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Testes para diagnóstico de doenças do encéfalo, da medula espinhal e do nervo

Por

Michael C. Levin

, MD, College of Medicine, University of Saskatchewan

Última revisão/alteração completa dez 2018| Última modificação do conteúdo dez 2018
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Fatos rápidos
Recursos do assunto

Eletroencefalografia

A eletroencefalografia (EEG) é um procedimento simples e indolor, no qual a atividade elétrica do cérebro é registrada como padrões de ondas, impresso em papel e/ou registrado em um computador. EEG pode ajudar a identificar o seguinte:

Por exemplo, o EEG pode ajudar a identificar onde se origina uma convulsão e mostrar alterações na atividade elétrica associadas a confusão, que pode ser resultado de doenças como insuficiência hepática (encefalopatia hepática Encefalopatia hepática A encefalopatia hepática é a deterioração da função cerebral que ocorre em pessoas com doença hepática grave, porque substâncias tóxicas normalmente eliminadas pelo fígado se acumulam no sangue... leia mais ) ou alguns medicamentos.

Nesse procedimento, o examinador coloca pequenos sensores (eletrodos) adesivos no couro cabeludo da pessoa que vai ser examinada. Os eletrodos são ligados por cabos a uma máquina, que reproduz um registro (traçado) das pequenas variações de voltagem que cada eletrodo detecta. Esses traçados constituem um eletroencefalograma (EEG).

Se houver suspeita de um transtorno convulsivo, mas o EEG inicial for normal, outro EEG é obtido usando uma tática que torna a atividade convulsiva mais provável. Por exemplo, o indivíduo pode ser privado do sono, pode ser solicitado que respire de forma profunda e rápida (hiperventilar) ou ser exposto a uma luz pulsátil (estroboscópio).

Às vezes, por exemplo, quando um comportamento que se assemelha a uma convulsão não pode ser diferenciado de um transtorno psiquiátrico, a atividade elétrica cerebral é registrada durante 24 horas ou mais, enquanto a pessoa é observada no hospital com uma câmera de vídeo. A câmera detecta o comportamento semelhante a uma convulsão e, examinando o EEG daquele momento, os médicos podem determinar se a atividade cerebral indica uma convulsão ou se está normal, sugerindo um transtorno psiquiátrico.

Registrando atividades cerebrais

Um eletroencefalograma (EEG) é uma gravação da atividade elétrica cerebral. O procedimento é simples e indolor. Colocam-se cerca de 20 pequenos eletrodos adesivos no couro cabeludo e registra-se a atividade cerebral em condições normais. Algumas vezes, expõe-se a pessoa a diversos estímulos, como luzes fortes ou pulsáteis, com o objetivo de tentar desencadear uma convulsão.

EEG
Registrando atividades cerebrais

Eletromiografia e estudos de condução nervosa

A eletromiografia e estudos de condução nervosa ajudam os médicos a determinar se a fraqueza muscular, perda sensorial ou ambos resultam de lesão aos seguintes:

Eletromiografia

A eletromiografia (EMG) é um procedimento no qual se insere uma pequena agulha num músculo, para registrar a sua atividade elétrica, tanto em repouso como durante a contração muscular. Em geral, o músculo em repouso não gera atividade elétrica. Uma contração leve produz certa atividade elétrica, que aumenta com aumento da contração.

O registro produzido pela EMG é chamado de eletromiograma. Ele é anormal se a fraqueza muscular resultar de um problema na raiz nervosa espinhal, no nervo periférico, músculo ou na junção neuromuscular. Cada tipo de problema produz um padrão distinto de anormalidades, que pode ser identificado com base nos sintomas do indivíduo e nos resultados do exame e da eletromiografia.

Diferente da TC ou EEG, que podem ser feitos rotineiramente por técnicos, a EMG exige o conhecimento de um neurologista, que escolhe os nervos e músculos apropriados para o teste e interpreta os resultados.

