Exames de imagem do tórax

PorRebecca Dezube, MD, MHS, Johns Hopkins University
Reviewed ByM. Patricia Rivera, MD, University of Rochester Medical Center
Revisado/Corrigido: modificado nov. 2025
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Visão Educação para o paciente

Exames de imagem do tórax incluem o uso de:

(Ver também Princípios de radiologia.)

Técnicas radiográficas convencionais

As técnicas radiográficas convencionais que são utilizadas para visualizar o tórax e as estruturas circundantes incluem

  • Radiografias simples

  • Fluoroscopia

Radiografia de tórax

Radiografias de tórax simples fornecem imagens das estruturas no interior e ao redor do tórax e são mais úteis para a identificação de anormalidades no coração, parênquima pulmonar, pleura, parede torácica, diafragma, mediastino e hilo. Em geral, constituem o exame inicial para avaliação dos pulmões.

A radiografia de tórax convencional é obtida de trás para frente (incidência posteroanterior), a fim de minimizar a dispersão dos raios X, o que poderia aumentar artificialmente a silhueta cardíaca, e do lado do tórax (incidência lateral).

Podem-se obter as incidências lordótica ou oblíqua para avaliar nódulos pulmonares ou para esclarecer anormalidades que podem ser decorrentes da sobreposição de estruturas, embora a TC do tórax forneça mais informações e tenha suplantado amplamente essas incidências.

Incidências em decúbito lateral podem ser empregadas para diferenciar derrame pleural de livre escoamento de derrame loculado; entretanto, a TC de tórax ou a ultrassonografia podem fornecer mais informações.

Utilizam-se as incidências no final da expiração para detectar pequenos pneumotóraces.

Radiografias de tórax feitas com máquinas portáteis (em geral, incidências ântero-posteriores) são quase sempre insatisfatórias e só devem ser utilizadas quando o paciente estiver muito doente para ser levado até o setor de radiologia.

Radiografias de tórax de varredura quase nunca são indicadas; uma exceção é o paciente assintomático e portador de teste tuberculínico cutâneo positivo, em quem uma única radiografia de tórax, na incidência posteroanterior, sem incidência lateral, é utilizada para a tomada de decisão quanto a estudos adicionais e/ou tratamento da tuberculose pulmonar.

Fluoroscopia de tórax

A fluoroscopia do tórax é o uso de emissão contínua de raios X para a realização de imagens de estruturas em movimento. É útil para a detecção de paralisia diafragmática unilateral. Durante a mensuração da pressão inspiratória nasal (sniff test), em que o paciente é orientado a inalar vigorosamente pelo nariz (ou “fungar”), o hemidiafragma paralisado move-se cranialmente (paradoxalmente), ao passo que o hemidiafragma sem comprometimento se move caudalmente.

Vários procedimentos auxiliares, como broncoscopia, podem ser feitos com orientação fluoroscópica.

Tomografia computadorizada (TC)

A TC define estruturas intratorácicas e anormalidades de forma mais precisa do que a radiografia de tórax.

A TC do tórax normalmente é feita em inspiração máxima. A aeração dos pulmões durante a imagiologia fornece as melhores incidências do parênquima pulmonar, vias respiratórias e vasculatura, e dos achados anormais como massas, infiltrados ou fibrose.

Tomografia computadorizada de tórax com baixa dose é recomendada anualmente para rastreamento de câncer de pulmão em pacientes de alto risco.

As imagens obtidas com o paciente em decúbito ventral podem ajudar na diferenciação da atelectasia dependente (que se modifica com mudanças na posição corporal) de doenças pulmonares que causam atenuação em vidro fosco nas porções dorsais dependentes dos pulmões, a qual persiste apesar das mudanças na posição do paciente (p. ex., fibrose decorrente de fibrose pulmonar idiopática, asbestose ou esclerose sistêmica).

Angiografia por TC

Angiografia por TC utiliza um bolus IV de agente de contraste radiopaco para destacar as artérias pulmonares, o que é útil para o diagnóstico de embolia pulmonar.

