Visão geral da desnutrição

PorShilpa N Bhupathiraju, PhD, Harvard Medical School and Brigham and Women's Hospital;
Frank Hu, MD, MPH, PhD, Harvard T.H. Chan School of Public Health
Reviewed ByGlenn D. Braunstein, MD, Cedars-Sinai Medical Center
Revisado/Corrigido: modificado dez. 2025
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Visão Educação para o paciente

Desnutrição é uma forma de má nutrição. (Desnutrição também engloba a nutrição excessiva.) A desnutrição pode resultar de ingestão inadequada de nutrientes, má absorção, metabolismo prejudicado, perda de nutrientes em decorrência de diarreia ou aumento das necessidades nutricionais (como ocorre em períodos de crescimento rápido e aumento das necessidades nutricionais ou em distúrbios [p. ex., câncer, infecção]). A desnutrição crônica ocorre devido a uma deficiência de longo prazo na ingestão de calorias e nutrientes essenciais, o que torna sua quantidade insuficiente para atender às necessidades nutricionais da pessoa. A desnutrição progride em estágios; pode desenvolver-se lentamente quando ocorre por causa de anorexia ou muito rapidamente, como às vezes ocorre quando ela é decorrente de caquexia relacionada a câncer que avança rapidamente. Primeiro, alteram-se os níveis séricos e teciduais de nutrientes, seguidos de alterações intracelulares em funções bioquímicas e estruturais. No final, aparecem sinais e sintomas. O diagnóstico baseia-se na anamnese, no exame físico, na análise da composição corporal e, algumas vezes, em exames laboratoriais (p. ex., albumina).

A desnutrição é um problema mundial (1). A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) relatou que em 2022 quase 735 milhões de pessoas, ou 9,2% da população global, enfrentaram fome conforme medido pela prevalência de subalimentação. Isso representava 122 milhões de pessoas a mais do que havia sido relatado em 2019, antes da pandemia de covid-19. O impacto da pandemia variou em todo o mundo, assim como as taxas subsequentes de crescimento econômico e recuperação, o que, por sua vez, afetou as taxas de desnutrição em diferentes partes do mundo. Por exemplo, a prevalência da desnutrição na África aumentou de 19,4% em 2021 para 19,7% em 2022, um aumento de 11 milhões de pessoas. Em comparação, na Ásia, a prevalência de desnutrição caiu de 8,8% em 2021 para 8,5% em 2022, uma diminuição de mais de 12 milhões de pessoas.

Referência geral

  1. 1. Food and Agriculture Organization of the United Nations. Food Security and Nutrition Around the World. Accessed September 15, 2025.

Fatores de risco de desnutrição

A desnutrição é causada por fatores sociais, culturais e políticos. A pobreza continua sendo a principal causa de desnutrição em todo o mundo, independentemente do nível de renda do país. Guerra, agitação social, superpopulação, condições de habitação precárias, doenças infecciosas, pandemias e urbanização podem contribuir para a desnutrição.

A subnutrição é especialmente preocupante em determinados momentos (isto é, durante a primeira infância, a adolescência, a gravidez, a amamentação e a velhice) porque estas condições envolvem um crescimento rápido e/ou aumentam a necessidade de nutrientes.

Infância e adolescência

Lactentes e crianças são particularmente suscetíveis à desnutrição em razão da alta demanda de energia e nutrientes essenciais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2022, estimava-se que 149 milhões de crianças < 5 anos tinham atraso no crescimento (baixa estatura para a idade) e 45 milhões eram emaciadas (muito magras para a altura [1]). Desnutrição proteico-calórica (DPC — anteriormente chamada de má nutrição proteico-calórica) é uma causa importante de morte em neonatos e crianças de 1 a 4 anos de idade (2). Lactentes e crianças inadequadamente alimentados em todo o mundo também correm risco de deficiências de ferro, iodo, folato (ácido fólico), vitamina A e zinco (3).

Lactentes alimentados exclusivamente com leite materno devem receber suplementação de vitamina D porque o leite materno geralmente não contém níveis suficientes de vitamina D (4); também podem desenvolver deficiência de vitamina B12 se a mãe seguir uma dieta vegana (5).

Durante a adolescência, as necessidades nutricionais aumentam porque a taxa de crescimento se acelera. A anorexia nervosa pode atingir especialmente as adolescentes.

