Insuficiência cardíaca (IC)

(Insuficiência cardíaca congestiva)

PorNowell M. Fine, MD, SM, Libin Cardiovascular Institute, Cumming School of Medicine, University of Calgary
Revisado porJonathan G. Howlett, MD, Cumming School of Medicine, University of Calgary
Revisado/Corrigido: modificado out. 2025
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Fatos rápidos

Insuficiência cardíaca é um distúrbio em que o coração não consegue suprir as necessidades do corpo, causando redução do fluxo sanguíneo, refluxo (congestão) de sangue nas veias e nos pulmões e/ou outras alterações que podem debilitar ou enrijecer ainda mais o coração.

  • A insuficiência cardíaca se desenvolve quando a ação de contração ou a ação de relaxamento do coração é inadequada, normalmente devido à fraqueza ou rigidez do músculo cardíaco (ou ambos).

  • Muitos problemas que afetam o coração podem causar insuficiência cardíaca.

  • A maioria das pessoas não apresenta sintomas inicialmente e a falta de ar e a fadiga se agravam gradualmente ao longo de dias e meses.

  • Pode haver acúmulo de líquido nos pulmões, no abdômen ou nas pernas.

  • Normalmente, os médicos suspeitam de insuficiência cardíaca com base nos sintomas, porém, normalmente são feitos exames, como ecocardiograma (ultrassom do coração), para avaliar a função cardíaca.

  • O tratamento tem como objetivo tratar o distúrbio que causa a insuficiência cardíaca, implementar alterações no estilo de vida e tratar a insuficiência cardíaca com medicamentos, cirurgia ou outras intervenções.

Causas de insuficiência cardíaca

As causas da insuficiência cardíaca incluem:

  • Distúrbios que afetam diretamente o coração (causas cardíacas)

  • Distúrbios de outros sistemas do corpo que afetam o coração de forma indireta (causas não cardíacas)

Qualquer distúrbio que afete diretamente o coração pode levar à insuficiência cardíaca, como podem alguns distúrbios que afetam indiretamente o coração. Alguns distúrbios podem causar insuficiência cardíaca subitamente. Outros distúrbios podem levar anos para causar insuficiência cardíaca. Alguns distúrbios causam insuficiência cardíaca sistólica, outros causam insuficiência cardíaca diastólica e alguns distúrbios, como hipertensão arterial e algumas valvulopatias, podem causar ambos os tipos de disfunção.

Causas cardíacas de insuficiência cardíaca

Os distúrbios cardíacos que dão origem à insuficiência cardíaca podem afetar todo o coração ou apenas uma área. Em muitos casos, uma combinação de fatores resulta em insuficiência cardíaca.

Uma causa cardíaca comum da insuficiência cardíaca é:

A doença arterial coronariana pode afetar zonas extensas do músculo cardíaco, pois ela reduz o fluxo sanguíneo rico em oxigênio para o miocárdio, o qual necessita de oxigênio para poder se contrair normalmente. A obstrução de uma artéria coronária pode causar um infarto do miocárdio que destrói uma área do músculo cardíaco. Consequentemente, essa área perde a capacidade de se contrair normalmente.

Outras causas cardíacas da insuficiência cardíaca incluem:

  • Miocardite (inflamação do músculo cardíaco)

  • Alguns medicamentos (por exemplo, alguns medicamentos quimioterápicos)

  • Algumas toxinas (por exemplo, álcool)

  • Valvulopatias

  • Uma conexão anormal entre as cavidades cardíacas (por exemplo, defeito do septo ventricular)

  • Doenças que afetam o sistema de condução elétrica do coração e causam arritmia cardíaca

  • Alguns distúrbios genéticos

  • Distúrbios que enrijecem o coração

A miocardite (inflamação do músculo cardíaco) causada por uma infecção bacteriana, viral ou de outro tipo pode lesionar o músculo cardíaco total ou parcialmente, diminuindo sua capacidade de bombear sangue.

Alguns medicamentos usados para tratar câncer e algumas toxinas (como o álcool) também podem danificar o músculo cardíaco.

As valvulopatias – estreitamento (estenose) de uma válvula, que impede o fluxo de sangue através do coração ou causar o refluxo do sangue através de uma válvula (regurgitação ou insuficiência) – podem causar insuficiência cardíaca. Tanto a estenose quanto a regurgitação de uma válvula podem submeter o coração a um grande esforço, de modo que, ao longo do tempo, o coração cresce e deixa de bombear corretamente.

A existência de uma conexão anormal (por exemplo, defeito septal ventricular) entre as cavidades cardíacas pode permitir a recirculação de sangue dentro do coração, o que aumenta sua carga de trabalho e, portanto, pode causar insuficiência cardíaca.

Distúrbios que afetam o sistema de condução elétrica do coração (veja a figura ) e causam alterações prolongadas nos ritmos cardíacos (particularmente se estes forem rápidos ou irregulares) podem causar insuficiência cardíaca. Quando o coração bate de forma anormal, ele perde sua capacidade de bombear o sangue corretamente.

Alguns distúrbios genéticos podem afetar o coração e causar insuficiência cardíaca. Por exemplo, a distrofia muscular de Duchenne causa fraqueza do músculo cardíaco (assim como de muitos outros músculos). A síndrome de Down pode causar defeitos congênitos do coração.

A insuficiência cardíaca pode resultar de determinadas doenças que causam o enrijecimento das paredes cardíacas, como infiltrações e infecções. Por exemplo, na amiloidose, a amiloide, uma proteína anormal, penetra (se infiltra) em muitos tecidos do corpo. Se houver infiltração de amiloide nas paredes cardíacas, ocorre seu enrijecimento, o que causa insuficiência cardíaca. Em países tropicais, a infiltração de determinados parasitas no miocárdio (como na doença de Chagas) pode causar insuficiência cardíaca, mesmo em jovens.

