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Outras infecções por arbovírus

Por

Thomas M. Yuill

, PhD, University of Wisconsin-Madison

Última modificação do conteúdo jul 2018
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Arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes) aplica-se ao vírus que é transmitido para seres humanos e/ou outros vertebrados por certas espécies de artrópodes que se alimentam de sangue, principalmente insetos (moscas e mosquitos) e aracnídeos (carrapatos).

Doença de chicungunha

A chicungunha é uma doença febril aguda seguida de poliartrite mais crônica que pode persistir por meses ou anos. A morte é extremamente rara.

A chicungunha é transmitida pelo mosquito Aedes sendo comum na África, Índia, Paquistão, Nepal, Guam, Sudeste Asiático, Nova Guiné, China, México, América do Sul e Central, ilhas no Caribe, Oceano Indico e Pacifico e em certas áreas da Europa. Transmissão local limitada foi identificada na Flórida e no Texas.

A prevenção da doença chicungunha envolve evitar picadas de mosquitos.

Doença de Mayaro

Essa doença semelhante à dengue é transmitida por mosquitos. É comum no Brasil, na Bolívia e em Trinidad.

A prevenção da doença de Mayaro é evitar picadas de mosquitos.

Febre pelo vírus Oropouche

O vírus Oropouche (OROV) é um bunyavírus do grupo Simbu.

O OROV é transmitido para seres humanos por Culicoides paraensis, uma espécie de muruim (mosquitos muito pequenos) presente nas Américas do Sul e Central e no Caribe.

A transmissão do OROV ocorre em 2 ciclos:

  • Selvagem

  • Urbano-epidêmico

No ciclo selvagem, o reservatório do OROV são os animais selvagens (p. ex., primatas, preguiças, certos artrópodes). No ciclo urbano-epidêmico, os humanos são o principal reservatório, e o ciclo de infecção é de humano para humano através do mosquito como vetor.

O OROV está se aproximando das principais cidades brasileiras, e algumas autoridades de saúde pública acreditam que o vírus tem grande potencial epidêmico nas regiões onde existe. A OMS recomenda que a febre pelo vírus oropouche seja incluída no diagnóstico diferencial clínico das outras arborviroses febris comuns, (p. ex., doença de chicungunha, dengue, febre amarela, zica).

Nos humanos, a febre pelo vírus oropouche lembra a dengue, causando febre e infecção aguda, podendo levar à meningite e à meningoencefalite.

O tratamento é de suporte.

Não há vacina disponível. A prevenção da febre pelo vírus oropouche é evitando as picadas de mosquitos.

Encefalite transmitida por carrapato

A encefalite transmitida por carrapatos (TBE) é causada por um flavivírus que tem 3 subtipos: europeu, siberiano e oriental.

A encefalite transmitida por carrapatos é transmitida para os seres humanos em regiões focais que se estendem do leste da França ao norte do Japão, pela picada de carrapatos infectados com carapaça, o Ixodes ricinus na Europa e o Ixodes persulcatus na Sibéria e no Extremo Oriente. Os carrapatos são os vetores e os reservatórios do vírus, e pequenos roedores são o hospedeiro amplificador primário. A encefalite transmitida por carrapatos também pode ser adquirida pela ingestão de derivados lácteos não pasteurizados (como o leite e o queijo) provenientes de cabras, ovelhas ou vacas infectadas.

Os casos ocorrem do início da primavera ao final do verão, quando os carrapatos são mais ativos. Inicialmente ocorre uma leve síndrome gripal; a doença costuma desaparecer em poucos dias, mas cerca de 30% dos pacientes evoluem com sintomas mais graves (p. ex., meningite ou meningoencefalite). A incidência e a gravidade da doença são mais elevadas nas pessoas ≥ 50 anos.

A encefalite transmitida por carrapatos não é uma doença de notificação compulsória em todos os territórios norte-americanos; mas os CDC informam que 5 casos de encefalite transmitida por carrapatos ocorreram entre norte-americanos que viajaram para a Europa e a China de 2000 a 2011 (1).

