Quedas em idosos

PorRichard G. Stefanacci, DO, MGH, MBA, Thomas Jefferson University, Jefferson College of Population Health;
Jayne R. Wilkinson, MD, MSCE, University of Pennsylvania, Perelman School of Medicine
Reviewed ByMichael R. Wasserman, MD, California Association of Long Term Care Medicine (CALTCM)
Revisado/Corrigido: modificado ago. 2025
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Visão Educação para o paciente

Define-se queda como um evento que ocorre quando uma pessoa inadvertidamente cai ao chão ou outro nível mais baixo.

Em pessoas com ≥ 65 anos, as quedas são a principal causa de morte relacionada com lesões e a sétima principal causa de todas as mortes (1).

Nos Estados Unidos, mais de 14 milhões de adultos com idade ≥ 65 anos relatam quedas a cada ano, totalizando aproximadamente 36 milhões de episódios de queda. Um grande número de quedas resulta em lesão, sendo que cerca de 37% das pessoas que caem relatam uma lesão que exigiu tratamento médico ou que restringiu suas atividades por pelo menos um dia, o que representa aproximadamente 9 milhões de lesões por queda a cada ano.

O número de quedas e mortes relacionadas está aumentando. A taxa de mortalidade por quedas ajustada por idade aumentou em 41%, passando de 55,3 por 100.000 idosos em 2012 para 78,0 por 100.000 em 2021 (3). As quedas também são mais comuns em mulheres do que em homens e mais frequentes entre pessoas que vivem em áreas rurais do que entre aquelas que vivem em áreas urbanas.

As quedas ameaçam a independência dos idosos e causam uma cascata de problemas individuais e socioeconômicos. No entanto, os clínicos frequentemente não têm conhecimento de quedas em idosos que não apresentam lesão porque uma anamnese e exame físico de rotina normalmente não incluem uma avaliação específica para quedas. Muitos idosos se tornam relutantes em relatar uma queda porque a atribuem ao processo de envelhecimento ou por temer posterior restrição de suas atividades ou serem institucionalizados. É necessário que os médicos sejam notificados das quedas para a prevenção de episódios semelhantes futuros.

Quando as quedas não são relatadas e as medidas preventivas não são instituídas, os idosos estão em risco de uma nova queda, o que impõe uma carga significativa sobre o sistema de saúde. Espera-se que essa carga aumente, dado o crescimento projetado de envelhecimento da população. Portanto, implementar intervenções como educação para prevenção de quedas e exercícios funcionais (p. ex., para aumentar a força das pernas e equilíbrio), bem como estratégias de mitigação de lesões, é imperativo.

Referências

  1. 1. Colón-Emeric CS, McDermott CL, Lee DS, et al. Risk Assessment and Prevention of Falls in Older Community-Dwelling Adults: A Review. JAMA. 2024;331(16):1397-1406. doi:10.1001/jama.2024.1416

  2. 2. U.S. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Older Adult Falls Data. Accessed June 12, 2025.

  3. 3. Kumar S, Cruz F, Yates Z, et al. Falls among older adults: An exploration of trends, clinical outcomes, predisposing risk factors, and intervention strategies. Am J Surg. 2025;245:116385. doi:10.1016/j.amjsurg.2025.116385

Etiologia das quedas

O preditor de queda mais consistente é uma queda anterior. Contudo, as quedas em idosos raramente têm uma única causa ou fator de risco. É causada geralmente por complexa interação entre os seguintes fatores:

  • Fatores intrínsecos (declínio relacionado com a idade da função, distúrbios e efeitos adversos de medicamentos)

  • Fatores extrínsecos (riscos ambientais)

  • Fatores situacionais (relacionados à atividade específica ou às circunstâncias de uma atividade — por exemplo, apressar-se para ir o banheiro no meio da noite)