No caso da pericardite constritiva, ocorre enrijecimento da membrana que envolve o coração (pericárdio), fazendo com que mesmo um coração saudável bombeie e receba sangue de maneira insuficiente.

Você sabia que...

  • A insuficiência cardíaca não significa que o coração parou. Significa que o coração não consegue suportar a carga de trabalho a que é submetido.

Causas não cardíacas de insuficiência cardíaca

A causa não cardíaca mais comum de insuficiência cardíaca é:

A hipertensão arterial submete o coração a maiores esforços, pois é exigida maior força do coração para bombear o sangue para as artérias contra uma pressão arterial maior. Com o tempo, as paredes cardíacas tornam-se mais espessas (hipertrofia) e/ou mais rígidas. O coração rígido é incapaz de se encher de sangue com o volume e rapidez adequados, então, a cada contração, o coração bombeia um volume menor de sangue do que o normal. O diabetes e a obesidade também causam alterações responsáveis pelo enrijecimento das paredes ventriculares.

Com o envelhecimento, as paredes cardíacas tendem ao enrijecimento. A combinação de hipertensão arterial, obesidade e diabetes, que ocorre frequentemente em idosos, e o enrijecimento do coração relacionado ao envelhecimento tornam a insuficiência cardíaca particularmente frequente em idosos.

As causas não cardíacas menos comuns de insuficiência cardíaca incluem:

  • Hipertensão arterial nas artérias dos pulmões (hipertensão pulmonar, às vezes causada por embolia pulmonar)

  • Anemia

  • Distúrbios da tireoide

  • Insuficiência renal

  • Alguns medicamentos

Alguns distúrbios pulmonares, como hipertensão pulmonar, podem alterar ou causar lesões nos vasos sanguíneos dos pulmões (artérias pulmonares). Consequentemente, o lado direito do coração, que bombeia sangue para dentro dos pulmões, precisa trabalhar mais. A pessoa pode então apresentar cor pulmonale, um quadro clínico no qual ocorre a dilatação do ventrículo direito (cavidade cardíaca inferior) e existe insuficiência cardíaca direita.

A obstrução súbita e grave de uma artéria pulmonar por um ou mais coágulos sanguíneos (embolia pulmonar) também dificulta o bombeamento do sangue para as artérias pulmonares e pode causar insuficiência cardíaca direita.

Anemia é uma deficiência grave de glóbulos vermelhos (número baixo de células sanguíneas). Os glóbulos vermelhos transportam oxigênio dos pulmões para os tecidos do corpo. A anemia diminui a quantidade de oxigênio que o sangue transporta, de modo que o coração precisa trabalhar mais para garantir a mesma quantidade de oxigênio aos tecidos. A anemia tem muitas causas, incluindo a insuficiência cardíaca em si.

A hiperatividade da glândula tireoide (hipertireoidismo) estimula o coração excessivamente, aumentando a velocidade dos batimentos cardíacos e impedindo que o coração se esvazie normalmente durante cada batimento. Quando a glândula tireoide está hipoativa (hipotireodismo), todos os músculos, incluindo o coração, tornam-se debilitados, pois os hormônios tireoidianos são essenciais para seu funcionamento normal.

A insuficiência renal faz com que o coração precise se esforçar mais, uma vez que os rins não conseguem eliminar o excesso de líquido da corrente sanguínea, o que aumenta o volume de sangue que precisa ser bombeado pelo coração. O coração pode ser incapaz de suportar o esforço extra, desenvolvendo insuficiência cardíaca.

Alguns medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroides, podem causar retenção de líquido, o que aumenta a carga de trabalho do coração e pode levar à insuficiência cardíaca.

Destaque no envelhecimento: Causas de insuficiência cardíaca em idosos

O envelhecimento por si só não causa insuficiência cardíaca. Porém, idosos são mais propensos a ter doenças que são as causas mais comuns da insuficiência cardíaca, ou seja, hipertensão arterial crônica e ataques cardíacos (devido a doença arterial coronariana).

A insuficiência cardíaca pode ser causada por distúrbios de duas maneiras: Eles podem causar problemas na capacidade do coração de:

  • Se encher de sangue

  • Bombear o sangue para fora

Nos idosos, problemas de enchimento (disfunção diastólica) e de bombeamento (disfunção sistólica) do coração ocorrem com a mesma frequência.

Problemas de enchimento

Problemas de enchimento geralmente ocorrem devido ao enrijecimento das paredes ventriculares. Assim, os ventrículos não conseguem encher adequadamente com sangue e um volume muito menor de sangue passa a ser bombeado. Com o envelhecimento, o músculo cardíaco tende a enrijecer, aumentando a chance de insuficiência cardíaca causada por problemas de enchimento cardíaco. A hipertensão arterial pode causar problemas de enchimento cardíaco devido ao espessamento e enrijecimento do músculo cardíaco.

No entanto, problemas de enchimento cardíaco não são sempre causados pelo enrijecimento cardíaco. Por exemplo, na fibrilação atrial (uma arritmia cardíaca muito comum com o envelhecimento), os átrios batem de forma rápida e irregular. Como resultado, os átrios não bombeiam sangue em quantidade suficiente para os ventrículos. A ocorrência de fibrilação atrial repentina em idosos pode causar insuficiência cardíaca.

Problemas de bombeamento

Problemas de bombeamento cardíaco geralmente ocorrem quando há lesões do músculo cardíaco. Danos cardíacos fazem com que o coração passe a bombear um volume menor de sangue, aumentando a pressão no interior do coração e causando o aumento das cavidades cardíacas.

A causa mais comum de lesão cardíaca em idosos é a ocorrência de um ataque cardíaco (causado pelo bloqueio de uma artéria que irriga o coração).

