Broncoscopia

PorRebecca Dezube, MD, MHS, Johns Hopkins University
Reviewed ByM. Patricia Rivera, MD, University of Rochester Medical Center
Revisado/Corrigido: modificado nov. 2025
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Visão Educação para o paciente

Broncoscopia é a introdução de endoscópio nas vias respiratórias.

Utiliza-se broncoscopia flexível com fibra óptica (em vez de broncoscopia rígida) para praticamente todas as indicações diagnósticas e a maioria das indicações terapêuticas.

Indicações para broncoscopia

Broncoscópios flexíveis facilitam a visualização das vias respiratórias e a documentação dos achados (ver tabela ).

Diagnosticamente, o broncoscópio flexível com fibra óptica permite:

  • A visualização direta das vias respiratórias até os brônquios subsegmentares, incluindo estes

  • A coleta de secreções e células respiratórias por irrigação, escovamento e lavagem das vias respiratórias periféricas e dos alvéolos

  • A biópsia de estruturas endobrônquicas, parenquimatosas e mediastinais

Usos terapêuticos incluem:

  • Aspiração das secreções retidas

  • Colocação de um tubo endobrônquico, stent ou válvula

  • Remoção de corpo estranho

  • Uso de dilatação com balão para aliviar as estenoses das vias respiratórias

  • Guiar a intubação endotraqueal

Tabela
Tabela

Utiliza-se broncoscopia rígida somente quando há a necessidade de orifício e canais mais amplos para a melhor visualização e instrumentação, como quando:

  • Investigar a hemorragia pulmonar intensa e ativa (em que o broncoscópio rígido pode identificar melhor a fonte de sangramento e, com seu canal mais amplo de sucção, pode aspirar melhor o sangue e prevenir a asfixia)

  • Visualizar e remover corpos estranhos aspirados em crianças (em alguns casos) (1)

  • Visualizar lesões endobrônquicas obstrutivas para possível redução de volume com laser ou implante de stent

  • Tratamento da obstrução das vias respiratórias por dilatação

Referência a indicações

  1. 1. Safia A, Abd Elhadi U, Bader R, et al. Flexible versus Rigid Bronchoscopy for Tracheobronchial Foreign Body Removal in Children: A Comparative Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Med. 2024;13(18):5652. doi:10.3390/jcm13185652

Contraindicações à broncoscopia

Contraindicações absolutas à broncoscopia incluem:

  • Insuficiência respiratória aguda com hipercapnia (a menos que o paciente tenha sido intubado e ventilado pela traqueia)

  • Obstrução traqueal de alto grau

  • Incapacidade de oxigenar adequadamente o paciente durante o procedimento

  • Arritmias intratáveis que colocam a vida em risco

As contraindicações relativas à broncoscopia incluem:

  • Infarto recente do miocárdio

  • Incapacidade de se manter parado ou não cooperação para o procedimento

  • Coagulopatia incorrigível

A biópsia transbrônquica deve ser realizada com cautela em pacientes com risco aumentado de sangramento. Entretanto, a inspeção das vias respiratórias é segura nesses pacientes.

Procedimento para broncoscopia

A broncoscopia deve ser realizada somente por pneumologista ou cirurgião treinado em um local com monitoramento, tipicamente em setor de broncoscopia, centro cirúrgico ou unidade de terapia intensiva.

Exceto em verdadeiras emergências, os pacientes devem permanecer em jejum por um período de tempo antes da broncoscopia (com a duração específica variando por centro) e ter acesso IV, monitoramento intermitente da pressão arterial, e oximetria de pulso e monitoramento cardíaco contínuos. Deve-se utilizar suplementação de oxigênio.

Os pacientes normalmente recebem sedação consciente com benzodiazepinas e/ou opioides de curta duração antes do procedimento para diminuir a ansiedade, o desconforto e a tosse. Em alguns centros, comumente usa-se anestesia geral (p. ex., sedação profunda com propofol e controle das vias respiratórias via intubação endotraqueal ou utilização de uma máscara laríngea) antes de uma broncoscopia. Dexmedetomidina tem sido estudada mais recentemente como agente sedativo para broncoscopia.