Fatores intrínsecos

Alterações relacionadas à idade podem comprometer os sistemas envolvidos na manutenção do equilíbrio e da estabilidade (p. ex., ao permanecer em pé, andar ou sentar-se) e aumentam o risco de quedas. Acuidade visual, sensibilidade ao contraste, percepção de profundidade e adaptação ao escuro declinam. Perda ou distúrbios sensoriais e disfunção cerebelar podem diminuir os reflexos posturais e prejudicar o equilíbrio. As alterações dos padrões de ativação muscular e a capacidade de gerar força muscular e velocidade suficientes podem prejudicar a capacidade de manter ou recuperar o equilíbrio em resposta a perturbações (p. ex., pisar em superfície irregular, colisão). Na verdade, fraqueza muscular de qualquer tipo é um importante preditor de quedas. À medida que o comprometimento cognitivo aumenta com a idade, também aumenta o risco de quedas, em parte porque os idosos com comprometimento cognitivo podem não se lembrar de tomar as medidas de segurança que reduzem as quedas.

Doenças crônicas e agudas (ver tabela ) e uso de medicamentos (ver tabela ) são os principais fatores de risco para quedas. O risco de quedas aumenta com o número de medicamentos utilizados. Várias classes de medicamentos aumentam o risco, mas os medicamentos psicoativos são mais comumente relatados como aumentando o risco de quedas e de lesões relacionadas a quedas.

O risco de queda traumática que resulta em fratura é aumentado por

  • Osteoporose e alterações relacionadas com a idade na qualidade óssea, que aumentam a fragilidade óssea

  • Perda de músculo (sarcopenia), que reduz as respostas protetoras às perturbações

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Fatores extrínsecos

Os fatores ambientais podem aumentar o risco de quedas independentemente, ou de modo mais importante, interagindo com fatores intrínsecos. O risco é maior quando o ambiente exige maior controle postural e mobilidade (p. ex., ao caminhar sobre uma superfície escorregadia) e quando o ambiente não é familiar (p. ex., quando se muda para uma nova casa). Idosos que utilizam dispositivos assistivos de mobilidade são mais propensos a relatar histórico de quedas (1), o que reflete as limitações de mobilidade subjacentes e as comorbidades que levaram à prescrição do dispositivo, e não que os dispositivos sejam inerentemente provocadores de quedas.

Fatores situacionais

Certas atividades ou decisões podem aumentar o risco de quedas e lesões relacionadas. Exemplos são:

  • Estar distraído (p. ex., andar enquanto fala ou olha para o celular) e não perceber um obstáculo ambiental (p. ex., um meio-fio ou um degrau).

  • Apressar-se para ir ao banheiro (especialmente à noite, quando não estão totalmente despertos ou quando a iluminação pode ser inadequada)

  • Utilizar uma escada

A demência pode exacerbar muitas dessas situações perigosas que levam a quedas. O prejuízo na cognição, no julgamento e na percepção do risco podem fazer com que os idosos se distraiam, se apressem e não percebam os riscos ambientais, aumentando significativamente o risco de quedas.

Referência sobre etiologia

  1. 1. West BA, Bhat G, Stevens J, Bergen G. Assistive device use and mobility-related factors among adults aged ≥ 65years. J Safety Res. 2015;55:147-150. doi:10.1016/j.jsr.2015.08.010

Avaliação dos riscos de queda e das quedas

  • Principalmente história e exame físico

  • Teste de desempenho

  • Às vezes, testes laboratoriais

Os médicos devem perguntar sobre quedas anteriores, bem como condições, medicamentos e fatores situacionais que aumentam o risco de quedas. A avaliação do risco de quedas visa identificar idosos que possam estar sob risco de quedas, a fim de implementar estratégias preventivas. Essa avaliação não é um exame físico, mas uma revisão estruturada que utiliza questionários, observação e instrumentos de triagem direcionados.

Após o tratamento das lesões agudas, a avaliação deve buscar identificar os fatores de risco e as intervenções adequadas, a fim de diminuir o risco de quedas futuras e lesões relacionadas a quedas (1).

