Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

honeypot link

Exames laboratoriais para fígado e da vesícula biliar

Por

Christina C. Lindenmeyer

, MD, Cleveland Clinic

Última modificação do conteúdo dez 2019
Clique aqui para acessar Educação para o paciente
Recursos do assunto

Os exames laboratoriais geralmente são eficazes em:

  • Detecção de disfunção hepáticas.

  • Determinação da gravidade da doença.

  • Monitorar a evolução de doenças hepáticas e a resposta ao tratamento

  • Refinando o diagnóstico

(Ver também Medical Position Statement e Technical Review da American Gastroenterological Association sobre a avaliação dos exames químicos do fígado e the European Association for Study of Liver–Asociación Latinoamericana para el Estudio del Hígado Clinical Practice Guidelines.)

Muitos testes bioquímicos do fígado são chamados de exames hepáticos. Esses testes medem as enzimas hepáticas que são liberadas na corrente sanguínea (p. ex., liberação de aminotransferases de células hepáticas lesionadas ou de fosfatase alcalina decorrente da colestase) ou avaliam a função hepática mensurando a excreção hepatobiliar (p. ex., bilirrubina). Utilizam-se outros testes para avaliar a capacidade de síntese do fígado [p. ex., tempo de protrombina (TP), geralmente descrito com o quociente internacional normatizado (INR); albumina].

Os exames laboratoriais mais úteis, principalmente para a triagem de doenças hepáticas, são os níveis séricos de aminotransferases (os testes hepáticos mais comumente usados), bilirrubinas e fosfatase alcalina. Alguns padrões de alterações na bioquímica hepática ajudam a distinguir lesões hepatocelulares de deficiências na excreção biliar (colestase — ver tabela Padrões comuns das alterações nos exames laboratoriais Padrões comuns das alterações nos exames laboratoriais Os exames laboratoriais geralmente são eficazes em: Detecção de disfunção hepáticas. Determinação da gravidade da doença. Monitorar a evolução de doenças hepáticas e a resposta ao tratamento... leia mais ). Exames que detectam hepatite viral, inflamação hepática ou alterações na regulação imunitária são as sorologias para as hepatites Sorologia É a inflamação hepática difusa causada por vírus específicos hepatotrópicos que apresentam diversos modos de transmissão e epidemiologia. Um pródromo viral não específico é seguido de anorexia... leia mais com dosagem de imunoglobulinas, anticorpos e autoanticorpos.

Alguns poucos exames laboratoriais são diagnósticos por si mesmos; incluem os seguintes:

Tabela
icon

Exames para lesão hepática

Aminotransferases

A alanina aminotransferase (ALT) e a aspartato aminotransferase (AST) são liberadas pelos hepatócitos lesionados; assim, estas enzimas são boas marcadoras de lesão hepática. Níveis bastante elevados (> 500 UI/L; sendo os valores normais a 40 UI/L), que indicam necrose ou lesão hepatocelular, geralmente resultam de:

Altos níveis costumam persistir por vários dias e, na hepatite viral, por semanas. O grau de elevação pode não refletir a extensão da lesão hepática. Dosagens seriadas refletem melhor a gravidade e o prognóstico do que uma única dosagem. Uma queda até valores normais indica recuperação, a menos que acompanhada de aumento dos níveis de bilirrubina e tempo de protrombina (TP) ou quociente internacional normatizado (INR, que pode ser indicativo de insuficiência hepática aguda Hepatite fulminante É uma síndrome rara de necrose maciça do parênquima hepático e diminuição do volume hepático (atrofia amarela aguda), geralmente causada pela infecção por alguns tipos de vírus da hepatite ou... leia mais , também chamada insuficiência hepática fulminante). Insuficiência hepática aguda resulta em menor número de células hepáticas que podem extravazar enzimas.