Estudos da condução nervosa

Os estudos de condução nervosa medem a velocidade com que os impulsos são conduzidos pelos nervos motores e sensitivos. Uma corrente elétrica pequena estimula um impulso em todo o nervo sendo testado. A descarga elétrica é liberada através de vários eletrodos, colocados na superfície da pele, ou com agulhas inseridas ao longo do trajeto do nervo em questão. O impulso é transmitido ao longo do nervo, chegando até o músculo e provocando a sua contração. Por meio da medição do tempo que o impulso demora a alcançar o músculo e a distância entre o eletrodo ou a agulha e o músculo, o médico pode calcular a velocidade do impulso. O nervo pode ser estimulado uma única vez ou diversas vezes para determinar o funcionamento da junção neuromuscular.

Os resultados são anormais somente se o sintoma resultar de um problema em um nervo ou uma junção neuromuscular. Por exemplo,

Contudo, os resultados podem ser normais se os nervos afetados forem pequenos e não tiverem bainha de mielina (a camada externa dos tecidos que ajuda a conduzir impulsos nervosos mais rapidamente). Os resultados também são normais se o problema envolver somente o cérebro, a medula espinhal, as raízes nervosas ou o músculo. Essas doenças não afetam a velocidade da condução nervosa.

Potenciais evocados

Para este teste, os médicos utilizam os estímulos visuais, sonoros e táteis para ativar áreas específicas do cérebro, ou seja, evocar respostas. O EEG é usado para detectar os potenciais evocados pelos estímulos. Com base nas respostas, os médicos podem verificar como essas áreas do cérebro estão funcionando. Por exemplo, com uma luz pulsátil estimula a retina, o nervo óptico e a via de acesso à parte posterior do cérebro, onde se percebe e interpreta a visão.

Esse procedimento é especialmente útil para testar o funcionamento dos sentidos em bebês e crianças. Num bebê, por exemplo, o médico pode testar a audição verificando a resposta a um som produzido perto de cada ouvido.

Os potenciais evocados também são úteis para identificar os efeitos da esclerose múltipla Esclerose Múltipla (EM) Na esclerose múltipla, são danificadas ou destruídas as zonas de mielina (a substância que cobre a maioria das fibras nervosas) e as fibras nervosas subjacentes no cérebro, nervos ópticos e... leia mais e de outras doenças em áreas do nervo óptico, do tronco cerebral e da medula espinhal. Esses efeitos podem ser detectados, ou não, pela RM.

Os potenciais evocados também podem ajudar a prever o prognóstico para indivíduos em coma. Se os estímulos não evocam a atividade cerebral típica, o prognóstico provavelmente será desfavorável.

Exames de diagnóstico por imagem

Mielografia

Na mielografia, radiografias da medula espinhal são obtidas após injeção de contraste radiopaco no espaço subaracnóideo na punção lombar. A mielografia foi praticamente substituída pela RM, que geralmente produz imagens mais detalhadas, é mais simples de fazer e também mais segura.

A mielografia com tomografia computadorizada (TC) é usada quando os médicos precisam de mais detalhes da medula espinhal e do osso circundante do que aqueles obtidos com a RM. A mielografia com TC também é usada quando a RM não está disponível ou não pode ser feita com segurança (por exemplo, quando o indivíduo usa um marca-passo).

Punção lombar

O líquido cefalorraquidiano flui por um canal (espaço subaracnóideo) entre as camadas de tecido (meninges) que revestem o cérebro e a medula espinhal. Esse líquido, que cerca o cérebro e a medula espinhal, ajuda a amortecê-los contra choques súbitos e lesões menores.

Na punção lombar, retira-se uma amostra do líquido cefalorraquidiano com uma agulha e envia-se ao laboratório para análise.