Gestação e lactação

As necessidades de nutrientes aumentam durante a gravidez (para apoiar as exigências metabólicas da gravidez e do crescimento fetal) e a amamentação. Aberrações da dieta, incluindo picafagia (consumo de substâncias não nutritivas, como lama e carvão), podem ocorrer durante a gestação. A anemia ferropriva é a causa mais comum de anemia durante a gestação (6). Anemia por deficiência de folato também é comum entre mulheres que usaram contraceptivos orais (7). A deficiência de vitamina D é comum no final da gestação, predispondo a criança a redução da massa óssea (8). No caso de gestantes ou lactantes, os médicos podem precisar recomendar dietas nutricionais ou suplementos alimentares, especialmente se o estado nutricional estiver comprometido.

Adultos idosos

Idosos têm alto risco de desnutrição porque suas necessidades nutricionais aumentam, mas as necessidades energéticas tipicamente diminuem. Essa disparidade requer o consumo de alimentos ricos em nutrientes.

A idade — mesmo na ausência de deficiência ou doença — causa sarcopenia (perda progressiva de massa magra), com início após os 40 anos. A desnutrição contribui para a sarcopenia (9).

As causas da sarcopenia são:

  • Diminuição da atividade física

  • Menor ingestão de alimentos

  • Aumento dos níveis de citocinas (em particular a interleucina-6)

  • Redução dos níveis de hormônio de crescimento e fator de crescimento (fator de crescimento semelhante à insulina 3)

  • Em homens, diminuição de androgênio

A taxa metabólica basal geralmente aumenta em recém-nascidos até aproximadamente 1 ano de idade antes de diminuir e depois se estabilizar na idade adulta (20 a 60 anos) (10). Depois dos 60 anos, a taxa metabólica basal diminui (principalmente devido à diminuição da massa livre de gordura).

A desnutrição em adultos mais velhos é frequentemente causada por ingestão alimentar diminuída resultante de uma ampla gama de fatores, incluindo os seguintes (11, 12):

  • Diminuição do relaxamento receptivo do fundo do estômago

  • Aumento da liberação e da atividade da colecistocinina (que promove a saciedade)

  • Aumento da leptina (hormônio anorexígeno produzido pelas células adiposas)

  • A diminuição do paladar e do olfato, que pode reduzir o prazer de comer, mas geralmente diminui pouco a ingestão alimentar

  • Depressão (uma causa comum) e outros transtornos do humor

  • Demência

  • Efeitos colaterais de medicamentos

Ocasionalmente, anorexia nervosa (às vezes chamada de anorexia tardia em pacientes idosos) interfere na alimentação (11). Problemas dentários limitam a habilidade de mastigação e, subsequentemente, a digestão dos alimentos. Dificuldades de deglutição são comuns (p. ex., devido a acidente vascular cerebral, candidíase do esôfago ou xerostomia). A insegurança alimentar resultante da pobreza também pode limitar o acesso a nutrientes.

Idosos institucionalizados também correm risco de desnutrição proteico-calórica (13). Eles podem estar confusos e podem ser incapazes de expressar fome ou preferências alimentares. Podem ser fisicamente incapazes de alimentar-se sozinhos. Mastigação e deglutição podem ser bem lentas, o que se torna entediante para a pessoa que os alimenta, a qual acaba oferecendo alimento em quantidade insuficiente.

Distúrbios e procedimentos médicos

O diabetes pode diminuir o esvaziamento gástrico e reduzir a absorção (14).

A ressecção intestinal e certos outros procedimentos cirúrgicos gastrointestinais (p. ex., procedimentos de bypass gastrointestinal) também podem prejudicar a absorção de vitaminas lipossolúveis, vitamina B12, cálcio e ferro (15).

Enteropatia, insuficiência pancreática ou outros distúrbios podem resultar em má absorção. A diminuição absortiva possivelmente contribui para deficiência de ferro e osteoporose.

Algumas doenças crônicas (p. ex., câncer, infecção avançada por HIV) podem causar anorexia.

Infecções, trauma, hipertireoidismo, queimaduras extensas e febre prolongada elevam a demanda metabólica. Qualquer situação que aumente as citocinas pode ser acompanhada de perda muscular, lipólise, níveis baixos de albumina e anorexia.

