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Demência

Por

Juebin Huang

, MD, PhD, Memory Impairment and Neurodegenerative Dementia (MIND) Center, University of Mississippi Medical Center

Última revisão/alteração completa mar 2018| Última modificação do conteúdo mar 2018
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A demência é uma diminuição, lenta e progressiva, da função mental, que afeta a memória, o pensamento, o juízo e a capacidade para aprender.

  • Normalmente, os sintomas incluem perda de memória, problemas para utilizar a linguagem e fazer as atividades, alterações de personalidade, desorientação e comportamento disruptivo ou inapropriado.

  • Os sintomas progridem de tal forma que as pessoas não podem realizar suas tarefas sozinhas, tornando-as totalmente dependentes dos outros.

  • Os médicos baseiam o diagnóstico nos sintomas e resultados de um exame físico e nos exames de estado mental.

  • Para determinar a causa são utilizados exames de sangue e por imagem.

  • O tratamento se concentra em manter a função mental o maior tempo possível e fornecer apoio conforme a pessoa decai.

A demência ocorre principalmente em pessoas com mais de 65 anos. A demência, particularmente o comportamento perturbador que muitas vezes a acompanha, é a razão para mais de 50% das internações nos asilos. No entanto, a demência é uma perturbação e não é uma parte do envelhecimento normal. Muitas pessoas com mais de 100 anos não têm demência.

A demência difere do delirium, que é caracterizado por uma incapacidade de prestar atenção, desorientação, incapacidade de pensar com clareza e flutuações do nível de alerta.

  • A demência afeta principalmente a memória e o delirium afeta principalmente a atenção.

  • A demência normalmente apresenta início gradual e não um início definitivo. O delirium inicia-se repentinamente e frequentemente apresenta um início definitivo.

Mudanças no cérebro relacionadas à idade (também chamada perda de memória associada à idade) causam alguma diminuição da memória a curto prazo e da capacidade de aprendizagem. Essas alterações, ao contrário da demência, ocorrem normalmente conforme a idade das pessoas e não afetam as funções normais. A perda de memória nos idosos não é necessariamente um sinal de demência ou de início da doença de Alzheimer. No entanto, os sintomas mais precoces da demência são muito semelhantes.

O comprometimento cognitivo leve provoca maior perda de memória do que a perda de memória associada à idade. Também pode prejudicar a capacidade de uso da linguagem, do pensamento e o uso do bom senso. No entanto, assim como a perda de memória associada à idade, não afeta a capacidade de funcionar ou fazer tarefas diárias. Até metade das pessoas com transtorno cognitivo leve desenvolve demência dentro de 3 anos.

A demência é uma deterioração mais grave das capacidades mentais, que piora com o tempo. As pessoas com um envelhecimento normal podem perder coisas ou esquecer detalhes, mas as que sofrem de demência podem esquecer por completo alguns acontecimentos. As pessoas que têm demência têm dificuldade de fazer tarefas diárias normais como dirigir, cozinhar e lidar com as finanças.

A depressão pode se assemelhar à demência, especialmente em pessoas mais velhas, mas muitas vezes ambas podem ser distintas. Por exemplo, as pessoas com depressão podem comer e dormir pouco. No entanto, as pessoas com demência costumam comer e dormir normalmente até a doença estar mais avançada. As pessoas com depressão podem queixar-se amargamente sobre a sua perda de memória, mas raramente esquecem acontecimentos importantes ou assuntos pessoais. Em contraste, as pessoas com demência não têm discernimento sobre seus comprometimentos mentais e muitas vezes negam a perda de memória. Além disso, as pessoas com depressão recuperam a função mental após o tratamento da depressão. No entanto, muitas pessoas têm depressão e demência. Nesses casos, o tratamento da depressão pode melhorar a função mental, mas esta não se recupera totalmente.

Em alguns tipos de demência (como a doença de Alzheimer), o nível de acetilcolina no cérebro é baixo. A acetilcolina é um mensageiro químico (chamado de neurotransmissor) que ajuda as células nervosas a se comunicarem umas com as outras. A acetilcolina ajuda a memória, a aprendizagem, e a concentração e ajuda a controlar o funcionamento de vários órgãos. Ocorrem no cérebro outras modificações, mas ainda não é claro se isso causa ou resulta na demência.

Você sabia que...

  • A demência é uma doença, não uma parte do envelhecimento normal.

  • Muitas pessoas com mais de 100 anos não têm demência.

Causas

Comumente, a demência ocorre como uma doença do cérebro sem qualquer outra causa (o que é chamado de doença cerebral primária), mas pode ser provocada por diversos problemas.

