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Ataques e transtorno de pânico

Por

John W. Barnhill

, MD, Weill Cornell Medical College and New York Presbyterian Hospital

Última modificação do conteúdo jul 2018
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Ataque de pânico é o início abrupto de um período circunscrito breve de intenso desconforto, ansiedade ou medo, acompanhado por sintomas somáticos e/ou cognitivos. O transtorno de pânico é a ocorrência de ataques de pânico repetidos, normalmente acompanhados de medo sobre futuros ataques ou de mudanças comportamentais para evitar situações que poderiam predispor aos ataques. O diagnóstico é clínico. Ataques de pânico isolados podem não precisar de tratamento. O transtorno de pânico é tratado com fármacos, psicoterapia (p. ex., terapia de exposição, terapia cognitivo-comportamental) ou ambos.

Os ataques de pânico são comuns, afetando até 11% da população em um único ano. Muitas pessoas se recuperam sem tratamento; algumas desenvolvem transtorno de pânico.

O transtorno de pânico acomete 2% a 3% da população em um período de 12 meses. O transtorno de pânico geralmente se inicia no final da adolescência ou no início da idade adulta, afetando aproximadamente 2 vezes mais mulheres do que homens.

Sinais e sintomas

O ataque de pânico ocorre como início súbito de medo ou desconforto de forte intensidade acompanhado de pelo menos 4 dos 13 sintomas listados na tabela Sintomas do ataque de pânico. Os sintomas geralmente atingem o pico em 10 minutos e se dissipam em minutos depois disso, dessa forma, deixando pouco para a observação do médico. Embora desconfortável — algumas vezes extremamente — os ataques de pânico não são perigosos do ponto de vista médico.

Tabela
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Sintomas de ataque de pânico

Cognitivos

Medo de morrer

Medo de enlouquecer ou de perder o controle

Sensações de irrealidade, estranhamento (desrealização) ou desligamento de si mesmo (despersonalização)

Somático

Dor ou desconforto no peito

Tontura, sensação de instabilidade ou de desmaio

Sensação de sufocação

Ondas de calor ou calafrios

Náuseas ou desconforto abdominal

Sensações de anestesia ou parestesia

Palpitação ou aceleração da frequência cardíaca

Sensação de falta de ar ou asfixia

Sudorese

Tremores

Ataques de pânico podem ocorrer em qualquer transtorno de ansiedade, quase sempre em situações ligadas à característica central do transtorno (p. ex., uma pessoa com fobia de cobras pode entrar em pânico ao ver uma cobra). Esses ataques de pânico são denominados esperados. Ataques de pânico inesperados são aqueles que ocorrem de forma espontânea, sem nenhum gatilho aparente.

Muitas pessoas com transtornos de pânico antecipam e se preocupam sobre outros ataques (ansiedade antecipatória) e evitam lugares ou situações em que tiveram pânico previamente. Muitas vezes, as pessoas com transtornos de pânico se preocupam quanto a ter um problema cardíaco, pulmonar ou cerebral perigoso e, repetidamente, visitam seu médico de família ou um departamento de emergência procurando ajuda. Infelizmente, nesses contextos, a atenção geralmente foca nos sintomas clínicos gerais e o diagnóstico correto, às vezes, não é feito.

Muitas pessoas com transtorno de pânico também têm sintomas de depressão maior.

Diagnóstico

  • Critérios clínicos

O transtorno de pânico é diagnosticado depois que distúrbios físicos que podem mimetizar ansiedade são descartados e quando os sintomas preenchem os critérios estipulados no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (DSM-5).

Os pacientes devem ter ataques de pânico recorrentes (a frequência não é especificada) em que ≥ 1 ataque foi seguido de um ou ambos dos seguintes por ≥ 1 mês:

  • Preocupação persistente sobre ter ataques de pânico adicionais ou preocupações com suas consequências (p. ex., perda de controle, enlouquecer)

  • Resposta comportamental desadaptativa aos ataques de pânico (p. ex., evitar atividades comuns como exercício físico ou situações sociais para tentar prevenir novos ataques)

Tratamento

  • Frequentemente, antidepressivos, benzodiazepínicos ou ambos

  • Quase sempre, medidas psicoterapêuticas (p. ex., terapia de exposição e/ou terapia cognitivo-comportamental)

Algumas pessoas se recuperam sem tratamento, particularmente, quando continuam a confrontar as situações nas quais os ataques de pânico ocorreram. Para outras, sobretudo sem tratamento, o transtorno de pânico segue um curso crônico e flutuante.

Os pacientes devem ser avisados de que o tratamento geralmente ajuda a controlar os sintomas. Se comportamentos de esquiva não se desenvolveram, tranquilização, educação sobre ansiedade e encorajamento para continuar a retornar e a permanecer em lugares em que os ataques de pânico ocorreram podem ser tudo o que é necessário. Entretanto, em transtorno de longa duração que envolva ataques frequentes e comportamentos de esquiva, o tratamento provavelmente exigirá tratamento medicamentoso combinado com psicoterapia mais intensiva.

Terapia medicamentosa

Muitos fármacos podem evitar ou reduzir bastante a ansiedade antecipatória, a esquiva fóbica e o número e a intensidade dos ataques de pânico:

  • Antidepressivos: as diferentes classes, inibidores seletivos da recaptação da serotonina, inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs), moduladores da serotonina, tricíclicos (TCAs) e inibidores da monoaminoxidase (IMAOs), têm eficácia semelhante Entretanto, ISRS e IRSN têm a vantagem potencial de provocar menos efeitos colaterais em comparação com outros antidepressivos.

  • Benzodiazepínicos: esses ansiolíticos, (ver tabel Benzodiazepínicos) agem mais rapidamente do que os antidepressivos, porém, têm mais chance de causar dependência física e alguns efeitos colaterais como sonolência, ataxia e problemas de memória. Para alguns pacientes, o uso prolongado de benzodiazepínicos é o único tratamento eficaz. Para alguns pacientes, o uso a longo prazo de benzodiazepínicos é o único tratamento eficaz.

  • Antidepressivos com benzodiazepínicos: esses fármacos são, às vezes, utilizados inicialmente em combinação; o benzodiazepínico é retirado lentamente após o antidepressivo tornar-se eficaz (embora alguns pacientes só respondam ao tratamento de combinação).

Os ataques de pânico costumam recorrer quando os fármacos são suspensos.

Psicoterapia

Diferentes formas de psicoterapia são eficazes.

A terapia de exposição, na qual o paciente confronta o que teme, ajuda a diminuir o medo e as complicações ocasionadas pela esquiva apreensiva. Por exemplo, pacientes que temem desmaiar são solicitados a rodar em uma cadeira ou a hiperventilar até que se sintam zonzos ou como se fossem desmaiar, aprendendo assim que não desmaiarão durante uma crise.

A terapia cognitivo-comportamental inclui ensinar os pacientes a reconhecerem e controlarem seus pensamentos distorcidos, crenças falsas e a modificar seu comportamento de modo que seja mais adaptativo. Por exemplo, se pacientes descrevem aceleração da frequência cardíaca ou falta de ar em certas situações ou lugares e temem ter ataque cardíaco, são ensinados o seguinte:

  • Não evitar essas situações

  • Entender que suas preocupações são infundadas

  • Responder, ao contrário, com respiração lenta e controlada ou outros métodos que promovam relaxamento

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