As valvulopatias também podem gerar problemas de bombeamento.

Na estenose aórtica (um tipo de valvulopatia), ocorre estreitamento da abertura entre o ventrículo esquerdo e a aorta (válvula aórtica). Como resultado, o bombeamento de sangue para fora do coração torna-se mais difícil. A estenose aórtica é uma causa comum de insuficiência cardíaca em idosos.

Se um distúrbio pulmonar, como uma DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) ou a formação de tecido cicatricial (fibrose pulmonar), estiver presente por muito tempo, ocorre aumento da pressão arterial nos pulmões. Dessa forma, o bombeamento de sangue para os pulmões realizado pelo ventrículo direito torna-se mais difícil.

Sintomas de insuficiência cardíaca

Os sintomas da insuficiência cardíaca podem surgir subitamente (insuficiência cardíaca aguda), sobretudo quando causados por um ataque cardíaco. Entretanto, a maioria das pessoas não apresenta qualquer sintoma quando o coração começa a desenvolver problemas. Os sintomas surgem gradativamente com o passar dos dias, meses ou anos (insuficiência cardíaca crônica). A insuficiência cardíaca pode estabilizar durante determinados períodos, mas geralmente progride de forma lenta e insidiosa. No entanto, as pessoas podem ficar cientes dos sintomas de repente, como quando os sintomas restringem uma atividade pela primeira vez ou quando os sintomas ocorrem durante o repouso.

Alguns sintomas comuns são:

  • Falta de ar

  • Fadiga

  • Acúmulo de líquidos (edema) nas pernas

  • Incapacidade de realizar exercícios ou outras atividades que exijam esforço

Em idosos, a insuficiência cardíaca também pode causar sintomas indefinidos, como sonolência, confusão e desorientação.

A gravidade da insuficiência cardíaca é normalmente classificada com base em quão bem a pessoa é capaz de realizar atividades cotidianas. A classificação da New York Heart Association (NYHA) é uma ferramenta importante para ajudar as pessoas e seus cuidadores a entenderem a gravidade da doença e de que maneira ela afeta sua vida (consulte a tabela ).

Os sintomas da insuficiência cardíaca direita são diferentes dos da insuficiência cardíaca esquerda. Embora ambos os tipos de insuficiência cardíaca possam estar presentes, os sintomas da insuficiência de um dos lados frequentemente predominam. Com o tempo, a insuficiência cardíaca esquerda dá origem à insuficiência cardíaca direita.

Sintomas de insuficiência cardíaca direita

O principal sintoma de insuficiência cardíaca direita é o acúmulo de líquidos que causa inchaço (edema) nos pés, tornozelos, pernas, região lombar, fígado e abdômen. Os locais onde o líquido se acumula dependem da quantidade de líquido excedente e dos efeitos da gravidade. Quando a pessoa está em pé, o líquido se acumula nas pernas e nos pés. Quando a pessoa está deitada, o líquido acumula-se, geralmente, na região lombar. Se a quantidade de líquido excedente for grande, ele também se acumula no abdômen. O acúmulo de líquido no fígado ou no estômago pode provocar náuseas e perda de apetite. A insuficiência cardíaca direita grave pode resultar em perda de peso e de massa muscular. Esse quadro clínico é denominado caquexia cardíaca.

Sintomas de insuficiência cardíaca esquerda

A insuficiência cardíaca esquerda provoca acúmulo de líquido nos pulmões e, consequentemente, falta de ar. Inicialmente, a falta de ar só ocorre durante o esforço, mas, à medida que a insuficiência cardíaca avança, a falta de ar passa a ocorrer com menor esforço e, por fim, até mesmo em repouso. Pessoas com insuficiência cardíaca esquerda grave podem sentir falta de ar quando deitadas (um quadro clínico chamado ortopneia), uma vez que a gravidade faz com que mais líquido entre nos pulmões. Essas pessoas muitas vezes acordam ofegantes ou com chiado ao respirar (um quadro clínico chamado dispneia paroxística noturna). Quando se sentam, parte do líquido é drenada para a parte inferior dos pulmões, o que facilita a respiração. Pessoas com insuficiência cardíaca esquerda sentem-se cansadas e debilitadas durante atividades físicas porque seus músculos não estão recebendo sangue suficiente.

Sintomas de insuficiência cardíaca grave

Caso a pessoa tenha insuficiência cardíaca grave, é possível que ela desenvolva um tipo de respiração periódica denominada respiração de Cheyne-Stokes. Nesse padrão incomum de respiração, a pessoa tem um período em que para de respirar por alguns segundos, em seguida passa a respirar cada vez mais rápida e profundamente, depois de forma mais lenta e superficial, até parar novamente de respirar brevemente e repetir o ciclo continuamente. A respiração de Cheyne-Stokes se desenvolve porque o fluxo sanguíneo para o cérebro é reduzido e as áreas do cérebro que controlam a respiração, portanto, não recebem oxigênio suficiente. A respiração de Cheyne-Stokes é considerada uma forma de apneia do sono central.

A apneia obstrutiva do sono (em que o bloqueio das vias aéreas interrompe o sono, resultando em sonolência diurna) é um distúrbio respiratório diferente e mais comum, que pode ocorrer em pessoas com ou sem insuficiência cardíaca. A apneia obstrutiva do sono em forma grave pode piorar a insuficiência cardíaca. Um quadro clínico relacionado, denominado apneia central do sono, também ocorre com mais frequência em pessoas com insuficiência cardíaca e pode piorar a insuficiência cardíaca.