Causas comuns de demência

Mais comumente, a demência é

Cerca de 60 a 80% dos idosos com demência têm a doença de Alzheimer.

Outros tipos comuns de demência incluem

Muitas pessoas sofrem de mais do que uma dessas demências (um transtorno denominado demência mista).

Outras doenças que podem causar demência

As doenças que podem provocar a demência incluem as seguintes:

Demências reversíveis

A maior parte das condições que causam demência não pode ser revertida, mas algumas podem ser tratadas e podem ser chamadas de demência reversível. (Alguns especialistas utilizam o termo demência apenas para os quadros clínicos que progridem e que não podem ser revertidos e utilizam termos como encefalopatia ou perda cognitiva quando a demência pode ser parcialmente reversível.) O tratamento muitas vezes pode curar essas demências se o cérebro não foi muito danificado. Se o dano cerebral for muito extenso, muitas vezes o tratamento não reverte a lesão, mas pode evitar novas lesões.

Os quadros clínicos que podem provocar a demência incluem os seguintes:

Um hematoma subdural (acúmulo de sangue entre as camadas externa e média do tecido que cobrem o cérebro) ocorre quando um ou mais vasos sanguíneos se rompem, geralmente por causa de um ferimento na cabeça. Essas lesões podem ser leves e não podem ser reconhecidas. Os hematomas subdurais podem causar um declínio lento na função mental que pode ser revertido com tratamento.

Outras doenças

Muitas doenças podem piorar os sintomas de demência. Elas incluem diabetes, bronquite crônica, enfisema, infecções, uma doença renal crônica, doenças do fígado e insuficiência cardíaca.

Medicamentos

Vários medicamentos podem causar ou piorar, temporariamente, os sintomas da demência. Alguns são de venda livre, sem prescrição médica. São exemplos comuns os soníferos (que são sedativos), os medicamentos para resfriado, os medicamentos contra a ansiedade e alguns antidepressivos.

Beber álcool, mesmo em quantidades moderadas, também pode piorar a demência, e a maioria dos especialistas recomenda que as pessoas que sofrem de demência interrompam o consumo de álcool.

Sintomas

Progressão dos sintomas de demência

A função mental das pessoas com demência deteriora-se num prazo de 2 a 10 anos. No entanto, a demência progride a um ritmo diferente, dependendo da sua causa:

A taxa de progressão varia de um indivíduo para outro. Analisar a forma como a doença se agravou no ano anterior pode dar um indicativo do curso que seguirá no ano seguinte. Os sintomas pioram quando as pessoas com demência são levadas para clínicas de repouso ou outro tipo de instituição, uma vez que têm dificuldade em aprender e recordar as regras e as rotinas que devem seguir.

Problemas como dor, falta de oxigênio, retenção urinária e constipação podem causar delirium que piora com rapidez nas pessoas com demência. Uma vez corrigidos esses problemas, os pacientes geralmente regressam ao nível de funcionamento mental anterior.

Sintomas gerais de demência

Os sintomas da maioria das formas de demência são semelhantes. Geralmente a demência provoca o seguinte:

  • Problemas em usar a linguagem

  • Mudanças na personalidade

  • Desorientação

  • Problemas ao fazer tarefas diárias habituais

  • Comportamento perturbador ou inapropriado

Embora exista uma variação de quando os sintomas ocorrem, categorizá-los como sintomas precoces, intermediários ou tardios ajuda as pessoas afetadas, os familiares e outros cuidadores a terem uma ideia do que esperar.

As mudanças de personalidade e o comportamento disruptivo (transtornos de comportamento) podem se desenvolver no início ou posteriormente. Algumas pessoas que sofrem de demência têm convulsões, que também podem ocorrer em qualquer ponto da doença.

Sintomas precoces de demência

Como a demência se inicia de forma lenta e piora com o tempo, nem sempre se consegue identificar a perturbação desde o início.

Uma das primeiras funções mentais cuja deterioração é evidente

  • Memória, especialmente para eventos recentes

Além disso, as pessoas com demência normalmente têm cada vez mais dificuldade em fazer o seguinte:

  • Encontrar e utilizar a palavra certa

  • Entender a linguagem

  • Pensar de forma abstrata, como quando se trabalha com números

  • Fazer muitas tarefas diárias, como encontrar o seu caminho e lembrar onde foram colocados os objetos

  • Utilizar o bom senso

As emoções são instáveis e imprevisíveis, passando rapidamente da alegria para a tristeza.

As mudanças de personalidade também são frequentes. Os familiares podem perceber um comportamento incomum.