Algumas quedas são prontamente identificadas devido a lesão óbvia relacionada à queda ou referente a uma possível lesão. Entretanto, como os idosos frequentemente não relatam as quedas, eles devem ser questionados sobre eventos de quedas ou de mobilidade a cada visita.

História e exame físico

Quando uma avaliação mais completa dos fatores de risco de queda é necessária, o foco está na identificação dos fatores intrínsecos, extrínsecos e situacionais que podem ser reduzidos com intervenções direcionadas a eles. Contudo, pode ser impossível eliminar todos os riscos de quedas futuras.

Deve-se perguntar aos idosos, de forma aberta, sobre suas quedas mais recentes, e depois fazer perguntas específicas sobre quando e onde ocorreram e o que estavam fazendo (fatores de risco situacionais). Para as testemunhas, são feitas as mesmas perguntas. Os adultos mais velhos devem ser questionados se tiveram sintomas premonitórios ou associados (p. ex., palpitação, falta de ar, dor no peito, vertigens, atordoamento) e se perderam os sentidos. Os idosos também devem ser questionados se algum fator extrínseco óbvio ou situacional pode ter estado envolvido. A história deve ainda incluir perguntas sobre problemas médicos retrospectivos e atuais, prescrição de medicamentos e uso de medicamentos de venda livre, além de uso de álcool ou medicamentos psicoativos. Os idosos devem ser questionados se foram capazes de se levantar sem ajuda depois de cair e se ocorreram lesões; o objetivo é reduzir o risco de complicações decorrentes de quedas futuras.

O exame físico deve ser abrangente o suficiente para excluir causas óbvias intrínsecas de quedas. Se a queda ocorreu recentemente, a temperatura deve ser medida para determinar se a febre representou um fator. A frequência cardíaca e o ritmo cardíaco devem ser avaliados para identificar bradicardia, taquicardia de repouso ou ritmos irregulares. A ausculta pode detectar algumas doenças cardíacas valvares. Deve-se aferir a pressão arterial com os idosos em decúbito dorsal e após 1 e 3 minutos em pé para excluir hipotensão ortostática. A acuidade visual deve ser avaliada com idosos utilizando suas lentes corretivas habituais, se necessário. As anormalidades na acuidade visual devem desencadear exame visual mais detalhado por optometrista ou oftalmologista. Pescoço, coluna e extremidades (especialmente pernas e pés) devem ser avaliados com relação a fraqueza, deformidades, dor e limitação na amplitude de movimento.

Um exame neurológico deve começar com um exame do estado mental para verificar se há comprometimento cognitivo. O exame neurológico também inclui testes de função motora (incluindo força e tônus muscular e amplitude de movimento), sensação (incluindo propriocepção), coordenação (incluindo função cerebelar), equilíbrio estacionário e marcha. O controle postural básico e os sistemas proprioceptivo e vestibular são avaliados com o teste de Romberg (em que adultos mais velhos permanecem em pé com os pés unidos e olhos tanto abertos quanto fechados). Os testes para estabelecer a função de equilíbrio de alto nível incluem a postura em somente umo membro inferior e a marcha tandem com um pé na frente do outro na mesma linha. Caso os idosos possam ficar apoiados em um só membro inferior por 10 segundos com os olhos abertos e manter uma precisão de 3 m de marcha tandem, é provável que o deficit de controle postural intrínseco seja mínimo. Os médicos devem avaliar a função vestibular posicional (p. ex., com a manobra de Dix-Hallpike — ver Nistagmo).

Exames de desempenho

Uma variedade de avaliações padronizadas baseadas em desempenho estão disponíveis para avaliar marcha, equilíbrio e força de membros inferiores em idosos em risco de quedas. Um teste inicial comumente utilizado para avaliar um problema de equilíbrio ou marcha é o teste de Levantar-e-Ir (2). Para esse teste, os idosos são observados enquanto se levantam de uma cadeira com braços, caminham 3 metros em linha reta, giram, retornam à cadeira e sentam-se novamente. A observação pode detectar fraqueza dos membros inferiores, desequilíbrio em pé ou sentado ou instabilidade da marcha.

