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Infecção do trato urinário em crianças

Por

Geoffrey A. Weinberg

, MD, Golisano Children’s Hospital

Última modificação do conteúdo mar 2020
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Recursos do assunto

A infecção do trato urinário (ITU) é definida por um número de colônias 5 × 104/mL em amostra de urina obtida por cateterização ou em crianças maiores com amostras repetidas de urina com 105 colônias/mL. Em crianças pequenas, as infecções do trato urinário frequentemente estão associadas a anormalidades anatômicas. Uma infecção do trato urinário pode causar febre, má evolução ponderal, dor lombar e sinais de sepse, especialmente em crianças pequenas. O tratamento é com antibióticos. Faz-se seguimento por estudo de imagens do trato urinário.

Uma infecção do trato urinário pode envolver rins, bexiga ou ambos. Infecções sexualmente transmissíveis da uretra (p. ex., uretrite gonocócica ou por clamídia), embora envolvendo o trato urinário, não são denominadas infecção do trato urinário.

Os mecanismos que mantêm a esterilidade normal do trato urinário incluem acidez urinária, fluxo livre, mecanismos de esvaziamento normal, esfíncteres ureterovesical e uretral intactos e barreiras mucosa e imunológica. Quaisquer anormalidades desses mecanismos predispõem a infecção do trato urinário.

Etiologia

Até os 6 anos de idade, 3 a 7% das meninas e 1 a 2% dos meninos já tiverem infecção do trato urinário. O pico da idade da uma infecção do trato urinário é bimodal, com um na fase da lactância e o outro entre 2 e 4 anos de idade (para muitas crianças, na ocasião do treinamento da higiene). A proporção menina: menino varia de 1:1 a 1:4 nos primeiros 2 meses de vida (a estimativa varia, provavelmente pelas diferentes proporções do grupo de meninos estudados não circuncisados e a exclusão de lactentes com anomalias urológicas atualmente diagnosticados mais frequentemente em útero pela ultrassonografia pré-natal). A relação sexo feminino: masculino aumenta com a idade, sendo cerca de 2:1 entre 2 meses e 1 ano, 4:1 durante o 2º ano e > 5:1 após o 4º ano. Nas meninas, as infecções são geralmente ascendentes e causam bacteremia com menor frequência. A preponderância acentuada entre as meninas é atribuída a uretra curta feminina e a circuncisão nos meninos.

Outros fatores predisponentes em crianças menores incluem

Fatores predisponentes em crianças maiors incluem

  • Diabetes

  • Trauma

  • Em mulheres, relação sexual

Anomalias do trato urinário em crianças

As infecções do trato urinário entre as crianças têm como característica possível anormalidade do trato urinário (p. ex., obstrução, bexiga neurogênica Bexiga neurogênica As anomalias congênitas da bexiga urinária frequentemente ocorrem sem outras anomalias do trato geniturinário. Podem causar infecções, retenção, incontinência e refluxo. As anomalias sintomáticas... leia mais Bexiga neurogênica , duplicação ureteral Anomalias por duplicação do ureter Frequentemente acontecem com anomalias renais, porém podem suceder de modo independente. As complicações incluem Obstrução, refluxo vesicouroteral, infecção e formação de cálculos (decorrente... leia mais ), cujo provável resultado é infecção recorrente se houver refluxo vesicoureteral Refluxo vesicoureteral O refluxo vesicoureteral é a passagem retrógrada da urina da bexiga de volta para o ureter e, às vezes, também para dentro do sistema coletor renal, dependendo da gravidade. O refluxo predispõe... leia mais . Cerca de 20 a 30% dos recém-nascidos e as crianças de 12 a 36 meses de idade com uma infecção do trato urinário têm refluxo vesicoureteral. Quanto mais jovem a criança na primeira uma infecção do trato urinário, maior a probabilidade de refluxo vesicoureteral. O refluxo vesicoureteral é classificado por graus ( Graus do refluxo vesicoureteral* Graus do refluxo vesicoureteral* A infecção do trato urinário (ITU) é definida por um número de colônias ≥ 5 × 104/mL em amostra de urina obtida por cateterização ou em crianças maiores com amostras repetidas de urina com ≥... leia mais ).

