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Visão geral da uveíte

Por

Kara C. LaMattina

, MD, Boston University School of Medicine

Última modificação do conteúdo fev 2019
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Recursos do assunto

A uveíte é definida como inflamação do trato uveal—íris, corpo ciliar e coroide. Mas a retina e o líquido dentro da câmara anterior e vítrea estão muitas vezes envolvidos. Cerca da metade dos casos é idiopática; as causas identificáveis são trauma, infecção e doenças sistêmicas, muitas das quais são autoimunes. Sintomas incluem baixas da visão, dor, olho vermelho, fotofobia e moscas volantes. Embora a uveíte seja diagnosticada clinicamente, identificar a causa tipicamente requer testes. O tratamento depende da causa, mas tipicamente é feito com corticoides tópicos ou por injeção local ou sistêmicos com colírio cicloplégico-midriático tópico. Fármacos imunossupressores não corticoides podem ser usadas em casos graves e refratários.

Ua veíte é inflamação do trato uveal (ver figura Secção transversa do olho). A uveíte é classificada anatomicamente como

  • Uveíte anterior: localizada primariamente no segmento anterior do olho, irite (inflamação isolada na câmara anterior) e iridociclite (inflamação na câmara anterior e no corpo vítreo anterior)

  • Uveíte intermediária: localizada na cavidade vítrea e/ou região da pars plana

  • Uveíte posterior: qualquer forma de retinite, coroidite ou inflamação do disco óptico

  • Panuveíte: inflamação comprometendo as estruturas anteriores, intermediárias e posteriores

A uveíte também é classificada de acordo com o início (súbito ou insidioso), a duração (limitada ou persistente) e a evolução (aguda, recorrente ou crônica) (1).

Seção transversal do olho

As zônulas de Zinn mantêm a lente (cristalino) suspensa, e os músculos do corpo ciliar ajustam o foco da lente. O corpo ciliar também secreta humor aquoso, que preenche as câmaras anterior e posterior, atravessa a pupila até a câmara anterior, sendo drenado primariamente pelo canal de Schlemm. A íris regula a quantidade de luz que entra no olho através do ajuste do tamanho da sua abertura central, a pupila. As imagens visuais são focadas na retina. A conjuntiva recobre anteriormente o globo ocular, revestindo as pálpebras superiores e inferiores, e terminando no limbo. A córnea está coberta por um epitélio, que é mais sensível e diferente do epitélio conjuntival.

Seção transversal do olho

Referência geral

Etiologia

Causas da uveíte anterior incluem

As causas de uveíte intermediária são

As causas da uveíte posterior (retinite) são

As causas da panuveíte são

Raramente, fármacos sistêmicos causam uveíte (normalmente anterior). Exemplos são sulfonamidas, bifosfonados (inibidores da reabsorção óssea), rifabutina, cidofovir e os inibidores do ponto de verificação (check-point) como o nivolumabe e o ipilimumabe.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas das uveítes geralmente são sutis e variam consideravelmente, dependendo do local acometido e da gravidade da inflamação.

A uveíte anterior tende a ser a mais sintomática (especialmente quando aguda), geralmente se manifesta com

  • Dor (ocular)

  • Hiperemia

  • Fotofobia

  • Diminuição da visão (em um grau variável)

Uveíte anterior crônica pode ter sintomas menos exuberantes e apresentar irritação ou diminuição da visão.

Os sinais de uveíte anterior incluem hiperemia da conjuntiva adjacente à córnea. Resultados de lâmpada de fenda incluem precipitados endoteliais (aglomerados de leucócitos na superfície da córnea interna), células e flare (turvação) na câmara anterior (humor aquoso) e sinéquias posteriores. Com uveíte anterior grave, os leucócitos podem formar uma camada na câmara anterior (hipópio).

Uveíte intermediária é tipicamente indolor e se manifesta com

  • Moscas volantes

  • Diminuição da visão

Os sinais primários são células no humor vítreo. Agregados e condensações de células inflamatórias ocorrem com frequência, parecendo “bolas de neve”. Pode haver diminuição da acuidade visual por causa de moscas volantes e edema cistoide da mácula, resultantes do extravasamento de líquido dos vasos sanguíneos na mácula. Células vítreas confluentes e condensadas e “bolas de neve” na região da pars plana (próximo da junção entre a íris e a esclera) podem produzir a aparência clássica de “banco de neve”, que pode estar associada à neovascularização da retina periférica.

Uveíte posterior pode se apresentar com os mais diversos sintomas; porém, os mais relatados são moscas volantes e diminuição da acuidade visual, assim como em uveíte intermediária. Sinais incluem

  • Células no humor vítreo

  • Lesões brancas ou branco-amareladas na retina (retinite) ou coroide subjacente (coroidite), ou ambas

  • Vasculite retiniana

  • Edema de disco óptico

Panuveíte pode produzir qualquer um dos sinais e sintomas descritos anteriormente ou mesmo todos eles.

Complicações

Complicações graves da uveíte incluem perda profunda e irreversível da visão, especialmente quando a uveíte não é reconhecida, é inadequadamente tratada, ou ambos.

