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Doença da descompressão

(Doença de Caisson, The Bends)

Por

Richard E. Moon

, MD, Duke University Medical Center

Última modificação do conteúdo jul 2019
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A doença da descompressão ocorre quando rápida redução da pressão (p. ex., durante a subida de um mergulho, saída de uma cápsula ou câmara hiperbárica ou subida para altitude) causa gás previamente dissolvido em sangue ou tecidos para formar bolhas nos vasos sanguíneos. Os sintomas típicos incluem dor, sintomas neurológicos ou ambos. Casos graves podem ser fatais. O diagnóstico é clínico. O tratamento definitivo é feito com terapia de descompressão. As técnicas corretas de mergulho são essenciais para prevenção.

As leis de Henry afirmam que a solubilidade do gás em líquido é diretamente proporcional à pressão exercida no gás e no líquido. Assim, a quantidade de gases inertes (p. ex., nitrogênio ou hélio) dissolvidos no sangue e tecidos aumenta em uma pressão mais alta.

Durante a subida, quando a pressão circundante diminui, pode haver a formação de bolhas (principalmente de nitrogênio). As bolhas de gás liberadas podem aumentar em qualquer tecido e causar sintomas locais, ou podem percorrer a via sanguínea e alcançar órgãos distantes (embolismo gasoso arterial). As bolhas causam sintomas ao bloquear vasos, romper ou comprimir tecidos, induzir a lesão endotelial e extravasamento de plasma ou ativar cascatas de coagulação e inflamatórias. Como o nitrogênio se dissolve rapidamente na gordura, os tecidos com alto teor de lipídios (p. ex., no sistema nervoso central) são particularmente suscetíveis.

Fatores de risco da doença da descompressão

A doença da descompressão ocorre em cerca de 2 a 4/10.000 mergulhadores recreacionais. A incidência é maior entre mergulhadores comerciais, que muitas vezes têm pequenas lesões musculoesqueléticas. Os fatores de risco incluem:

  • Mergulhos de baixa temperatura

  • Desidratação

  • Exercício após mergulho

  • Fadiga

  • Voar depois de mergulhar

  • Obesidade

  • Idade avançada

  • Mergulhos prolongados ou profundos

  • Subidas rápidas

  • Derivação cardíaca direita-esquerda

Como o excesso de nitrogênio permanece dissolvido nos tecidos do corpo durante pelo menos 12 horas depois de cada mergulho, mergulhos repetidos depois de 1 dia têm maior probabilidade de causar doença de descompressão. Esta também pode se desenvolver se a pressão diminuir abaixo da pressão atmosférica (p. ex., por exposição à altitude).

Classificação da doença de descompressão

Geralmente, há 2 tipos de doença da descompressão:

  • Envolvimento das articulações, pele, linfonodos ou tipo I, é mais leve e costuma não ser fatal.

  • Envolvimento neurológico ou cardiorrespiratório, ou tipo II, que é grave, é algumas vezes potencialmente fatal e afeta vários sistemas de órgãos.

Embora a medula espinal seja especialmente vulnerável, outras áreas vulneráveis incluem cérebro, sistema respiratório (p. ex., embolismo pulmonar) e sistema circulatório (p. ex., insuficiência cardíaca, choque cardiogênico).

O termo the bends refere-se à articulação local ou à dor muscular em razão da doença da descompressão, porém é utilizado com frequência como sinônimo para qualquer componente de distúrbio.

Sinais e sintomas

Sintomas graves podem se manifestar dentro de minutos na superfície; porém, na maioria dos pacientes, os sintomas começam gradualmente, às vezes com pródromo de mal-estar, fadiga, anorexia e cefaleia. Os sintomas ocorrem dentro de 1 hora em superfície em 50% dos pacientes, e em torno de 6 horas em 90%. Raramente, os sintomas podem se manifestar de 24 a 48 horas após a chegada à superfície, especialmente após exposição a altitude depois do mergulho (como viagem aérea).

Doença da descompressão tipo I costuma causar dor que piora progressivamente em articulações (em geral, cotovelos e ombros) e músculos; em geral, a dor não se intensifica durante o movimento e é descrita como “profunda” e “incômoda”. Outras manifestações clínicas incluem a linfadenopatia, manchas na pele, prurido e exantema.

Doença da descompressão tipo II tende a causar sintomas neurológicos e, às vezes, respiratórios. Se manifesta com paresia típica, falta de sensibilidade, formigamento, dificuldade urinária e perda dos controles intestinal e renal. Cefaleia e fadiga podem se apresentar, mas não são específicas. Tontura, tinidos e perda de audição podem ocorrer caso a orelha interna seja afetada. Sintomas graves incluem convulsões, fala distorcida, perda da visão, confusão e coma. Pode ocorrer morte.

Asfixia (doença de descompressão respiratória) é rara, porém é uma manifestação grave; os sintomas incluem falta de ar, dor torácica e tosse, resultantes de edema pulmonar. A embolização massiva de bolhas da árvore vascular pulmonar pode resultar em colapso circulatório rápido e morte.