Edema pulmonar agudo é um acúmulo repentino de grande quantidade de líquido nos pulmões. Ele causa dificuldade respiratória extrema, respiração acelerada, pele azulada e sensações de inquietação, ansiedade e asfixia. Algumas pessoas têm espasmos graves das vias aéreas (broncoespasmo) e apresentam chiado ao respirar. O edema pulmonar agudo é uma emergência de risco à vida que pode ocorrer quando pessoas com insuficiência cardíaca desenvolvem pressão arterial muito alta, têm um ataque cardíaco, ou, às vezes, simplesmente param de tomar seus medicamentos para insuficiência cardíaca ou ingerem alimentos salgados.

Coágulos sanguíneos podem se formar nas cavidades cardíacas quando houver danos cardíacos graves. Os coágulos sanguíneos podem se formar porque o fluxo sanguíneo no interior das cavidades cardíacas fica mais lento. Os coágulos podem se desprender (convertendo-se em êmbolos) e viajar pelo fluxo sanguíneo, obstruindo parcial ou totalmente uma artéria em qualquer parte do corpo. Quando um coágulo obstrui uma artéria do cérebro, pode ocorrer um acidente vascular cerebral.

Depressão e redução da função mental são comuns em pessoas com insuficiência cardíaca grave, particularmente em idosos, e esse quadro clínico exige avaliação e tratamento cuidadosos.

Diagnóstico de insuficiência cardíaca

  • Radiografia do tórax

  • Eletrocardiograma (ECG)

  • Ecocardiograma, ressonância magnética (RM) cardíaca e outros exames de imagem

  • Exames de sangue

Os médicos normalmente suspeitam da ocorrência de insuficiência cardíaca com base apenas nos sintomas. O diagnóstico é confirmado pelos resultados de um exame físico, incluindo pulsação fraca (muitas vezes rápida), redução da pressão arterial, sons cardíacos anormais, sopros e acúmulo de líquido nos pulmões (ambos identificados através de um estetoscópio), crescimento cardíaco, veias do pescoço inchadas, aumento do fígado e inchaço no abdômen ou nas pernas.

Normalmente, procedimentos são realizados para avaliação da função cardíaca. Também são necessários exames para identificar a causa da insuficiência cardíaca.

Radiografia do tórax

O coração aumentado, a congestão dos vasos sanguíneos e acúmulo de líquido nos pulmões podem ser evidenciados por uma radiografia torácica.

Eletrocardiograma

Um eletrocardiograma (ECG) é quase sempre realizado para determinar se o ritmo cardíaco está normal e descobrir rapidamente se a pessoa sofreu um ataque cardíaco.

Ecocardiograma

Um ecocardiograma, que usa ondas sonoras para produzir uma imagem do coração, é um dos melhores procedimentos para a avaliação da função cardíaca, incluindo a capacidade de bombeamento do coração e o funcionamento das válvulas cardíacas. O ecocardiograma pode indicar:

  • Se houve enrijecimento das paredes cardíacas e se essas são capazes de relaxar normalmente

  • Se as válvulas funcionam normalmente

  • Se as contrações ocorrem normalmente

  • Se há contração anormal em alguma área do coração

O ecocardiograma pode ajudar a determinar se a insuficiência cardíaca é devida à disfunção sistólica ou diastólica, pois permite que os médicos estimem a espessura e a rigidez das paredes do coração e sua fração de ejeção. A fração de ejeção, uma importante medida da função cardíaca, indica a porcentagem de sangue bombeada pelo coração a cada batimento. Um ventrículo esquerdo normal ejeta cerca de 55 a 60% do sangue de seu interior. Se a fração de ejeção for baixa (menos de 40%), a insuficiência cardíaca sistólica é confirmada. Se a fração de ejeção for normal ou alta em uma pessoa com sintomas de insuficiência cardíaca, a insuficiência cardíaca diastólica é mais provável.

Uma RM cardíaca consegue mostrar alguns aspectos do coração com mais detalhes que um ecocardiograma, incluindo o grau de inflamação, a presença de cicatrizes e informações sobre o tamanho e a função do ventrículo direito.

Exames de sangue

Quase sempre são realizados exames de sangue. Os médicos frequentemente medem os níveis dos peptídeos natriuréticos. Os peptídeos natriuréticos são substâncias que se acumulam no sangue na presença de insuficiência cardíaca, mas com menos frequência quando outros distúrbios que causam falta de ar estão presentes. Outros exames de sangue podem ser feitos para procurar por distúrbios que possam estar causando insuficiência cardíaca ou quadros clínicos que possam estar piorando a insuficiência cardíaca ou que possam complicar seu tratamento.

Outros exames

Outros procedimentos, tais como exames de medicina nuclear, tomografia computadorizada (TC), cateterismo cardíaco com angiografia e prova de esforço (estresse) podem vir a ser realizados para identificar a presença ou a causa da insuficiência cardíaca.

Raramente, é necessária uma biópsia do músculo cardíaco, geralmente quando os médicos suspeitam de infiltração do coração (como ocorre na amiloidose) ou miocardite decorrente de infecção bacteriana, viral ou outra.

Tratamento de insuficiência cardíaca

  • Estabilização da insuficiência cardíaca aguda

  • Dieta e mudanças no estilo de vida

  • Tratamento da causa da insuficiência cardíaca

  • Medicamentos

  • Às vezes, um cardioversor desfibrilador implantável, terapia de ressincronização cardíaca ou suporte mecânico circulatório

  • Às vezes, transplante cardíaco

O tratamento da insuficiência cardíaca exige diversas medidas gerais, além do tratamento dos distúrbios que possam causá-la, alterações no estilo de vida e o uso de medicamentos para insuficiência cardíaca. A maior parte da discussão nesta seção se aplica à insuficiência cardíaca esquerda. Consulte Insuficiência cardíaca direita para obter mais informações sobre esse assunto.