As complicações mais frequentes incluem

  • Catarata (secundária ao processo da doença e/ou ao tratamento com corticoides)

  • Glaucoma (secundário ao processo da doença e/ou ao tratamento com corticoides)

  • Neovascularização da retina, nervo óptico ou íris

  • Edema macular cístico (a causa mais comum de visão diminuída em pacientes com uveíte)

  • Hipotonia (pressão intraocular muito baixa para sustentar a saúde do olho)

Diagnóstico

  • Exame com lâmpada de fenda

  • Oftalmoscopia sob dilatação

Deve-se suspeitar de uveíte em qualquer paciente que tenha dor ocular, vermelhidão, fotofobia, moscas volantes ou diminuição da visão. Pacientes com uveíte anterior unilateral têm dor ocular no olho comprometido quando a luz é direcionada ao olho não comprometido (fotofobia verdadeira), o que é incomum em conjuntivite.

Diagnóstico de uveíte anterior é feito pelo reconhecimento de células e flare na câmara anterior. Células e flare são vistas com uma lâmpada de fenda e são mais evidentes quando se utiliza uma luz brilhante estreita intensamente focada na câmara anterior, em um ambiente escuro. Achados de uveíte intermediária e posterior são mais facilmente observados após a dilatação da pupila. Oftalmoscopia indireta (normalmente feita por um oftalmologista) é mais sensível do que a oftalmoscopia direta. (Nota: se uma uveíte é suspeitada, os pacientes devem ser encaminhados imediatamente para avaliação oftalmológica completa.)

Muitas condições que causam inflamação intraocular podem imitar uveíte e devem ser consideradas nas definições clínicas apropriadas. Essas doenças são, mais comumente, conjuntivite grave (p. ex., ceratoconjuntivite epidêmica), ceratite grave (p. ex., ceratoconjuntivite herpética, ceratite ulcerativa periférica) e esclerite grave.

O glaucoma agudo de ângulo fechado pode causar hiperemia e dor intensa semelhante à da uveíte, razão pela qual é importante verificar a pressão intraocular em todas as consultas. A uveíte está frequentemente (mas nem sempre) associada à baixa pressão intraocular, enquanto a pressão é tipicamente alta no glaucoma agudo de ângulo fechado. A uveíte também pode ser diferenciada do glaucoma de ângulo fechado pela ausência de opacidade córnea e de aprofundamento da câmara anterior.

Outros mascaramentos são alguns tipos de câncer intraocular nos muito jovens (tipicamente retinoblastoma e leucemia) e nos idosos (linfoma intraocular). Menos comumente, a retinose pigmentar pode se manifestar com inflamação leve, que pode ser confundida com uveíte.

Tratamento

  • Corticoides (geralmente tópicos) e algumas vezes outros imunossupressores

  • Fármacos cicloplégicos e midriáticas

  • Algumas vezes, antimicrobianos

  • Algumas vezes, cirurgia

O tratamento da inflamação ativa geralmente envolve corticoides administrados topicamente (p. ex., 1 gota de acetato de prednisolona a 1% a cada 1 h enquanto acordado) ou com injeção peri ou intraocular juntamente com um fármaco cicloplégico-midriático (p. ex., gotas de homatropina a 2 ou 5% [se disponível] ou gotas de ciclopentolato a 0,5 ou 1,0%, sendo qualquer um dos dois fármacos administrados bid a qid dependendo da gravidade). Antimicrobianos são usados para tratar a uveíte infecciosa. Casos particularmente graves ou crônicos podem exigir corticoides sistêmicos (p. ex., prednisona 1 mg/kg por via oral uma vez/dia), imunossupressores sistêmicos não esteroidais (p. ex., metotrexato 15 a 25 mg por via oral uma vez por semana ou adalimumabe 40 mg em semanas alternadas), fototerapia a laser, crioterapia transescleral da periferia da retina ou remoção cirúrgica do vítreo (vitrectomia) (1).

Referência sobre o tratamento

Pontos-chave

  • A inflamação do trato uveal (uveíte) pode afetar o segmento anterior (incluindo a íris), trato uveal intermediário (incluindo o vítreo), ou úvea posterior (incluindo a coroide, retina e nervo óptico).

  • A maioria dos casos é idiopática, mas causas conhecidas incluem infecções, trauma e doenças autoimunes.

  • Os achados na uveíte anterior aguda são dor ocular, fotofobia, hiperemia em torno da córnea (eritema ciliar) e, pelo exame com lâmpada de fenda, células e brilho reflexo.

  • A uveíte anterior crônica pode ter sintomas menos exuberantes e apresentar irritação ocular ou diminuição da visão.

  • Uveítes intermediária e posterior tende a causar menos dor e olho vermelho, porém, mais moscas volantes e diminuição da visão.

  • O diagnóstico é confirmado por exame de lâmpada de fenda e oftalmoscopia (muitas vezes indireta) a após a dilatação pupilar.

  • O tratamento deve ser feito pelo oftalmologista geralmente por meio de corticosteroide tópico e um colírio cicloplégico-midriático.

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