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Delirium

Por

Juebin Huang

, MD, PhD, Memory Impairment and Neurodegenerative Dementia (MIND) Center, University of Mississippi Medical Center

Última revisão/alteração completa mar 2018| Última modificação do conteúdo mar 2018
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O delírio é uma perturbação súbita, flutuante, e geralmente reversível da função mental. É caracterizado por uma incapacidade de prestar atenção, desorientação, incapacidade de pensar com clareza e flutuações do nível de alerta (consciência).

  • Muitas doenças, medicamentos e intoxicações podem causar delirium.

  • Os médicos baseiam o diagnóstico nos sintomas e resultados de um exame físico, e eles utilizam exames de sangue, urina e de imagem para identificar a causa.

  • A correção ou o tratamento imediato do quadro clínico que causa o delirium geralmente faz com que o mesmo seja curado.

O delirium é um estado mental anômalo, não uma doença. Apesar de o termo ter uma definição médica exata, utiliza-se, muitas vezes, para descrever qualquer tipo de confusão.

Embora o delirium e a demência afetem o pensamento, eles são diferentes.

  • O delirium afeta principalmente a atenção e a demência afeta principalmente a memória.

  • O delirium inicia-se repentinamente e frequentemente apresenta um início definitivo. A demência normalmente apresenta início gradual e não um início definitivo.

O delirium nunca é normal e muitas vezes indica um grave problema, geralmente recém-desenvolvido, especialmente em pessoas idosas. As pessoas que têm delirium precisam de cuidados médicos imediatos. Se a causa do delirium for identificada e corrigida rapidamente, geralmente é possível curar o delirium.

É difícil determinar quantas pessoas sofrem de delirium, devido ao caráter transitório desse quadro. O delirium afeta de 15 a 50% das pessoas hospitalizadas com idades de 70 anos ou mais.

O delirium pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum entre pessoas mais velhas. O delirium é comum entre os residentes das casas de repouso. Quando ocorre o delirium em pessoas mais jovens, geralmente é devido ao uso de medicamentos ou a uma doença com risco à vida.

O que é confusão?

O termo confusão tem diferentes significados, mas os médicos utilizam-no para descrever o estado daquelas pessoas que não conseguem processar as informações normalmente.

As pessoas confusas não conseguem

  • Acompanhar uma conversa

  • Responder adequadamente às perguntas

  • Saber onde se encontram

  • Estabelecer juízos críticos que afetem a sua segurança

  • Recordar fatos importantes

A confusão tem muitas causas diferentes, incluindo o consumo de certas substâncias (com e sem prescrição médica ou ilegal) e uma ampla variedade de doenças. Tanto o delirium quanto a demência, apesar de serem quadros muito diferentes, provocam confusão.

Quando uma pessoa está confusa, o médico trata de identificar a causa e, acima de tudo, de estabelecer se trata-se de delirium ou de demência.

Quando a confusão aparece ou piora repentinamente, a causa pode ser delirium. Nesses casos, é necessária assistência médica imediata, já que o delirium pode ser originado de uma doença grave. Além do mais, o tratamento da causa, uma vez identificada, procura controlar, com frequência, o delirium.

Se a confusão se desenvolve com lentidão, a causa pode ser uma demência. É necessária assistência médica, mas não urgente. O tratamento pode retardar a deterioração mental nas pessoas com demência, mas não vai restabelecer e, em geral, não pode interromper a deterioração.

Causas

A evolução ou deterioração de quase todos os distúrbios pode gerar delirium. Qualquer pessoa pode apresentar delirium quando está extremamente doente ou usa medicamentos que afetam a função cerebral (medicamentos psicoativos).

De um modo geral, as causas mais comuns de delirium são as seguintes:

Outras causas incluem hospitalização, cirurgia, abstinência de um medicamento, determinadas doenças e intoxicações.