Estabilização e tratamento da insuficiência cardíaca aguda

A insuficiência cardíaca que surge ou se agrava rapidamente requer tratamento hospitalar urgente. O tratamento da insuficiência cardíaca aguda, quer seja um novo diagnóstico ou piora da doença pré-existente, se concentra em:

  • Proporcionar suporte ventilatório e outros tipos de cuidados de suporte de vida

  • Identificar as causas tratáveis

  • Administrar medicamentos e outras terapias para aliviar a congestão e dar suporte à função cardíaca

  • Transicionar para o tratamento de longo prazo (crônico)

O médico administra oxigênio e suporte ventilatório, bem como outras medidas de suporte de vida, para pessoas com doença crítica. O suporte ventilatório pode variar de uma cânula de oxigênio simples a um tubo orotraqueal e ventilação mecânica. A reanimação cardiopulmonar e a desfibrilação talvez sejam necessárias se o coração tiver parado ou não estiver bombeando de forma eficaz.

Os médicos também tentarão identificar as causas da insuficiência cardíaca aguda, tais como um ataque cardíaco ou arritmia, que podem ser tratados rapidamente, ou para melhorar a insuficiência cardíaca ou evitar que ela piore. No caso de um ataque cardíaco, talvez isso signifique um cateterismo cardíaco com angioplastia e colocação de stent. No caso de arritmia, isso talvez signifique tratamento com medicamento ou com choque elétrico.

Na maioria dos casos, medicamentos diuréticos são administrados para aliviar a congestão (edema pulmonar). Em muitos casos, outros medicamentos serão administrados para dar suporte à função cardíaca e controlar rapidamente a pressão arterial alta ou baixa. No caso de pessoas com sintomas graves e que não responderam bem aos tratamentos, medicamentos semelhantes à adrenalina e à noradrenalina (como dopamina ou dobutamina) ou outros medicamentos que fazem com que o músculo cardíaco se contraia com mais força (como milrinona) são utilizados por um curto período de tempo para intensificar a função de bombeamento do coração em alguns casos. Esses medicamentos não são eficazes no tratamento em longo prazo. Às vezes, são necessários dispositivos mecânicos para ajudar o coração a funcionar adequadamente.

As primeiras etapas do tratamento podem ser administradas muito rapidamente ou até mesmo simultaneamente. Assim que o estado clínico da pessoa tiver se estabilizado, geralmente em um ambiente hospitalar, os médicos iniciarão seu tratamento crônico para insuficiência cardíaca, que está descrito no restante desta seção.

Edema pulmonar agudo

Edema pulmonar agudo é um acúmulo repentino de grande quantidade de líquido nos pulmões. Ele causa dificuldade respiratória extrema, respiração acelerada, tom azulado da pele (ou dos lábios, língua ou do leito ungueal) e sensação de inquietação, ansiedade e asfixia. Algumas pessoas têm espasmos graves das vias aéreas (broncoespasmo) e apresentam chiado ao respirar. O edema pulmonar agudo é uma emergência de risco à vida que pode ocorrer quando pessoas com insuficiência cardíaca desenvolvem pressão arterial muito alta, têm um ataque cardíaco, ou, às vezes, simplesmente param de tomar seus medicamentos para insuficiência cardíaca ou ingerem alimentos salgados.

Se um edema pulmonar agudo (acúmulo rápido de líquido nos pulmões) se desenvolver, é administrado oxigênio através de uma máscara facial. Diuréticos administrados por via intravenosa e outros medicamentos (como nitroglicerina) administrados por via intravenosa ou sublingual podem estabelecer uma melhora rápida e expressiva. A morfina alivia a ansiedade que geralmente acompanha o edema pulmonar agudo, mas também diminui a frequência respiratória e não é usada com frequência. Se essas medidas não melhorarem a respiração adequadamente, uma máscara especial para fornecer oxigênio em pressões controladas pode ser usada ou um tubo pode ser inserido na via aérea da pessoa para instalação de um ventilador mecânico para auxiliar a respiração.

Medidas gerais para insuficiência cardíaca crônica

Embora a insuficiência cardíaca seja uma doença crônica para a maioria das pessoas, muito pode ser feito para tornar a atividade física mais confortável, melhorar a qualidade de vida, minimizar o risco de piora repentina (insuficiência cardíaca aguda) e prolongar a vida. As pessoas afetadas e suas famílias devem conhecer o máximo possível sobre a doença, pois muitos cuidados devem ser realizados em casa. Especificamente, elas devem saber como reconhecer os primeiros sintomas de alerta de agravamento da insuficiência cardíaca e devem estar cientes das ações que precisam tomar (por exemplo, reduzir a ingestão de sal, tomar uma dose extra de um diurético ou contatar seu médico).

A comunicação regular com os profissionais de saúde e exames médicos são fundamentais, pois a insuficiência cardíaca pode piorar repentinamente. Por exemplo, os enfermeiros podem telefonar regularmente para pessoas que têm insuficiência cardíaca para perguntar sobre mudanças no peso e nos sintomas. Dessa forma, elas podem avaliar a necessidade de uma consulta médica.

As pessoas também podem ir a clínicas especializadas em insuficiência cardíaca. Essas clínicas possuem médicos especialistas em insuficiência cardíaca que trabalham em conjunto com enfermeiras e outros profissionais de saúde, como farmacêuticos, nutricionistas e assistentes sociais, capacitados para ensinar cuidados médicos pessoais aos pacientes e seus cuidadores. Essas clínicas também podem ajudar a reduzir os sintomas e a necessidade de hospitalizações, bem como melhorar a expectativa de vida das pessoas, garantindo que elas recebam os tratamentos mais eficazes e ensinando-as a participar integralmente de seus cuidados. Esses cuidados complementam os que seriam fornecidos por clínicos gerais, porém não os substituem.