A infecção do trato urinário recurrente está claramente associada com RVU, especialmente refluxo vesicoureteral de graus mais altos. Essa associação provavelmente decorre de dois fatores—que refluxo vesicoureteral predispõe a infecções e infecções recorrentes podem piorar o refluxo vesicoureteral. A contribuição relativa de cada fator em crianças com uma infecção do trato urinário recorrente não está clara. Crianças com refluxo mais grave têm maior risco de desenvolver hipertensão e insuficiência renal (causadas por infecções repetidas e pielonefrite crônica), embora as evidências não sejam definitivas (ver tratamento do refluxo vesicoureteral Refluxo vesicoureteral A infecção do trato urinário (ITU) é definida por um número de colônias ≥ 5 × 104/mL em amostra de urina obtida por cateterização ou em crianças maiores com amostras repetidas de urina com ≥... leia mais ).

Tabela
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Microrganismos

Muitos organismos causam infecções no tratos urinários anatomicamente anormais.

Nos tratos urinários relativamente normais, os patógenos mais comuns são

E. coli causa > 80 a 90% das infecções do trato urinário na faixa etária pediátrica.

As causas remanescentes são outras enterobactérias Gram-negativas, especialmente Klebsiella Infecções por Klebsiella, Enterobacter e Serratia Bactérias Gram-negativas Klebsiella, Enterobacter e Serratia estão estreitamente relacionadas à flora intestinal normal que raramente provoca doença em hospedeiros normais. O diagnóstico é por... leia mais , Proteus mirabilis Infecções por Proteeae Os Proteeae fazem parte da flora fecal normal e frequentemente causam infecção em pacientes cuja flora normal foi alterada por terapia antibiótica. Os Proteeae constituem pelo menos 3 gêneros... leia mais e Pseudomonas aeruginosa Pseudomonas e infecções relacionadas Pseudomonas aeruginosa e outros membros deste grupo de bacilos Gram-negativos são patógenos oportunistas que frequentemente causam infecções adquiridas em hospitais, especialmente nos pacientes... leia mais . Enterococos Infecções por enterococos Enterococos são organismos aeróbios, facultativos Gram-positivos. Enterococcus faecalis e E. faecium causam uma variedade de infecções, incluindo endocardite, infecção do trato urinário, prostatite... leia mais e estafilococos coagulase negativos Infecções estafilocócicas Estafilococos são microrganismos Gram-positivos aeróbios. Staphylococcus aureus é o mais patogênico; em geral, causa infecções de pele e algumas vezes pneumonia, endocardite e osteomielite.... leia mais Infecções estafilocócicas (p. ex., Staphylococcus saprophyticus) são os organismos Gram-negativos implicados com mais frequência.

Fungos e micobactérias são causas raras que ocorrem em hospedeiros imunocomprometidos.

Os adenovírus raramente causam infecções do trato urinário e, quando são a causa, levam predominantemente a cistite hemorrágica, entre hospedeiros imunocomprometidos.

Sinais e sintomas

Nos recém nascidos, os sinais e sintomas da infecção do trato urinário não são específicos e incluem dificuldade alimentar, diarreia, má evolução ponderal, vômitos, icterícia leve (que costuma ser elevação direta de bilirrubina), letargia, febre e hipotermia. Também pode levar à sepse neonatal Sepsia neonatal A sepse neonatal é uma infecção bacteriana invasiva que ocorre durante o período neonatal. Os sinais são múltiplos, inespecíficos e incluem diminuição da atividade espontânea, ausência de sucção... leia mais .

Lactentes e crianças < 2 anos com uma infecção do trato urinário também podem apresentar sinais escassos de localização, como febre, sintomas gastrintestinais (p. ex., vômitos, diarreia, dor abdominal) ou urina com mau cheiro. Cerca de 4 a 10% dos recém-nascidos febris sem sinais localizados têm uma infecção do trato urinário.

Em crianças> 2 anos, pode ocorrer o quadro clássico de cistite ou pielonefrite. Os sintomas de cistite incluem disúria, frequência, hematúria, retenção urinária, dor suprapúbica, urgência, prurido, incontinência, urina com mau cheiro e enurese. Os sintomas de pielonefrite incluem febre alta, calafrios, dor costovertebral e dor à palpação.

Dados sugestivos associados a anormalidades do trato urinário incluem massas abdominais, rins volumosos, anormalidade do meato uretral e sinais de malformações da região inferior da coluna. Jato urinário fraco pode sugerir obstrução ou bexiga neurogênica.

