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Fadiga

Por

Michael R. Wasserman

, MD, Los Angeles Jewish Home

Última modificação do conteúdo jun 2019
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Fadiga ocorre na maioria das vezes como parte de um conjunto de sintomas, mas, mesmo quando é o único ou o principal sintoma, a fadiga é um dos sintomas mais comuns.

Fadiga é dificuldade de iniciar e sustentar uma atividade devido à falta de energia e é acompanhada pelo desejo de descansar. A fadiga é normal após esforço físico, estresse prolongado e privação de sono.

Os pacientes podem se referir a alguns outros sintomas como sendo fadiga; a diferenciação entre eles e a fadiga costuma ser possível, mas nem sempre o é, por um questionamento detalhado.

  • Fraqueza, um sintoma do sistema nervoso ou distúrbios musculares, é força insuficiente da contração dos músculos ao esforço máximo. Doenças como a miastenia grave e a síndrome de Eaton-Lambert podem provocar fraqueza que piora com a atividade, simulando fadiga.

  • A dispneia aos esforços, sintoma precoce de doença cardiopulmonar, pode diminuir a tolerância a exercícios, simulando fadiga. Em geral, os sintomas respiratórios podem ser inferidos mediante questionamento cuidadoso ou podem aparecer ulteriormente.

  • A sonolência, sintoma dos transtonos que causam privação do sono (p. ex., rinite alérgica, refluxo esofágico, doenças musculoesqueléticas dolorosas, apneia do sono, doenças crônicas graves) é um desejo forte incomum de dormir. Bocejos e sonolência durante o dia são comuns. Os pacientes geralmente sabem a diferença entre sonolência e fadiga. No entanto, a privação da fase de sono profundo, sem a fase de movimento rápido dos olhos, pode causar dores musculares e fadiga, e muitos pacientes com fadiga têm comprometimento do sono, assim a diferenciação entre a fadiga e a sonolência pode ser difícil.

A fadiga pode ser classificada em várias categorias temporais, como:

  • Fadiga recente: duração < 1 mês

  • Fadiga prolongada: duração de 1 a 6 meses

  • Fadiga crônica: duração > 6 meses

Síndrome da fadiga crônica é uma das causas da fadiga crônica. Atualmente, há 2 outros termos para a síndrome da fadiga crônica — encefalomielite miálgica e intolerância sistêmica ao esforço — embora não exista uma distinção clara entre eles no momento.

Etiologia

Doenças mais graves (e muitas doenças leves) agudas e crônicas produzem fadiga. No entanto, muitas dessas doenças têm outras manifestações mais proeminentes (p. ex., dor, tosse, febre, icterícia) como queixa inicial. Esta discussão se concentra nas doenças que podem se manifestar principalmente como fadiga.

Os distúrbios mais comuns que se manifestam predominantemente como fadiga recente (com duração < 1 mês) são

As causas mais comuns que se manifestam predominantemente como fadiga prolongada (com duração de 1 a 6 meses) são

As causas mais comuns que se manifestam predominantemente como fadiga crônica (com duração > 6 meses) são

Vários fatores comumente causam ou contribuem para a fadiga como a principal queixa, geralmente a fadiga prolongada ou crônica (ver tabela Alguns fatores que comumente contribuem para a fadiga prolongada ou crônica).

Tabela
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Alguns fatores que comumente contribuem para fadiga prolongada ou crônica

Categoria

Exemplos

Doenças crônicas

Fármacos

Antidepressivos, anti-histamínicos (de 1ª geração), anti-hipertensivos, cessação de cocaína (em geral fadiga recente), diuréticos que causam hipopotassemia, relaxantes musculares, drogas recreacionais, sedativos

Distúrbios endócrinos

Insuficiência suprarrenal*, diabetes, hipertireoidismo* (geralmente apático), hipotireoidismo, insuficiência pituitária

Infecções

Infecção por citomegalovírus, endocardite, pneumonia fúngica, hepatite, HIV/aids, mononucleose, infecção parasitária*, tuberculose

Distúrbio psicológico

Ansiedade, depressão, violência doméstica, dependência química, transtorno do pânico, somatização

Transtornos de causa desconhecida

Outras causas

Anemia, câncer, falta de condicionamento físico, gestação*, desnutrição, hipercalcemia*, esclerose múltipla

*Em geral, não causa fadiga crônica.

