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Tratamento das agudizações da asma

Por

Victor E. Ortega

, MD, PhD, Center for Genomics and Personalized Medicine Research, Wake Forest School of Medicine;


Frank Genese

, DO,

  • Wake Forest School of Medicine

Última modificação do conteúdo jul 2019
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O objetivo do tratamento da exacerbação da asma é o alívio dos sintomas e o retorno dos pacientes a sua melhor função pulmonar. O tratamento é feito com:

Instruir os pacientes com crise de asma a autoadministrar 2 a 4 borrifos de albuterol inalatório ou um agonista beta 2 de ação rápida semelhante, até 3 vezes com intervalos de 20 minutos em caso de crise e, se possível, aferir o pico de fluxo expiratório (PFE). Quando esses fármacos de resgate de curta duração forem eficazes (os sintomas são aliviados e há retorno do PFE > 80% do basal), a agudização pode ser tratada em regime ambulatorial. Pacientes que não respondem, têm sintomas graves ou PFE persistentemente < 80% devem seguir o programa terapêutico prescrito pelo médico ou procurar um pronto-socorro (para informações sobre doses específicas, ver Tratamento farmacológico das crises de asma).

Tabela
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Tratamento farmacológico das exacerbações da asma*, †

Fármaco

Forma

Dosagem em crianças

Dosagem em adultos

Comentários

Beta-2 agonistas sistêmicos

Adrenalina

Solução injetável: 1 mg/mL (1:1.000)

0,01 mL/kg/dose por via subcutânea (máximo de 0,4–0,5 mL a cada 20 minutos para 3 doses ou a cada 4 horas conforme necessário)

0,2–0,5 mg por via subcutânea, a cada 20 minutos (máximo de 3 doses) ou a cada 2 horas, de acordo com a necessidade

A administração subcutânea não é mais eficaz do que a inalação e pode ter mais efeitos adversos.

O uso em adultos é controverso e pode ser contraindicado em caso de doença cardiovascular grave.

Terbutalina

Solução injetável: 1 mg/mL

< 12 anos: 0,005–0,01 mg/kg a cada 20 minutos até 3 doses; pode ser repetida a cada 2–6 h conforme necessário

12 anos: mesma que para adultos

0,25 mg SC 1 vez

Pode repetir em 15–30 minutos (máximo de 0,5 mg durante 4 horas)

Beta-2 agonistas de curta ação

Albuterol

HFA: 90 mcg/puff

Mesmo que para adultos

4–8 jatos a cada 20 minutos, até 3 doses; então a cada 1–4 horas, de acordo com a necessidade

IDM é tão eficaz quanto a solução para nebulização, se o paciente puder coordenar a manobra de inalação, utilizando um espaçador e segurando a câmara.

Solução para nebulização: 5 mg/mL e 0,63, 1,25 e 2,5 mg/3mL

0,15 mg/kg (mínimo de 2,5 mg) a cada 20 minutos até 3 doses; a seguir, 0,15–0,3 mg/kg até 10 mg a cada 1–4 horas conforme necessário

Alternativamente, nebulização contínua a 0,5 mg/kg/hora

2,5–5 mg a cada 20 minutos até 3 doses, a seguir 2,5–10 mg a cada 1–4 horas conforme necessário

Alternativamente, nebulização contínua a 10–15 mg/hora é igualmente eficaz, mas aumenta a frequência dos efeitos adversos.

Levalbuterol

HFA: 90 mcg/puff

Mesmo que para adultos

4–8 jatos a cada 20 minutos, até 3 doses; então a cada 1–4 horas, de acordo com a necessidade

O levalbuterol é o isômero R do albuterol.

A dose de 0,63 mg é equivalente a 1,25 mg de albuterol racêmico

O levalbuterol pode ter menos efeitos adversos que o albuterol.

Solução para nebulização: 0,63 e 1,25 mg/3 mL

0,075 mg/kg (mínimo de 1,25 mg) a cada 20 minutos até 3 doses; a seguir, 0,075–0,15 mg/kg até 5 mg a cada 1–4 horas conforme necessário

Alternativamente, nebulização contínua a 0,25 mg/kg/hora

1,25–2 mg a cada 20 minutos até 3 doses; a seguir, 1,25–5 mg a cada 1–4 horas conforme necessário

Alternativamente, nebulização contínua a 5–7,5 mg/hora

Anticolinérgicos

Ipratrópio

Solução para nebulização: 500 mcg/2,5 mL (0,02%)

0,25–0,5 mg a cada 20 minutos até 3 doses, então a cada 2–4 horas conforme necessário

0,5 mg a cada 20 minutos até 3 doses, então a cada 2–4 horas conforme necessário

Deve-se acrescentar o ipratrópio a beta 2-agonistas e não usá-lo como terapia de primeira linha.