Algumas pessoas com demência conseguem dissimular as suas deficiências muito bem. Evitam atividades complexas, como controlar as suas contas bancárias, ler ou trabalhar. Os que não modificam o seu estilo de vida podem sentir-se muito frustrados perante a incapacidade de realizar as suas tarefas diárias. Podem esquecer de fazer tarefas importantes ou podem fazê-las de forma incorreta. Por exemplo, podem esquecer de pagar as contas ou desligar as luzes ou o fogão.

No início da demência, as pessoas podem ser capazes de continuar a dirigir, mas podem ficar confusas no trânsito congestionado e se perderem com mais facilidade.

Sintomas intermediários de demência

Conforme a demência piora, os problemas existentes pioram e se expandem, fazendo com que fique difícil ou impossível realizar as seguintes tarefas:

  • Aprender e lembrar novas informações

  • Por vezes, lembrar de eventos do passado

  • Executar tarefas diárias de autocuidado, como tomar banho, comer, se vestir e ir ao banheiro

  • Reconhecer as pessoas e os objetos

  • Manter o controle do tempo e saber onde estão

  • Entender o que veem e ouvem (levando a confusão)

  • Controlar o seu comportamento

As pessoas muitas vezes se perdem. Podem não ser capazes de encontrar o seu próprio quarto ou banheiro. Podem andar, mas estão mais propensas a cair. Em aproximadamente 10% das pessoas, essa confusão leva a uma psicose, como alucinações, delírios ou paranoia.

Conforme a demência progride, dirigir torna-se cada vez mais difícil, pois requer a tomada de decisões rápidas e a coordenação de muitas habilidades manuais. As pessoas podem não se lembrar aonde estão indo.

Os traços da personalidade podem se tornar mais exagerados. As pessoas que estavam sempre preocupadas com o dinheiro ficam obcecadas com isso. As pessoas que costumavam ser preocupadas ficam preocupadas constantemente. Algumas pessoas ficam irritadas, ansiosas, egocêntricas, inflexíveis ou se irritam mais facilmente. Outras se tornam mais passivas, sem expressão, deprimidas, indecisas ou ausentes. As pessoas com demência podem ficar hostis ou agitadas se forem mencionadas as mudanças em sua personalidade ou função mental.

Os padrões do sono podem ser anômalos. A maioria das pessoas com demência dorme uma quantidade adequada de horas, mas passam menos tempo em sono profundo. Como resultado, podem tornar-se inquietas durante a noite. Também podem ter problemas para adormecer ou manter o sono. Se as pessoas não se exercitam o suficiente ou não participam de muitas atividades, podem dormir muito durante o dia. Então não dormem bem durante a noite.

Distúrbios comportamentais na demência

Devido ao fato de as pessoas serem menos capazes de controlar o seu comportamento, por vezes agem de forma inadequada ou disruptiva (por exemplo, gritando, se jogando, se debatendo ou errantes). Essas ações são chamadas de transtornos comportamentais.

Vários efeitos da demência contribuem para essa maneira de agir:

  • Devido ao fato de esqueceram as regras comportamentais adequadas, podem agir de forma socialmente inadequada. Quando estiver calor, podem se despir em público. Quando têm impulsos sexuais, podem se masturbar em público, usar linguagem vulgar ou obscena ou fazer exigências sexuais.

  • Conforme as pessoas com demência têm dificuldade em compreender o que ouvem e o que veem, podem interpretar uma oferta de ajuda como uma ameaça, podendo ser violenta. Por exemplo, quando alguém tenta ajudá-las a se despir, podem interpretar essa ajuda como um ataque e tentar se proteger, por vezes, batendo na pessoa.

  • Levando-se em conta que a sua memória a curto prazo é deficiente, não se lembram do que lhes foi dito, nem do que fizeram. Repetem as perguntas e as conversas, solicitam atenção constante ou pedem coisas (como comida) que já receberam. Podem ficar agitadas e chateadas quando não recebem o que pedem.

  • Por não conseguirem expressar as suas necessidades com clareza ou de maneira alguma, podem gritar de dor ou perambular, quando se sentem sozinhas ou assustadas.

Se um determinado comportamento é considerado perturbador depende de muitos fatores, incluindo quanto o prestador de cuidados é tolerante e qual o tipo de situação que a pessoa com demência está passando.

Quando as pessoas com demência não conseguem dormir, podem vagar, gritar ou bradar.

Sintomas tardios de demência

Com o tempo, as pessoas com demência perdem a habilidade de seguir uma conversa e algumas podem até ficar incapazes de falar. A memória para eventos recentes e passados ​​é perdida de forma completa. Podem não reconhecer os familiares próximos ou até mesmo seu próprio rosto num espelho.