Avaliação

A fadiga pode ser altamente subjetiva. Os pacientes variam no que consideram ser fadiga e como a descrevem. Há também algumas maneiras de confirmar objetivamente a fadiga ou determinar a sua gravidade. A anamnese e o exame físico se concentram na identificação de manifestações sutis de doença subjacente (particularmente infecção, doenças endócrinas e reumatológicas, anemia e depressão) que podem ser usados para orientar os exames complementares.

História

A história da doença atual inclui perguntas abertas sobre o que é "fadiga", prestando atenção a descrições que podem sugerir dispneia aos esforços, sonolência ou fraqueza muscular. Deve-se obter as relações entre fadiga, atividade, repouso e sono, assim como o início, período de tempo e padrão, e fatores que agravam ou melhoram a fadiga.

A revisão dos órgãos e sistemas deve ser detalhada porque as potenciais causas de fadiga são numerosas e variadas. Os sintomas inespecíficos importantes são febre, perda ponderal e sudorese noturna (possivelmente sugerindo câncer, doença reumatológica ou infecção). A história de menstruação deve ser obtido em mulheres em idade fértil. A menos que uma causa seja evidente, deve-se fazer perguntas aos pacientes a partir de questionários de rastreamento de transtornos psicológicos (p. ex., depressão, ansiedade, uso de fármacos, transtornos somatoformes e violência doméstica).

A história clínica deve abordar distúrbios conhecidos. A história completa do uso de fármacos deve compreender os fármacos de venda livre, venda somente sob prescrição médica e as recreativas.

A história social deve descrever a alimentação, o uso de fármacos e o efeito da fadiga na qualidade de vida, no trabalho e nos relacionamentos sociais e familiares.

Exame físico

Verificam-se os sinais vitais para detectar febre, taquicardia, taquipneia e hipotensão. O exame físico deve ser particularmente abrangente, com ectoscopia e exame cardiovascular, pulmonar, abdominal, de cabeça e pescoço, mamas, reto (incluindo toque retal e teste de sangue oculto), genital, fígado, baço, linfonodos, articulações e pele. O exame neurológico deve englobar, no mínimo, testes do estado mental, pares cranianos, humor, afeto, força, tônus e massa muscular, reflexos e marcha. Normalmente, se a fadiga for de início recente, um exame mais detalhado revelará a sua causa. Se a fadiga for crônica, é improvável que o exame revele sua origem; mas o exame físico completo é uma forma importante de construir um vínculo com o paciente e, ocasionalmente, é útil para o diagnóstico.

Sinais de alerta

  • Perda ponderal crônica

  • Febre ou sudorese noturna crônica

  • Linfadenopatia generalizada

  • Fraqueza muscular ou dor

  • Sintomas graves não relacionados à fadiga (p. ex., hemoptise, hematêmese, dispneia grave, ascite, confusão ou ideação suicida)

  • Envolvimento de > 1 sistema de órgãos (p. ex., exantema e artrite)

  • Cefaleia de início recente ou diferente ou perda da visão, particularmente com dores musculares, em adultos mais velhos

Interpretação dos achados

Em geral, é mais provável que a causa seja encontrada quando a fadiga for um dentre muitos sintomas do que quando a fadiga for o único sintoma. A fadiga que piora com a atividade e melhora com o repouso sugere alguma deficiência física. A fadiga constante que não melhora com repouso, particularmente com episódios ocasionais de energia, pode indicar algum transtorno psicológico.

Na ausência de sinais de alerta, anamnese completa, exame físico e exames laboratoriais de rotina (além de exames direcionados aos achados específicos — ver Interpretação de achados específicos na avaliação da fadiga) devem ser suficientes para uma avaliação inicial. Se os resultados dos exames forem negativos, geralmente convém adotar uma conduta expectante; se a fadiga piorar ou aparecerem outros sinais e sintomas, o paciente é reavaliado.