Deve-se suspeitar de encefalite transmitida por carrapatos nos viajantes que apresentam:

  • Doença febril inespecífica que evolui para doença neuroinvasiva 4 semanas após o retorno de uma região endêmica

  • Risco de exposição ao carrapato

O diagnóstico da encefalite transmitida por carrapatos costuma ser feito pela sorologia por detecção de anticorpos IgM específicos no sangue ou no líquor, que tipicamente só aparecem após o início das manifestações neurológicas. Embora o vírus da encefalite transmitida por carrapatos algumas vezes possa ser detectado no sangue por isolamento viral ou por PCR da transcriptase reversa (RT-PCR), no início da doença antes que os títulos dos anticorpos tenham aumentado.

Como ocorre em outras meningoencefalites virais, o tratamento é de suporte.

Embora não exista nenhuma vacina contra a encefalite transmitida por carrapatos aprovada ou disponível nos EUA, existem várias vacinas eficazes contra a doença de vírus vivo inativado disponíveis na Rússia, na Europa e no Canadá. Recomenda-se a vacinação de pessoas que trabalham ao ar livre ou participam de atividades de lazer em regiões endêmicas e têm risco de exposição aos carrapatos.

Vírus Powassan

Nos Estados Unidos, a encefalite transmitida por carrapatos é causada principalmente pelo vírus Powassan (POWV), um flavivírus antigenicamente relacionado com os vírus do Nilo Ocidental, o vírus da encefalite de St. Louis e o vírus da encefalite transmitida por carrapatos. As infecções pelo POWV foram notificadas principalmente nos estados do nordeste dos EUA e na região dos Grandes Lagos. A infecção pelo POWV em humanos também foi descrita no sudeste do Canadá e na Rússia (região sudeste da Sibéria, nordeste de Vladivostok).

Nos EUA, existem 2 tipos de vírus Powassan, ambos vinculados a doenças humanas:

  • Linhagem 1 do POWV: associada aos carrapatos Ixodes cookei ou Ixodes marxi

  • Linhagem 2 do POWV (às vezes chamada vírus do carrapato do alce): associada ao carrapato Ixodes scapularis, o mesmo carrapato que propaga a doença de Lyme, a anaplasmose e a babesiose

A infecção pela linhagem 2 do POWV é mais provável do que a infecção pela linhagem 1, porque os carrapatos I. cookei raramente picam as pessoas.

O tempo que um carrapato infectado deve estar preso à pessoa para poder transmitir o POWV é provavelmente muito mais curto (15 minutos) do que o tempo necessário para a transmissão da doença de Lyme [24 h a 48 h (2, 3)].

Embora rara, a encefalite por POWV parece estar aumentando desde 2007 (4). Um total de 98 casos de infecção por doença de POWV foram notificados nos EUA de 2007 a 2016 (5); a maioria (88) era doença neurológica, resultando em 11 mortes. Os casos ocorrem do final da primavera até meados do outono, quando os carrapatos estão mais ativos.

Nos casos notificados de infecção pelo vírus Powassan, as sequelas neurológicas foram comuns e a letalidade foi alta (até 10% a 15%). Essa alta morbidade e mortalidade podem resultar de vieses de notificação, porque a soropositividade nas regiões endêmicas é conhecida por ser muito mais comum do que os casos notificados, sugerindo a existência de maior número de casos de infecção assintomática.

Deve-se considerar a infecção pelo vírus POWV em pacientes com encefalite, especialmente quando o paciente tem história de picadas de carrapatos ou passa muito tempo ao ar livre e mora ou viajou recentemente para uma área endêmica. O diagnóstico é semelhante ao da encefalite transmitida por carrapatos, com sorologia para detectar os anticorpos IgM específicos contra o POWV no sangue ou no líquor e confirmados por testes para anticorpos neutralizantes de amostras séricas de fase aguda e da convalescença em um laboratório de saúde pública estadual ou nos CDCs nos EUA.