Dietas vegetarianas e veganas

Pessoas que seguem uma dieta vegetariana ou vegana podem desenvolver deficiências de vitamina B12, vitamina B2, niacina, iodo, zinco, cálcio, potássio e selênio (16).

Dietas da moda

Muitas dietas da moda resultam em deficiências de vitaminas, minerais e proteínas quando alimentos ou grupos alimentares específicos não são consumidos (17).

Medicamentos e suplementos nutricionais

Muitos medicamentos (p. ex., inibidores de apetite, digoxina, agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 [GLP-1]) diminuem o apetite; outros prejudicam a absorção ou o metabolismo de nutrientes. Alguns medicamentos (p. ex., estimulantes) têm efeitos catabólicos. Certos medicamentos podem prejudicar a absorção de muitos nutrientes; p. ex., anticonvulsivantes podem prejudicar a absorção de vitaminas.

Dependência de álcool ou substâncias

Pacientes dependentes de álcool ou substâncias podem negligenciar suas necessidades nutricionais (18). A absorção e o metabolismo de nutrientes podem ser prejudicados. O transtorno por uso de álcool pode causar deficiência de magnésio, zinco e certas vitaminas, incluindo tiamina.

Referências sobre fatores de risco

  1. 1. World Health Organization (WHO). Infant and young child feeding, 2021. December 20, 2023. Accessed September 15, 2025.

  2. 2. Global Burden of Disease Child and Adolescent Health Collaboration, Kassebaum N, Kyu HH, et al. Child and Adolescent Health From 1990 to 2015: Findings From the Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors 2015 Study. JAMA Pediatr. 2017;171(6):573-592. doi:10.1001/jamapediatrics.2017.0250

  3. 3. Bailey RL, West Jr KP, Black RE. The epidemiology of global micronutrient deficiencies. Ann Nutr Metab. 2015;66(Suppl 2):22-23.

  4. 4. Tan ML, Abrams SA, Osborn DA. Vitamin D supplementation for term breastfed infants to prevent vitamin D deficiency and improve bone health. Cochrane Database Syst Rev. 2020;12(12):CD013046. Published 2020 Dec 11. doi:10.1002/14651858.CD013046.pub2

  5. 5. Wirthensohn M, Wehrli S, Ljungblad UW, Huemer M. Biochemical, Nutritional, and Clinical Parameters of Vitamin B12 Deficiency in Infants: A Systematic Review and Analysis of 292 Cases Published between 1962 and 2022. Nutrients. 2023;15(23):4960. Published 2023 Nov 29. doi:10.3390/nu15234960

  6. 6. James AH. Iron Deficiency Anemia in Pregnancy. Obstet Gynecol. 2021;138(4):663-674. doi:10.1097/AOG.0000000000004559

  7. 7. Shere M, Bapat P, Nickel C, et al. Association Between Use of Oral Contraceptives and Folate Status: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Obstetric Gynaecol Canada. 2015;37(5):430-438. https://doi.org/10.1002/jbmr.2138

  8. 8. Zhu K, Whitehouse A, Hart P, et al. Maternal vitamin D status during pregnancy and bone mass offspring at 20 years of age: A prospective cohort study. J Bone Mineral Res. 2014;29(5):1088-1095. https://doi.org/10.1002/jbmr.2138

  9. 9. Beaudart C, Sanchez-Rodriguez D, Locquet M, et al. Malnutrition as a Strong Predictor of the Onset of Sarcopenia. Nutrients. 2019, 11(12), 2883; https://doi.org/10.3390/nu11122883

  10. 10. Pontzer H, Yamada Y, Sagayama H, et al. Daily energy expenditure through the human life course. Science. 2021;373(6556):808-812. DOI: 10.1126/science.abe5017 

  11. 11. Cruz-Jentoft AJ, Volkert D. Malnutrition in Older Adults. N Engl J Med. 2025;392(22):2244-2255. doi:10.1056/NEJMra2412275

  12. 12. Morley JE. Decreased food intake with aging. J Gerontol: Series A. 2001;56:81-88. https://doi.org/10.1093/gerona/56.suppl_2.81

  13. 13. Volkert D, Beck AM, Cederholm T, et al. ESPEN guideline on clinical nutrition and hydration in geriatrics. Clin Nutr. 2019;38(1):10-47. doi:10.1016/j.clnu.2018.05.024