Para adultos que têm dificuldade em fazer o teste básico de Levantar-e-Ir, uma versão cronometrada do teste pode ser realizada (3). Um tempo > 12 segundos indica aumento significativo do risco de quedas.

A avaliação de mobilidade orientada ao desempenho (teste de Tinetti) também pode identificar problemas de equilíbrio e de estabilidade durante a marcha e outros movimentos que podem indicar aumento do risco de quedas. O teste Performance-Oriented Assessment of Mobility (Avaliação da mobilidade voltada ao desempenho) inclui uma pontuação quantitativa de vários aspectos do equilíbrio e da marcha e leva cerca de 10 a 15 minutos para ser aplicado. Baixas classificações prevêem maior risco de quedas (ver tabela ).

Exames laboratoriais

Não existe uma avaliação laboratorial diagnóstica padrão para determinar a causa exata de uma queda. O teste deve basear-se na anamnese e resultados do exame e ajuda a descartar várias causas. Alguns testes incluem:

  • Hemograma completo (HC) para excluir anemia ou leucocitose

  • Medição da glicemia para descartar hipoglicemia ou hiperglicemia

  • Medição de eletrólitos para excluir desidratação

  • Para neuropatias periféricas, hemograma completo, glicemia e eletrólitos, bem como níveis de folato, B12 e TSH

Outros exames como eletrocardiografia (ECG), monitoramento cardíaco ambulatorial e ecocardiografia são recomendados apenas quando houver suspeita de causa cardíaca. A massagem carotídea sob condições controladas (acesso IV e monitoramento cardíaco) tem sido proposta para determinar a hipersensibilidade da carótida e, finalmente, os pacientes que podem responder ao tratamento com marca-passo. Recomenda-se a realização de radiografias da coluna vertebral e tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) da cabeça quando a história e o exame físico detectarem novas anomalias neurológicas. Pode-se realizar um estudo de eletromiografia/condução nervosa (EMG/ECN) quando se suspeita de neuropatia, miopatia, radiculopatia ou outro distúrbio do sistema nervoso periférico.

Referências sobre avaliação

  1. 1. US Preventive Services Task Force, Nicholson WK, Silverstein M, et al. Interventions to Prevent Falls in Community-Dwelling Older Adults: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2024;332(1):51-57. doi:10.1001/jama.2024.8481

  2. 2. Mathias S, Nayak US, Isaacs B. Balance in elderly patients: the "get-up and go" test. Arch Phys Med Rehabil. 1986;67(6):387-389.

  3. 3. Podsiadlo D, Richardson S. The timed "Up & Go": A test of basic functional mobility for frail elderly persons. J Am Geriatr Soc. 1991;39 (2), 142–148. https://doi.org/10.1111/j.1532-5415.1991.tb01616.x

Prevenção de quedas e redução do risco de lesões

O foco deve ser a prevenção ou diminuição do número de futuras quedas e de lesões relacionadas a quedas e, ao mesmo tempo, manter o máximo possível das funções e independência do idoso. No exame físico periódico ou de bem-estar, os idosos devem ser questionados sobre quedas no ano anterior e sobre dificuldades de equilíbrio ou deambulação (1).

Adultos mais velhos que relatam uma única queda e não têm problemas de equilíbrio e marcha no teste de teste de Levantar-e-Ir ou em teste similar devem receber informações gerais sobre a redução do risco de quedas. As informações devem incluir como usar os medicamentos de forma segura e como reduzir os riscos ambientais (ver tabela ).

Idosos que relatam mais de uma queda ou algum problema de equilíbrio ou marcha devem passar por uma avaliação para quedas a fim de identificar fatores e oportunidades para reduzir o risco.