Pode ser misturado no mesmo nebulizador como o albuterol.

A dose liberada pelo IDM é baixa e não foi estudada nas exacerbações

Combinação de fármacos

Ipratrópio e albuterol

SMI:

Ipratrópio, 20 mcg, e albuterol, 100 mcg/jato

Mesmo que para adultos

1 jato a cada 30 minutos para completar 3 doses, então a cada 2–4 horas de acordo com a necessidade

O ipratrópio prolonga o efeito broncodilatador do albuterol.

Solução para nebulização: 0,5 mg de ipratrópio e 2,5 mg de albuterol, em um frasco de 3 mL

1,5 mL a cada 20 minutos, até 3 doses; a seguir, a cada 2–4 horas, de acordo com a necessidade

3 mL a cada 30 minutos, até 3 doses; a seguir, a cada 2–4 horas, de acordo com a necessidade

Corticoides sistêmicos

Metilprednisolona

Comprimidos: 2, 4, 8 16 e 32 mg

Paciente internado: 1 mg/kg, a cada 6 horas, por 48 horas; a seguir, 0,5–1,0 mg/kg duas vezes ao dia (máximo: 60 mg/dia), até o PFE = 70% do previsto ou do melhor resultado individual

Tratamento ambulatorial: 0,5–1,0 mg/kg duas vezes por dia (máximo de 60 mg/dia, por 3–5 dias)

Paciente internado: 40–60 mg, a cada 6 ou 8 horas, por 48 horas; a seguir, 60–80 mg/dia, até o PFE alcançar 70% do previsto ou do melhor individual

Tratamento ambulatorial: 40–60 mg, em dose única ou dividida em 2 por 5–7 dias

Não há qualquer vantagem na administração por via intravenosa sobre a oral, se a função gastrintestinal estiver normal.

Não há vantagem em elevar as doses nas exacerbações graves.

O esquema habitual é manter as doses diárias múltiplas e frequentes, até que o paciente alcance FEV1 ou PFE de 50% do previsto ou do melhor individual; em seguida, diminuir a dose para 2 vezes ao dia, geralmente dentro de 48 horas.

A terapia após a hospitalização ou visita ao departamento de emergência pode durar de 5–10 dias.

Não há necessidade de diminuição gradativa, se os pacientes também estiverem usando corticoides inaláveis.

Prednisolona

Comprimidos: 5 mg

Comprimidos de desintegração oral: 10, 15 e 30 mg

Solução: 5, 10, 15, 20 e 25 mg/5 mL

Prednisona

Comprimidos: 1, 2,5, 5, 10, 20 e 50 mg

Solução: 5 mg/mL ou 5 mg/5 mL

* Todas as idades, salvo especificação em contrário.

† A quantidade e o tempo das doses vigentes são ditados pela resposta clínica.

PS = pronto-socorro; VEF1 = volume expiratório forçado no primeiro segundo; HFA = hidrofluoralcano; MDI = inalador dosimetrado; PFE = pico de fluxo expiratório; SMI = inalador de névoa suave.

Adaptado de National Heart, Lung, and Blood Institute: Expert Panel Report 3: Guidelines for the diagnosis and management of asthma — relatório final de 2007. August 28, 2007. Disponível em www.nhlbi.nih.gov/guidelines/asthma/asthgdln.pdf.