O exame do líquido cefalorraquidiano serve para detectar infecções, tumores e hemorragias no cérebro e na medula espinhal. Essas doenças podem alterar o aspecto e o conteúdo do líquido cefalorraquidiano que, em geral, é claro e incolor e contém glóbulos brancos e vermelhos. Por exemplo, os seguintes achados sugerem certas doenças:

Os médicos não fazem punção lombar quando a pressão dentro do crânio aumenta, por exemplo, quando há uma massa (como um tumor ou abscesso) no cérebro. Nesses casos, uma punção lombar pode reduzir subitamente a pressão abaixo do cérebro. Como resultado, o cérebro pode mover-se e ser pressionado por uma das pequenas aberturas nos tecidos relativamente rígidos que separam o cérebro em compartimentos (chamado herniação Herniação: O cérebro sob pressão Causas frequentes de traumatismos cranianos incluem quedas, acidentes com veículos motorizados, agressões físicas e acidentes durante esportes ou atividades recreativas. As pessoas com traumatismos... leia mais ). A herniação pressiona o cérebro e pode ser fatal. O histórico clínico e um exame neurológico ajudam os médicos a determinar se a herniação é um risco. Por exemplo, o médico pode observar com um oftalmoscópio o nervo óptico, que está abaulado quando a pressão dentro do crânio aumenta. Outra precaução antes de uma punção lombar é a TC ou RM da cabeça para verificar se há alguma massa.

Como a punção lombar é feita

O líquido cefalorraquidiano flui por um canal (espaço subaracnóideo) entre as camadas de tecido (meninges) média e interna que revestem o cérebro e a medula espinhal. Para coletar uma amostra desse líquido, o médico insere uma agulha pequena e oca entre dois ossos (vértebras) na parte inferior da coluna vertebral, geralmente entre a 3ª e a 4ª ou a 4ª e a 5ª vértebras lombares, abaixo do ponto em que a medula espinhal termina e, então, entra no espaço subaracnóideo – o espaço entre as camadas de tecido (meninges) que cobrem a medula espinhal (e o cérebro). Em geral, o indivíduo deita-se de lado, com os joelhos dobrados tocando o peito. Essa posição amplia o espaço entre as vértebras, e com isso o médico consegue evitar tocar nos ossos ao inserir a agulha.

O líquido cefalorraquidiano, então, pinga, gota a gota, em tubos de ensaio e as amostras são enviadas para um laboratório, para análise.

Punção lombar

Na punção lombar, o indivíduo geralmente deita-se de lado em uma cama e dobra os joelhos até tocar o peito. Para insensibilizar a zona da punção, utiliza-se um anestésico local. Em seguida, é inserida uma agulha entre duas vértebras, na parte inferior da coluna vertebral, onde termina a medula espinhal.

Durante a punção lombar, o médico pode verificar a pressão dentro do crânio. A pressão pode ser maior do que o normal em pessoas com hipertensão intracraniana idiopática Hipertensão intracraniana idiopática A hipertensão intracraniana idiopática é caracterizada pelo aumento da pressão dentro do crânio (pressão intracraniana). Ainda não foi determinado o que desencadeia o problema. As pessoas têm... leia mais e algumas outras desordens do cérebro e das estruturas circundantes. A pressão é verificada fixando-se um manômetro à agulha utilizada para a punção lombar, verificando a pressão do líquido cefalorraquidiano nesse manômetro.

Uma punção lombar pode ser realizada por outras razões:

A punção lombar geralmente leva até 15 minutos.

Depois de uma punção lombar, uma em cada dez pessoas sofre de cefaleia ao se levantar (denominada cefaleia de baixa pressão Cefaleia de baixa pressão Cefaleias de baixa pressão resultam quando o líquido cefalorraquidiano é retirado durante uma punção lombar ou se ele vaza por causa de um cisto ou rasgamento de uma das camadas dos tecidos... leia mais ). A cefaleia costuma desaparecer após alguns dias ou semanas. Contudo, se a cefaleia ainda estiver incômoda após alguns dias, os médicos podem injetar uma pequena quantidade de sangue da pessoa na área ao redor de onde a punção lombar foi realizada. Este procedimento, chamado de tampão sanguíneo, reduz a fuga de LCR e pode aliviar a cefaleia. Outros problemas são muito raros.