  14. 14. Goyal RK. Gastric Emptying Abnormalities in Diabetes Mellitus. N Engl J Med. 2021;384(18):1742-1751. doi:10.1056/NEJMra2020927

  15. 15. Utrilla Fornals A, Costas-Batlle C, Medlin S, et al. Metabolic and Nutritional Issues after Lower Digestive Tract Surgery: The Important Role of the Dietitian in a Multidisciplinary Setting. Nutrients. 2024;16(2):246. Published 2024 Jan 12. doi:10.3390/nu16020246

  16. 16. Yannakoulia M, Scarmeas N. Diets. N Engl J Med. 2024;390(22):2098-2106. doi:10.1056/NEJMra2211889

  17. 17. Anderson K. Popular fad diets: An evidence-based perspective. Prog Cardiovasc Dis. 2023;77:78-85. doi:10.1016/j.pcad.2023.02.001

  18. 18. Jeynes KD, Gibson EL. The importance of nutrition in aiding recovery from substance use disorders: A review. Drug Alcohol Depend. 2017;179:229-239. doi:10.1016/j.drugalcdep.2017.07.006

Sinais e sintomas de desnutrição

Os sintomas variam de acordo com a causa e o tipo de desnutrição (p. ex., desnutrição proteico-calórica, deficiência de vitaminas).

Avaliação da desnutrição

O diagnóstico da desnutrição baseia-se em resultados da anamnese, história alimentar, exame físico, análise da composição corporal e alguns exames laboratoriais. Foram propostos critérios de consenso expressos, mas eles ainda não foram universalmente adotados (1).

História

A anamnese deve conter perguntas sobre

  • Ingestão alimentar: ver Mini Nutritional Assessment (MNA), uma ferramenta de rastreamento e avaliação nutricional que pode identificar pacientes com ≥ 65 anos desnutridos ou em risco de desnutrição (2)

  • Doença crônica: ver Global Diet Quality Score (GDQS), uma forma rápida de avaliar o risco de desnutrição e doença crônica em mulheres em idade reprodutiva não grávidas e não lactantes (3)

  • Alterações recentes no peso

  • Fatores de risco de desnutrição, como uso de drogas e bebidas alcoólicas

Perda ponderal não intencional de 10% do peso corporal usual em um período de 3 meses indica alta probabilidade de desnutrição (1, 4). A história social deve incluir perguntas sobre segurança alimentar e a capacidade do paciente de fazer compras e cozinhar.

A revisão dos sistemas deve focalizar os sinais e sintomas das deficiências nutricionais (ver tabela ). Por exemplo, visão prejudicada à noite pode indicar deficiência de vitamina A.

Tabela
Tabela

Exame físico

O exame físico deve incluir

  • Aferição da altura e do peso

  • Inspeção da distribuição da gordura corporal

  • Medidas antropométricas da massa corporal magra

O índice de massa corporal [IMC = peso (kg)/altura (m2)] ajusta o peso à altura. Se o IMC for < 18,5, deve-se suspeitar de desnutrição (5). Embora esses resultados sejam úteis no diagnóstico de desnutrição e sejam aceitavelmente sensíveis, falta especificidade para diagnosticar a desnutrição.

Calculadora clínica

A área muscular do membro superior estima a massa magra. Essa área é derivada da prega cutânea tricipital (PCT) e da circunferência do membro superior. Ambas as medidas são feitas no mesmo lugar, com o membro superior direito relaxado do paciente. A média da circunferência do membro superior é 34,1 cm para homens e 31,9 cm para mulheres (6). A fórmula para o cálculo da área muscular do membro superior, em cm2, é:

equation

Essa fórmula corrige a área muscular para gordura e ossos. Valores médios para a área muscular do membro superior são de 54 ± 11 cm2 para homens e 30 ± 7 cm2 para mulheres. Um valor < 75% desse padrão (dependendo da idade) indica depleção da massa corporal magra (ver tabela ). Essa medida pode ser afetada por atividade física, fatores genéticos e perda muscular relacionada com a idade.