Pessoas com insuficiência cardíaca devem sempre consultar o médico antes de usarem um novo medicamento, mesmo os de venda livre. Alguns medicamentos (incluindo muitos dos utilizados no tratamento de artrite) podem provocar retenção de sal e líquidos. Outros medicamentos podem fazer com que o coração funcione de forma menos eficiente. Esquecer-se de tomar os medicamentos necessários é um motivo comum para o agravamento dos sintomas e as pessoas devem ser informadas de estratégias para se lembrarem de tomar seus medicamentos.

Como a gripe pode causar um súbito agravamento da insuficiência cardíaca de uma pessoa, os médicos recomendam uma vacinação contra a gripe anualmente para pessoas com insuficiência cardíaca. A vacinação contra a COVID-19 também é recomendada.

Você sabia que...

  • A insuficiência cardíaca geralmente é um quadro clínico crônico, e alterações no estilo de vida podem ajudar a pessoa a se sentir melhor.

Tratamento da causa

Por exemplo, se a causa da insuficiência cardíaca for uma válvula cardíaca estreitada ou com vazamento, ou uma conexão anormal entre as cavidades cardíacas, frequentemente uma cirurgia consegue corrigir o problema. O bloqueio de uma artéria coronariana pode exigir tratamento medicamentoso, cirurgia ou angioplastia com colocação de um stent coronariano. Medicamentos anti-hipertensivos podem diminuir e controlar a hipertensão arterial. Antibióticos podem eliminar algumas infecções.

Alterações no estilo de vida

Alterações no estilo de vida podem ajudar pessoas com insuficiência cardíaca a se sentirem e desempenharem suas funções melhor.

Pessoas que têm insuficiência cardíaca devem manter sua forma física da melhor forma possível, mesmo que não consigam se exercitar vigorosamente. Pessoas com insuficiência cardíaca leve devem seguir um programa de atividade física recomendado por um médico. Pessoas com insuficiência cardíaca mais grave devem praticar exercícios em uma clínica de reabilitação cardiovascular sob a supervisão de um profissional habilitado.

Se a pessoa com insuficiência cardíaca tem sobrepeso, o coração precisa trabalhar muito durante a atividade, o que piora a insuficiência cardíaca. Essas pessoas devem seguir uma dieta de emagrecimento saudável para chegar ao seu peso ideal e mantê-lo.

Fumar danifica os vasos sanguíneos. Grandes quantidades de álcool podem atuar diretamente como toxinas para o coração. Assim, o tabagismo e o consumo de álcool podem piorar uma insuficiência cardíaca e a pessoa deve parar ou, pelo menos, minimizar seu uso.

O excesso de sal (sódio) na dieta pode provocar maior retenção de líquidos, o que neutraliza a ação de medicamentos administrados para aumentar a excreção de água (como diuréticos) e reduzir o acúmulo de líquido. Portanto, o consumo excessivo de sal agrava os sintomas. Praticamente todas as pessoas com insuficiência cardíaca devem reduzir o consumo de sal e de alimentos salgados, bem como o uso de sal para cozinhar. O teor de sódio em alimentos processados pode ser verificado nos rótulos desses produtos. Pessoas com insuficiência cardíaca grave normalmente recebem informações detalhadas sobre como limitar a ingestão de sal. Receber instruções de um nutricionista pode ser útil. Pessoas que limitam sua ingestão de sal normalmente podem consumir uma quantidade normal de água, a menos que a retenção de líquidos seja grave. Não é recomendável a ingestão de quantidades excessivas de água.

Uma maneira simples e confiável para verificar se o corpo está retendo líquidos é verificar o peso corporal diariamente. Os médicos costumam pedir que pessoas com insuficiência cardíaca se pesem com a maior precisão possível todos os dias, normalmente uma vez pela manhã, depois que elas se levantam e urinam e antes do café da manhã. As tendências são mais fáceis de serem detectadas quando as pessoas se pesam no mesmo horário todos os dias, usam a mesma balança, usam uma quantidade semelhante de roupas e mantêm um registro escrito de seu peso diariamente. Aumentos de peso superiores a 1 kg por dia são sinais de alerta de retenção de líquidos. Um aumento de peso rápido e constante (como de 1 kg por dia) é um indício de agravamento de insuficiência cardíaca.

Muitas pessoas podem apresentar inchaço nas pernas, mesmo após limitarem a ingestão de sal. As pernas inchadas devem ser mantidas elevadas quando a pessoa está sentada. Essa posição ajuda o corpo a reabsorver e eliminar o excesso de líquido. Para algumas pessoas, recomenda-se também a utilização de meias de compressão, que ajudam a evitar o acúmulo de líquido. Quando ocorre acúmulo de líquido nos pulmões, o uso de vários travesseiros ou a elevação da cabeceira da cama pode ajudar a pessoa a dormir.

Medicamentos para insuficiência cardíaca crônica

O tratamento medicamentoso da insuficiência cardíaca crônica envolve:

O tipo de medicamento usado depende do tipo de insuficiência cardíaca. No caso da insuficiência cardíaca sistólica (ICFEr), todas as quatro classes de medicamentos que demonstraram ajudar a melhorar a sobrevida costumam ser usadas. Algumas ou todas essas classes de medicamentos podem ser usadas na ICFElr, embora estudos tenham demonstrado que eles não são tão úteis assim. Na insuficiência cardíaca diastólica (ICFEp), os inibidores de SGLT2 são recomendados para todas as pessoas, os diuréticos para pessoas com congestão contínua e outras classes, tais como os INRAs e os antagonistas do receptor de mineralocorticoides, são recomendados para apenas algumas pessoas.

É importante que as pessoas tomem seus medicamentos regularmente e se lembrem de pedir uma nova receita antes que o estoque termine.