Outros exames para diagnóstico de doenças do encéfalo, da medula espinhal e do nervo

Biópsia

Músculo e nervo

Ocasionalmente, os médicos não conseguem definir a causa da lesão nervosa ou fraqueza muscular com base somente nos resultados de exames de sangue, exames de diagnóstico por imagem, EMG ou estudos de condução nervosa. Nesses casos, os médicos encaminham o indivíduo a um especialista, que pode coletar uma pequena amostra do tecido muscular, e algumas vezes um nervo para examiná-los em um microscópio (biópsia). A amostra é coletada de uma área do corpo onde ocorrem os sintomas. É aplicado corante à amostra para ajudar os médicos a identificarem o padrão do músculo ou lesão nervosa e para determinar se glóbulos brancos estão presentes, indicando inflamação.

Pele

Muitas vezes, o exame do nervo sensitivo e EMG não detectam danos nos nervos que sentem dor ou que regulam automaticamente os processos corporais (chamados de nervos autônomos Distúrbios do sistema nervoso autônomo leia mais ). Os médicos podem suspeitar de tal lesão se o indivíduo apresentar menos sensibilidade à dor, uma dor de queimadura nos pés, sentir-se tonto ou apresentar tontura quando se levanta, ou se suar muito ou pouco. Para verificar se há esse dano, os médicos podem usar um equipamento cortante, pequeno e arredondado para coletar uma amostra de pele (biopsia da pele) e enviá-la a um laboratório para exame em microscópio.

Se as terminações nervosas na amostra de pele tiverem sido destruídas, a causa pode ser um distúrbio (como vasculite Considerações gerais sobre a vasculite Os distúrbios vasculíticos são causados ​​pela inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite). A vasculite pode ser desencadeada por certos tipos de infecções, por medicamentos, ou pode ocorrer... leia mais Considerações gerais sobre a vasculite ) que afeta pequenas fibras nervosas, incluindo fibras nervosas de “identificação” de dor e autônomas.

Ecoencefalografia

A ecoencefalografia utiliza ultrassonografia para a reprodução de uma imagem do cérebro. Trata-se de um exame simples, indolor e relativamente barato, que se utiliza, sobretudo, em crianças com até 2 anos de idade, porque o seu crânio fino permite a passagem de ondas ultrassônicas. Pode ser realizada rapidamente na cama do paciente para detectar hidrocefalia Hidrocefalia A hidrocefalia é um acúmulo de líquido excedente nos espaços normais dentro do cérebro (ventrículos) e/ou entre as camadas de tecido interna e média que recobrem o cérebro (o espaço subaracnóideo)... leia mais Hidrocefalia (anteriormente chamado de líquido no cérebro) ou hemorragias.

A TC e a RM substituíram a ecoencefalografia em crianças mais velhas e adultos, já que as duas primeiras reproduzem imagens mais claras neste grupo de idade.

Exames genéticos

Anormalidades genéticas causam muitos transtornos neurológicos — especialmente distúrbios do movimento Considerações gerais sobre doenças do movimento Cada movimento do corpo, desde levantar a mão até sorrir, implica em uma interação complexa entre o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), os nervos e os músculos. Uma lesão ou... leia mais , incluindo os que causam tremor ou problemas ao caminhar. Os testes genéticos podem, às vezes, ajudar os médicos a diagnosticar certos distúrbios dos nervos e músculos.

Quando o teste genético for recomendado, o indivíduo é encaminhado a um consultor genético. Se não houver o encaminhamento, o indivíduo pode pedir uma consulta com um profissional.

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