Uma úlcera labial consiste na perda da superfície epitelial do lábio, resultando em uma ferida aberta que expõe o tecido subjacente. Apresenta-se como uma lesão dolorosa ou indolor com uma área central de perda de tecido, frequentemente coberta por uma camada de fibrina branco-acinzentada ou amarelada cercada por uma borda eritematosa.
A queilite é definida como uma condição inflamatória superficial que afeta o lábio (borda do vermelhão) e pode se apresentar como eritema, descamação, fissuras ou crostas. Pode ser generalizada, ou localizada em uma ou mais lesões. Embora possa haver algum edema, a principal manifestação é o desconforto. Para informações sobre edema labial com pouco ou nenhum desconforto, ver Edema labial.
(Ver também Avaliação do paciente odontológico.)
Úlceras labiais
Vários distúrbios infecciosos, neoplásicos, inflamatórios, autoimunes ou relacionados a medicamentos podem causar úlceras labiais:
Herpes labial (infecção pelo vírus do herpes simples): pequeno aglomerado de vesículas cheias de líquido que se rompem para formar uma úlcera na borda do vermelhão do lábio; comumente referida como herpes labial ou ferida de febre.
Eritema multiforme: várias bolhas que se rompem rapidamente deixando úlceras hemorrágicas crostosas na mucosa labial (1). Essa doença ulcerativa mucocutânea é uma reação imunitária geralmente desencadeada pelo vírus do herpes simples. O eritema multiforme tem grande variedade morfológica e muitas vezes causa mucosite oral dolorosa.
Sífilis primária (cancro): úlcera indolor com bordas duras. Os cancros orais costumam ser vistos nos lábios (lábios superiores mais comuns nos homens; lábios inferiores mais comuns nas mulheres) (2).
Estomatite aftosa recorrente: úlceras aftosas maiores podem ocorrer nos lábios (mucosa labial) e persistir por semanas a meses. Múltiplas úlceras menores, dolorosas e recorrentes também ocorrem comumente em outras partes da mucosa oral.
Úlceras induzidas por medicamentos: as úlceras labiais podem resultar de efeitos citotóxicos diretos (quimioterapia, alendronato) ou de reações de hipersensibilidade (p. ex., síndrome de Stevens-Johnson, reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistêmicos [DRESS]).
Condições inflamatórias ou autoimunes sistêmicas: doenças sistêmicas associadas à estomatite aftosa que podem acometer a borda do vermelhão incluem doença celíaca, doença de Behçet, doenças intestinais inflamatórias e a síndrome PFAPA (febre periódica, estomatite aftosa, faringite e adenite). Doenças bolhosas autoimunes, como o pênfigo vulgar e o penfigoide bolhoso, também podem se manifestar com ulcerações labiais por meio de mecanismos imunomediados.
Trauma: úlceras traumáticas podem resultar de lesões mecânicas, como mordedura acidental, bordas cortantes dos dentes, aparelhos odontológicos ou trauma externo.
Outras condições que podem se apresentar com lesões labiais e simular úlceras incluem:
Verruga vulgar (verruga comum): superfície áspera, tumor indolor. Essa doença benigna pode se espalhar por autoinoculação.
Queilite actínica: lesões pré-cancerosas secas e descamativas, de contorno irregular e coloração variável (pálida, vermelha ou mista), que acometem os lábios. Essa doença pré-malignas comum é causada pela exposição crônica à luz ultravioleta.
Eritroplasia ou leucoplasia: manchas vermelhas ou brancas que geralmente se desenvolvem no assoalho da boca, na face lateral da língua e na mucosa jugal, mas que raramente acometem os lábios (3). Essas manchas podem estar associadas a displasia e carcinoma de células escamosas.
Carcinoma oral de células escamosas: pode se manifestar de maneira variável como nódulo ou placa hiperceratótica, úlcera com bordas duras.
Síndrome de Peutz-Jeghers: doença autossômica dominante que inclui máculas benignas hiperpigmentadas (azul escuro, marrom, preto) da pele e mucosas (especialmente mucosas labial e bucal), pólipos hamartomatosos gastrointestinais e predisposição (não relacionada com máculas e pólipos) a vários tipos de câncer.
Esta foto é um close-up de uma lesão por vírus do herpes simples tipo 1 (HSV-1) no lábio inferior que mostra agrupamentos de vesículas em uma base eritematosa.
Esta foto é um close-up de uma lesão por vírus do herpes simples tipo 1 (HSV-1) no lábio inferior que mostra agrupament
CDC
Esta foto mostra lesões orais e palmares.
Esta foto mostra lesões orais e palmares.
Photo courtesy of Karen McKoy, MD.
Cancros sifilíticos podem aparecer na boca ou ao redor dela.
Cancros sifilíticos podem aparecer na boca ou ao redor dela.