A faringe e as pregas vocais são anestesiadas com lidocaína, com nebulização ou aerossol (1 ou 2%, até a dose máxima de 250 a 300 mg para um paciente de 70 kg). O broncoscópio é lubrificado e passado por uma narina, boca com o uso de uma via respiratória oral ou bloco de mordida, ou uma via respiratória artificial como um tubo endotraqueal. Depois de inspecionar a nasofaringe e a laringe, o médico passa o broncoscópio através das pregas vocais durante a inspiração, depois pela traqueia e, então, mais distalmente alcança os brônquios.

Podem-se realizar vários procedimentos subsidiários, se necessário, com ou sem orientação fluoroscópica:

  • Lavagem brônquica: injeta-se soro fisiológico pelo broncoscópio; o soro é então aspirado das vias respiratórias.

  • Escovamento brônquico: insere-se uma escova pelo broncoscópio, que é utilizada para raspar lesões suspeitas com o intuito de obter amostras de células.

  • Lavado broncoalveolar: infunde-se 50 a 200 mL de soro fisiológico estéril na árvore broncoalveolar distal e, a seguir, a aspiração de líquido recupera células, proteínas e microrganismos localizados no nível alveolar. Áreas locais de edema pulmonar criadas pela lavagem podem desencadear hipoxemia transitória.

  • Biópsia endobrônquica e transbrônquica: a biópsia endobrônquica obtém uma amostra do tecido de uma lesão que pode ser vista no lúmen das vias respiratórias. A biópsia transbrônquica utiliza fórceps que são avançados através do broncoscópio e das vias respiratórias para obter amostras de um ou mais locais no parênquima pulmonar. A biópsia transbrônquica pode ser realizada sem orientação fluoroscópica, embora o uso de fluoroscopia possa estar associado tanto a maiores rendimentos diagnósticos quanto a menor incidência de pneumotórax significativo (1, 2).

  • Aspiração transbrônquica por agulha: insere-se uma agulha retrátil pelo broncoscópio, que pode ser utilizada para coletar amostras de linfonodos ou massas mediastinais. Pode-se utilizar ultrassonografia endobrônquica (EBUS) para ajudar a orientar a biópsia por agulha.

Pacientes que não estão gravemente doentes geralmente recebem suplementação de oxigênio e são observados por 2 a 4 horas após o procedimento. O retorno do reflexo faríngeo e a manutenção da saturação de oxigênio ao não receber suplementação de oxigênio são os índices primários da recuperação.

Referências de procedimentos

  1. 1. Gould MK, Donington J, Lynch WR, et al. Evaluation of individuals with pulmonary nodules: when is it lung cancer? Diagnosis and management of lung cancer, 3rd ed: American College of Chest Physicians evidence-based clinical practice guidelines. Chest. 2013;143(5 Suppl):e93S-e120S. doi:10.1378/chest.12-2351

  2. 2. Smyth CM, Stead RJ. Survey of flexible fibreoptic bronchoscopy in the United Kingdom. Eur Respir J. 2002;19(3):458-463. doi:10.1183/09031936.02.00103702

Broncoscopia de navegação

Pode-se realizar uma broncoscopia de navegação para biópsia de lesões periféricas suspeitas. A navegação pode ser eletromagnética, virtual ou robótica. Em ambos os tipos, utilizam-se imagens de TC em cortes finos para preparar uma via broncoscópica virtual até a lesão utilizando software e antes de uma biópsia.

  • Orientação virtual: as imagens broncoscópicas são combinadas com as imagens virtuais para auxiliar na broncoscopia direta em tempo real.

  • Orientação eletromagnética: um campo eletromagnético colocado sob o paciente fornece informações adicionais para ajudar a orientar a broncoscopia em tempo real (1). Esse procedimento é mais comum do que a broncoscopia virtual.

  • Broncoscopia assistida por robô: tecnologia de detecção de forma e um controlador são utilizados para melhorar a navegação.

A broncoscopia de navegação evoluiu rapidamente e seu uso aumentou. A biópsia de navegação mostrou-se não inferior à biópsia por agulha transtorácica em pacientes com nódulos pulmonares periféricos e, no geral, tem maior rendimento diagnóstico em comparação com broncoscopia flexível padrão (2, 3).