O delirium pode ser consequência de doenças menos graves em idosos ou em pessoas cujo cérebro tenha sido afetado por um acidente vascular cerebral, demência, doença de Parkinson ou outras doenças que causam degeneração nervosa. Estes quadros clínicos incluem

  • Doenças não graves (como uma infecção do trato urinário)

  • Constipação intensa

  • Dor

  • Uso de cateter de bexiga (um tubo fino utilizado para drenar a urina da bexiga)

  • Privação do sono prolongado

  • Privação sensorial (inclusive ficar socialmente isolado e não ter acesso a óculos ou suportes auditivos necessários)

Em algumas pessoas não é possível identificar nenhuma causa.

Hospitalização

Estar no hospital, especialmente em uma unidade de terapia intensiva (UTI), pode contribuir ou até mesmo desencadear o delirium.

Nas UTIs, as pessoas são isoladas em uma sala que normalmente não tem janelas ou relógios. Assim, as pessoas são privadas de estímulo sensorial normal e podem ficar desorientadas. O sono é perturbado pelos membros da equipe que despertam as pessoas durante a noite para monitorar e tratá-las e por meio de monitores com alto sinal sonoro, interfones, vozes no corredor ou alarmes. Além disso, a maioria das pessoas nas UTIs têm doenças graves e são tratadas com medicamentos, o que pode tornar o delirium ainda mais provável.

Pessoas em UTIs podem apresentar crises que não causem convulsões (chamadas crises não convulsivas). Essas crises podem causar delirium mas as mesmas podem não ser reconhecidas porque podem não causar convulsões ou outros sintomas típicos de crises. Se as crises não são reconhecidas, podem não ser tratadas adequada e prontamente.

Cirurgia

O delirium é muito frequente depois dos procedimentos cirúrgicos, provavelmente induzido pelo estresse da cirurgia, pelos anestésicos usados durante o procedimento e pelos analgésicos prescritos após a cirurgia.

O delirium pode também se desenvolver quando pessoas que estão prestes a realizar uma cirurgia não apresentam acesso a uma substância que estavam utilizando, tal como drogas ilícitas, álcool ou tabaco. Quando as pessoas interrompem o uso de tais substâncias, podem apresentar sintomas de abstinência, incluindo delirium.

Uso de drogas

A causa reversível mais frequente de delirium é a utilização de drogas. Em pessoas mais jovens, o uso de drogas ilegais e a intoxicação aguda com álcool são causas comuns. Nos idosos, a causa mais frequente são os medicamentos prescritos.

Os medicamentos psicoativos afetam diretamente as células nervosas no cérebro, às vezes causando delirium. Elas incluem as seguintes:

Muitos outros medicamentos também podem causar delirium. A seguir, alguns exemplos:

A abstinência da droga

O delirium também pode resultar da abstinência súbita de um medicamento que foi tomado por um longo período de tempo – por exemplo, um sedativo (como um benzodiazepínico ou barbitúrico) ou um analgésico opioide.

O delirium surge, normalmente, entre os alcoólicos que, de forma abrupta, param de consumir álcool (chamado delirium tremens) e entre os dependentes da heroína que interrompem subitamente o seu consumo.

Doenças

Os níveis anômalos de alguns eletrólitos no sangue, como o cálcio, o sódio ou o magnésio podem afetar a atividade metabólica das células nervosas e levar ao delírio. O consumo de um diurético, a desidratação ou doenças, como a insuficiência renal e o câncer generalizado, podem causar níveis anômalos de eletrólitos.

Níveis de açúcar no sangue extremamente elevados (hiperglicemia) ou baixos (hipoglicemia) comumente causam delirium.

Uma glândula tireoide hipoativa (hipotireoidismo) causa delirium com falta de energia (letargia). Uma glândula tireoide hiperativa (hipertireoidismo) causa delirium com hiperatividade.

Se ocorrer insuficiência renal ou insuficiência hepática e a mesma não for diagnosticada, um medicamento que a pessoa já vem tomando por um longo período de tempo pode causar o delirium, mesmo se não causou problemas anteriormente. Nessas doenças, o fígado ou os rins não processam e eliminam os medicamentos normalmente. Como resultado, os medicamentos podem acumular-se no sangue e chegar ao cérebro, causando o delirium.