Quando a demência é avançada, a capacidade de trabalho do cérebro fica destruída quase que de forma total. A demência avançada interfere no controle dos músculos. As pessoas não podem andar, se alimentar ou fazer qualquer outra tarefa diária. Tornam-se totalmente dependentes dos outros e acabam ficando incapazes de sair da cama. As pessoas podem parar de falar.

Também podem apresentar dificuldade em engolir alimentos sem engasgarem. Esses problemas aumentam o risco de desnutrição, pneumonia (muitas vezes devido a inalação de secreções ou partículas da boca) e lesão por pressão (pois não podem se mover).

A morte costuma ocorrer como resultado de uma infecção, como a pneumonia.

Diagnóstico

  • Avaliação de um médico

  • Teste do estado mental

  • Algumas vezes testes neuropsicológicos

  • Exames de sangue e exames por imagem para descartar causas

A falta de memória costuma ser o primeiro sinal notado por familiares ou médicos.

Histórico clínico

Através de uma série de perguntas feitas ao paciente e aos seus familiares, o médico e outros profissionais da área da saúde podem diagnosticar a demência, como:

  • Qual a idade da pessoa?

  • Algum familiar teve demência ou outro tipo de disfunção mental (histórico familiar)?

  • Quando e como os sintomas começaram?

  • Com qual rapidez os sintomas pioram?

  • Como foi a mudança da pessoa (por exemplo, a pessoa desistiu de seus hobbies e atividades)?

  • Quais outras doenças a pessoa apresenta?

  • Quais medicamentos a pessoa está tomando (pois certos medicamentos podem causar sintomas de demência)?

  • A pessoa ficou deprimida ou triste, especialmente se for mais velha?

Testes de função mental

Também é realizado um teste de estado mental da pessoa, constituído de perguntas e tarefas simples, como nomear objetos, lembrar de listas curtas, escrever frases e copiar formas.

Às vezes são necessários testes mais detalhados (chamados de teste neuropsicológico) para esclarecer o grau de comprometimento ou para determinar se a pessoa está passando por um declínio mental verdadeiro. Esses exames cobrem todas as funções mentais principais, incluindo o estado de ânimo, e a sua realização dura de 1 a 3 horas. Esse teste ajuda os médicos a distinguir a demência do desgaste da memória associado à idade, do transtorno cognitivo leve e da depressão.

Os médicos podem diagnosticar a demência normalmente com as informações sobre os sintomas e o histórico familiar da pessoa e os resultados dos testes de estado mental.

Com base nessas informações, os médicos também podem geralmente descartar o delirium como a causa dos sintomas ( Comparação entre delirium e demência). Fazer isso é essencial, pois o delirium, diferente da demência, pode frequentemente ser revertido se for tratado rapidamente.

As constatações que indicam a demência incluem o seguinte:

  • As pessoas têm problemas com o pensamento e o comportamento que interfere na realização das tarefas diárias.

  • Esses problemas tornaram-se cada vez piores, fazendo com que as tarefas diárias sejam cada vez mais difíceis.

  • As pessoas não têm delirium ou uma doença psiquiátrica que poderia causar os problemas.

Além disso, as pessoas têm pelo menos dois sintomas dos apresentados a seguir:

  • Dificuldade de aprender e lembrar novas informações

  • Dificuldade em usar a linguagem

  • Dificuldade em compreender onde os objetos estão no espaço, reconhecer os objetos e rostos e compreender como partes de um todo se relacionam entre si

  • Dificuldade de planejar, resolver problemas, lidar com tarefas complexas e usar o bom senso (função executiva)

  • Mudanças na personalidade, comportamento ou conduta

Exame físico

Geralmente é feito um exame físico, incluindo um exame neurológico, para determinar se existem outros problemas. Os médicos procuram doenças tratáveis ​​que podem estar causando, contribuindo ou que são confundidos com demência.

Os médicos podem determinar a presença ou não de outra doença física ou psiquiátrica (como a esquizofrenia), visto que o seu tratamento pode melhorar a situação geral das pessoas com demência.

Outros testes

Realizam-se exames de sangue. Eles geralmente incluem a medição dos níveis sanguíneos de hormônios da tireoide para verificar se essa apresenta alterações e se há deficiência nos níveis de vitamina B12.

É feita a tomografia computadorizada (TC) ou a imagem por ressonância magnética (RM) para identificar as anormalidades que podem causar demência (como um tumor cerebral, hidrocefalia de pressão normal, um hematoma subdural e um acidente vascular cerebral). É feito, por vezes, um tipo especial de exame (chamado tomografia por emissão de pósitrons, ou PET [positron emission tomography]) ou TC (chamada TC de emissão de fóton único) para ajudar os médicos a identificar os diferentes tipos de demência, como a doença de Alzheimer, demência frontotemporal e demência por corpos de Lewy.