Embora o manejo tradicional de quedas tenha enfatizado a prevenção, foi sugerido que o foco na prevenção pode ser inadequado (2). Em vez disso, uma abordagem mais abrangente que incorpora estratégias de mitigação de lesões pode reduzir a morbidade e a mortalidade quando as quedas ocorrem. Por exemplo, a gravidade das lesões por quedas pode ser reduzida se as pessoas utilizarem protetores de quadril. O rastreamento de osteoporose e a suplementação com cálcio e vitamina D, quando apropriados, podem reduzir o risco de fraturas decorrentes de quedas. Implementar essas estratégias junto com abordagens tradicionais de prevenção pode reduzir a morbidade e a mortalidade associadas às quedas, mantendo a qualidade de vida e a independência funcional (3).

Tabela
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Fisioterapia e exercícios

Os idosos que caíram mais de uma vez ou apresentaram problemas nos testes iniciais de equilíbrio e marcha devem ser encaminhados à fisioterapia ou a um programa de exercícios. A fisioterapia ou os programas de exercício podem ser realizados em casa, se os idosos tiverem dificuldade de locomoção.

Os fisioterapeutas personalizam programas de exercícios para melhorar o equilíbrio e a marcha e para corrigir problemas específicos e condições subjacentes que contribuem para o risco de queda (p. ex., doença de Parkinson [4]). Também podem fornecer dispositivos de auxílio à marcha e outros dispositivos assistivos, além de oferecer orientação e treinamento importantes sobre seu uso.

Os programas de exercícios mais gerais realizados nas unidades de saúde ou na comunidade podem também melhorar o equilíbrio e a marcha. Por exemplo, o tai chi chuan pode ser eficaz e realizado sozinho ou em grupos. Além de prevenir quedas, exercícios específicos também podem mitigar a gravidade das lesões se as quedas ocorrerem. O treinamento em técnicas adequadas de queda (como encolher o queixo para proteger a cabeça e aprender a rolar durante a queda), aliado a exercícios que fortalecem os ossos e aumentam o amortecimento muscular sobre áreas vulneráveis, pode reduzir significativamente o risco de lesões. Os programas de exercícios mais eficazes para reduzir o risco de queda são aqueles:

  • Adaptados ao deficit do idoso

  • Fornecidos por um profissional treinado

  • Têm um componente de desafio de equilíbrio suficiente

  • Prestados a longo prazo (p. ex., ≥ 4 meses)

Muitos centros para idosos, centros de fitness ou outras academias oferecem aulas de ginástica em grupo, gratuitas ou de baixo custo, sob medida para idosos, e essas aulas podem ajudar na acessibilidade e adesão. Os ganhos resultantes de despesas mais baixas relacionadas a quedas excedem os custos desses programas (5).

Dispositivos assistivos

Alguns idosos se beneficiam do uso de um dispositivo de assistência (p. ex., bengala, andador). A bengala é adequada para idosos com leve comprometimento unilateral muscular ou articular, mas os andadores, sobretudo os com rodas, são indicados para aqueles com maior risco de quedas devido à fraqueza bilateral dos membros inferiores ou à falta de coordenação (os andadores com rodas podem ser perigosos para idosos que não conseguem controlá-los adequadamente). Os fisioterapeutas podem auxiliar no ajuste ou no tamanho dos dispositivos e ensinar os idosos a usá-los. Para mitigar o risco de lesões, os dispositivos assistivos devem ser inspecionados regularmente quanto a desgaste e danos, e os idosos devem ser treinados em técnicas adequadas de queda ao utilizá-los, incluindo como posicionar o dispositivo durante uma queda para evitar lesões adicionais causadas pelo próprio equipamento.

Dispositivos assistivos vestíveis avançados estão emergindo como tecnologias promissoras para redução de quedas e mitigação de lesões. Protetores de quadril, que são roupas íntimas especializadas com acolchoamento sobre o trocânter maior, podem reduzir o risco de fratura de quadril durante quedas. Outras tecnologias, como cintos inteligentes vestíveis que acionam airbags para proteger os quadris após a detecção de uma queda, combinam a detecção da queda com mecanismos de proteção. Esses dispositivos podem beneficiar especialmente indivíduos de alto risco, com controle de equilíbrio comprometido ou antecedente de quedas com lesões.