Em pessoas mais jovens (uma vez que as drogas e o álcool são excluídos), a causa do delirium é geralmente

  • Uma condição que diretamente afeta o cérebro — por exemplo, uma infecção cerebral, como meningite ou encefalite

Em pessoas mais velhas, a causa é frequentemente

Essas infecções podem afetar o cérebro indiretamente.

A encefalopatia de Wernicke, que resulta de uma deficiência grave de vitamina B, a tiamina, pode causar confusão e delirium. Se não for tratada, a Encefalopatia de Wernicke pode causar graves danos cerebrais, o coma ou a morte.

Envenenamento

Em pessoas mais jovens, uma causa comum de delirium é a ingestão de venenos, como álcool ou anticongelante.

Destaque para Idosos: Delirium

O delirium é mais comum entre os idosos. É um motivo comum entre os familiares de idosos que procuram o auxílio de um médico ou de um hospital. Cerca de 15 a 50% das pessoas mais velhas passam por um quadro de delirium em algum momento durante a internação hospitalar.

Causas

Em pessoas idosas, o delirium pode resultar de qualquer quadro clínico que o cause em pessoas mais jovens. Mas também pode resultar de quadros clínicos menos graves, como os apresentados a seguir:

  • Desidratação

  • Um problema que normalmente não afeta o pensamento, como uma infecção do trato urinário, gripe ou deficiência de tiamina ou vitamina B12

  • Dor

  • Retenção urinária ou grave constipação

  • Privação sensorial, que pode ocorrer quando as pessoas estão socialmente isoladas ou não utilizam seus óculos ou aparelhos auditivos

  • Privação do sono

  • Estresse (qualquer tipo)

  • Uso de cateter de bexiga (um tubo fino utilizado para drenar a urina da bexiga)

Determinadas alterações relacionadas à idade fazem com que pessoas mais velhas fiquem mais susceptíveis a desenvolver delirium. Essas alterações incluem

  • Aumento da sensibilidade a medicamentos

  • Alterações no cérebro

  • Presença de quadros clínicos que aumentam o risco de delirium

Medicamentos: As pessoas idosas são mais sensíveis aos efeitos de muitos medicamentos. Em idosos, os medicamentos que afetam a maneira como o cérebro trabalha, como sedativos, são a causa mais comum de delirium. No entanto, os medicamentos que não afetam o funcionamento do cérebro, incluindo muitos medicamentos sem receita (especialmente anti-histamínicos), também podem causar isso. As pessoas idosas são mais sensíveis aos efeitos anticolinérgicos que muitos desses medicamentos têm. Um desses efeitos é a confusão.

Mudanças no cérebro relacionadas à idade: O delirium ocorre mais frequentemente em pessoas idosas, em parte porque algumas mudanças relacionadas à idade no cérebro as torna mais suscetíveis. Por exemplo, as pessoas idosas tendem a ter menos células cerebrais e níveis mais baixos de acetilcolina, uma substância que permite que as células do cérebro se comuniquem umas com as outras. Qualquer estresse (devido a um medicamento, doença ou situação) que faça com que o nível de acetilcolina diminua ainda mais pode tornar mais difícil o funcionamento do cérebro. Assim, em pessoas idosas, esses estresses são particularmente propensos a causar delirium.

Outras situações: As pessoas idosas também são mais propensas a terem outros quadros clínicos que as tornam mais suscetíveis ao delirium, como:

  • Acidente vascular cerebral

  • Demência

  • Doença de Parkinson

  • Outras doenças que causam a degeneração dos nervos

  • O uso de três ou mais medicamentos

  • Desidratação

  • Desnutrição

  • Imobilidade

O delirium é muitas vezes o primeiro sinal de outra doença e por vezes, uma doença grave.

Sintomas

O delirium tende a durar mais tempo em pessoas idosas.