Betabloqueadores

Betabloqueadores (tais como carvedilol, metoprolol e bisoprolol) costumam ser usados em conjunto com inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) para tratar a insuficiência cardíaca e são outro componente fundamental do tratamento da insuficiência cardíaca. Esses medicamentos bloqueiam a ação do hormônio noradrenalina (que aumenta o estresse no coração) e geram uma melhora de longo prazo na função cardíaca e na sobrevida. Eles representam um tratamento essencial para pessoas com insuficiência cardíaca sistólica. Os betabloqueadores podem reduzir a força de contração do coração inicialmente, por isso, são geralmente aplicados após a insuficiência cardíaca já ter sido estabilizada com outros medicamentos.

Inibidores do receptor da angiotensina e da neprilisina e medicamentos relacionados

Os inibidores da neprilisina e do receptor da angiotensina (INRAs, tais como sacubitril/valsartana) constituem um medicamento combinado para o tratamento da insuficiência cardíaca. Eles incluem um bloqueador do receptor da angiotensina (BRA) e um inibidor da neprilisina. A angiotensina II é um hormônio que desencadeia a liberação da aldosterona e da vasopressina, ambas as quais fazem com que os rins retenham sal e água. Assim, os BRAs e os inibidores da ECA, que bloqueiam a produção da angiotensina II, ajudam a limitar a retenção de líquido e são um dos componentes fundamentais do tratamento da insuficiência cardíaca sistólica. Os BRAs e os inibidores da ECA também reduzem a carga de trabalho do coração ao alargar (dilatar) os vasos sanguíneos. Esses medicamentos reduzem os sintomas e a necessidade de hospitalização, além de aumentarem a sobrevida. A neprilisina é uma enzima envolvida na degradação de certas substâncias (peptídeos) que sinalizam ao corpo que excrete sódio. Ao inibir a degradação desses peptídeos, esses medicamentos reduzem a pressão arterial e aumentam a excreção de sódio, diminuindo a carga de trabalho do coração. Esses medicamentos combinados prolongam a vida mais satisfatoriamente do que os inibidores da ECA ou BRAs isoladamente em pessoas com insuficiência cardíaca sistólica.

Antagonistas do receptor de mineralocorticoides

A aldosterona é um tipo de hormônio denominado mineralocorticoide que faz com que os rins retenham sal e água. Os antagonistas do receptor de mineralocorticoides (tais como espironolactona e eplerenona), também chamados antagonistas da aldosterona (bloqueadores), bloqueiam diretamente os efeitos da aldosterona e ajudam a limitar a retenção de líquidos. Esses medicamentos melhoram a sobrevida e reduzem a hospitalização em pessoas com insuficiência cardíaca.

Inibidores do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (SGLT2)

Inibidores do cotransportador de sódio-glicose-2 (tais como empagliflozina, dapagliflozina e sotagliflozina) são usados no tratamento do diabetes. Além de reduzir o nível de açúcar (glicose) no sangue, eles também têm efeitos benéficos no músculo cardíaco e nos vasos sanguíneos. Foi demonstrado que um medicamento dessa classe, a dapagliflozina, diminui os sintomas de insuficiência cardíaca e melhora a qualidade de vida em pessoas com insuficiência cardíaca sistólica. Foi demonstrado que outro medicamento dessa classe, a empagliflozina, reduz as hospitalizações por insuficiência cardíaca diastólica.

Diuréticos

Diuréticos (“pílulas de água”) são prescritos frequentemente quando a restrição de sal por si só não reduz a retenção de líquidos. Estes medicamentos ajudam os rins a eliminarem maior quantidade de sal e água através do aumento da produção de urina e redução do volume de líquido no corpo.

Os diuréticos de alça, como furosemida, torsemida ou bumetanida, são os diuréticos mais comumente usados ​​para a insuficiência cardíaca. Esses diuréticos normalmente são tomados por via oral em longo prazo, mas, em caso de emergência, eles são muito eficazes quando administrados por via intravenosa. Os diuréticos de alça são mais indicados para insuficiências cardíacas de gravidade moderada a grave.

Diuréticos tiazídicos, tais como hidroclorotiazida, que têm efeitos mais leves e podem reduzir a pressão arterial, podem ser prescritos em especial para pessoas que também têm hipertensão arterial.

Os diuréticos tiazídicos e de alça podem causar perda de potássio pela urina, resultando em hipocalemia. Consequentemente, um diurético que cause aumento dos níveis potássio (um diurético poupador de potássio) ou um suplemento de potássio também podem ser administrados. Para todas as pessoas com insuficiência cardíaca, a espironolactona é o diurético poupador de potássio mais indicado e pode ser usado a menos que haja uma grave redução da função renal. Esse medicamento pode aumentar a sobrevida de pessoas com insuficiência cardíaca.

Tomar diuréticos pode agravar a incontinência urinária. No entanto, uma dose de diurético geralmente pode ser programada para que o risco de incontinência não ocorra quando não há um sanitário disponível ou quando o acesso a um é inconveniente.

Outros medicamentos usados para insuficiência cardíaca crônica

Às vezes, outros medicamentos podem ajudar.

A digoxina, um dos medicamentos mais antigos para o tratamento da insuficiência cardíaca, aumenta a força de cada batimento cardíaco e diminui a frequência cardíaca quando esta é muito rápida. A digoxina ajuda a aliviar os sintomas em algumas pessoas com insuficiência cardíaca sistólica, mas ao contrário de outros medicamentos para insuficiência cardíaca discutidos aqui, não prolonga a vida. Os médicos também tentaram usar outros medicamentos além da digoxina que aumentam a potência de bombeamento do coração, mas até agora, nenhum deles demonstrou ser útil e alguns até mesmo aumentam o risco de morte.