A carga do agente de contraste é comparável àquela da angiografia convencional, porém, o exame é mais rápido e menos invasivo. A angiografia por TC fornece precisão suficiente para a detecção de embolia pulmonar, e costuma ser utilizada no lugar da angiografia pulmonar convencional, exceto em pacientes que não conseguem tolerar agentes de contraste, casos em que pode-se utilizar o exame de ventilação/perfusão (V/Q).

Ressonância magnética (RM) do tórax

A RM tem um papel relativamente limitado entre os métodos de imagem pulmonares, porém, é mais adequada que a TC em circunstâncias específicas, como a avaliação de:

  • Tumores do sulco superior da costela

  • Possíveis cistos

  • Lesões adjacentes à parede torácica

Ressonância magnética ou angiografia por ressonância magnética (ARM) do tórax também podem ser utilizadas para diagnosticar dissecção da aorta.

Nos pacientes com suspeita de embolia pulmonar, nos quais não se pode utilizar agente de contraste IV, a RM pode, às vezes, identificar grandes êmbolos proximais, mas não detecta bem êmbolos menores ou mais distais.

As vantagens envolvem a ausência de exposição à irradiação, a visualização excelente das estruturas vasculares, a ausência de artefato por causa do osso e contraste excelente de tecido mole.

As desvantagens são os movimentos respiratório e cardíaco, o tempo necessário para realizar o procedimento, o custo da RM e a presença ocasional de contraindicações.

A presença de objetos ferromagnéticos no olho ou encéfalo do paciente geralmente impede a RM. A presença de um marca-passo permanente ou cardioversor desfibrilador implantável (CDI), e de algumas molas e oclusores vasculares, pode ser considerada uma contraindicação relativa e/ou exigir protocolos de segurança específicos (veja MRI Safety e as instruções do fabricante para o implante específico). Muitos marca-passos e cardioversores desfibriladores implantáveis (CDIs) podem ser utilizados com segurança em máquinas de ressonância magnética sob condições específicas (condicionais para RM) (1, 2), e muitas molas e oclusores são seguros para RM. Até mesmo dispositivos não rotulados como condicionais para RM costumam ser seguros quando protocolos apropriados são seguidos (3). Além das considerações de segurança, objetos metálicos implantados podem causar artefatos de imagem.

O gadolínio, quando utilizado como agente de contraste para ressonância magnética, acarreta o risco de causar fibrose sistêmica nefrogênica em pacientes com lesão renal aguda, aqueles com doença renal crônica estágio 4 ou 5, ou aqueles em terapia de substituição renal (diálise) (4). O gadolínio pode ser prejudicial a um feto e, geralmente, é evitado na gravidez (5, 6).

Referências de ressonância magnética de tórax

  1. 1. Indik JH, Gimbel JR, Abe H, et al. 2017 HRS expert consensus statement on magnetic resonance imaging and radiation exposure in patients with cardiovascular implantable electronic devices. Heart Rhythm. 2017;14(7):e97-e153. doi:10.1016/j.hrthm.2017.04.025

  2. 2. Wan EY, Rogers AJ, Lavelle M, et al. Periprocedural Management and Multidisciplinary Care Pathways for Patients With Cardiac Implantable Electronic Devices: A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation. 2024;150(8):e183-e196. doi:10.1161/CIR.0000000000001264

  3. 3. Nazarian S, Hansford R, Rahsepar AA, et al. Safety of Magnetic Resonance Imaging in Patients with Cardiac Devices. N Engl J Med. 2017;377(26):2555-2564. doi:10.1056/NEJMoa1604267

  4. 4. Weinreb JC, Rodby RA, Yee J, et al. Use of Intravenous Gadolinium-based Contrast Media in Patients with Kidney Disease: Consensus Statements from the American College of Radiology and the National Kidney Foundation. Radiology. 2021;298(1):28-35. doi:10.1148/radiol.2020202903

  5. 5. American College of Radiology. ACR Manual on MR Safety. January 1, 2024. Accessed September 12, 2025.

  6. 6. Pedrosa I, Altman DA, Dillman JR, et al. American College of Radiology Manual on MR Safety: 2024 Update and Revisions. Radiology. 2025;315(1):e241405. doi:10.1148/radiol.241405

Ultrassonografia torácica

A ultrassonografia é frequentemente utilizada para facilitar procedimentos como a toracocentese e a inserção de acesso venoso central.