A confusão, o sintoma mais óbvio, pode ser mais difícil de ser reconhecida em idosos. As pessoas mais jovens com delirium podem estar agitadas, mas as pessoas muito idosas tendem a ficar quietas e retraídas. Nesses casos, fica ainda mais difícil fazer o reconhecimento do delirium.

Se ocorrer o desenvolvimento de uma psicose em pessoas idosas, isso normalmente indica delirium ou demência. Uma psicose devido a um problema psiquiátrico raramente se inicia na velhice.

As pessoas idosas são mais propensas a ter demência, o que torna mais difícil identificar o delirium. Ambas causam confusão. Os médicos tentam distinguir as duas, determinando quão rapidamente a confusão se desenvolveu e qual era o funcionamento mental da pessoa anteriormente. Os médicos também fazem uma série de perguntas para a pessoa, as quais testam vários aspectos do pensamento (exame do estado mental). Por conseguinte, os médicos tratam as pessoas cuja função mental se agrava de repente, mesmo quando têm demência, como se sofressem de delirium, até que se demonstre o contrário.

Tratamento

O delirium e a hospitalização que geralmente é exigida podem causar muitos outros problemas, como desnutrição, desidratação e úlceras de decúbito. Esses problemas podem ter consequências graves em pessoas idosas. Assim, pessoas idosas podem se beneficiar do tratamento gerido por uma equipe interdisciplinar que inclua um médico, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, enfermeiros e assistentes sociais.

Prevenção

Para ajudar a evitar delirium em uma pessoa mais velha durante sua hospitalização, os membros da família podem solicitar ajuda à equipe do hospital realizando o seguinte:

  • Incentivando a pessoa a se deslocar regularmente

  • Colocando um relógio e um calendário no quarto

  • Minimizando as interrupções e os ruídos durante a noite

  • Certificando-se de que a pessoa come e bebe o suficiente

Os familiares podem visitar e falar com a pessoa e, assim, ajudar a manter a pessoa orientada. As pessoas com delirium podem ter medo, e a voz familiar de um membro da família pode ter um efeito calmante.

Sintomas

Em geral, o delirium começa de repente e progride durante horas ou dias. O comportamento das pessoas com delirium varia, embora se assemelhe ao de uma pessoa que esteja cada vez mais intoxicada.

A característica principal do delirium é

  • Uma incapacidade de prestar atenção

As pessoas com delirium não conseguem concentrar-se, razão pela qual é difícil processar qualquer informação nova, e não conseguem recordar fatos recentes. Desta forma, não entendem o que está acontecendo ao seu redor. Ficam desorientadas. A confusão súbita sobre o tempo e, em menor grau, o espaço (onde estão) pode ser um sinal precoce de delirium. Quando o delirium for grave, pode acontecer de a pessoa não saber quem é nem quem os outros são. O pensamento é confuso e as pessoas vagueiam em suas falas, tornando-se, por vezes, incoerentes.

Seu nível de percepção (consciência) pode flutuar. Ou seja, as pessoas podem ser muito alertas em um momento e sonolentas e lentas logo em seguida. Os sintomas apresentam uma variação frequente de um momento para o outro e tendem a agravar-se no final do dia (um fenômeno chamado de confusão vespertina).

Pessoas com delirium costumam ter um sono inquieto ou invertem os ciclos de sono-vigília, dormindo durante o dia e permanecendo acordadas durante a noite.

Pessoas podem ter alucinações visuais extravagantes e aterrorizadoras, vendo coisas ou pessoas irreais. Algumas apresentam paranoias ou têm delírios (falsas crenças, devido a uma má interpretação das percepções ou das experiências).

O estado de ânimo e a personalidade podem ficar alterados. Algumas pessoas tornam-se tão silenciosas e retraídas que ninguém percebe seu estado de delirium. Outras ficam agitadas e inquietas, movimentando-se incessantemente e podem andar de um lado para outro. Os pacientes que apresentam delirium, depois de tomarem sedativos, são propensos a ficar retraídos e sonolentos. Aqueles que tomaram anfetaminas ou que interromperam o consumo de sedativos podem tornar-se hiperativos e agressivos. Algumas pessoas alternam entre os dois tipos de comportamento.