Diagnóstico

  • Análise e cultura urinárias

  • Imagem do trato urinário

(Ver também as diretrizes práticas de 2011 e 2016 do American Academy of Pediatrics para o diagnóstico e tratamento da uma infecção do trato urinário inicial em lactentes febris e crianças com 2 a 24 meses.)

Exame de urina

Um diagnóstico confiável de infecção do trato urinário requer a presença de piúria no exame de urina e cultura bacteriana positiva na urina coletada, antes de um antimicrobiano ser administrado. Um diagnóstico de uma infecção do trato urinário provável pode ser feito pela presença de leucocitúrias na exame de urina, enquanto não saem os resultados da cultura. A maioria dos médicos obtém urina por cateterização transuretral em lactentes e crianças maiores, reservando a aspiração suprapúbica da bexiga para os meninos portadores de fimose moderada ou grave. Ambos os procedimentos devem ser realizados por pessoal especializado, porém a cateterização é menos invasiva, discretamente mais segura, com 95% de sensibilidade e 99% de especificidade quando comparada à aspiração suprapúbica. As amostras obtidas de sacos coletores não são confiáveis e não devem ser utilizadas para fins diagnósticos.

Os resultados dacultura de urina são interpretados com base nas contagens de colônias. Se a urina for obtida por cateterização ou aspiração suprapúbica, 5 × 104 colônias/mL comumente define a infecção do trato urinário. Amostras de jato médio obtidas após assepsia são significativas quando a contagem de colônias de um único agente patogênico (não a contagem total da “flora mista”) é 105/mL. Entretanto, às vezes, crianças sintomáticas podem ter uma infecção do trato urinário apesar da contagem baixa de colônias na cultura. A urina deve se examinada por exame de urina e submetida a cultura tão logo quanto possível ou estocada a 4° C se houver atraso > 10 minutos. Ocasionalmente, a uma infecção do trato urinário pode estar presente apesar de contagens menores do que as citadas, possivelmente devido a exposição anterior aos antibióticos, urina muito diluída (densidade específica < 1.003) ou obstrução do fluxo de urina grosseiramente infectada. Culturas estéreis geralmente afastam uma infecção do trato urinário, a menos que a criança esteja recebendo antibióticos ou a urina esteja contaminada com substâncias antibacterianas usadas na assepsia da pele.

Exame microscópico da urina, embora muito útil, não é definitivo. A piúria (> 5 leucócitos/campo de alta potência em sedimento urinário centrifugado) tem cerca de 96% de sensibilidade para uma infecção do trato urinárioe 91% de especificidade. O aumento do limiar da piúria para > 10 leucócitos/campo de alta potência na urina centrifugada diminui a sensibilidade para 81%, mas é mais específica (97%). A contagem de leucócitos (utilizando um hemocitômetro) > 10/mcL (0,01 × 109/L) em urina não centrifugada tem sensibilidade de 90%, porém não é utilizada pela maioria dos laboratórios. A presença de bactérias na exame de urina fresca centrifugada ou não é aproximadamente 80 a 90% sensível, mas apenas 66% específico; coloração de Gram de urina para detectar a presença de bactérias é cerca de 80% sensível e 80% específica.

Testes com tira reagente da urina para detectar bactérias gram-negativas (teste de nitrito) ou leucócitos (teste de leucócito esterase) são tipicamente feitos juntos; quando positivos, têm sensibilidade diagnóstica para uma infecção do trato urinário de cerca de 93 a 97% e especificidade aproximada de 72 a 93%. A sensibilidade é mais baixa para cada teste individual, especialmente para o teste de nitrito (cerca de 50% de sensibilidade), porque pode levar várias horas para o metabolismo bacteriano produzir nitritos, e a micção frequente das crianças pode impedir a detecção de nitritos. A especificidade do teste do nitrito é bastante alta (cerca de 98%); um resultado positivo em amostra de urina recente é altamente sugestivo de uma infecção do trato urinário. A sensibilidade do teste de leucocitoesterase é de 83 a 96% e a especificidade é de 78 a 90%.

Em uma análise multicêntrica recente de recém-nascidos com febre, a associação dos achados no exame de urina de piúria, esterase leucocitária positiva ou presença de nitritos foram 90 a 95% sensíveis e 91% específicos para uma infecção do trato urinário; na população estudada, isso resultou em um valor preditivo positivo de 40% e um valor preditivo negativo de 100% (1 Referência a exames de urina A infecção do trato urinário (ITU) é definida por um número de colônias ≥ 5 × 104/mL em amostra de urina obtida por cateterização ou em crianças maiores com amostras repetidas de urina com ≥... leia mais ).