A ultrassonografia também é muito útil para avaliar a presença e o tamanho dos derrames pleurais. É comumente utilizada à beira do leito para guiar a toracocentese, e estudos sugerem maior rendimento e menos complicações quando a ultrassonografia é empregada para toracocentese (1, 2). A ultrassonografia à beira do leito é amplamente utilizada para diagnosticar pneumotórax. Evidências sugerem que a ultrassonografia pulmonar é mais sensível e específica do que a radiografia simples de tórax para o diagnóstico de derrames pleurais, pneumonia e pneumotórax, e que pode ser útil no diagnóstico de edema pulmonar (3–8).

O ultrassom endobrônquico (USEB) é frequentemente utilizado junto com a broncoscopia com fibra óptica flexível para ajudar a localizar massas e linfonodos aumentados. A eficácia diagnóstica da aspiração transbrônquica de linfonodos é maior utilizando EBUS do que as técnicas não guiadas convencionais, particularmente na avaliação de câncer e sarcoidose (9, 10, 11, 12).

Referências sobre ultrassonografia

  1. 1. Brogi E, Gargani L, Bignami E, et al. Thoracic ultrasound for pleural effusion in the intensive care unit: a narrative review from diagnosis to treatment. Crit Care. 2017;21(1):325. Published 2017 Dec 28. doi:10.1186/s13054-017-1897-5

  2. 2. Nicholson MJ, Manley C, Ahmad D. Thoracentesis for the Diagnosis and Management of Pleural Effusions: The Current State of a Centuries-Old Procedure. J Respir. 2023; 3(4):208-222. doi: 10.3390/jor3040020

  3. 3. Gartlehner G, Wagner G, Affengruber L, et al. Point-of-Care Ultrasonography in Patients With Acute Dyspnea: An Evidence Report for a Clinical Practice Guideline by the American College of Physicians. Ann Intern Med. 2021 174(7):967-976. doi: 10.7326/M20-5504.

  4. 4. Hansell L, Milross M, Delaney A, Tian DH, Ntoumenopoulos G. Lung ultrasound has greater accuracy than conventional respiratory assessment tools for the diagnosis of pleural effusion, lung consolidation and collapse: a systematic review. J Physiother. 2021;67(1):41-48. doi:10.1016/j.jphys.2020.12.002

  5. 5. Hendin A, Koenig S, Millington SJ. Better With Ultrasound: Thoracic Ultrasound. Chest. 2020;158(5):2082-2089. doi:10.1016/j.chest.2020.04.052

  6. 6. Mayo PH, Copetti R, Feller-Kopman D, et al. Thoracic ultrasonography: a narrative review. Intensive Care Med. 2019;45(9):1200-1211. doi:10.1007/s00134-019-05725-8

  7. 7. McLario DJ, Sivitz AB. Point-of-Care Ultrasound in Pediatric Clinical Care. JAMA Pediatr. 2015;169(6):594-600. doi:10.1001/jamapediatrics.2015.22

  8. 8. Ye X, Xiao H, Chen B, Zhang S. Accuracy of Lung Ultrasonography versus Chest Radiography for the Diagnosis of Adult Community-Acquired Pneumonia: Review of the Literature and Meta-Analysis. PLoS One 2015;10(6):e0130066. doi:10.1371/journal.pone.0130066

  9. 9. Adams K, Shah PL, Edmonds L, et al. Test performance of endobronchial ultrasound and transbronchial needle aspiration biopsy for mediastinal staging in patients with lung cancer: systematic review and meta-analysis. 2009. In: Database of Abstracts of Reviews of Effects (DARE): Quality-assessed Reviews [Internet]. York (UK): Centre for Reviews and Dissemination (UK); 1995-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK77899/

  10. 10. Bonifazi M, Tramacere I, Zuccatosta L, et al. Conventional versus Ultrasound-Guided Transbronchial Needle Aspiration for the Diagnosis of Hilar/Mediastinal Lymph Adenopathies: A Randomized Controlled Trial. Respiration. 2017;94(2):216-223. doi:10.1159/000475843