O delirium pode durar horas, dias ou mais, dependendo da gravidade e da causa. Se a origem não for identificada e tratada com rapidez, a pessoa pode ficar sonolenta e sem resposta, necessitando de um estímulo forte para despertar (um estado que se denomina estupor). O estupor pode conduzir ao coma e à morte.

Você sabia que...

  • A psicose que se inicia durante a velhice geralmente indica delirium ou demência.

Diagnóstico

  • Avaliação de um médico

  • Teste do estado mental

  • Sangue, urina e exames de imagem para verificar possíveis causas

Os médicos suspeitam do delirium com base nos sintomas, especialmente quando as pessoas não conseguem prestar atenção e quando a sua capacidade de prestar atenção flutua de um momento para o outro. No entanto, o delirium leve pode ser difícil de reconhecer. Os médicos talvez não reconheçam o delirium em pessoas hospitalizadas.

A maioria das pessoas que foram diagnosticadas com delirium são hospitalizadas para avaliação e protegidas para que não machuquem a si próprias ou os outros. Os procedimentos diagnósticos podem ser realizados de forma rápida e segura no hospital, e qualquer doença detectada pode ser tratada de imediato.

Levando em conta que o delirium pode ser causado por uma doença grave (e, portanto, rapidamente mortal), o médico procura identificar a causa o quanto antes. Uma vez identificada e tratada a causa, o delirium pode ser revertido.

Os médicos primeiramente tentam diferenciar o delirium de outros problemas que afetam a função mental. Os médicos fazem isso através da coleta do máximo de informações sobre o histórico médico da pessoa, o mais rápido possível, ao fazer um exame físico e alguns testes.

Histórico clínico

Perguntas são feitas aos amigos, familiares ou outros observadores para obtenção de informações, pois pessoas com delirium geralmente são incapazes de responder. As perguntas incluem o seguinte:

  • Como a confusão começou (de repente ou gradualmente)

  • O quão rapidamente ela progrediu

  • Como tem sido a saúde física e mental da pessoa

  • Quais os medicamentos (bem como álcool e drogas ilícitas, especialmente se a pessoa for mais jovem) e suplementos dietéticos (incluindo ervas medicinais) que a pessoa utiliza

  • Se houve o início ou a parada do uso de algum medicamento recentemente

A informação pode provir, também, do processo clínico, da polícia, dos funcionários médicos das emergências ou de certas provas, como documentos ou caixas de medicamentos. Certos documentos, como os da carteira, cartas recentes, contas não pagas ou compromissos não cumpridos, podem indicar uma alteração da função mental.

Se o delirium for acompanhado de agitação, alucinações, ilusões ou paranoia, deve-se distinguir de uma psicose devido a um problema psiquiátrico, como a doença maníaco-depressiva ou a esquizofrenia. As pessoas com psicose devido a um problema psiquiátrico não apresentam confusão ou perda de memória e o seu nível de consciência não é oscilante. A psicose que se inicia durante a velhice geralmente indica delirium ou demência.

Tabela
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Delirium ou psicose?

Característica

Delirium

Psicose devido a uma doença psiquiátrica

Orientação

Confuso sobre o tempo atual, a data, local ou identidade

Normalmente, ciente da hora, data, local e identidade

Atenção

Muito debilitado

Não afetado

Memória para eventos recentes

Perdido

Reservado

Habilidade para fazer cálculos

Incapaz de fazer cálculos simples

Reservado

Alucinações

Se estiver presente, principalmente visual ou envolvendo toque

Se estiver presente, principalmente auditivo

Outras doenças

Muitas vezes presente e pode ser grave

Histórico de doenças psiquiátricas anteriores

Uso de drogas

Muitas vezes, há evidências do uso recente de drogas

Não necessariamente envolvido

Exame físico

Durante o exame físico, o médico verifica se há sinais de doenças que podem causar o delirium, como infecções e desidratação. Também é realizado um exame neurológico.