É difícil diferenciar entre uma infecção do trato urinário superior e inferior. Febre elevada, sensibilidade dolorosa no ângulo costovertebral e piúria intensa com cilindros sugerem pielonefrite; um nível elevado de proteína C-reativa também tende a estar associado à pielonefrite. Entretanto, muitas crianças sem esses sinais e sintomas podem ter uma infecção do trato urinário alta. Testes para diferenciar essas duas situações não são indicados na maioria das clínicas, porque essa diferenciação não afeta o tratamento.

Referência a exames de urina

  • 1. Tzimenatos L, Mahajan P, Dayan PS, et al: Accuracy of the urinalysis for urinary tract infections in febrile infants 60 days and younger. Pediatrics 141(2):e20173068, 2018. doi: 10.1542/peds.2017-3068.

Exames de sangue

Hemograma completo e testes para processos inflamatórios (velocidade de sedimentação dos eritrócitos, proteína C-reativa) podem ajudar a diagnosticar infecção nas crianças em situações de achados urinários limítrofes. Alguns especialistas avaliam os valores de ureia e creatinina no primeiro episódio de uma infecção do trato urinário. As hemoculturas são apropriadas para aqueles lactentes com infecções do trato urinário e para crianças > 1 a 2 anos com aspecto toxêmico.

Exames de imagens do trato urinário

Atualmente, muitas anomalias renais ou urológicas são diagnosticadas em útero por ultrassonografia no exame pré-natal de rotina, mas um resultado normal não exclui completamente a possibilidade de anomalias anatômicas. Assim, ultrassonografia renal e vesical é normalmente feita em crianças < 3 anos de idade após a primeira infecção urinária febril. Alguns médicos fazem exames de imagem em crianças de 7 anos ou mais.

Ultrassonografia renal e vesical ajuda a excluir obstrução e hidronefrose em crianças com uma infecção do trato urinário febris e geralmente são feitas depois de uma semana do diagnóstico de uma infecção do trato urinário em lactentes. A ultrassonografia é feita em 48 h se os recém-nascidos não respondem rapidamente aos antimicrobianos ou se sua doença é extraordinariamente grave. Depois da infância, a ultrassonografia pode ser feita em poucas semanas após o diagnóstico de uma infecção do trato urinário.

Uretrocistografia miccional (UCM) e cistografia radionuclídeo (CRN) são melhores do que a ultrassonografia para detectar refluxo vesical-ureteral e anormalidades anatômicas e, anteriormente, eram recomendadas para a maioria das crianças depois de uma primeira infecção do trato urinário. Entretanto, UCM e CRN envolvem o uso de radiação e são mais desconfortáveis do que a ultrassonografia. Além disso, o papel que o refluxo vesicoureteral desempenha no desenvolvimento de doença renal crônica está sendo reavaliado, tornando o diagnóstico imediato do refluxo vesicoureteral menos urgente. Assim, UCM não é mais recomendada rotineiramente após a primeira infecção do trato urinário em crianças, especialmente se a ultrassonografia é normal e se as crianças respondem rapidamente à terapia antibiótica. UMC geralmente é reservada para crianças com os seguintes:

  • Anormalidades ultrassonográficas (p. ex., cicatrizes, hidronefrose significativa, evidência de uropatia obstrutiva ou achados que sugerem refluxo vesicoureteral)

  • Uma infecção do trato urinário complexa (febre alta persistente, organismo que não a E. coli)

  • Infecções do trato urinário febris recorrentes

Se UCM deve se feita, ela é realizada no momento inicial mai conveniente depois da resposta clínica, tipicamente no final do tratamento, quando a reatividade vesical tiver sido resolvida e a esterilidade urinária recuperada. Se a imagem não tiver sido normalizada até o final do tratamento, a terapia deverá ser completada e as crianças devem continuar a receber antibióticos em doses profiláticas até que seja eliminado o refluxo vesicoureteral.

A cintilografia agora é usada principalmente para detectar evidências de cicatrizes renais. É feita com ácido dimercaptosuccínico (DMSA) de tecnécio 99m, que produz imagens do parênquima renal. A varredura com DMSA não é um teste de rotina, mas pode ser feita se as crianças têm fatores de risco como resultados anormais de ultrassonografia, febre alta e organismos que não a E. coli.

