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Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)

Por

Katharine A. Phillips

, MD, Weill Cornell Medical College;


Dan J. Stein

, MD, PhD, University of Cape Town

Última modificação do conteúdo jan 2021
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Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é caracterizado por pensamentos, impulsos e imagens (obsessões) recorrentes, persistentes, indesejados e intrusivos e/ou por comportamentos repetitivos ou atos mentais que os pacientes são impelidos a fazer (compulsões) para tentar diminuir ou prevenir a ansiedade que as obsessões causam. O diagnóstico baseia-se na história. O tratamento consiste em psicoterapia (especificamente, exposição e prevenção da resposta, além de, em muitos casos, terapia cognitiva), tratamento farmacológico [especificamente com inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) ou clomipramina] ou, especialmente em casos graves, ambos.

Referência geral

Sinais e sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo

Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens indesejáveis, cuja presença normalmente causa angústia ou ansiedade acentuada. O tema dominante dos pensamentos obsessivos pode ser dano, risco para si mesmo ou para os outros, contaminação, dúvida, simetria ou agressão. Por exemplo, pacientes podem ficar obcecados com contaminação por sujeira ou germes se não lavarem as mãos por 2 h por dia. As obsessões não são agradáveis. Assim, os pacientes costumam tentar ignorar e/ou suprimir os pensamentos, impulsos ou imagens. Ou eles tentam neutralizá-los encenando uma compulsão.

Compulsões (muitas vezes chamadas rituais) são comportamentos excessivos repetitivos e intencionais que as pessoa afetadas sentem que devem fazer para prevenir ou reduzir a ansiedade causada por seus pensamentos obsessivos ou para neutralizar suas obsessões. Exemplos são

  • Asseio (p. ex., lavar as mãos, tomar banho)

  • Verificação (p. ex., que o fogão está desligado, que portas estão trancadas)

  • Contagem (p. ex., repetir um comportamento um certo número de vezes)

  • Ordenação (p. ex., organizar utensílios para mesa ou itens da área de trabalho em um padrão específico)

Muitos rituais, como lavar as mãos ou checar fechaduras, são observáveis, mas alguns rituais mentais, como contar repetitivamente ou murmurar afirmações, não o são. Tipicamente, os rituais compulsivos devem ser feitos de forma precisa e de acordo com regras rígidas. Os rituais podem ou não estar conectados de forma realista com o evento temido. Quando conectado de forma realista (p. ex., tomar banho para evitar ficar sujo, verificar o fogão para evitar riscos de incêndio), as compulsões são claramente excessivas—p. ex., tomar banho durante horas todos os dias ou sempre verificar o fogão 30 vezes antes de sair de casa. Em todos os casos, as obsessões e/ou compulsões devem ser demoradas (p. ex., 1 h/dia, muitas vezes muito mais) ou causar aos pacientes sofrimento ou comprometimento significativo no funcionamento; em seus extremos, obsessões e compulsões podem ser incapacitantes.

O grau de percepção varia. A maioria das pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) reconhece pelo menos até certo ponto que as crenças que sustentam suas obsessões não são realistas (p. ex., que elas realmente não terão câncer se tocarem um cinzeiro). Mas, ocasionalmente, não há nenhuma percepção (os pacientes estão convencidos de que as convicções que sustentam suas obsessões são verdadeiras e que suas compulsões são razoáveis).

Como as pessoas com esse transtorno podem temer constrangimentos ou estigmatização, frequentemente escondem suas obsessões e rituais. Os relacionamentos podem ser rompidos e o desempenho escolar ou profissional pode declinar. A depressão é característica secundária comum.

Muitas pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo têm transtornos psicológicos coexistentes, como

Mais de um quarto a cerca de dois terços das pessoas com TOC têm pensamentos suicidas em algum momento, e 10 a 13% tentam suicídio (ver Comportamento suicida Comportamento suicida Suicídio é a morte causada por um ato intencional de automutilação projetado para ser letal. Comportamento suicida engloba um espectro de comportamentos, de tentativas de suicídio e comportamentos... leia mais ). O risco de tentativa de suicídio aumenta se as pessoas também tiverem transtorno depressivo maior.

Diagnóstico do transtorno obsessivo-compulsivo

  • Critérios clínicos

O diagnóstico do transtorno obsessivo-compulsivo é clínico, baseado nas obsessões, compulsões, ou ambas. As obsessões ou compulsões devem ser demoradas (p. ex., > 1 h/dia) ou causar sofrimento ou comprometimento funcional importante.

Tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo

  • Exposição e terapia de prevenção ritual (resposta); terapia cognitiva é frequentemente adicionada

  • Inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) ou clomipramina, mais, se necessário, aumento da medicação

A terapia de exposição e a prevenção dos rituais costuma ser eficaz para os pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo; seu elemento essencial é a exposição gradual a situações ou pessoas que desencadeiem a ansiedade causadora das obsessões e os rituais enquanto, ao mesmo tempo, solicitando que os pacientes não executem seus rituais. Por exemplo, um paciente com obsessão por contaminação e compulsão por limpeza pode ser solicitado a tocar o assento do vaso sanitário sem lavar as mãos. Essa abordagem permite que a ansiedade desencadeada pela exposição diminua por habituação. A melhora muitas vezes continua por anos, sobretudo em pacientes que aprendem a abordagem e a utilizam mesmo após o término do tratamento formal. Contudo, alguns pacientes têm respostas incompletas o que também acontece com fármacos.

Técnicas de terapia cognitiva (p. ex., restruturação cognitiva) também podem ser úteis na abordagem de alguns sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo.

Os ISRSs Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs) Várias classes farmacológicas e fármacos podem ser usados para tratar depressão: Inibidores seletivos de recaptação de serotonina Moduladores da serotonina (bloqueadores 5-HT2) Inibidores de... leia mais e a clomipramina (antidepressivo tricíclico com efeitos serotonérgicos potentes) são frequentemente muito eficazes. Os pacientes frequentemente precisam de doses maiores do que aquelas normalmente necessárias para depressão e a maioria dos transtornos de ansiedade. Alguns pacientes que não melhoram substancialmente com tentativas adequadas com esses fármacos podem se beneficiar da adição de um agente potencializador, como um neuroléptico atípico (p. ex., aripiprazol) ou um modulador de glutamato (p. ex., memantina, N-acetilcisteína). Há mais dados de suporte para neurolépticos atípicos como agentes para potencializar ISRS do que com outros fármacos.

Muitos especialistas acreditam que a combinação de exposição e prevenção de rituais com tratamento farmacológica é melhor, especialmente para os casos graves.

Pontos-chave

  • Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens intrusivos e indesejados que geralmente causam sofrimento ou ansiedade acentuado.

  • As compulsões são rituais repetitivos e excessivos que as pessoas sentem que devem fazer para reduzir a ansiedade causada por seus pensamentos obsessivos ou para neutralizar suas obsessões.

  • Obsessões e/ou compulsões devem ser demoradas (p. ex., > 1 h/dia, muitas vezes muito mais) ou causar aos pacientes sofrimento ou comprometimento funcional importante.

  • Tratar expondo gradualmente os pacientes a situações que desencadeiam as obsessões e rituais que provocam ansiedade e, ao mesmo tempo, exigir que eles não realizam seus rituais. A adição de abordagens cognitivas à exposição e prevenção de respostas pode ser útil.

  • Administrar um ISRS ou clomipramina, muitas vezes em doses relativamente altas, costuma ser eficaz.

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