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Visão geral da parada respiratória

Por

Vanessa Moll

, MD, DESA,

  • Assistant Professor of Anesthesiology
  • Emory University School of Medicine, Department of Anesthesiology, Division of Critical Care Medicine

Última modificação do conteúdo dez 2018
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Parada respiratória e parada cardíaca são distintas, mas inevitavelmente uma leva à outra se não tratadas. (Ver também Insuficiência respiratória, dispneia e hipóxia.)

Interrupção das trocas gasosas pulmonares durante > 5 minutos pode lesar irreversivelmente órgãos vitais, especialmente o encéfalo. Parada cardíaca quase sempre ocorre a seguir, a menos que a função respiratória seja rapidamente restaurada. Todavia, uma ventilação agressiva também pode ter consequências hemodinâmicas negativas, particularmente no período periparada e em outras circunstâncias de débito cardíaco baixo. Na maioria dos casos, a meta definitiva é restaurar a ventilação e oxigenação adequadas, sem comprometer ainda mais uma situação cardiovascular provisória.

Etiologia

Parada respiratória (e dificuldade respiratória que pode evoluir até parada respiratória) pode ser causada por

  • Obstrução das vias respiratórias

  • Esforço respiratório diminuído

  • Fraqueza dos músculos respiratórios

Obstrução das vias respiratórias

A obstrução pode envolver

  • Vias respiratórias superiores

  • As vias respiratórias inferiores

Pode ocorrer obstrução das vias respiratórias superiores em lactentes com < 3 meses de idade que geralmente respiram pelo nariz e, assim, podem apresentar obstrução das vias respiratórias superiores secundária à congestão nasal. Em todas as idades, a perda de tônus muscular com diminuição da consciência pode causar obstrução das vias respiratórias superiores, porque a parte posterior da língua se desloca em direção à orofaringe. Outras causas de obstrução das vias respiratórias superiores incluem sangue, muco, vômito ou corpo estranho; espasmo ou edema das pregas vocais; e inflamação da traqueia e da laringofaringe (p. ex., epiglotite, crupe), tumor ou trauma. Pacientes com distúrbios congênitos do desenvolvimento têm, frequentemente, vias respiratórias superiores anormais, que são mais facilmente obstruídas.

Obstrução das vias respiratórias inferiores pode decorrer de aspiração, broncoespasmo, distúrbios de preenchimento dos espaços respiratórios (p. ex., pneumonia, edema pulmonar, hemorragia pulmonar) ou afogamento.

Esforço respiratório diminuído

Esforço respiratório diminuído reflete incapacitação do sistema nervoso central devido a um dos fatores a seguir:

  • Doença do sistema nervoso central

  • Efeito adverso de fármacos

  • Distúrbio metabólico

Distúrbios do sistema nervoso central que afetam o tronco encefálico (p. ex., acidente vascular encefálico, infecção, tumor) podem causar hipoventilação. Distúrbios que aumentam a pressão intracraniana costumam causar hiperventilação inicial, podendo desenvolver-se hipoventilação se o tronco encefálico for comprimido.

As drogas que diminuem o esforço respiratório incluem os opioides e os sedativo-hipnóticos (p. ex., barbitúricos, álcool; menos comumente, benzodiazepínicos). A associação desses fármacos aumenta ainda mais o risco de depressão respiratória. Habitualmente, está envolvida uma overdose (iatrogênica, intencional ou acidental), embora uma dose menor possa diminuir o esforço em pacientes mais sensíveis aos efeitos dessas fármacos (p. ex., idosos, pacientes descondicionados, pacientes com insuficiência respiratória crônica).

Depressão do sistema nervoso central decorrente de forte hipoglicemia ou hipotensão acaba comprometendo o esforço respiratório.

Fraqueza dos músculos respiratórios

A fraqueza pode ser causada por

  • Distúrbios neuromusculares

  • Fadiga

As causas neuromusculares incluem lesão da medula espinal, doenças neuromusculares (p. ex., miastenia grave, botulismo, poliomielite, síndrome de Guillain-Barré) e fármacos de bloqueio neuromuscular.

Fadiga dos músculos respiratórios pode ocorrer se o paciente respirar durante longos períodos a uma ventilação por minuto que exceda cerca de 70% de sua ventilação voluntária máxima (p. ex., devido a forte acidose metabólica ou hipoxemia).

Sinais e sintomas

Na parada respiratória, o paciente está inconsciente ou em vias de tornar-se.

Pacientes com hipoxemia podem estar cianóticos, mas a cianose pode ser mascarada por anemia, ou por intoxicação por monóxido de carbono ou cianeto. Pacientes em tratamento com alto fluxo de oxigênio podem não estar hipoxêmicos e, portanto, não exibir cianose ou dessaturação até a cessação da respiração durante vários minutos. Reciprocamente, pacientes com doença pulmonar crônica e policitemia podem exibir cianose sem parada respiratória. Parada respiratória não corrigida é seguida por parada cardíaca após minutos do início da hipoxemia, hipercarbia ou ambas.

Parada respiratória iminente

Antes da parada respiratória total, pacientes com função neurológica intacta podem estar agitados, confusos e fazendo esforço para respirar. Taquicardia e diaforese estão presentes; pode haver retrações intercostais ou esternoclaviculares. Pacientes com incapacitação do sistema nervoso central ou fraqueza da musculatura respiratória exibem respirações débeis, arfantes ou irregulares e movimentos respiratórios paradoxais. Pacientes com corpo estranho nas vias respiratórias podem engasgar e apontar para o pescoço, exibir estridor respiratório, ou nada disso. O monitoramento de dióxido de carbono término-corrente pode alertar os profissionais de saúde sobre uma parada respiratória iminente em pacientes descompensados.

Lactentes, especialmente com < 3 meses de idade, podem desenvolver apneia aguda sem aviso, secundária a infecção preponderante, distúrbios metabólicos ou fadiga respiratória. Pacientes asmáticos ou com outras doenças pulmonares crônicas podem ficar hipercárbicos e fatigados após períodos prolongados de angústia respiratória, e tornarem-se repentinamente obtundidos e apneicos com pouco aviso, a despeito de uma saturação de oxigênio adequada.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

A parada respiratória costuma ser clinicamente óbvia e o tratamento começa simultaneamente ao diagnóstico. A primeira consideração é excluir a presença de corpo estranho obstruindo as vias respiratórias; se presente, haverá pronunciada resistência à ventilação durante a ventilação boca-máscara ou com bolsa-válvula-máscara. Durante a laringoscopia para entubação endotraqueal pode-se encontrar algum corpo estranho (para sua remoção, ver Limpeza e abertura das vias respiratórias superiores).

Tratamento

  • Desobstrução das vias respiratórias

  • Ventilação mecânica

O tratamento é desobstrução das vias respiratórias, estabelecimento de uma via respiratória alternativa e realização de ventilação mecânica.

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