Prognóstico

A criança bem tratada raramente evolui para insuficiência renal, a menos que haja anormalidades do trato urinário sem resolução. Entretanto, admite-se que infecções repetidas, particularmente na presença do refluxo vesicoureteral, possam resultar em cicatrização renal (o que não foi provado), que pode levar a hipertensão e nefropatia em fase final. RVU em grau elevado tem taxa 4 a 6 vezes maior de cicatrização renal a longo prazo do que o refluxo vesicoureteral de menor grau e incidência 8 a 10 vezes maior do que em crianças que não apresentam o refluxo vesicoureteral. O risco de cicatrizes após ITU recorrente (≥ 2 episódios febris) é tão elevado quanto 25%, ou 10 a 15 vezes maior do que em crianças com uma única ITU febril; entretanto, poucas crianças terão ITU febril recorrente.

Tratamento

  • Antibióticos

  • Para refluxo vesicoureteral grave, por vezes antibiótico profilático e correção cirúrgica

O objetivo do tratamento da infecção do trato urinário é eliminar a infecção aguda, prevenir a urosepse e preservar a função do parênquima renal. Iniciam-se antibióticos presuntivamente em todas as crianças com aspecto toxêmico e naquelas não toxêmicas com provável ITU (positividade para esterase leucocitária, nitritos ou piúria). Outros podem aguardar os resultados da cultura de urina, que são importantes tanto para confirmar o diagnóstico da uma infecção do trato urinário como para revelar resultados de susceptibilidade aos antimicrobianos.

Lactentes de 2 meses a 2 anos toxêmicos, desidratados ou incapazes de manter ingestão oral recebem antibioticoterapia parenteral, como a cefalosporina de 3ª geração (p. ex., ceftriaxona 75 mg/kg IV/IM a cada 24 h, cefotaxima 50 mg/kg IV a cada 6 ou 8 h). A cefalosporina de 1ª geração (p. ex., cefazolina) pode ser usada se os microrganismos patogênicos tiverem sensibilidade conhecida. Os aminoglicosídios (p. ex., gentamicina), embora potencialmente nefrotóxicos, podem ser úteis no tratamento contra bacilos gram-negativos potencialmente resistentes, como no caso das Pseudomonas em infecções do trato urinário complexas (p. ex., anormalidades do trato urinário, presença de cateter permanente, uma infecção do trato urináriorecorrentes).

Se as hemoculturas são negativas e a resposta clínica é boa, pode-se utilizar antibióticos orais apropriados (p. ex., cefixima, cefalexina, sulfametoxazol/trimetoprima [SMX-TMP], amoxicilina/ácido clavulânico ou uma fluoroquinolona para crianças selecionadas > 1 ano de idade com uma infecção do trato urináriocomplicada causada por E. coli, P. aeruginosa resistentes a muitos fármacos ou outra bactéria Gram-negativa, uma fluoroquinolona), escolhidos com base na sensibilidade antimicrobiana e utilizados para completar um esquema de 7 a 14 dias. Resposta clínica ruim sugere microrganismo resistente ou lesão obstrutiva, havendo a necessidade de avaliação urgente com ultrassonografia e repetição da urocultura.

Lactentes e crianças não toxêmicas, hidratadas e capazes de reter a medicação oral podem receber os antibióticos por via oral desde o início do tratamento. O fármaco de escolha é sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP), 5 a 6 mg/kg 2 vezes/dia (do componente TMP). Alternativas incluem cefalosporinas, como cefixima 8 mg/kg uma vez ao dia, cefalexina 25 mg/kg 4 vezes/dia ou amoxicilina/ácido clavulânico, 15 mg/kg/dose 3 vezes ao dia. O tratamento pode mudar em função dos resultados das culturas e dos antibiogramas. O tratamento é tipicamente por 7 a 14 dias, embora cursos mais curtos de tratamento estejam sendo avaliados. Repete-se a urocultura após 2 a 3 dias depois do início da terapia apenas se não houver melhora clínica aparente.