Não há vacina para infecção por POWV; a vacina para encefalite transmitida por carrapatos disponível fora dos EUA é direcionada contra flavivírus diferentes e, quando uma dessas vacinas para encefalite transmitida por carrapatos foi testada em camundongos, não demonstrou ser protetora contra o POWV.

As pessoas em risco devem usar medidas de proteção pessoal para evitar picadas de carrapatos.

Outros vírus transmitidos por carrapatos

Outros vírus transmitidos por carrapatos nos EUA são

  • Vírus Bourbon: esse vírus foi isolado de um único paciente que morreu com falência múltipla de órgãos no condado de Bourbon, no Kansas.

  • Vírus Heartland: esse vírus foi isolado em 8 casos no Missouri e Tennessee. A infecção por esse vírus geralmente causa doença febril autolimitada e inespecífica, que pode ser acompanhada de leucopenia. Pode haver trombocitopenia e as aminotransferases hepáticas podem estar altas. Um paciente morreu

  • Vírus da febre do carrapato do Colorado: um Coltivírus causa a febre do carrapato do Colorado. A febre do carrapato do Colorado foi diagnosticada em regiões do oeste dos EUA e do Canadá que estão entre 4.000 m e 10.000 m acima do nível do mar. Causa uma doença febril inespecífica que raramente é complicada por meningite ou encefalite. Raramente é transmitido por transfusão de sangue.

Vírus do sorogrupo da encefalite da Califórnia

Os vírus do sorogrupo da encefalite da Califórnia, como o vírus da encefalite da Califórnia, o vírus La Crosse e o vírus Jamestown Canyon, pertencem à família Bunyaviridae. Esses vírus são transmitidos por mosquitos Aedes e existem nas Montanhas Rochosas, leste dos EUA, sudeste do Canadá e oeste da Europa.

Os vírus do sorogrupo da encefalite da Califórnia causam sintomas (p. ex., febre, sonolência, embotamento, sinais neurológicos focais, convulsões) principalmente em crianças, exceto para o vírus Jamestown Canyon, que também pode acometer adultos. Envolvimento do lobo temporal pode imitar encefalite por herpes; 20% dos pacientes desenvolvem problemas comportamentais ou crises recorrentes.

Não há tratamento disponível.

Febre hemorrágica de Omsk e doença da floresta de Kyasanur

Estas infecções são transmitidas por carrapatos ou por contato direto com um animal infectado (p. ex., roedor, macaco). A febre hemorrágica de Omsk é causada por um flavivírus; ela ocorre na Rússia, incluindo Sibéria. Doença da floresta de Kyasanur, também causada por um flavivírus, ocorre na Índia.

Febre hemorrágica de Omsk e doença da floresta de Kyasanur são enfermidades febris agudas acompanhadas por diátese hemorrágica, pressão arterial baixa, leucopenia e trombocitopenia; alguns pacientes desenvolvem encefalite na 3ª semana. A letalidade é < 3% dos casos para a febre hemorrágica de Omsk e de 3 a 5% para a doença da floresta de Kyasanur.

A prevenção consiste em evitar picadas de mosquitos e animais infectados.

Febre do Vale Rift

A febre do Vale Rift, causada por um flebovírus, é disseminada por mosquitos e pode ser transmitida por

  • Contato direto ou indireto com sangue ou órgãos de animais infectados (p. ex., durante o abate ou procedimentos veterinários)

  • Inalação de aerossóis infectados

  • Ingestão de leite cru de animais infectados

A febre do Vale Rift ocorre na África do Sul, na África Oriental e Ocidental e Egito.

A febre do Vale Rift raramente evolui para distúrbios oculares, meningoencefalite, ou uma forma hemorrágica (letalidade de 50% dos casos).

Existe vacina para o gado e a vacina para seres humanos está sendo pesquisada.

Referências sobre arbovírus

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