As pessoas que podem ter delirium recebem um teste de estado mental. Primeiro, são realizadas perguntas para determinar se o problema principal é a falta de capacidade para prestar atenção. Por exemplo, é feita a leitura de uma lista curta e solicitado que ela seja repetida. Os médicos devem determinar se as pessoas notam (registram) o que é lido. As pessoas com delirium não conseguem fazê-lo. O teste de estado mental também inclui outras questões e tarefas, como testes de memória de curto e longo prazo, nomear objetos, escrever frases e copiar formas.

Exames

Geralmente são coletadas e analisadas amostras de sangue e urina para verificar se há doenças que os médicos acreditam estar causando o delirium. Por exemplo, são causas comuns de delirium alterações nos níveis de eletrólitos e de açúcar no sangue e doenças hepáticas e renais. Assim, os médicos costumam fazer exames de sangue para medir os níveis de eletrólitos e de açúcar no sangue e avaliam o quão bom é o funcionamento do fígado e dos rins. Se os médicos suspeitarem de uma doença da tiroide, podem ser realizados testes para avaliar o quão bom é o trabalho da tireoide. Ou, se os médicos suspeitarem que a causa provém de certos medicamentos, esses podem fazer testes para medir os níveis de medicamento no sangue. Estes testes podem ajudar a determinar se os níveis de medicamento são altos o suficiente para terem efeitos nocivos e se uma pessoa teve uma superdosagem.

Podem ser feitas culturas para constatação de infecções.

Normalmente é feita a tomografia computadorizada (TC) ou a imagem por ressonância magnética (RM) do cérebro.

Por vezes, é realizado um teste que registra a atividade elétrica do cérebro (eletroencefalografia ou EEG) para determinar se o delirium é causado por uma doença que cause convulsão.

Pode ser utilizado o eletrocardiograma (ECG), a oximetria de pulso (utilizando um sensor que mede os níveis de oxigênio no sangue) e uma radiografia do tórax para avaliar o quão bem o coração e os pulmões estão funcionando.

Em pessoas com febre ou cefaleia, pode ser feita uma punção lombar para obter o líquido cefalorraquidiano para análise. Essa análise ajuda os médicos a descartar infecção ou sangramento ao redor do cérebro e da medula espinhal.

Tratamento

  • Tratamento da causa

  • Medidas gerais

  • Medidas para controlar a agitação

A maior parte das pessoas com delirium são hospitalizadas. No entanto, quando a causa do delirium pode ser facilmente corrigida (por exemplo, quando a causa é a baixa quantidade de açúcar no sangue), as pessoas são observadas por um curto período de tempo no departamento de emergência e podem, então, voltar para casa.

Tratamento da causa

Logo que a causa é identificada, essa é prontamente corrigida ou tratada. O médico, por exemplo, combate as infecções com antibióticos, corrige a desidratação com líquidos e eletrólitos administrados por via intravenosa e trata o delirium devido à abstinência de álcool com benzodiazepínicos (sem esquecer as medidas para interromper o consumo do álcool).

Geralmente o tratamento imediato da doença causando o delirium evita danos permanentes ao cérebro e pode resultar em uma recuperação completa.

Se possível, são suspensos quaisquer medicamentos que possam fazer com que o delirium piore.

Medidas gerais

Os procedimentos gerais são, igualmente, muito importantes.

O ambiente deve ser mantido tão tranquilo quanto possível. Deve ser bem iluminado para permitir que as pessoas reconheçam o que e quem está em seu quarto e onde elas estão. Colocar relógios, calendários e fotografias dos familiares no quarto pode ajudar com a orientação. Em todas as oportunidades, os funcionários e membros da família devem tranquilizar as pessoas e lembrá-las do horário e do local. Os procedimentos devem ser explicados antes e ao serem realizados. As pessoas que precisam de óculos ou aparelhos auditivos devem ter acesso a isso.