No entanto, por vezes a causa da demência pode ser definitivamente confirmada apenas quando uma amostra de tecido cerebral é retirada e examinada sob um microscópio. Por vezes, esse procedimento é feito após a morte, durante uma autópsia.

Tratamento

  • Controle das condições que podem fazer a demência piorar

  • Medidas de segurança e apoio

  • Medicamentos que podem melhorar a função mental

  • Prestador de cuidados

  • Decisões sobre o fim da vida

Nenhum tratamento pode restabelecer a função mental para a maioria das demências. No entanto, tratar os problemas que as agravam pode retardar a deterioração da função mental. Nas pessoas com demência e depressão, os antidepressivos (como a sertralina e a paroxetina – Medicamentos usados para tratar a depressão) e o aconselhamento profissional podem ajudar, ainda que transitoriamente. Para alcoólatras que têm demência, a abstinência do álcool pode resultar em melhoria a longo prazo. Quando possível, é feita a suspensão do uso de medicamentos que podem fazer com que a demência piore, como os sedativos e os medicamentos que afetam a função cerebral.

São tratadas a dor e outras doenças ou problemas de saúde (por exemplo uma infecção do trato urinário ou uma constipação), estando ou não relacionados com a demência. Esse tratamento pode ajudar a manter a função em pessoas com demência.

A criação de um ambiente seguro e de apoio pode ser extraordinariamente útil, e certos medicamentos podem ajudar por um tempo. A pessoa com demência, os familiares, outros cuidadores e os profissionais da área da saúde envolvidos devem discutir e decidir sobre a melhor estratégia a ser seguida.

Medidas de segurança

A segurança é uma preocupação. Uma enfermeira ou um terapeuta ocupacional ou fisioterapeuta pode avaliar os níveis de segurança da residência e recomendar mudanças úteis. Por exemplo, quando a luz é fraca, as pessoas com demência ficam mais propensas a interpretar de forma errada o que veem, por isso a iluminação deve ser relativamente clara. Uma forma de auxílio é deixar uma luz noturna ligada ou instalar luzes com sensores de movimento. Essas mudanças podem ajudar a prevenir acidentes (especialmente quedas) e ajudar as pessoas a exercerem melhor suas funções.

Medidas de apoio

As pessoas que têm demência leve até intermediária geralmente exercem melhor suas funções em ambientes familiares, e normalmente podem permanecer em casa.

Geralmente, o ambiente deve ser claro, alegre, seguro e estável e incluir algum estímulo, como um rádio ou televisão. O ambiente deve ser concebido para auxiliar com a orientação. Por exemplo, as janelas permitem que as pessoas geralmente saibam qual a hora do dia.

A estrutura e a rotina ajudam as pessoas com demência a ficarem orientadas e obter uma sensação de segurança e estabilidade. Qualquer alteração no ambiente, rotinas ou cuidadores deve ser explicada para as pessoas de forma clara e simples. Antes de cada procedimento ou interação, deve-se explicar o que vai acontecer, como um banho ou uma refeição. Reservar um tempo para explicar o que vai acontecer pode ajudar a evitar uma briga.

Seguir uma rotina diária de tarefas como tomar banho, comer e dormir ajuda as pessoas com demência lembrarem das coisas. Seguir uma rotina regular na hora de dormir pode ajudá-las a dormir melhor.

Outras atividades programadas regularmente podem ajudar as pessoas a se sentirem independentes e necessárias, concentrando sua atenção em tarefas prazerosas ou úteis. Essas atividades também podem ajudar a aliviar a depressão. Uma boa escolha é a realização de atividades relacionadas a interesses que as pessoas tinham antes da demência. As atividades também devem ser agradáveis e proporcionar algum estímulo, mas devem ter muitas opções ou desafios. A atividade física alivia o estresse e a frustração e, portanto, pode ajudar a prevenir problemas do sono e comportamento disruptivo, como agitação e ato errante. Também ajuda a melhorar o equilíbrio (e, portanto, pode ajudar a evitar quedas) e ajuda a manter o coração e os pulmões saudáveis. A atividade mental continuada, incluindo os hobbies, interesses em eventos atuais, e a leitura, ajuda a manter as pessoas alertas e interessadas na vida. As atividades devem ser divididas em pequenas partes ou simplificadas conforme ocorre a piora da demência.

Deve ser evitada a estimulação excessiva, mas as pessoas não devem ser isoladas do contexto social.