Refluxo vesicoureteral

Admite-se, em geral, que a profilaxia antibiótica reduz as recorrências de uma infecção do trato urinárioe previne lesões renais e deve ser iniciada depois da primeira ou segunda uma infecção do trato urináriofebril em crianças com refluxo vesicoureteral. Mas essa conclusão não se baseava em ensaios clínicos controlado por placebo a longo prazo (importante porque foi observado que boa parte do refluxo vesicoureteral diminui com o tempo à medida que as crianças crescem). Um grande ensaio clínico randomizado controlado, o estudo Randomized Intervention for Children with Vesicoureteral Reflux (RIVUR) (1 Referências sobre tratamento A infecção do trato urinário (ITU) é definida por um número de colônias ≥ 5 × 104/mL em amostra de urina obtida por cateterização ou em crianças maiores com amostras repetidas de urina com ≥... leia mais ), mostrou que a profilaxia com antibióticos usando sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP) reduziu as recorrências de uma infecção do trato urinárioem 50% (de cerca de 25% a 13%) em comparação ao placebo, mas não mostrou diferença na taxa de cicatrização renal em 2 anos (8% em cada grupo). Além disso, as crianças no estudo que desenvolveram uma infecção do trato urinárioao tomar antibióticos profiláticos tinham uma probabilidade 3 vezes maior de serem infectadas por organismos resistentes. Entretanto, como é provável que o período de seguimento de 2 anos seja demasiado curto para tirar conclusões definitivas em relação à prevenção de cicatrizes renais, estudos adicionais podem mostrar que a profilaxia antibiótica fornece alguma proteção renal, mas com um aumento no risco de infecções resistentes a antibióticos. Assim, a estratégia ideal permanece relativamente incerta.

Contudo, para crianças com refluxo vesicoureteral grau IV ou V, costuma-se recomendar correção aberta ou injeção endoscópica de agentes poliméricos em volume, muitas vezes junto com profilaxia antibiótica até a correção estar completa. Para as crianças com graus mais baixos de refluxo vesicoureteral, pesquisas adicionais são necessárias. Como é improvável que complicações renais ocorram depois de apenas uma ou duas infecções do trato urinário, estratégia aceitável que ainda precisa de pesquisas adicionais pode ser realizar o monitoramento atento da infecções do trato urinário em crianças, tratá-las à medida que ocorrem e então reconsiderar a profilaxia antimicrobiana nessas crianças com infecções recorrentes.

Fármacos profiláticos comumente utilizados, se a profilaxia é desejada, incluem nitrofurantoína 2 mg/kg por via oral uma vez ao dia ou sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP) 3 mg/kg por via oral (do componente TMP) uma vez ao dia (2 Referências sobre tratamento A infecção do trato urinário (ITU) é definida por um número de colônias ≥ 5 × 104/mL em amostra de urina obtida por cateterização ou em crianças maiores com amostras repetidas de urina com ≥... leia mais ), geralmente à noite, na hora de deitar.

Referências sobre tratamento

Pontos-chave

  • Infecções do trato urinário em crianças são frequentemente associadas a anomalias do trato urinário como obstrução, bexiga neurogênica e duplicação ureteral.

  • O pico de idade da uma infecção do trato urinárioé bimodal, um pico na fase da lactância e o outro geralmente no momento do treinamento de higiene para muitas crianças.

  • E. coli causa a maioria das infecções do trato urinário em todas as faixas etárias pediátricas; as demais causas geralmente são enterobactérias Gram-negativas (p. ex., Klebsiella, P. mirabilis, P. aeruginosa); organismos Gram-positivos frequentemente envolvidos são enterococos e estafilococos coagulase-negativo (p. ex., S. saprophyticus).

  • Recém-nascidos e crianças < 2 anos de idade com sinais e sintomas inespecíficos (p. ex., má alimentação, diarreia, má evolução ponderal, vômitos) podem ter uma uma infecção do trato urinário; crianças > 2 anos geralmente manifestam sinais e sintomas de cistite ou pielonefrite.

  • Iniciam-se antibióticos presuntivamente em todas as crianças com aspecto toxêmico e naquelas não toxêmicas com evidências de positividade para esterase leucocitária, nitritos ou piúria.

  • Para as crianças com refluxo vesicoureteral de alto grau, a profilaxia antibiótica é administrada até a correção cirúrgica ser feita; no refluxo vesicoureteral de graus menores, o benefício dos antibióticos profiláticos é incerto e o monitoramento atento para uma infecção do trato urináriorecorrente pode ser uma estratégia de tratamento aceitável para crianças específicas.

Informações adicionais

  • 2011 practice guidelines for the diagnosis and management of the initial uma infecção do trato urinárioin febrile infants and children 2 to 24 months from the American Academy of Pediatrics

  • Reaffirmed 2016 practice guidelines for the diagnosis and management of the initial ITU in febrile infants and children 2 to 24 months from the American Academy of Pediatrics

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