Tratamento medicamentoso

Os medicamentos devem ser revisados regularmente quanto ao impacto que exercem tanto sobre o risco de quedas quanto sobre o potencial de lesões (ver tabela Alguns medicamentos que afetam o risco de quedas e lesões). Fármacos que aumentam o risco de quedas devem ser interrompidos sempre que possível, ou ter a dose ajustada para a menor dose eficaz.

Por exemplo, anticoagulantes aumentam o risco de sangramento e podem impactar negativamente o potencial de lesão ao aumentar a gravidade do sangramento (p. ex., hemorragia intracraniana ou exsanguinação por lacerações) no contexto de uma queda. Para idosos que necessitam de anticoagulantes e apresentam alto risco de quedas, os clínicos devem reavaliar regularmente a relação risco-benefício da continuidade desses medicamentos, considerando terapias alternativas ou ajustando a dosagem quando apropriado. Idosos em uso de anticoagulantes devem ser educados sobre ações imediatas de primeiros socorros após quedas para minimizar o risco de sangramento, incluindo aplicar pressão em ferimentos e buscar atenção médica imediata mesmo para lesões aparentemente menores.

Tratamentos para osteoporose (p. ex., cálcio, vitamina D, bisfosfonatos e medicamentos relacionados) melhoram a densidade óssea e podem reduzir o risco de fratura após quedas. Monitoramento rotineiro da densidade óssea pode ajudar a acompanhar a eficácia do tratamento e orientar ajustes de medicação para otimizar a resistência à fratura.

Caso qualquer outro distúrbio específico seja identificado como fator de risco, as intervenções direcionadas serão obrigatórias. Por exemplo, os medicamentos e a fisioterapia podem reduzir o risco para adultos mais velhos com doença de Parkinson. O manejo da dor, a fisioterapia e, em alguns casos, a artroplastia de substituição articular podem reduzir o risco em idosos com artrite. A substituição por lentes unifocais, em vez de bifocais ou trifocais, ou a cirurgia para remoção de cataratas pode beneficiar idosos com deficiência visual. Da mesma forma, como uma alta proporção de quedas ocorre quando idosos estão indo ao banheiro, avaliar maneiras de mitigar frequência, urgência e incontinência também é importante.

Controle ambiental e situacional

A correção dos riscos ambientais na residência pode diminuir o risco de quedas (ver tabela ). Os riscos ambientais que comumente aumentam o risco de quedas (p. ex., tapetes decorativos, iluminação inadequada, ausência de barras de apoio e corrimãos, móveis instáveis, desordem) devem ser mitigados ou eliminados (6). Em geral, restrições podem provocar mais quedas e outras complicações e não devem ser utilizadas.

Os idosos também devem ser aconselhados a reduzir o risco decorrente de fatores situacionais. Por exemplo, o calçado deve ser sem salto, ter algum apoio no tornozelo e ser firme, com entressolas antiderrapantes. Muitos idosos com limitação crônica de mobilidade (p. ex., decorrente de artrite grave ou paresia) se beneficiam de estratégias combinadas de natureza médica, reabilitativa e ambiental. As adaptações da cadeira de rodas (p. ex., apoios para os pés removíveis para reduzir os tropeços durante as transferências, barras antiderrapantes para evitar tombamento para trás), cintos e assentos removíveis e encosto podem prevenir as quedas em idosos com pouco equilíbrio para se sentar ou fraqueza grave quando estão sentados ou na transferência.

Pisos que absorvem impacto como borracha firme podem dissipar força mantendo a estabilidade da caminhada, embora superfícies excessivamente macias possam criar instabilidade. Móveis com bordas arredondadas, cantos acolchoados e posicionamento estratégico podem atenuar quedas potenciais, oferecer pontos de apoio durante episódios de perda de equilíbrio e reduzir lesões por impacto. Camas de altura baixa e tapetes fixos no chão podem reduzir a gravidade das lesões, particularmente em ambientes institucionais e para idosos com histórico de quedas noturnas. Essas modificações devem ser incorporadas a avaliações abrangentes de segurança domiciliar, com atenção especial às áreas de alto risco, como banheiros e escadas.