As visitas frequentes de funcionários e familiares incentivam as pessoas a permanecerem sociáveis.

Algumas melhoras podem ocorrer se

  • Rotinas diárias forem simplificadas.

  • Expectativas das pessoas com demência forem realistas.

  • Elas estiverem aptas a manter algum senso de dignidade e autoestima.

Pode ser necessária uma ajuda extra. Os familiares podem obter uma lista de serviços disponíveis de Profissionais da área da saúde, serviços sociais ou humanos (apresentados na lista telefônica) ou pela internet (por meio do Localizador Eldercare). Os serviços podem incluir tarefas domésticas, assistência temporária, refeições entregues na residência e programas ambulatoriais e atividades para as pessoas com demência. Cuidados contínuos 24 horas por dia podem ser providenciados, mas são caros. A Alzheimer’s Association oferece um programa denominado “Safe Return” (retorno seguro). Esse programa alerta uma rede de apoio comunitário que, por sua vez, pode ajudar a promover o retorno da pessoa ao seu cuidador ou parente.

O planejamento futuro é essencial devido ao fato de a demência geralmente ser progressiva. Muito antes de uma pessoa com demência ser transferida para um ambiente mais favorável e estruturado, os familiares devem planejar essa transferência e avaliar as opções para cuidados em longo prazo. Esse planejamento envolve geralmente os esforços de um médico, um assistente social, enfermeiros e um advogado, mas a maior parte da responsabilidade recai sobre os familiares. As decisões sobre a transferência de uma pessoa com demência para um ambiente mais favorável envolvem equilibrar pelo maior tempo possível o desejo de manter a pessoa segura, com o desejo de manter a sensação de independência dessa pessoa. Essas decisões dependem de muitos fatores, como:

  • Gravidade da demência

  • O quão perturbador é o comportamento da pessoa

  • O ambiente doméstico

  • A disponibilidade dos familiares e dos cuidadores

  • Os recursos financeiros

  • A presença de outras doenças e problemas físicos não relacionados

Algumas instalações de cuidados em longo prazo, incluindo instalações de vida assistida e casas de repouso, se especializam em cuidar de pessoas com demência. Os funcionários são treinados para entender conforme as pessoas com demência pensam e agem e como responder a elas. Essas instalações têm rotinas que fazem com que os moradores se sintam seguros e realizam atividades apropriadas que proporciona a eles uma sensação de produtividade e envolvimento com a vida. A maioria das instalações têm características adequadas de segurança. Por exemplo, são colocados sinais para ajudar os moradores a encontrar o seu caminho, e algumas portas têm fechaduras ou alarmes para evitar que os moradores vagueiem. Se uma instalação não tiver essas e outras características de segurança, geralmente a transferência de uma pessoa que desenvolve um problema de comportamento para uma instalação que tem essas características é uma solução melhor do que a utilização de medicamentos para controlar o comportamento.

Criação de um ambiente benéfico para as pessoas com demência

As pessoas com demência podem se beneficiar de um ambiente que seja:

  • Seguro: Normalmente são necessárias medidas adicionais de segurança. Podem ser colocados, por exemplo, grandes sinalizações como lembretes de segurança (como “lembre-se de desligar o fogão”) ou podem ser instalados temporizadores nos fornos ou nos equipamentos elétricos. Esconder as chaves do carro pode ajudar a prevenir acidentes e colocar detectores nas portas pode ajudar a prevenir o ato errante. Se o ato errante for um problema, é útil colocar uma pulseira ou um colar de identificação.

  • Familiar: As pessoas com demência geralmente se desenvolvem melhor num ambiente familiar. A mudança para uma nova casa ou cidade, a reorganização dos móveis ou até mesmo uma repintura podem ser perturbadores.

  • Estável: Estabelecer uma rotina regular para tomar banho, comer, dormir e outras atividades pode proporcionar uma sensação de estabilidade às pessoas com demência. O contato regular com as mesmas pessoas também pode ajudar.

  • Planejado para ajudar com orientação: Um calendário e um relógio com números grandes, um rádio, salas bem iluminadas e uma luz noturna podem ajudar na orientação. Além disso, os membros da família ou os cuidadores devem fazer comentários frequentes que lembrem as pessoas com demência de onde elas estão e o que acontece.

Algumas pessoas com demência pioram quando são transferidas de sua casa para uma instalação de cuidados de longo prazo. No entanto, após um curto período de tempo, a maioria das pessoas se adapta e se desenvolvem melhor no ambiente mais favorável.

Medicamentos que podem melhorar a função mental

Donepezila, galantamina, rivastigmina e memantina são utilizadas para tratar a doença de Alzheimer e a demência por corpos de Lewy. A rivastigmina também pode ser utilizada para tratar a demência relacionada com a doença de Parkinson.

