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Hiperpigmentação

Por

Shinjita Das

, MD, Harvard Medical School

Última modificação do conteúdo out 2016
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A hiperpigmentação tem múltiplas causas e pode ser focal ou difusa. A maioria dos casos é decorrente do aumento da produção e depósito de melanina.

A hiperpigmentação focal é mais comumente pós-inflamatória, ocorrendo após lesões (p. ex., cortes e queimaduras) ou outras causas de inflamação (p. ex., acne, lúpus). A hiperpigmentação focal linear é geralmente devido à fitofotodermatite, que é uma reação fototóxica que resulta da luz ultravioleta combinada com psoralenos (especialmente furocumarinas nas plantas (p. ex., limões, salsa e aipo — Fotossensibilidade química). Hiperpigmentação focal também pode resultar de processos neoplásicos (p. ex., lentigos, melanoma), melasma, efélides ou máculas café-com-leite. A acantose nigricante causa hiperpigmentação focal e uma placa aveludada na maioria das vezes na axila e pescoço posterior.

Hiperpigmentação difusa pode resultar de fármacos e também tem causas sistêmicas e neoplásicas (especialmente carcinomas pulmonares e melanoma com envolvimento sistêmico). Depois de eliminar fármacos como a causa da hiperpigmentação difusa, os pacientes devem ser testados a procura das causas sistêmicas mais comuns. Essas causas são doença de Addison, hemocromatose e colangite biliar primária. Os achados cutâneos não são diagnósticos; portanto, uma biópsia da pele não é necessária nem útil.

Melasma (cloasma)

Consiste em máculas hiperpigmentadas, marrom-escuras, bem delimitadas e quase simétricas na face (em geral, na fronte, têmporas, bochechas lábio superior ou nariz). Ocorre principalmente em gestantes (melasma gravídico ou máscara da gestação) e em mulheres que tomam anticoncepcionais orais. Dez por cento dos casos são observados em homens de pele escura e mulheres que não estão grávidas. É mais prevalente e perdura por muito mais tempo em pessoas de pele escura.

Como o risco de melasma aumenta com maior exposição solar, o mecanismo provavelmente envolve superprodução de melanina por hiperfunção dos melanócitos. Além da exposição solar, outros fatores agravantes são

  • Doenças autoimunes da tireoide

  • Drogas fotossensibilizantes

Nas mulheres, o melasma regride lenta e incompletamente após o parto ou ao cessar o uso de hormônios. No homem, o melasma raramente regride.

O tratamento depende da localização do pigmento, se na epiderme ou derme; a pigmentação epidérmica é acentuada por uma luz de Wood ou pode ser diagnosticada por biópsia. Somente a pigmentação epidérmica responde ao tratamento. O tratamento de primeira linha, frequentemente eficaz, é a combinação da hidroquinona a 2 a 4%, tretinoína a 0,05 a 1%, e corticoides tópicos de classes V a VII ( Potência relativa dos corticoides tópicos selecionados). Hidroquinona a 3 a 4%, aplicada 2 vezes/dia é normalmente exigida para longos períodos de tratamento; como manutenção, recomenda-se hidroquinona a 2%. A hidroquinona deve ser testada atrás da orelha ou em uma pequena área no antebraço por 1 semana, antes de usá-la na face, pois pode ser irritante ou reação alérgica. Creme de ácido azelaico a 15 a 20% pode ser utilizado em vez de ou com hidroquinona e/ou tretinoína. Hidroquinona, tretinoína e ácido ácido azaleico são agentes branqueadores.

No melasma grave que não responde às drogas clareadoras, indica-se como opção a esfoliação química com ácido glicólico ou ácido tricloroacético a 30 a 50%. Utilizaram-se tratamentos a laser, mas ainda não foi estabelecido um tratamento específico como padrão. Duas tecnologias promissoras são o laser Q-switched Nd:YAG (1064 nm) e resurfacing fracionado não ablativo, em conjunto com a terapia tópica tripla. Durante e após a terapia, fotoproteção estrita deve ser mantida.