Cuidados no serviço de emergência

Broncodilatadores inalatórios (beta 2-agonistas e anticolinérgicos) constituem o alicerce do tratamento da asma no setor de emergência. Para adultos e crianças maiores, o albuterol administrado por inalador dosimetrado (IDM) e espaçador é tão efetivo quanto o administrado por nebulizador. O tratamento nebulizado é preferido para crianças menores por causa da dificuldades na coordenação de inaladores dosimetrados e espaçadores. Deve-se enfatizar que, contrariamente à crença popular, nenhum dado favorece a nebulização contínua com um agonista beta-2 em relação à administração intermitente. Evidências sugerem que a resposta ao broncodilatador melhora quando o nebulizador é alimentado com uma mistura de hélio e oxigênio (heliox) e não com oxigênio. Dada sua densidade mais baixa, acredita-se que o hélio ajude na administração de broncodilatadores para as vias respiratórias distais. Entretanto, aspectos técnicos do uso de hélio para nebulização (disponibilidade, calibração da concentração de hélio, necessidade de máscaras personalizadas para evitar diluição com o ar ambiente) limitaram sua aceitação generalizada.

A adrenalina subcutânea, na solução de 1:1.000, ou a terbutalina constitui alternativa para as crianças. Pode-se dar preferência à terbutalina, em vez da adrenalina, em decorrência da menor quantidade de efeitos cardiovasculares e duração mais longa, mas esse fármaco não é mais produzido em grande quantidade e é dispendioso.

A administração subcutânea de beta 2-agonistas teoricamente é problemática para adultos, em virtude dos efeitos estimulantes cardíacos adversos. No entanto, os efeitos deletérios clinicamente demonstráveis são poucos, de maneira que a administração subcutânea pode ser benéfica para pacientes que não respondem à terapia máxima com inalação ou para aqueles que são incapazes de receber tratamento efetivo com nebulização (p. ex., aqueles que estejam tossindo excessivamente, tenham ventilação inadequada, ou demonstrem pouca cooperação).

Ipratrópio nebulizado pode ser coadministrado com albuterol nebulizado em pacientes que não respondem de maneira ideal ao albuterol isoladamente; algumas evidências favorecem o uso simultâneo de altas doses de beta-2 agonista e ipratrópio como o tratamento de primeira linha.

Deve-se administrarcorticosteroides sistêmicos (prednisona, prednisolona, metilprednisolona) para todas, exceto as agudizações mais leves; são desnecessários para pacientes cujo PFE normaliza após 1 ou 2 doses de broncodilatador. As vias de administração intravenosa e oral são igualmente efetivas. Pode aplicar-se metilprednisolona por via intravenosa, se houver a disponibilidade deste acesso, sendo possível passar para a dosagem oral quando necessário ou conveniente. Em geral, recomendam-se doses mais altas (50 a 60 mg de prednisona 1 vez/dia) para o tratamento das exacerbações mais graves que requerem internação, enquanto reservam-se doses mais baixas (40 mg, 1 vez/dia) para o tratamento ambulatorial das exacerbações mais leves. Embora evidências sobre a dose ideal e duração sejam fracas, recomenda-se tratamento com duração de 3 a 5 dias em crianças e 5 a 7 dias em adultos pela maioria das diretrizes e deve ser adaptado à gravidade e duração de cada exacerbação (1, 2).

A teofilina tem pouca indicação para o tratamento da crise de asma.

O sulfato de magnésio relaxa a musculatura lisa, mas a eficácia do tratamento da exacerbação da asma no pronto-socorro é controversa.

Indicam-se antibióticos apenas quando a história, exame ou radiografia de tórax sugere infecção bacteriana subjacente; a maioria das infecções subjacentes às exacerbações da asma é provavelmente de origem viral.

Indica-se suplementação de oxigênio para a hipoxemia e deve ser administrada por cânula nasal ou máscara facial a uma taxa de fluxo ou concentração suficiente para manter a saturação de oxigênio em > 90%.

O restabelecimento da confiança é a melhor abordagem quando a ansiedade é a causa da exacerbação da asma. Ansiolíticos e morfina são relativamente contraindicados porque estão associados à depressão respiratória, e a morfina pode causar reações anafiláticas por liberação de histamina pelos mastócitos; esses fármacos podem aumentar o número de óbitos e a necessidade de ventilação mecânica.

Hospitalização

Em geral, é necessária hospitalização se os pacientes não retornarem ao estado basal em 4 horas de tratamento agressivo no pronto-socorro. Os critérios para internação variam, mas indicações definitivas são

  • Não há melhora

  • Agravamento da fadiga

  • Recidiva após terapia repetida com beta-2 agonista

  • Diminuição significativa na PaO2 (a < 50 mmHg)

  • Aumento significativo na (PaCO2 a > 40 mmHg)

Aumento significativo na PaCO2 indica progressão para insuficiência respiratória.