Osteonecrose disbárica é uma manifestação tardia da doença da descompressão e costuma ocorrer sem nenhum sintoma prévio. Consiste em forma insidiosa de osteonecrose causada por exposições repetidas prolongadas ou próximas de pressões aumentadas (normalmente, em pessoas trabalhando em ar comprimido e em mergulhos profissionais profundos, mais que em mergulho esportivo). A piora das superfícies articulares de ombro e quadril podem causar dor crônica e incapacidade grave.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

O diagnóstico é clínico. TC e ressonância nuclear magnética (RM) podem ser úteis para excluir outros distúrbios que causam sintomas similares (p. ex., hérnia do disco invertebral, derrame isquêmico, hemorragia do sistema nervoso central). Embora esses estudos possam mostrar anormalidades na medula espinal ou cerebral, não são sensíveis para doença da descompressão e o tratamento deve, normalmente, começar com base na suspeita clínica.

A embolia gasosa arterial pode causar manifestações similares (para comparação das características, ver Embolia gasosa arterial e doença da descompressão). Contudo, o tratamento imediato para ambos é semelhante.

Para osteonecrose disbárica, radiografia óssea pode mostrar degeneração articular, a qual não pode ser distinguida daquela causada por outras doenças articulares; a RM é normalmente diagnóstica.

Dicas e conselhos

  • Se houver suspeita de doença da descompressão, iniciar a recompressão imediatamente, sem esperar o resultado de exames diagnósticos.

Tratamento

  • Oxigênio a 100%

  • Terapia de recompressão

  • Fluidoterapia para manter o volume intravascular

Cerca de 80% dos pacientes se recuperam completamente.

Inicialmente, alto fluxo de oxigênio a 100% aumenta a eliminação de nitrogênio liberado pela maior pressão do gradiente entre os pulmões e a circulação, acelerando assim a reabsorção das bolhas embólicas.

Para restaurar o volume intravascular perdido, indica-se reposição de líquidos por via oral (com água comum) para pacientes alertas com manifestações leves. Indicam-se líquidos IV isotônicos sem glicose para pessoas com manifestações graves.

Indica-se terapia de descompressão para todos os pacientes, exceto talvez aqueles cujos sintomas limitam-se a prurido, manchas na pele e fadiga, que podem ser tratados apenas com oxigênio; deve-se observar os pacientes quanto a deteriorações. Transportam-se os pacientes com sintomas mais graves para uma instituição de descompressão apropriada. Como o tempo de tratamento e a gravidade da lesão são importantes determinantes do resultado, o transporte não deve ser retardado para desempenho de procedimentos não essenciais.

Se a evacuação de ar for requerida, é preferível um avião com capacidade de pressão interna de 1 atm. Em aeronaves não pressurizadas, deve-se manter uma baixa altitude [< 609 m (< 2.000 pés)] e administrar oxigênio continuamente. Companhias aéreas comerciais normalmente têm pressão de cabine equivalente a 2.438 m (8.000 pés) em atitude normal de cruzeiro, o que pode exacerbar os sintomas. Voar em avião comercial logo após mergulho pode precipitar os sintomas.

Prevenção

Normalmente, a formação significante de bolhas pode ser evitada por limitação da profundidade e duração dos mergulhos em amplitude que não necessita de descompressão durante a subida (chamadas de sem limites) ou por subida com paradas de descompressão, como especificado em diretrizes publicadas (p. ex., a tabela de descompressão no capítulo Diagnosis and Treatment of Decompression Sickness do US Navy Diving Manual). Muitos mergulhadores usam um computador portátil de mergulho que traça continuamente a profundidade e o tempo de profundidade e calcula o tempo da descompressão.

Também, muitos mergulhadores fazem uma parada de segurança por alguns minutos a cerca de 4,6 m (15 pés) abaixo da superfície. Contudo, os casos podem ocorrer após mergulhos feitos sem respeitar as paradas estabelecidas, e a incidência da doença de descompressão não diminuiu apesar do uso disseminado de computadores de mergulho (embora possam ocorrer menos casos graves).

Mergulhos com < 24 horas de intervalo (mergulhos repetitivos) requerem técnicas especiais para determinar os procedimentos de descompressão apropriados.

Pontos-chave

  • Os sintomas da doença da descompressão ocorrem dentro de 1 hora em superfície em 50% dos pacientes afetados, e em até 6 horas em 90%.

  • Se há suspeita da doença, iniciar alto fluxo de oxigênio a 100% e providenciar o transporte mais rápido possível para uma câmara de recompressão, usando transporte terrestre ou aéreo com capacidade de 1 atmosfera de pressão interna.

  • Orientar os mergulhadores a seguir as recomendações estabelecidas (p. ex., profundidade e duração de mergulho, uso de paradas de descompressão durante a subida) que diminuem o risco de doença de descompressão.

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