado. Mas ao usar um swab, é preferível usar o de nylon porque este pode recuperar mais material. Os swabs utilizados para coletar material para os testes moleculares devem ser compatíveis com o teste molecular específico para o qual se destinam. O tipo incorreto de cotonete pode produzir resultados falso-negativos. Swabs com hastes de madeira são tóxicos para alguns vírus. Swabs com pontas de algodão são tóxicos para algumas bactérias, como as clamídias.

As hemoculturas exigem a realização de assepsia e antissepsia da pele (p. ex., swab com povidona, deixar secar e remover com álcool a 70%). Múltiplas amostras, cada uma de um local diferente são geralmente utilizadas; elas são coletadas o mais perto possível dos picos febris, se for viável. Uma flora normal de pele que cresce apenas em uma amostra de sangue costuma ser interpretada como contaminação.

Se uma amostra é obtida a partir de um cateter central, uma outra amostra de sangue periférico deve ser obtida para auxiliar na diferenciação de bacteremia sistêmica da infecção de cateter. Geralmente, culturas de cateteres infectados tornam-se positivas com mais frequência e contêm mais organismos do que culturas de sangue periférico coletado simultaneamente. Alguns fungos, em particular com brotamentos (p. ex., Aspergillus spp.) geralmente não podem ser cultivados a partir do sangue.

Os espécimes devem ser transportados rapidamente, no meio correto, em condições que limitem o crescimento da flora normal potencialmente contaminada. Para quantificar o patógeno de forma adequada, patógenos adicionais devem ser evitados; os espécimes devem ser transportados imediatamente ao laboratório ou refrigerados (na maioria dos casos), se o transporte for retardado.

Considerações especiais para cultura

Certas culturas merecem considerações especiais.

Bactérias anaeróbias não devem ser cultivadas de locais em que fazem parte da flora normal, pois a diferenciação de patógenos da flora normal pode ser impossível. As amostras devem ser protegidas do ar, o que pode ser difícil. Para amostras coletadas por swab, o transporte anaeróbio está disponível. Mas as amostras líquidas (p. ex., conteúdo do abcesso) são melhores que as amostras coletadas por swab para a coleta de bactérias anaeróbias. As amostras líquidas devem ser coletadas com uma seringa da qual todo o ar tenha sido removido (para minimizar o contato da amostra com o oxigênio) e enviadas para o laboratório na seringa (tampada sem a agulha) ou transferidas para um frasco de transporte de anaeróbios.

Micobactérias são difíceis de cultivar. Espécimes contendo flora normal (p. ex., escarro) devem ser primeiramente descontaminados e concentrados. Mycobacterium tuberculosis e algumas outras micobactérias crescem lentamente. O crescimento de M. tuberculosis é tipicamente mais rápido no meio líquido do que no sólido; o uso rotineiro de sistemas automatizados como meio líquido pode resultar em um crescimento em até 2 semanas em comparação a 4 semanas em meio sólido, como no ágar de Lowenstein-Jensen. Além disso, poucos microrganismos podem estar presentes em uma amostra. Várias amostras do mesmo local podem auxiliar no resultado. Deve-se permitir que os espécimes cresçam durante 8 semanas antes de serem descartados. M. ulcerans, que causa úlcera de Buruli, requer até 12 semanas a 32 °C em ágar de Lowenstein-Jensen. Se houver suspeita de uma micobactéria atípica, o laboratório deverá ser avisado.

Vírus são geralmente cultivados a partir swabs e amostras de tecidos transportados em meio contendo agentes antibacterianos e antifúngicos. São inoculados em culturas de tecido que dão suporte ao vírus suspeito e inibem todos os outros microrganismos. Vírus altamente lábeis, como varicela zóster, devem ser inoculados em culturas de tecidos dentro de 1 h após a coleta. Culturas-padrão de tecidos são mais sensíveis. A técnica de cultura em frasco, na qual a amostra é centrifugada em uma monocamada de células dentro de um frasco, fornece resultados mais rápidos (2 dias versus 7 a 14 dias). Alguns vírus comuns não podem ser detectados usando métodos de cultura de rotina e exigem métodos alternativos para o diagnóstico (ver tabela Exames diagnósticos para vírus comuns que não crescem em culturas virais de rotina), como:

Tabela
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Exames diagnósticos para vírus comuns que não crescem em culturas virais de rotina

Condições comuns

Vírus

Exames diagnósticos

Doença febril aguda, meningoencefalite

Alfavírus, flavivírus, bunyavírus (p. ex., vírus da encefalite de St. Louis, vírus da encefalite de La Crosse)

EIA, métodos baseados em ácido nucleico

Rotavírus, calicivírus (norovírus), astrovírus

EM ou IEM, métodos com ácido nucleico

vírus Epstein-Barr

EIA, métodos baseados em ácido nucleico

Febres hemorrágicas, coriomeningite linfocítica

Filovírus, arenavírus (p. ex., febre de Lassa, vírus Ebola)

EM, métodos com ácido nucleico

Hepatite

Teste serológico, métodos baseados em ácido nucleico

EIA, métodos baseados em ácido nucleico

Hepatite C, hepatite G

Métodos baseados em ácido nucleico, EIA

Roséola, sarcoma de Kaposi, infecções disseminadas

Herpesvírus 6, 7, 8

Métodos baseados em ácido nucleico, EIA

Aids

HIV

Métodos baseados em ácido nucleico, EIA, western blot

Condiloma acuminado, câncer de pele genital

Métodos com ácido nucleico, EIA

Quinta doença (eritema infeccioso)

Parvovírus humano B19

Métodos baseados em ácido nucleico, EIA

Leucemia de célula T do adulto

Vírus linfotrófico humano de célula T

EIA, métodos baseados em ácido nucleico

Polioma vírus (JC e BK)

Métodos baseados em ácido nucleico

Poxvírus

Métodos com base no ácido nucleico, EM, cultura dependendo do vírus

Vírus da raiva

EM, IFA, métodos com ácido nucleico:

Vírus da roséola

EIA, IFA, métodos com ácido nucleico

EIA = ensaio imunoenzimático; EM = microscopia eletrônica, IEM = imunomicroscopia; IFA = imunofluorescência.

Os espécimes de fungos obtidos de locais não estéreis devem ser inoculados em meios contendo agentes antibacterianos. Deve-se permitir que cresçam durante 3 a 4 semanas antes que sejam descartados.

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