Tabela
Tabela

O exame físico deve focar sinais de deficiências nutricionais específicas. Sinais de desnutrição proteico-calórica (p. ex., edema, atrofia muscular, alterações cutâneas) devem ser observados. O exame deve focar também condições que podem predispor deficiências nutricionais, como problemas dentários. Deve-se avaliar o estado mental porque a depressão e o deficit cognitivo podem levar à perda ponderal.

As ferramentas de avaliação a seguir podem ser úteis:

  • A Malnutrition Screening Tool (MST) é uma ferramenta de rastreamento com 2 perguntas projetada para identificar desnutrição em pacientes idosos hospitalizados. Uma pontuação de 2 ou superior indica risco de desnutrição, enquanto uma pontuação de 0 a 1 indica ausência de risco (7).

  • A Malnutrition Universal Screening Tool (MUST) foi desenvolvida pela Associação Britânica de Nutrição Parenteral e Enteral. Ela categoriza os pacientes em baixo, médio ou alto risco de desnutrição com base no IMC, no histórico de perda de peso não intencional e na probabilidade de perda de peso futura devido à doença aguda (4).

  • A conhecida Avaliação Nutricional Subjetiva (SGA, na sigla em inglês) utiliza informações da história do paciente (p. ex., perda ponderal, alterações na ingestão, sintomas gastrointestinais), achados do exame físico (p. ex., perda muscular e de gordura subcutânea, edema, ascite) e julgamento clínico do estado nutricional do paciente.

  • O teste Mini Nutritional Assessment (MNA®) foi validado e é amplamente utilizado, especialmente em pacientes idosos. O MNA consiste em 18 questões pontuadas que são divididas em 4 seções: medidas antropométricas, avaliação abrangente, anamnese nutricional e estresse metabólico. A pontuação total possível é 30; pontuações ≥ 24 indicam estado nutricional normal, pontuações entre 17 e 23,5 indicam risco de desnutrição e pontuações < 17 pontos indicam desnutrição (8–10). O MNA Short Form (MNA-SF) inclui apenas 6 elementos e, portanto, é mais rápido e fácil de utilizar. Uma pontuação ≤ 11 pontos (de um total de 14) indica risco de desnutrição e avaliações adicionais devem ser realizadas para confirmar o diagnóstico de desnutrição (11).

  • O Simplified Nutrition Assessment Questionnaire (SNAQ), um método simples e validado para prever perda de peso futura em idosos residentes na comunidade, pode ser utilizado (12).

Questionário simplificado de avaliação nutricional (QSAN)

Exames

A necessidade de testes laboratoriais pode depender das condições de cada paciente. Se a causa for óbvia e corrigível (p. ex., situação de sobrevivência no deserto), o teste provavelmente será pouco útil. Outros pacientes podem necessitar de avaliação mais detalhada.

A medição da albumina sérica é um teste laboratorial frequentemente utilizado, embora não tenha se mostrado um indicador confiável do estado nutricional (13). Diminuição nos níveis séricos de albumina e outras proteínas [p. ex., pré-albumina (transtirretina), transferrina, proteína de ligação ao retinol] pode indicar deficiência proteica ou desnutrição proteico-calórica (DPC). Com a progressão da desnutrição, a albumina reduz vagarosamente; pré-albumina, transferrina e proteína ligadora do retinol diminuem rapidamente. A medida de albumina não custa caro e prediz morbidade e mortalidade melhor que outras proteínas. Entretanto, a correlação de albumina com morbidade e mortalidade pode se relacionar com fatores nutricionais e não nutricionais. A inflamação produz citocinas que levam ao extravasamento de albumina e outras proteínas, diminuindo o nível sérico. Como a pré-albumina, a transferrina e a proteína ligadora de retinol caem mais rapidamente durante o jejum que a albumina, suas dosagens podem ser utilizadas para diagnosticar ou avaliar a intensidade do jejum. Entretanto, ainda não se sabe se são mais sensíveis ou específicos que a albumina.

A creatinina urinária está relacionada com a massa muscular. A excreção urinária de creatinina ao longo de um período de 24 horas pode ser utilizada para calcular o índice creatinina-altura [ICA (%)], que reflete a massa muscular magra. O ICA é calculado como (creatinina urinária de 24 horas x 100)/excreção ideal de creatinina para a altura (obtida de tabelas padrão). O ICA indica a extensão da depleção muscular conforme segue: > 30% grave, 15 a 30% moderada e 5 a 15% leve (14).