A donepezila, a galantamina e a rivastigmina são inibidores da colinesterase. Eles inibem a acetilcolinesterase, uma enzima que degrada a acetilcolina. Desta forma, esses medicamentos ajudam a aumentar o nível de acetilcolina, que auxilia a comunicação das células nervosas. Esses medicamentos podem melhorar temporariamente a função mental quando utilizados em pessoas com demência, mas não retardam a progressão da demência. São mais úteis na demência precoce, mas a sua eficácia varia consideravelmente de uma pessoa para outra. Cerca de um terço das pessoas não se beneficiam. Cerca de um terço melhora um pouco por alguns meses. O restante melhora consideravelmente por um longo período de tempo, mas a demência acaba por progredir.

Deve-se tentar utilizar um outro tipo de inibidor de colinesterase caso este não apresente um resultado eficaz ou manifeste efeitos colaterais. Se nenhum deles for eficaz ou todos tiverem efeitos colaterais, deve-se interromper o uso deste tipo de medicamento. Os efeitos colaterais mais comuns incluem náuseas, vômitos, perda de peso e dor abdominal ou cãibras. A tacrina, o primeiro inibidor de colinesterase desenvolvido para o tratamento de demência, raramente é utilizado atualmente, pois pode causar danos ao fígado.

A memantina, uma antagonista de NMDA (N-metil-d-aspartato), pode melhorar a função mental em pessoas com demência moderada a grave. A memantina funciona de forma diferente a partir de inibidores da colinesterase e pode ser utilizada com ela. A combinação pode ser mais eficaz do que qualquer um dos medicamentos agindo sozinho.

Medicamentos que ajudam a controlar o comportamento disruptivo

Por vezes, são utilizados medicamentos quando há a ocorrência de comportamento disruptivo. No entanto, o comportamento disruptivo é mais bem controlado com estratégias que não incluem medicamentos e são adaptados para a pessoa específica. Os medicamentos são utilizados somente quando outras estratégias, como mudanças no ambiente, são ineficazes e quando a utilização de medicamentos é essencial para manter a pessoa com demência e/ou outras pessoas seguras.

Esses medicamentos incluem os seguintes:

  • Fármacos antipsicóticos: Esses medicamentos são frequentemente utilizados para controlar a agitação e as explosões que podem acompanhar a demência avançada. No entanto, esses medicamentos tendem a ser eficazes apenas em pessoas que têm alucinações, delírios ou paranoia junto com a demência, ou seja, em pessoas que têm uma psicose. Esses medicamentos também podem ter efeitos colaterais sérios, como sonolência, tremor e agravamento da confusão. Os antipsicóticos mais recentes (como o aripiprazol, a olanzapina, a risperidona e a quetiapina) têm menos efeitos colaterais. No entanto, esses medicamentos, se forem utilizados por um longo período de tempo, podem aumentar os níveis de açúcar no sangue (uma doença chamada hiperglicemia) e, em pessoas idosas, com psicose e demência, aumenta o risco de morte e acidente vascular cerebral. Os medicamentos antipsicóticos devem ser utilizados ​​apenas quando existir psicose.

  • Anticonvulsivantes: Esses medicamentos, exceto quando são utilizados para controlar as crises, podem ser utilizados para controlar surtos violentos. Eles incluem carbamazepina, gabapentina e o valproato.

Outros medicamentos

Os sedativos (incluindo os benzodiazepínicos, como o lorazepam) são, por vezes, utilizados por um curto período de tempo, para aliviar a ansiedade relacionada a um evento particular, mas não é recomendado esse tipo de tratamento a longo prazo.

Antidepressivos, em geral inibidores seletivos da recaptação da serotonina, são utilizados ​​apenas quando as pessoas com demência também têm depressão.

Quando houver a utilização de medicamentos, os familiares devem conversar com o médico periodicamente sobre a eficácia ou não desses medicamentos no tratamento da pessoa.

Suplementos dietéticos

Muitos suplementos alimentares já foram testados, mas de forma geral não apresentaram um grande valor no tratamento da demência. Eles incluem lecitina, mesilatos de ergoloide e ciclandelato. Um extrato de Ginkgo biloba, um suplemento alimentar, é comercializado como intensificador de memória. No entanto, os estudos não mostram qualquer benefício quanto ao consumo de ginkgo, e, em altas doses, pode apresentar efeitos colaterais.

Os suplementos de vitamina B12 são eficazes apenas em pessoas que têm deficiência de vitamina B, e a reposição do hormônio tireoidiano é eficaz apenas para aqueles que têm a glândula tireoide hipoativa.