Ventilação não invasiva com pressão positiva (VNIPP) pode ser necessária em pacientes cuja condição continua a deteriorar-se apesar do tratamento agressivo, para aliviar o trabalho respiratório. Entubação endotraqueal e ventilação mecânica invasiva podem ser necessárias no caso de insuficiência respiratória. Pode-se usar a VNIPP para prevenir a entubação se usada precocemente no curso de uma exacerbação grave e deve ser considerada em pacientes com desconforto respiratório agudo com um nível de CO2 que é inapropriadamente alto em relação ao grau de taquipneia. Deve ser reservada para as crises que, apesar do tratamento imediato com broncodilatadores e corticoides sistêmicos, evoluem para desconforto respiratório, segundo critérios como taquipneia (frequência respiratória > 25 incursões por minuto), uso de músculos respiratórios acessórios, PaCO2 > 40, mas < 60 mmHg e hipoxemia. Deve-se usar ventilação mecânica em vez de VNIPP se os pacientes tiverem qualquer um dos seguintes:

  • PaCO2 > 60 mmHg

  • Diminuição do nível de consciência

  • Excesso de secreções respiratórias

  • Anormalidades faciais (cirúrgicas, traumáticas) que podem impedir o uso de ventilação não invasiva

Deve-se considerar veementemente ventilação mecânica se não houver melhora convincente após 1 hora da VNIPP.

Entubação e ventilação mecânica permite fornecer sedação para aliviar ainda mais o trabalho respiratório, mas deve-se evitar o uso rotineiro de agentes bloqueadores neuromusculares por causa das possíveis interações com corticoides que podem provocar o prolongamento da fraqueza neuromuscular.

Em geral, utiliza-se a ventilação controlada por volume no modo controle assistido, pois propicia ventilação alveolar constante quando a resistência das vias respiratórias é elevada e está se modificando. O ventilador deve ser programado em uma frequência relativamente baixa, com uma taxa de fluxo inspiratório relativamente elevada (> 80 L/minuto) para prolongar o tempo de expiração, minimizando a pressão expiratória final positiva (auto-PEEP). É possível ajustar os volumes correntes iniciais para 6 a 8 mL/kg do peso corporal ideal, e deve-se usar PEEP extrínseca para facilitar o acionamento iniciado pelo paciente e minimizar a dissincronia do ventilador ou a auto-PEEP. Em geral, pressões de pico alto das vias respiratórias estarão presentes porque elas resultam da elevação da resistência das vias respiratórias e das taxas de fluxo inspiratório. Nesses pacientes, a pressão de pico das vias respiratórias não reflete o grau de distensão pulmonar causada pela pressão alveolar. Entretanto, se as pressões de platô excederem 30 a 35 cm de água, deve-se então reduzir o volume corrente para limitar o risco de pneumotórax. Quando há necessidade de redução dos volumes correntes, é aceitável um grau moderado de hipercapnia, mas se o pH cair abaixo de 7,10, indica-se a infusão lenta de bicarbonato de sódio para manter o pH entre 7,20 e 7,25. Uma vez aliviada a obstrução do fluxo aéreo e normalizados a PaCO2 e o pH arterial, os pacientes podem, em geral, ser rapidamente retirados do respirador. (Para detalhes adicionais, ver Insuficiência respiratória e ventilação mecânica.)

Outras terapias

Outras terapias são declaradamente eficazes em controlar a exacerbação da asma, mas nenhuma delas foi detalhadamente estudada. Utiliza-se uma mistura de hélio e oxigênio (heliox) para diminuir o trabalho respiratório e melhorar a ventilação pela diminuição do fluxo turbulento atribuível ao hélio, um gás menos denso do que o oxigênio. Apesar dos benefícios teóricos do heliox, estudos revelaram resultados conflitantes relativos à sua eficácia; a falta de disponibilidade imediata e inabilidade de fornecer simultaneamente concentrações altas de oxigênio (porque 70 a 80% do gás inalado são compostos de hélio) também limitam seu uso. Entretanto, o heliox pode ser benéfico para o tratamento dos pacientes com disfunção das pregas vocais.

A anestesia geral em pacientes com estado asmático provoca broncodilatação por um mecanismo desconhecido, talvez por efeito relaxante direto na musculatura das vias respiratórias ou por atenuação do tônus colinérgico.

Referências gerais

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