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Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)

Por

Katharine A. Phillips

, MD, Weill Cornell Medical College;


Dan J. Stein

, MD, PhD, University of Cape Town

Última modificação do conteúdo jun 2018
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Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é caracterizado por pensamentos, impulsos e imagens (obsessões) recorrentes, persistentes, indesejados e intrusivos e/ou por comportamentos repetitivos ou atos mentais que os pacientes são impelidos a fazer (compulsões) para tentar diminuir ou prevenir a ansiedade que as obsessões causam. O diagnóstico baseia-se na história. O tratamento consiste em psicoterapia (especificamente, exposição e prevenção de resposta), terapia medicamentosa (especificamente ISRSs ou clomipramina) ou, especialmente em casos graves, ambos.

TOC é um pouco mais comum em mulheres do que em homens e afeta cerca de 1 a 2% da população. A média de idade de início do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é de 19 a 20 anos; mas cerca de 25% dos casos começam aos 14 anos de idade ( Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtornos relacionados em crianças e adolescentes). Até 30% das pessoas com TOC também tiveram ou têm transtornos de tiques.

Sinais e sintomas

Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens indesejáveis, cuja presença normalmente causa angústia ou ansiedade acentuada. O tema dominante dos pensamentos obsessivos pode ser dano, risco de si mesmo ou outros, perigo, contaminação, dúvida, perda ou agressão. Por exemplo, pacientes podem ficar obcecados com contaminação por sujeira ou germes se não lavarem as mãos por ≥ 2 h por dia. As obsessões não são agradáveis. Assim, os pacientes tentam ignorar e/ou suprimir os pensamentos, impulsos ou imagens. Ou eles tentam neutralizá-los encenando uma compulsão.

Compulsões (muitas vezes chamadas rituais) são comportamentos excessivos repetitivos e intencionais que as pessoa afetadas sentem que devem fazer para prevenir ou reduzir a ansiedade causada por seus pensamentos obsessivos ou para neutralizar suas obsessões. Exemplos são

  • Asseio (p. ex., lavar as mãos, tomar banho)

  • Verificação (p. ex., que o fogão está desligado, que portas estão trancadas)

  • Contagem (p. ex., repetir um comportamento um certo número de vezes)

  • Ordenação (p. ex., organizar utensílios para mesa ou itens da área de trabalho em um padrão específico)

Muitos rituais, como lavar as mãos ou checar fechaduras, são observáveis, mas alguns rituais mentais, como contar repetitivamente ou murmurar afirmações, não o são. Tipicamente, os rituais compulsivos devem ser feitos de forma precisa e de acordo com regras rígidas. Os rituais podem ou não estar conectados de forma realista com o evento temido. Quando conectado de forma realista (p. ex., tomar banho para evitar ficar sujo, verificar o fogão para evitar riscos de incêndio), as compulsões são claramente excessivas—p. ex., tomar banho durante horas todos os dias ou sempre verificar o fogão 30 vezes antes de sair de casa. Em todos os casos, as obsessões e/ou compulsões devem ser demoradas (p. ex., 1 h/dia, muitas vezes muito mais) ou causar aos pacientes sofrimento ou comprometimento significativo no funcionamento; em seus extremos, obsessões e compulsões podem ser incapacitantes.

O grau de percepção varia. A maioria das pessoas com TOC reconhece até certo ponto que as crenças que sustentam suas obsessões não são realistas (p. ex., que elas de modo algum terão câncer se tocarem em um cinzeiro). Mas, ocasionalmente, não há nenhuma percepção (os pacientes estão convencidos de que as convicções que sustentam suas obsessões são verdadeiras e que suas compulsões são razoáveis).

Como as pessoas com esse transtorno podem temer constrangimentos ou estigmatização, frequentemente escondem suas obsessões e rituais. Os relacionamentos podem ser rompidos e o desempenho escolar ou profissional pode declinar. A depressão é característica secundária comum.

Muitas pessoas com TOC têm transtornos psicológicos coexistentes, como

Cerca de metade das pessoas com TOC tem pensamentos suicidas em algum momento, e até um quarto tenta o suicídio. O risco de tentativa de suicídio aumenta se as pessoas também tiverem transtorno depressivo maior.

Diagnóstico

  • Critérios clínicos

O diagnóstico do transtorno obsessivo-compulsivo é clínico, baseado nas obsessões, compulsões, ou ambas. As obsessões ou compulsões devem ser demoradas (p. ex., 1h/dia) ou causar sofrimento ou comprometimento funcional importante.

Tratamento

  • Terapia de exposição e prevenção de rituais

  • ISRS ou clomipramina

A terapia de exposição e a prevenção dos rituais costuma ser eficaz para os pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo; seu elemento essencial é a exposição gradual a situações ou pessoas que desencadeiem a ansiedade causadora das obsessões e os rituais enquanto, ao mesmo tempo, solicitando que os pacientes não executem seus rituais. Por exemplo, um paciente com obsessão por contaminação e compulsão por limpeza pode ser solicitado a tocar o assento do vaso sanitário sem lavar as mãos. Essa abordagem permite que a ansiedade desencadeada pela exposição diminua por habituação. A melhora muitas vezes continua por anos, sobretudo em pacientes que aprendem a abordagem e a utilizam mesmo após o término do tratamento formal. Contudo, alguns pacientes têm respostas incompletas o que também acontece com fármacos.

Técnicas de terapia cognitiva também podem ser úteis na abordagem de alguns sintomas de TOC.

Os ISRSs e a clomipramina (antidepressivo tricíclico com efeitos serotonérgicos potentes) são frequentemente muito eficazes. Os pacientes frequentemente precisam de doses maiores do que aquelas normalmente necessárias para depressão e a maioria dos transtornos de ansiedade. Muitos especialistas acreditam que a combinação de terapia de exposição e medicamentosa é melhor, especialmente para casos graves.

Pontos-chave

  • Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens intrusivos e indesejados que geralmente causam sofrimento ou ansiedade acentuado.

  • As compulsões são rituais repetitivos e excessivos que as pessoas sentem que devem fazer para reduzir a ansiedade causada por seus pensamentos obsessivos ou para neutralizar suas obsessões.

  • Obsessões e/ou compulsões devem ser demoradas (p. ex., 1 h/dia, muitas vezes muito mais) ou causar aos pacientes sofrimento ou comprometimento funcional importante.

  • Tratar expondo gradualmente os pacientes a situações que desencadeiam as obsessões e rituais que provocam ansiedade e, ao mesmo tempo, exigir que eles não realizam seus rituais.

  • Dar um ISRS ou clomipramina também pode ajudar.

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