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Referências sobre úlceras labiais
1. Ayangco L, Rogers RS 3rd. Oral manifestations of erythema multiforme. Dermatol Clin. 2003;21(1):195-205. doi:10.1016/s0733-8635(02)00062-1
2. Zhou X, Wu MZ, Jiang TT, Chen XS. Oral Manifestations of Early Syphilis in Adults: A Systematic Review of Case Reports and Series. Sex Transm Dis. 2021;48(12):e209-e214. doi:10.1097/OLQ.0000000000001538
3. de Azevedo AB, Dos Santos TCRB, Lopes MA, et al. Oral leukoplakia, leukoerythroplakia, erythroplakia and actinic cheilitis: Analysis of 953 patients focusing on oral epithelial dysplasia. J Oral Pathol Med. 2021;50(8):829-840. doi:10.1111/jop.13183
Queilite (inflamação labial)
A queilite é inflamação aguda ou crônica dos lábios. Pode ser causada por infecção, exposição ao sol, medicamentos ou substâncias irritantes, alergia ou doença subjacente. A inflamação acomete principalmente o vermelhão labial e a borda do vermelhão. Edema, com enantema e dor; outras alterações podem ser rachaduras, fissuras, erosões, crostas e descamação.
Causas comuns de queilite incluem:
Queilite angular: inflamação, formação de crostas, fissuras dolorosas e maceração nos cantos da boca.
Queilite actínica: dano solar que causa atrofia e adelgaçamento da mucosa com erosões; predispõe a neoplasias
Queilite eczematosa: lábios enantematosos e ressecados (algumas vezes denominados lábios rachados) geralmente causados por contato com substâncias irritantes ou, algumas vezes, por alergênios ou como parte da dermatite atópica
Tipos raros de queilite são a queilite glandular, a queilite granulomatosa e a queilite plasmocitária.
Crianças com a doença de Kawasaki podem apresentar lábios eritematosos, ressecados, edematosos e rachados, que podem simular queilite, além de língua com aspecto de morango. O diagnóstico e o tratamento precoces são necessários para prevenir desfechos adversos.
Queilite angular
A queilite angular (estomatite angular) é a forma mais comum; inflamação, crostas, fissuras dolorosas, muitas vezes com maceração nos cantos da boca. As causas típicas são:
Desgaste excessivo dos dentes ou próteses dentárias que não separam adequadamente as mandíbulas, criando pregas cutâneas nos cantos da boca nas quais há acúmulo de saliva
Candida spp (ou algumas vezes Staphylococcus aureus)
Deficiência de ferro, deficiência do complexo de vitamina B (sobretudo riboflavina e cobalamina)
Queilite angular (sapinho) são fissuras dolorosas nos cantos da boca. Nesta foto, também se observam eritema e crostas na comissura labial.
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O tratamento da queilite angular pode ser feito pela substituição das próteses dentárias ou a restauração do tamanho adequado dos dentes com próteses parciais, coroas ou implantes, o que ajuda a reduzir as dobras nos cantos da boca. O tratamento primário das outras causas pode incluir o uso de antifúngicos (p. ex., clotrimazol em creme), antibióticos (p. ex., mupirocina em pomada) ou suplementação de ferro ou de vitamina B, conforme indicado.
Queilite actínica
A queilite actínica (queilose solar) é uma condição pré-maligna do lábio causada pela exposição solar crônica. É considerada o equivalente à ceratose actínica da pele exposta ao sol. Os danos aos lábios geralmente incluem ressecamento, descamação e perda de distinção entre a borda do vermelhão e o epitélio queratinizado. A exposição solar excessiva também pode resultar em vermelhidão e ulcerações, que devem ser avaliadas por um dentista ou médico para uma possível biópsia.
A prevalência da queilite actínica é baixa na população geral, mas pode ser significativamente maior em grupos que frequentemente participam de atividades ao ar livre (1). Os grupos de maior risco parecem ser os homens com mais de 50 anos de idade e aqueles com pele de pigmentação clara.
O lábio inferior é predominantemente afetado. Essas alterações labiais são consideradas potenciais precursoras do desenvolvimento de carcinoma de células escamosas.
O diagnóstico baseia-se principalmente na história clínica e no exame físico, embora a biópsia seja geralmente recomendada para confirmação histopatológica e para excluir o carcinoma de células escamosas ou outras lesões malignas invasivas (2).
O tratamento é o mesmo que o da ceratose actínica, discutido detalhadamente em outra seção (ver Ceratose actínica). Recomenda-se fortemente a redução da exposição solar por meio do uso de chapéus de abas largas e de protetores solares.
Referências sobre queilite
1. Rodriguez-Archilla A, Irfan-Bhatti A. Risk factors for actinic cheilitis: A meta-analysis. J Dent Res Dent Clin Dent Prospects. 2021;15(4):285-289. doi:10.34172/joddd.2021.047
2. Seoane J, Warnakulasuriya S, Bagán JV, et al. Assembling a consensus on actinic cheilitis: A Delphi study. J Oral Pathol Med. 2021;50(10):962-970. doi:10.1111/jop.13200