Pode-se considerar várias causas para os pacientes com fadiga prolongada ou crônica e selecionar outros achados clínicos comuns ou específicos (Interpretação de achados específicos na avaliação da fadiga).

Tabela
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Interpretação dos achados selecionados na avaliação da fadiga

Sintomas

Possíveis causas

Testes a considerar*

Anorexia, cólica abdominal, perda ponderal ou esteatorreia

Desnutrição secundária a doença do trato gastrointestinal ou câncer

Endoscopia, RM do abdome e colangiopancreatografia endoscópica retrógrada

Anorexia, dor abdominal, perda ponderal, hipotensão ortostática, hiperpigmentação cutânea

Insuficiência adrenal

Níveis séricos de eletrólitos, cortisol e ACTH; às vezes, teste de estimulação com ACTH 1-24 sintético (Cortrosyn®)

Febre, sudorese noturna ou perda ponderal

Infecção, doenças reumáticas (incluindo vasculite)

Hemograma, VHS, hemocultura ou outras culturas, fator reumatoide e ANA

Dispneia com tosse ou hemoptise

HIV/aids (com pneumonia por Pneumocystis jirovecii ), pneumonia fúngica, tuberculose

Radiografia de tórax, tomografia computadorizada de tórax ou PET-TC, sorologia para HIV citologia e/ou cultura de escarro, testes de função pulmonar e PPD

Dispneia, ortopneia e/ou edema

Radiografia de tórax, provas de função renal, ecocardiografia (emcaso ortopneia)

Dispneia, manchas de Roth, lesões de Janeway, sopro cardíaco de início recente ou em transformação, uso de drogas IV

Hemoculturas múltiplas, ecocardiografia

Diminuição da tolerância aos exercícios com dispneia aos esforços, palidez

Anemia

Hemograma completo

Linfadenopatia generalizada

Exame de HIV hemograma completo, sorologia de EBV

Combinação de artrite, exantema e/ou comprometimento de outros órgãos

Doenças reumatológicas (incluindo vasculite)

Hemograma, VHS, fator reumatoide, ANA

Icterícia, ascite, confusão

Provas de função hepática, sorologia para hepatites virais

Polidipsia, poliúria, aumento do apetite, ganho ou perda ponderal

Nível de glicemia em jejum, HbA1C, teste de tolerância à glicose

Intolerância ao frio, ganho ponderal, constipação, pele áspera

Hipotireoidismo, insuficiência pituitária

Testes de função da tireoide

Perda ponderalhi ou fibrilação atrial em pacientes idosos

Hipertireoidismo (apático)

Testes de função da tireoide

Piora da fadiga com a exposição ao calor, história de sintomas neurológicos (p. ex., parestesia, ataxia, fraqueza), em particular > 1 episódio

RM cerebral e/ou da coluna com contraste

Cefaleia, claudicação mandíbular, dor à palpação ou espessamento da artéria temporal e/ou dor muscular em adultos mais velhos

VHS, RM ou TC cerebral, biópsia da artéria temporal

Ansiedade, tristeza, anorexia, transtorno inexplicável do sono

Ansiedade, depressão, violência doméstica, somatização

Avaliação clínica

Faringite recente, linfadenopatia, esplenomegalia.

Sorologia para EBV; hemograma, VHS, TSH, bioquímica (como para a suspeita de síndrome da fadiga crônica)

Linfadenopatia e esplenomegalia

Sorologia EBV, e algumas vezes também para CMV

Infecções frequentes ou oportunistas, candidíase, linfadenopatia, esplenomegalia

Teste para HIV

Dor musculoesquelética extra-articular generalizada crônica, pontos de gatilho, sintomas de intestino irritável, migrânea, ansiedade

VHS ou proteína C reativa, CK, TSH, sorologia para hepatite C

Perda ponderal, esteatorreia, ingestão oral inadequada

Albumina sérica, contagem total de linfócitos e CD4+, transferrina sérica

Constipação, letargia, dor óssea (p. ex., à noite)

Bioquímica sérica, incluindo cálcio

Mal-estar pós-esforço, sono não restaurador, dificuldade de concentração ou na memória de curto prazo, intolerância ortostática, faringite, mialgia, cefaleia

Hemogram, VHS, TSH, eletrólitos, glicose, cálcio e provas de função renal e hepática

*A escolha de exames específicos é ditada pela suspeita clínica.