Lentigos

Lentigos são máculas planas, ovais, marrom-claras a marrom-escuras. São comumente o resultado da exposição solar (lentigo solar, algumas vezes denominado manchas hepáticas), ocorrendo mais frequentemente na face e dorso das mãos. Surgem caracteristicamente na meia-idade e seu número aumenta com a idade. Embora a progressão de lentigo para melanoma não seja estabelecida, é um fator independente de risco de melanoma. Se lentigos são uma preocupação cosmética, eles são tratados com crioterapia ou laser; hidroquinona não é eficaz.

Os lentigos não actínicos estão às vezes associados a doenças sistêmicas, como síndrome de Peutz-Jeghers (em que ocorrem profusos lentigos nos lábios), ou síndrome de múltiplos lentigos (síndrome de Leopard); ou xeroderma pigmentoso.

Hiperpigmentação induzida por medicamentos

É, em geral, difusa, mas às vezes, tem distribuição e cor característica específica de droga ( Efeitos da hiperpigmentação de algumas drogas e substâncias químicas). O mecanismo inclui

  • Aumento da melanina na epiderme (tendência ser mais marrom)

  • Melanina na epiderme e na derme superior (a maior parte marrom, com sinais azuis ou cinzas)

  • Aumento da melanina da derme (tende a ser de cor mais acinzentada ou azul)

  • Depósito dérmico da droga, metabólito ou complexos droga-melanina (em geral azul-acinzentado ou ardósia) na derme

Fármacos podem causar hiperpigmentação secundária. Por exemplo, a hiperpigmentação focal frequentemente ocorre depois de líquen plano induzido por fármacos (também chamado reação liquenoide a fármacos).

Tabela
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Efeitos da hiperpigmentação de algumas drogas e substâncias químicas

Substância

Efeito

Medicamentos

Amiodarona

Manchas ardósio-acinzentadas a violáceas, em regiões expostas ao sol; depósitos marrom-amarelados na derme

Antimaláricos

Manchas marrom-amareladas a acinzentadas e azul-enegrecidas em áreas pré-tibiais, face, cavidade oral e unhas; complexos droga-melanina na derme; hemossiderina ao redor de capilares

Bleomicina

Estrias flageladas hiperpigmentadas no dorso, em geral em áreas de pequenos traumas e escoriações por prurido

Drogas quimioterápicas para câncer, como bussulfano, ciclofosfamida, dactinomicina, daunorrubicina e 5-FU

Hiperpigmentação difusa

Desipramina

Imipramina

Manchas azul-acinzentadas em áreas expostas ao sol; grânulos marrom-dourados na derme superior

Hidroquinona

Depois de anos, manchas azul-enegrecidas na cartilagem da orelha e na face

Fenotiazinas, incluindo clorpromazina

Manchas azul-acinzentadas em áreas expostas ao sol; grânulos marrom-dourados na derme superior

Tetraciclinas, particularmente minociclina

Manchas acinzentadas em dentes, unhas, esclera, mucosa oral, face, antebraços e membros inferiores

Metais pesados

Bismuto

Manchas azul-acinzentadas em face, pescoço e mãos

Ouro

Depósitos azul-acinzentados ao redor dos olhos (crisíase)

Mercúrio

Manchas ardósio-acinzentadas nas dobras cutâneas

Prata

Manchas difusas ardósio-acinzentadas (argiria), especialmente em áreas expostas ao sol

Na erupção fixa por drogas, formam-se manchas eritematosas ou bolhas sempre no mesmo local a cada administração da droga; a hiperpigmentação pós-inflamatória em geral é definitiva. Lesões típicas são observadas na face (especialmente lábios), mãos, pés e genitais. Drogas típicas causadoras incluem sulfonamidas, tetraciclinas, AINEs, barbitúricos e carbamazepina.

Pontos-chave

  • As causas mais comuns de hiperpigmentação focal incluem lesão, inflamação, fitofotodermatite, lentigos, melasmas, efélides, máculas café-com-leite e acantose nigricante.

  • As causas mais comuns de hiperpigmentação generalizada incluem melasma, fármacos, cânceres e outras doenças sistêmicas.

  • Testar os pacientes com hiperpigmentação generalizada não causada por fármacos a procura de colangite biliar primária, hemocromatose e doença de Addison.

  • Tratar o melasma inicialmente com uma combinação de hidroquinona 2 a 4%, tretinoína a 0,05 a 1%, e corticoides tópicos de classes V a VII.

  • Se os lentigos causarem problemas estéticos, tratar com crioterapia ou laser.

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