  11. 11. Herth F, Becker HD, Ernst A. Conventional vs endobronchial ultrasound-guided transbronchial needle aspiration: a randomized trial. Chest. 2004;125(1):322-325. doi:10.1378/chest.125.1.322

  12. 12. Tremblay A, Stather DR, MacEachern P, Khalil M, Field SK. A randomized controlled trial of standard vs endobronchial ultrasonography-guided transbronchial needle aspiration in patients with suspected sarcoidosis. Chest. 2009;136(2):340-346. doi:10.1378/chest.08-2768

Cintilografia pulmonar

As técnicas de medicina nuclear utilizadas para estudos por imagem do tórax incluem:

  • Cintilografia de ventilação/perfusão (V/Q)

  • Tomografia por emissão de pósitrons (PET)

Cintilografia V/Q

A cintilografia V/Q utiliza inalação de radionuclídios para detectar a ventilação e radionuclídios IV para detectar a perfusão. Áreas de ventilação sem perfusão, perfusão sem ventilação, ou aumentos e diminuições equiparados em ambos podem ser detectados em 6 a 8 incidências do pulmão.

A cintilografia V/Q é mais comumente utilizada para o diagnóstico de embolia pulmonar, mas foi amplamente substituída pela angiografia por TC. Mas a cintilografia V/Q ainda é indicada na avaliação diagnóstica para hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (1).

Utiliza-se a cintilografia ventilatória segmentada, em que o grau de ventilação é quantificado para cada lobo, para prever o efeito da colocação de válvulas endobrônquicas e o efeito da ressecção lobar ou pulmonar na função pulmonar.

Tomografia por emissão de pósitrons (PET) dos pulmões

A PET utiliza glicose marcada radioativamente (fluorodesoxiglicose) para avaliar a atividade metabólica dos tecidos. Utiliza-se em doenças pulmonares para determinar:

  • Se os nódulos pulmonares ou linfonodos mediastinais abrigam tumor (estadiamento metabólico)

  • Se o câncer é recorrente em áreas cicatrizadas anteriormente irradiadas do pulmão

Embora a PET isolada seja superior à TC isolada para estadiamento mediastinal do câncer de pulmão recém-diagnosticado, a PET-TC combinada é o método recomendado e é particularmente útil na detecção de doença mediastinal e extratorácica (2, 3, 4). Biópsia, geralmente com aspiração por agulha guiada por EBUS, costuma ser indicada antes da ressecção cirúrgica devido à possibilidade de falso-positivos (p. ex., em lesões inflamatórias, como granulomas) com PET. Tumores de crescimento lento (p. ex., carcinoma broncoalveolar, tumores neuroendócrinos e alguns cânceres metastáticos) podem gerar resultados falso-negativos.

Referências sobre cintilografia pulmonar

  1. 1. Teerapuncharoen K, Bag R. Chronic Thromboembolic Pulmonary Hypertension. Lung. 2022;200(3):283-299. doi:10.1007/s00408-022-00539-w

  2. 2. Gould MK, Kuschner WG, Rydzak CE, et al. Test performance of positron emission tomography and computed tomography for mediastinal staging in patients with non-small-cell lung cancer: a meta-analysis. Ann Intern Med 2003;139(11):879-892. doi:10.7326/0003-4819-139-11-200311180-00013

  3. 3. Expert Consensus Panel, Kidane B, Bott M, et al. The American Association for Thoracic Surgery (AATS) 2023 Expert Consensus Document: Staging and multidisciplinary management of patients with early-stage non-small cell lung cancer. J Thorac Cardiovasc Surg. 2023;166(3):637-654. doi:10.1016/j.jtcvs.2023.04.039

  4. 4. Spicer JD, Cascone T, Wynes MW, et al. Neoadjuvant and Adjuvant Treatments for Early Stage Resectable NSCLC: Consensus Recommendations From the International Association for the Study of Lung Cancer. J Thorac Oncol. 2024;19(10):1373-1414. doi:10.1016/j.jtho.2024.06.010

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