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Frequência urinária

Por

Anuja P. Shah

, MD, David Geffen School of Medicine at UCLA

Última modificação do conteúdo jun 2019
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A frequência urinária corresponde à necessidade de urinar várias vezes durante o dia, a noite (noctúria) ou ambos, mas com volume normal ou quase normal. A frequência pode ser acompanhada de sensação de urgência para urinar (urgência urinária). Deve-se distinguir frequência urinária de poliúria, na qual o débito urinário é > 3 l/dia.

Fisiopatologia

A frequência urinária geralmente resulta de alterações do trato GU inferior. Inflamação da bexiga, uretra ou ambos causa sensação de necessidade de urinar. Entretanto, esta sensação não é melhorada com o esvaziamento da bexiga e, uma vez esvaziada, os pacientes continuam a tentar urinar, mas eliminam pequenos volumes de urina.

Etiologia

Há muitas causas da frequência urinária (ver tabela Algumas causas da frequência urinária), mas as mais comuns são

Tabela
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Algumas causas de frequência urinária

Causa

Achados sugestivos

Abordagem diagnóstica

Início progressivo de hesitação urinária, incontinência, jato fraco, sensação de esvaziamento incompleto

Exame retal

Ultrassonografia

Cistometria

Incontinência urinária

Sensação de plenitude vaginal

Dor ou perda de urina durante o ato sexual

Exame pélvico

Fármacos e substâncias

  • Cafeína

  • Álcool

  • Diuréticos

Frequência urinária em pacientes sadios

Eliminação empírica de substâncias ofensivas (para confirmar a resolução da frequência)

Gestação

Gestação no 3º trimestre

Avaliação clínica

Urgência, disúria, noctúria, corrimento uretral purulento com febre, calafrios, dor lombar, mialgia, artralgia e plenitude perineal

Próstata dolorosa à palpação

Exame retal

Cultura das secreções após massagem prostática

Cistite por irradiação

História de tratamento de câncer por irradiação do abdome inferior, próstata ou períneo

Avaliação clínica

Artrite assimétrica dos joelhos, tornozelos e articulações metatarsofalangeanas

Conjuntivite unilateral ou bilateral

Pequenas úlceras indolores em boca, língua, glande do pênis, palmas das mãos e solas 1–2 semanas após relação sexual

Exames para DST

Fraqueza dos membros inferiores, diminuição do tônus do esfíncter anal, ausência do reflexo da prega anal

Perda de sensibilidade em um nível segmentar

Em geral, a lesão é óbvia ao exame clínico

RM da coluna vertebral

Hesitação, tenesmo, redução do calibre e da força do jato urinário

Uretrografia

Perda não intencional de urina, particularmente aos esforços, tosse ou espirros

Cistometria

Dor em cólica no flanco ou no escroto

Exame de urina para detecção de hematúria

Ultrassonografia ou TC de rins, ureteres e bexiga

Disúria e urina fétida; algumas vezes, febre, confusão e dor lombar, particularmente em mulheres e meninas

Disúria e frequência em homens jovens sexualmente ativos (sugerindo DST)

Exame de urina e cultura de urina

Exames para DST

Hiperatividade do detrusor da bexiga

Noctúria, incontinência de urgência, jato urinário fraco e, às vezes, retenção urinária

Cistometria

DST = doença sexualmente transmissível.

Avaliação

História

História da doença atual deve buscar inicialmente determinar as quantidades de líquidos consumidos e eliminados para distinguir frequência urinária de poliúria. Caso haja frequência urinária, deve-se perguntar ao paciente sobre início, presença ou ausência de sintomas irritativos (p. ex., irritação, urgência, disúria), sintomas obstrutivos (p. ex., hesitância, jato fraco, sensação de esvaziamento incompleto, noctúria) e contatos sexuais recentes.

A revisão de sistemas deve cobrir os sintomas sugestivos de alguma causa, como febre, dor no flanco ou na região inguinal e hematúria (infecção); amenorreia, edema de mamas e náuseas matinais (gestação); além de artrite e conjuntivite (artrite reativa).

A história clínica deve perguntar sobre causas conhecidas, incluindo doença prostática e radioterapia ou cirurgias pélvicas prévias. São revisados a dieta e o uso de fármacos, para busca de agentes que aumentem o débito urinário (p. ex., diuréticos, álcool, bebidas cafeinadas).

Exame físico

Focaliza o sistema GU.

Qualquer corrimento uretral ou quaisquer lesões consistentes com doenças sexualmente transmissíveis são notados. Deve-se realizar o toque retal em homens quanto ao tamanho e à consistência da próstata e tônus retal; o exame pélvico em mulheres deve notar a presença de cistocele. Deve-se instruir as pacientes a tossir enquanto se observa a uretra na busca de sinais de perda de urina.

O ângulo costovertebral deve ser palpado quanto à presença de dolorimento, e o exame do abdome deve notar a presença de quaisquer massas ou dolorimento suprapúbico.

O exame neurológico deve buscar fraqueza de membros inferiores e perda de sensibilidade.

Sinais de alerta

Os achados a seguir são particularmente preocupantes:

  • Fraqueza nos membros inferiores ou sinais de danos na coluna (p. ex., perda de sensibilidade em um nível segmentar, perda de tônus do esfíncter anal e reflexo da prega anal)

  • Febre e dor lombar

Interpretação dos achados

Disúria sugere frequência e é decorrente de infecção do trato urinário (ITU) ou cálculos. Cirurgia pélvica prévia sugere incontinência. Jato fraco, noctúria ou ambos sugerem hiperplasia benigna da próstata. Frequência urinária em jovens sadios pode ser causada por ingestão excessiva de álcool ou bebibas cafeinadas. Hematúria grave sugere ITU e cálculos em pacientes mais jovens, e câncer geniturinário em pacientes mais velhos.

Exames

Todos os pacientes necessitam de exame de urina e cultura, que são facilmente realizados e podem detectar infecção e hematúria.

Cistoscopia, cistometria e uretrocistografia podem ser realizados para diagnosticar cistite, obstrução do colo vesical e cistocele. Determinação do nível de antígeno prostático específico, ultrassonografia e biópsia da próstata podem ser necessários, especialmente em homens mais velhos, para diferenciar BPH de câncer da próstata.

Tratamento

O tratamento varia de acordo com a causa.

Fundamentos de geriatria

Frequência urinária em pacientes idosos geralmente é causada por obstrução do colo vesical secundária ao aumento da próstata ou câncer. Estes pacientes geralmente necessitam de determinação do volume residual pós-miccional. Infecções do trato urinário (ITU) ou uso de diuréticos podem ser causas em ambos os sexos.

Pontos-chave

  • ITU é a causa mais comum em crianças e mulheres.

  • A doença prostática é a causa mais comum em homens > 50 anos de idade.

  • Ingestão excessiva de cafeína pode causar frequência urinária em pessoas saudáveis.

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