Outros exames laboratoriais, como medida dos níveis de minerais e vitaminas, são utilizados para diagnosticar deficiências específicas.

Referências sobre avaliação

  1. 1. Cederholm T, Jensen GL, Correia MITD, et al. GLIM (Global Leadership Initiative on Malnutrition) criteria for the diagnosis of malnutrition: a consensus report from the global clinical nutrition community. Clin Nutr. 38(1):1–9, 2019. doi: 10.1016/j.clnu.2018.08.002

  2. 2. Guigoz Y, Vellas B. Nutritional assessment in older adults: MNA® 25 years of a screening tool and a reference standard for care and research; What next? J Nutr Health Aging. 25(4):528–583, 2021. doi: 10.1007/s12603-021-1601-y

  3. 3. Bromage S, Batis C, Bhupathiraju SN, et al. Development and validation of a novel food-based Global Diet Quality Score (GDQS). J Nutr. 151(12 Suppl 2):75S–92S, 2021. doi: 10.1093/jn/nxab244

  4. 4. Stratton RJ, Hackston A, Longmore D, et al. Malnutrition in hospital outpatients and inpatients: prevalence, concurrent validity and ease of use of the 'malnutrition universal screening tool' ('MUST') for adults. Br J Nutr. 2004;92(5):799-808. doi:10.1079/bjn20041258

  5. 5. Jensen GL, Cederholm T, Correia ITD, et al. GLIM criteria for the diagnosis of malnutrition: A consensus report from the global clinical nutrition community. J Parenteral Enteral Nutr. 2018; Accessed September 16, 2025.

  6. 6. Fryar CD, Gu Q, Ogden CL, Flegal KM. Anthropometric reference data for children and adults: United States, 2011–2014. National Center for Health Statistics. Vital Health Stat. 3(39), 2016.

  7. 7. Thanh XLT, Thi PD, Thi HL, et al. Validity of NRS-2002, MUST, MST, and MNA-SF as first-step screening tools for malnutrition based on GLIM criteria in older adults. Clin Nutr Open Sci. 2025;63:99-112. doi.org/10.1016/j.nutos.2025.07.008

  8. 8. Laporte M, Keller HH, Payette H. et al. Validity and reliability of the new Canadian Nutrition Screening Tool in the ‘real-world’ hospital setting. Eur J Clin Nutr. 69(5):558–564, 2015. doi: 10.1038/ejcn.2014.270 Epub 2014 Dec 17.

  9. 9. Kaiser MJ, Bauer JM, Rämsch C, et al. Frequency of malnutrition in older adults: A multinational perspective using the mini nutritional assessment. J Am Geriatr Soc. 58(9):1734–1738, 2010. doi: 10.1111/j.1532-5415.2010.03016.x

  10. 10. Guigoz Y. The Mini Nutritional Assessment (MNA) review of the literature—What does it tell us? J Nutr Health Aging. 10(6):466–485; discussion 485–487, 2006.

  11. 11. Soysal P, Veronese N, Arik F, et al. Mini Nutritional Assessment Scale-Short Form can be useful for frailty screening in older adults. Clin Interv Aging. 14:693–699, 2019. doi: 10.2147/CIA.S196770 eCollection 2019.

  12. 12. Lau S, Pek K, Chew J, et al. The Simplified Nutritional Appetite Questionnaire (SNAQ) as a Screening Tool for Risk of Malnutrition: Optimal Cutoff, Factor Structure, and Validation in Healthy Community-Dwelling Older Adults. Nutrients. 2020;12(9):2885. Published 2020 Sep 21. doi:10.3390/nu12092885

  13. 13. Evans DC, Corkins MR, Malone A, et al. The Use of Visceral Proteins as Nutrition Markers: An ASPEN Position Paper. Nutr Clin Pract. 2021;36(1):22-28. doi:10.1002/ncp.10588

  14. 14. Hamada Y. Objective data assessment (ODA) methods as nutritional assessment tools. J Med Invest. 62(3–4):119–122, 2015. doi: 10.2152/jmi.62.119

Informações adicionais

O recurso em inglês a seguir pode ser útil. Observe que este Manual não é responsável pelo conteúdo deste recurso.

  1. The State of Food Security and Nutrition in the World 2023

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