O nó sinusal é a parte do coração que desencadeia o batimento e define a frequência cardíaca. Inibidores do nó sinusal, tais como a ivabradina, retardam a frequência do nó sinusal. A desaceleração do coração reduz a carga de trabalho do coração e pode ajudar a reduzir o número de vezes em que certas pessoas com insuficiência cardíaca precisam ser hospitalizadas.

Os vasodilatadores (medicamentos que dilatam os vasos sanguíneos) facilitam o bombeamento de sangue pelo coração. Esses medicamentos incluem hidralazina, dinitrato de isossorbida e adesivos ou spray de nitroglicerina. Pessoas que não respondem ou não podem tomar INRAs, inibidores da ECA ou BRAs podem se beneficiar de vasodilatadores. Em algumas pessoas com sintomas avançados, esses medicamentos podem melhorar a qualidade e a duração da vida quando usados em conjunto com os INRAs.

Medicamentos antiarrítmicos (consulte a tabela ) talvez sejam receitados caso o ritmo cardíaco esteja alterado.

Outras medidas para insuficiência cardíaca aguda e crônica

Às vezes, os médicos implantam um pequeno dispositivo de monitoramento no tórax de pessoas com insuficiência cardíaca grave. O monitor mede continuamente as pressões nos pulmões, o que pode ajudar o médico a fazer ajustes nos medicamentos. O dispositivo é especialmente útil em pessoas com episódios recorrentes de insuficiência cardíaca e coexistência de insuficiência renal.

O transplante de coração pode ser uma alternativa para pessoas que sofrem de insuficiência cardíaca muito grave com agravamento progressivo e que não responderam ao tratamento medicamentoso.

Dispositivos mecânicos que ajudam a bombear sangue são usados em certas pessoas com insuficiência cardíaca muito grave que não respondem ao tratamento medicamentoso. Os tipos de dispositivos incluem:

  • Bomba de balão intra-aórtica de contrapulsação (IABP, às vezes também chamada de bomba de balão): um balão em formato de salsicha na ponta de um cateter é colocado na aorta. Uma máquina monitora os batimentos cardíacos e insufla o balão quando o coração relaxa e esvazia quando o coração se contrai, o que facilita o bombeamento de sangue pelo coração.

  • Dispositivos de assistência ventricular: diferentes bombas mecânicas podem ser implantadas dentro ou próximas ao ventrículo direito ou esquerdo para ajudar o coração a bombear o sangue.

  • Dispositivos de assistência intravascular: pequenas bombas podem ser implantadas dentro de vasos de grande porte, como a aorta, para ajudar a bombear o sangue.

  • Oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO): um dispositivo semelhante a uma máquina de ponte cardiopulmonar retira o sangue de uma artéria de grande porte, bombeia‑o através de uma membrana que permite a passagem do oxigênio para o sangue e depois bombeia-o de volta para uma veia de grande porte.

Arritmias cardíacas podem ser tratadas com medicamentos em alguns casos, porém, a utilização de marca-passo é necessária para algumas pessoas. Um tipo de marca-passo especial com dois ou três fios consegue restaurar a sequência normal das contrações da cavidade cardíaca (terapia de ressincronização cardíaca) e melhorar o prognóstico de algumas pessoas com insuficiência cardíaca. Os médicos podem considerar um desfibrilador cardioversor implantável em pessoas com função cardíaca muito reduzida, pois, nesses casos, o risco de morte súbita é maior.

Se a insuficiência cardíaca for causada por um problema com uma válvula cardíaca, os médicos podem reparar ou substituir a válvula.

Assuntos relacionados ao final da vida

A expectativa de vida depende de muitos fatores, inclusive da gravidade da doença, da correção de sua causa e do tratamento utilizado. No entanto, depois que as pessoas tiverem que ser hospitalizadas por insuficiência cardíaca, apenas cerca de uma a cada três vive mais cinco anos. A expectativa de vida aumenta com o tratamento.

Por fim, a qualidade de vida de uma pessoa com insuficiência cardíaca presente já há algum tempo se deteriora e as possibilidades de continuação do tratamento podem se tornar limitadas, sobretudo no caso de idosos, para quem um transplante cardíaco talvez não seja viável. Manter a pessoa confortável pode, por fim, tornar-se mais importante do que tentar prolongar sua vida. É importante que a pessoa e os membros da família estejam diretamente envolvidos nessas decisões. Na verdade, muitos estudos mostram que pessoas com insuficiência cardíaca grave e seus familiares estão dispostas discutir esses assuntos e, ao fazê-lo, reduzem consideravelmente suas angústias. Muito se pode fazer para proporcionar cuidado compassivo, aliviar os sintomas e manter a dignidade da pessoa (consulte Morte e sofrimento).

A insuficiência cardíaca pode levar à morte repentina e inesperada, sem agravamento dos sintomas. Consequentemente, quando possível, as pessoas que têm insuficiência cardíaca devem preparar instruções antecipadas sobre o tipo de atendimento desejado caso elas não sejam mais capazes de tomar decisões sobre seus cuidados. Além disso, é importante fazer ou atualizar um testamento.

Prevenção de insuficiência cardíaca

Prevenir a insuficiência cardíaca envolve tratar distúrbios que podem causar insuficiência cardíaca antes que eles o façam. Os distúrbios que podem ser tratados incluem:

  • Hipertensão arterial

  • Obesidade

  • Apneia obstrutiva do sono

  • Obstrução de uma artéria coronária

  • Valvulopatias

  • Alguns ritmos cardíacos anormais

  • Transtorno relacionado ao uso de álcool (ou uso excessivo de álcool)

  • Anemia

  • Distúrbios da tireoide

Mais informações

O seguinte recurso em inglês pode ser útil. Vale ressaltar que O Manual não é responsável pelo conteúdo deste recurso.

  1. Associação Americana do Coração: Insuficiência cardíaca

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