Referências sobre broncoscopia por navegação

  1. 1. Folch EE, Pritchett MA, Nead MA, et al. Electromagnetic Navigation Bronchoscopy for Peripheral Pulmonary Lesions: One-Year Results of the Prospective, Multicenter NAVIGATE Study. J Thorac Oncol. 2019 Mar;14(3):445-458. doi: 10.1016/j.jtho.2018.11.013

  2. 2. Kops SEP, Heus P, Korevaar DA, et al. Diagnostic yield and safety of navigation bronchoscopy: A systematic review and meta-analysis. Lung Cancer. 2023;180:107196. doi:10.1016/j.lungcan.2023.107196

  3. 3. Lentz RJ, Frederick-Dyer K, Planz VB, et al. Navigational Bronchoscopy or Transthoracic Needle Biopsy for Lung Nodules. N Engl J Med. 2025;392(21):2100-2112. doi:10.1056/NEJMoa2414059

Complicações da broncoscopia

Complicações graves são incomuns; sangramento menor a partir do local de biópsia e febre ocorrem em menos de 15% dos pacientes (1, 2, 3).

Os pacientes podem apresentar aumento da tosse após o lavado broncoalveolar.

Raramente, a anestesia tópica provoca laringoespasmo, espasmo brônquico, convulsões, ou arritmias ou parada cardíacas.

Broncoscopia por si só pode causar:

  • Arritmias (mais comumente contrações atriais prematuras, extrassístoles ventriculares ou bradicardia)

  • Hipoxemia em pacientes com troca gasosa comprometida

  • Edema laríngeo leve ou lesão com rouquidão

  • Transmissão da infecção a partir de equipamentos não esterilizados de maneira ideal (muito rara)

A mortalidade é 1 em 7.500 a 25.000 pacientes (1, 4). Idosos e pacientes com comorbidades graves (p. ex., doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) grave, doença coronariana, pneumonia com hipoxemia, neoplasias avançadas) apresentam riscos mais elevados.

A biópsia transbrônquica pode causar pneumotórax (aproximadamente 1% a 6%) ou hemorragia significativa (aproximadamente 1% a 4%), mas a realização do procedimento muitas vezes evita a necessidade de toracotomia (5, 6). Em geral, as taxas de complicações são maiores em pacientes com comorbidades e naqueles submetidos a procedimentos intervencionistas por broncoscopia (7).

Referências sobre complicações

  1. 1. Asano F, Aoe M, Ohsaki Y, et al. Deaths and complications associated with respiratory endoscopy: a survey by the Japan Society for Respiratory Endoscopy in 2010. Respirology. 2012;17(3):478-485. doi:10.1111/j.1440-1843.2011.02123.x

  2. 2. Carr IM, Koegelenberg CF, von Groote-Bidlingmaier F, et al. Blood loss during flexible bronchoscopy: a prospective observational study. Respiration. 2012;84(4):312-318. doi:10.1159/000339507

  3. 3. Hackner K, Riegler W, Handzhiev S, et al. Fever after bronchoscopy: serum procalcitonin enables early diagnosis of post-interventional bacterial infection. BMC Pulm Med 2017;17(1):156. doi:10.1186/s12890-017-0508-1

  4. 4. Jin F, Mu D, Chu D, Fu E, Xie Y, Liu T. Severe complications of bronchoscopy. Respiration 2008;76(4):429-433. doi:10.1159/000151656

  5. 5. Gupta N, Finlay GA, Kotloff RM, et al. Lymphangioleiomyomatosis Diagnosis and Management: High-Resolution Chest Computed Tomography, Transbronchial Lung Biopsy, and Pleural Disease Management. An Official American Thoracic Society/Japanese Respiratory Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2017;196(10):1337-1348. doi:10.1164/rccm.201709-1965ST

  6. 6. Tukey MH, Wiener RS. Population-based estimates of transbronchial lung biopsy utilization and complications. Respir Med. 2012;106(11):1559-1565. doi:10.1016/j.rmed.2012.08.008

  7. 7. Stahl DL, Richard KM, Papadimos TJ. Complications of bronchoscopy: A concise synopsis. Int J Crit Illn Inj Sci. 2015;5(3):189-195. doi:10.4103/2229-5151.164995

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