As pessoas devem procurar orientação médica antes de utilizar qualquer suplemento alimentar.

Cuidado dos cuidadores

Cuidar de pessoas com demência é estressante e exigente, e os cuidadores podem ficar deprimidos e exaustos, muitas vezes negligenciando a própria saúde física e mental.

As seguintes medidas podem ajudar os cuidadores:

  • Aprender como atender com eficácia as necessidades das pessoas com doença de Alzheimer e o que esperar delas: Os cuidadores podem obter esta informação de enfermeiros, assistentes sociais, organizações e materiais publicados e on-line.

  • Procurar ajuda quando for necessário: Os cuidadores podem falar com os assistentes sociais (incluindo aqueles do hospital da comunidade local) sobre fontes apropriadas de ajuda, como programas de auxílio, visitas de enfermeiros em casa, assistência de manutenção da casa em tempo integral ou parcial e a assistência residente. Aconselhamento e grupos de apoio também podem ajudar.

  • Cuidar de si mesmo: Os cuidadores precisam lembrar que devem cuidar de si mesmos. Não devem desistir de manter contato com seus amigos, de realizar seus hobbies e atividades.

Cuidar dos cuidadores

Cuidar de pessoas com demência é estressante e exigente, e os cuidadores podem ficar deprimidos e exaustos, muitas vezes negligenciando a própria saúde física e mental.

As seguintes medidas podem ajudar os cuidadores:

  • Aprender como atender com eficácia as necessidades das pessoas com demência e o que esperar delas: Por exemplo, os cuidadores precisam saber que fazer a repreensão ao cometer erros ou não se lembrar de algo só pode piorar os comportamentos. Esse conhecimento ajuda a evitar sofrimento desnecessário. Os cuidadores também podem aprender a responder a um comportamento disruptivo e, assim, acalmar a pessoa mais rapidamente e, por vezes, evitar tais comportamentos.

    Informações sobre o que fazer diariamente podem ser obtidas junto aos enfermeiros, assistentes sociais e organizações, assim como a partir de materiais publicados e on-line.

  • Procurar ajuda quando for necessário: Muitas vezes estão disponíveis reduções de encargos de cuidado contínuo 24 horas por dia de uma pessoa com demência, dependendo do comportamento e das capacidades específicas da pessoa e dos recursos familiares e comunitários. As agências sociais, incluindo o departamento de serviço social do hospital da comunidade local, podem ajudar a localizar fontes apropriadas de ajuda.

    As opções incluem programas de auxílio, visitas de enfermeiros em casa, assistência de manutenção da casa em tempo integral ou parcial e a assistência residente. Podem ficar disponíveis os serviços de transporte e alimentação. Os cuidados em tempo integral podem ser muito caros, mas muitos planos de seguros cobrem uma parte dos custos.

    Os cuidadores podem se beneficiar de aconselhamento e dos grupos de apoio.

  • Cuidar de si mesmo: Os cuidadores precisam lembrar que devem cuidar de si mesmos. Por exemplo, a prática de atividade física pode melhorar o humor, assim como a saúde. Amigos, hobbies e atividades não devem ser abandonados.

Assuntos relacionados ao final da vida

Antes que as pessoas com demência fiquem muito incapacitadas, devem ser tomadas decisões sobre os cuidados médicos e devem ser feitos acordos financeiros e legais. Estes acordos são chamados de instruções prévias. As pessoas devem nomear alguém que esteja legalmente autorizado a tomar decisões de tratamento em seu nome (procurador de cuidados de saúde) e discutir os desejos de cuidados de saúde com essa pessoa e seu médico ( Questões legais e éticas no fim da vida). Por exemplo, as pessoas com demência devem decidir se querem a alimentação artificial ou antibióticos para tratar infecções (como pneumonia), quando a demência estiver muito avançada. Essas questões são discutidas com todos os envolvidos muito antes da necessidade de tomada de decisão.

Conforme a demência piora, o tratamento tende a ser dirigido para manter o conforto da pessoa em vez de tentar prolongar a vida. Muitas vezes tratamentos agressivos, como a alimentação artificial, aumentam o desconforto.

Em contraste, tratamentos menos drásticos podem aliviar o desconforto. Esses tratamentos incluem

  • Controle adequado da dor

  • Cuidado com a pele (para evitar úlceras de pressão)

  • Cuidados atenciosos de enfermagem

O cuidado de enfermagem é mais útil quando realizado por um prestador de cuidados (ou poucos) que desenvolve uma relação consistente com a pessoa. Uma voz reconfortante e tranquilizadora e música calma também podem ajudar.

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