Pessoas com delirium são propensas a apresentar vários problemas, como desidratação, desnutrição, incontinência, quedas e úlceras de decúbito. É necessário muito cuidado da parte de todos para evitar essas complicações. Desta forma, as pessoas idosas podem se beneficiar do tratamento gerido por uma equipe interdisciplinar, que inclui um médico, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, enfermeiros e assistentes sociais.

Controle de agitação

Devem ser tomadas medidas especiais a fim de que as pessoas muito agitadas ou com alucinações não causem lesões a si próprias ou aos seus cuidadores. As seguintes medidas podem ajudar a evitar essas lesões:

  • Os membros da família são incentivados a ficar com a pessoa.

  • A pessoa é colocada em uma sala perto da sala das enfermeiras.

  • O hospital pode fornecer um atendente para ficar com a pessoa.

  • Não são utilizados dispositivos, como linhas intravenosas, cateteres urinários ou apoios almofadados, se possível, pois podem confundir e perturbar a pessoa, aumentando o risco de lesão.

No entanto, durante a hospitalização por vezes é necessário o uso de restrições acolchoadas para evitar, por exemplo, que o paciente retire os cateteres de líquidos intravenosos e para evitar quedas. Essas restrições são aplicadas com cuidado por um membro da equipe treinado para seu uso, e são desapertadas com frequência, sendo retiradas assim que possível, porque podem desorientar a pessoa e agravar a sua agitação.

Fármacos são usados para controlar a agitação quando outras medidas não surtem efeito. Geralmente são utilizados ​​dois tipos de medicamentos para controlar a agitação, mas nenhum deles é o ideal:

  • Os medicamentos antipsicóticos são utilizados com maior frequência. No entanto, eles podem prolongar ou piorar a agitação, e alguns têm efeitos anticolinérgicos, incluindo confusão, visão turva, constipação, boca seca, tontura, dificuldade para iniciar e continuar a urinar e a perda de controle da bexiga. Antipsicóticos mais recentes, como a risperidona, olanzapina e quetiapina têm menos efeitos colaterais do que os antipsicóticos mais antigos, como o haloperidol. Mas se utilizados por um longo período de tempo em pessoas que sofrem de demência, os novos medicamentos podem aumentar o risco de acidente vascular cerebral ou morte.

  • As benzodiazepinas (Um tipo de sedativo – Medicamentos usados no tratamento dos transtornos de ansiedade), como o lorazepam, são utilizadas quando o delirium é devido à retirada de um sedativo ou álcool. As benzodiazepinas não são utilizadas ​​para tratar o delirium causado por outros quadros clínicos, pois elas podem fazer com que as pessoas, principalmente as pessoas idosas, fiquem mais confusas, sonolentas ou ambos.

O médico é cauteloso na prescrição desses medicamentos, em especial nas pessoas idosas. Eles utilizam a menor dose possível e param o uso do medicamento assim que possível.

Prognóstico

A maior parte dos pacientes recupera-se totalmente, se a causa do delirium for identificada e tratada com prontidão. Qualquer atraso diminui muito a possibilidade de uma recuperação total. Apesar de o delirium estar sendo tratado, alguns sintomas poderão persistir durante semanas ou meses, e a melhora pode ser lenta. Em algumas pessoas, o delirium evolui progressivamente para a disfunção crônica do cérebro, semelhante à demência.

Os pacientes hospitalizados que têm delirium têm mais probabilidade de apresentar complicações (incluindo a morte) durante a sua estadia do que os que não têm. Cerca de 35 a 40% das pessoas que têm delirium enquanto estão num hospital morrem dentro de um ano, mas a causa de morte é frequentemente outra doença séria, não o delirium em si.

As pessoas hospitalizadas que têm delirium, sobretudo os idosos, permanecem no hospital por mais tempo, seus tratamentos são mais dispendiosos, e demoram mais tempo para se recuperar após saírem do hospital.

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