Os idosos devem ser orientados sobre o que fazer se caírem e não conseguirem se levantar quando estiverem sozinhos. Algumas técnicas úteis incluem virar-se do decúbito dorsal para o decúbito ventral, ficando de quatro, engatinhando para uma superfície de apoio forte e se levantar. As seguintes medidas podem diminuir o tempo no chão após uma queda:

  • Ter contato frequente com familiares ou amigos

  • Um telefone que pode ser alcançado a partir do chão

  • Umalarme remoto

  • Um dispositivo de alerta vestível

  • Detectores de movimento (que monitoram inatividade ou transições de movimento inseguras)

Alto-falantes ativados por voz e sistemas de câmeras de inteligência artificial (IA) podem ser utilizados para monitorar idosos e alertar os cuidadores sobre possíveis quedas.

A combinação de contato humano, dispositivos vestíveis e monitoramento em casa pode otimizar a probabilidade de uma resposta oportuna a uma queda.

Referências sobre prevenção

  1. 1. US Preventive Services Task Force, Nicholson WK, Silverstein M, et al. Interventions to Prevent Falls in Community-Dwelling Older Adults: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2024;332(1):51-57. doi:10.1001/jama.2024.8481

  2. 2. Kumar S, Cruz F, Yates Z, et al. Falls among older adults: An exploration of trends, clinical outcomes, predisposing risk factors, and intervention strategies. Am J Surg. 2025;245:11club85. doi:10.1016/j.amjsurg.2025.116385

  3. 3. Guirguis-Blake JM, Michael YL, Perdue LA, et al. Interventions to Prevent Falls in Older Adults: Updated Evidence Report and Systematic Review for the US Preventive Services Task Force. JAMA. 2018;319(16):1705-1716. doi:10.1001/jama.2017.21962

  4. 4. Allen NE, Sherrington C, Paul SS. Balance and falls in Parkinson's disease: A meta-analysis of the effect of exercise and motor training. Mov Disord. 2011;26 (9),1605–1615. doi.org/10.1002/mds.23790

  5. 5. Sherrington C, Fairhall N, Wallbank G, et al. Exercise for preventing falls in older people living in the community: an abridged Cochrane systematic review. Br J Sports Med. 2020;54 (15):885–891. doi: 10.1136/bjsports-2019-101512.

  6. 6. Gill T, Williams CS, Robison JT, Tinetti ME. Gill T, Williams CS, Robison JT, Tinetti ME: A population-based study of environmental hazards in the homes of older persons. Am J Public Health. 1999;89 (4), 553–556, 1999. doi.org/10.2105/ajph.89.4.553

Prognóstico

Em adultos ≥ 65 anos de idade, quedas são a principal causa de morte relacionada a lesões (1). Cair, principalmente várias vezes, aumenta o risco de lesões, hospitalização e morte, em idosos que estão fragilizados e com comorbidades preexistentes (p. ex., osteoporose) e déficits nas atividades da vida diária (p. ex., incontinência). As complicações a longo prazo podem incluir redução da função física, medo de cair e institucionalização.

Quase todos os pacientes com fraturas de quadril resultantes de quedas são hospitalizados; a maioria das estimativas cita que > 95% das fraturas de quadril resultam de quedas (2). As mulheres tendem a experimentar mais quedas do que os homens (3); cerca de 75% de todas as fraturas de quadril ocorrem em mulheres (2).

Cerca da metade dos indivíduos idosos que caem não pode se levantar sem ajuda (4). Permanecer no chão por > 2 horas após a queda aumenta o risco de desidratação, lesões de pressão, rabdomiólise, hipotermia e pneumonia.