ACTH = hormônio adrenocorticotrópico; ANA = anticorpos antinucleares; CK = creatina quinase; CMV = citomegalovírus; EBV = vírus Epstein-Barr; VHS = velocidade de hemossedimentação; CPRM = colangiopancreatografia por ressonância magnética; PET = tomografia por emissão de pósitrons; PPD = derivado proteico purificado; TTP = tireotropina.

Exames

O exame deve ser voltado às causas suspeitas com base nos achados clínicos. Se nenhuma causa for evidente ou suspeita com base nos achados clínicos, é improvável que exames laboratoriais revelem alguma causa. Ainda assim, muitos médicos recomendam estes exames:

  • Hemograma completo (HC)

  • Ferritina

  • Velocidade de hemossedimentação (VHS)

  • Hormônio estimulante da tireoide (TSH)

  • Bioquímica sérica, incluindo eletrólitos, glicose, cálcio e testes da função renal e hepática

Recomenda-se creatina quinase (CK) se houver dor ou fraqueza muscular. Recomendam-se sorologia para HIV e acréscimo de derivado proteico purificado (PPD) se o paciente tiver fatores de risco. Recomenda-se radiografia de tórax se tosse ou dispneia está presente. Outros exames, como para investigar infecção ou deficiência imunológica, só são recomendados se houver resultados clínicos sugestivos.

  • Fadiga crônica com comprometimento funcional das tarefas diárias, não melhora com repouso, e não é explicada pelos achados clínicos ou alterações dos exames laboratoriais mencionados acima

  • Na doença sistêmica de intolerância ao esforço/síndrome da fadiga crônica, mal-estar pós-esforço e sono não restaurador, bem como comprometimento cognitivo ou intolerância ortostática

  • Para encefalomielite miálgica/síndrome da fadiga crônica, a presença de ≥ 4 dos seguintes: faringite, sono não restaurador, dificuldade de concentração ou na memória de curto prazo, mialgia, artralgia em várias articulações sem edema articular, cefaleia de início recente ou diferente, e linfonodos cervicais ou axilares sensíveis

Tratamento

O tratamento é direcionado para a causa. O tratamento de pacientes com encefalomielite miálgica/doença sistêmica de intolerância ao esforço/síndrome da fadiga crônica e fadiga idiopática crônica é semelhante. Devem ser informados claramente de que a etiologia é atualmente desconhecida. Frequentemente, o tratamento é mais bem sucedido se o médico for paciente, imparcial e reconhecer os efeitos reais da fadiga. O potencial tratamento inclui fisioterapia (p. ex., terapia com exercícios graduais) e suporte psicológico (p. ex., terapia cognitivo-comportamental). Concentrar-se em melhorar o sono e aliviar a dor também pode ajudar. Os objetivos terapêuticos são o retorno ao trabalho e a manutenção dos níveis de atividade normais.

Fundamentos de geriatria

A fadiga costuma ser o primeiro sintoma de algum distúrbio nos pacientes idosos. Por exemplo, o primeiro sintoma da pneumonia em uma mulher mais idosa pode ser fadiga em vez de sintomas pulmonares. O primeiro sintoma de outras doenças, como arterite de células gigantes, também pode ser fadiga em um paciente idoso. Como uma doença grave pode tornar-se aparente logo após um quadro de fadiga de início súbtito em pacientes idosos, sua causa deve ser determinada o mais rapidamente possível. Também é um pouco mais provável que a fadiga seja causada por arterite de células gigantes ou outra doença física grave nos idosos.

Pontos-chave

  • A fadiga é um sintoma comum.

  • A fadiga causada primariamente por algum distúrbio físico piora com a atividade e melhora com o repouso.

  • Os exames laboratoriais não ajudam muito na ausência de achados clínicos sugestivos.

  • Há mais probabilidade de o tratamento ser bem-sucedido se o médico for paciente e compreensivo.

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