A função e a qualidade de vida podem deteriorar-se drasticamente após uma queda; até 60% dos idosos não recuperam o nível anterior de mobilidade (5). Após a queda, o adulto mais velho pode ter medo de cair novamente e a mobilidade, às vezes, é reduzida por falta de confiança. Algumas pessoas podem até evitar certas atividades (p. ex., fazer compras, limpar a casa ou socializar) devido a esse medo. A diminuição da atividade pode aumentar a rigidez e fraqueza articulares, reduzindo ainda mais a mobilidade, bem como aumentando a comorbidade psicológica (p. ex., depressão).

Referências sobre prognóstico

  1. 1. Colón-Emeric CS, McDermott CL, Lee DS, et al. Risk Assessment and Prevention of Falls in Older Community-Dwelling Adults: A Review. JAMA. 2024;331(16):1397-1406. doi:10.1001/jama.2024.1416

  2. 2. Stevens JA, Olson S. Reducing falls and resulting hip fractures among older women. MMWR Recomm Rep. 2000;49(RR-2):3-12.

  3. 3. Kakara R, Bergen G, Burns E, et al. Nonfatal and Fatal Falls Among Adults Aged ≥65 Years - United States, 2020-2021. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2023;72(35):938-943. Publicado em 2023 Set 1. doi:10.15585/mmwr.mm7235a1

  4. 4. Gurley RJ, Lum N, Sande M, et al. Persons found in their homes helpless or dead. N Engl J Med. 1996;334(26):1710-1716. doi:10.1056/NEJM199606273342606

  5. 5. Haslam-Larmer L, Donnelly C, Auais M, et al. Early mobility after fragility hip fracture: a mixed methods embedded case study. BMC Geriatr. 2021;21(1):181. Publicado em 2021 Mar 15. doi:10.1186/s12877-021-02083-3

Pontos-chave

  • A cada ano nos Estados Unidos, aproximadamente 14 milhões de adultos com idade ≥ 65 relatam uma queda.

  • Um número significativo de quedas resulta em lesão, com aproximadamente 37% dos adultos que caem relatando uma lesão que exigiu tratamento médico.

  • As causas são multifatoriais e incluem declínio funcional relacionado com a idade (p. ex., visão reduzida, tempo de reação mais lento, fraqueza muscular), doenças crônicas que prejudicam o equilíbrio e a mobilidade (p. ex., doença de Parkinson, artrite, demência), efeitos adversos de medicamentos e riscos ambientais.

  • Usar instrumentos validados, como o Teste de Levantar-e-Ir (Get-Up-and-Go Test), para determinar a necessidade de uma avaliação mais completa dos fatores predisponentes intrínsecos, extrínsecos e situacionais.

  • Na medida do possível, otimizar o tratamento das comorbidades e das condições contribuintes, modificar ou eliminar os medicamentos causadores, corrigir os riscos ambientais e utilizar exercícios e equipamentos de proteção para reduzir o risco de lesões relacionadas a quedas.

  • Enfatizar a necessidade de eliminar os riscos ambientais que comumente aumentam o risco de quedas (p. ex., tapetes decorativos, iluminação inadequada, ausência de barras de apoio e corrimãos, móveis instáveis, desordem).

  • Utilizar intervenções multifatoriais para adultos idosos que já tiveram quedas mais de uma vez ou que têm problemas em iniciar a marcha ou déficit de equilíbrio; as intervenções incluem encaminhamento para fisioterapia e programas de exercícios, que são mais eficazes quando adaptados e mantidos por ≥ 4 meses.

  • Doenças de alto risco, como a doença de Parkinson, muitas vezes exigem tratamento direcionado (p. ex., fisioterapia, dispositivos assistivos) para reduzir o risco de quedas.

  • Ensinar aos idosos técnicas para levantar-se após uma queda, especialmente quando estão sozinhos, e a importância de ter um telefone ou dispositivo de alerta de emergência acessível enquanto no chão.

Informações adicionais

Os recursos em inglês a seguir podem ser úteis. Observe que este Manual não é responsável pelo conteúdo desses recursos.

  1. Cochrane: Interventions for preventing falls in older people living in the community

  2. U.S. Centers for Disease Control and Prevention

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