Níveis de aminotransferases podem ser muito elevados em:

Aumentos moderados (< 300 UI/L) são inespecíficos e, frequentemente, estão presentes em doenças como

Aminotransferases podem permanecer normais em certos distúrbios hepáticos, tais como

Elevação de ALT é, de certa forma, específica de lesão hepática. Porque AST está presente no coração, no músculo esquelético, nos rins e no pâncreas, a elevação de AST pode refletir rabdomiólise Rabdomiólise A rabdomiólise é uma síndrome clínica que envolve a ruptura do tecido muscular esquelético. Os sinais e sintomas incluem fraqueza muscular, mialgias e urina marrom-avermelhada, embora essa tríade... leia mais ou lesão destes órgãos. Na maioria das doenças hepáticas, a razão AST/ALT é < 1. Contudo, na doença hepática relacionada com o álcool, a razão é caracteristicamente > 2 porque há deficiência de piridoxal-5'-fosfato nos pacientes com alcoolismo; essa substância é necessária para a síntese da ALT, mas é menos essencial para a síntese da AST. Essa deficiência também explica por que as elevações do ALT e AST são tipicamente baixas (< 300 UI/L) nesses pacientes.

Desidrogenase láctica (LDH)

DHL, comumente incluído em análises de rotina, está presente em muitos outros tecidos e é insensível e inespecífico para lesão hepatocelular. O DHL geralmente está elevado na hepatite isquêmica/hipóxica e em cânceres que se infiltram extensivamente no fígado.

Exames para colestase

Bilirrubina

Bilirrubina, o pigmento presente na bile, é produzido da decomposição das proteínas heme, a maioria da metade heme da hemoglobina em eritrócitos senescentes. A bilirrubina não conjugada (livre) é insolúvel em água e por isso não pode ser excretada na urina; a maior parte da bilirrubina não conjugada é ligada à albumina no plasma. A bilirrubina é conjugada no fígado com o ácido glucorônico para formar bilirrubina diglucuronide mais solúvel em água. A bilirrubina conjugada é então excretada pelo sistema biliar para o duodeno, no qual é metabolizada em urobilinogênios (alguns dos quais são reabsorvidos e ressecretados na bile), então em urobilinas alaranjadas (a maioria destas sendo eliminadas nas fezes). Esses pigmentos biliares dão às fezes sua cor típica.

A hiperbilirrubinemia é resultado de um ou mais dos seguintes:

A bilirrubina total geralmente é constituída, em sua maior parte, de bilirrubina não conjugada, com valores < 1,2 mg/dL (< 20 micromol/L). A obtenção das frações de bilirrubina permite quantificar a bilirrubina conjugada (direta, que pode ser medida de forma direta). A obtenção das frações só é necessária em casos de icterícia neonatal Avaliação Icterícia é a cor amarelada da pele e dos olhos causada por hiperbilirrubinemia (concentração elevada de bilirrubina no soro). Os níveis séricos de bilirrubina que causam icterícia variam com... leia mais ou se a bilirrubina estiver aumentada, mas os outros resultados de testes hepáticos estão normais, sugerindo que a causa não é uma doença do sistema hepatobiliar.

Hiperbilirrubinemia não conjugada (fração de bilirrubina indireta > 85%) reflete um aumento na produção de bilirrubina (p. ex., na hemólise) ou deficiência na captação ou conjugação hepática (p. ex., na síndrome de Gilbert Síndrome de Gilbert Defeitos metabólicos hereditários ou inatos podem causar hiperbilirrubinemia conjugada ou não conjugada (ver Visão geral do metabolismo da bilirrubina). Hiperbilirrubinemia não conjugada: síndrome... leia mais ). Tais aumentos na bilirrubina não conjugada geralmente < 5 vezes o limite normal (< 6 mg/dL [< 100 micromol/L]), a não ser que haja uma doença hepatobiliar concomitante.

Hiperbilirrubinemia conjugada (fração de bilirrubina direta > 50%) resulta da diminuição na formação de bile ou de sua excreção (colestase). Quando associado a outras anormalidades nos testes hepáticos, o aumento dos níveis séricos de bilirrubina indica disfunção hepatocelular e/ou do trato biliar. A bilirrubina sérica é pouco sensível para a detecção de insuficiência hepática e não distingue a colestase da doença hepatocelular. No entanto, o aparecimento de hiperbilirrubinemia grave na colangite biliar primária Colangite biliar primária (CBP) Colangite biliar primária (CBP; antes conhecida como cirrose biliar primária) é uma doença hepática autoimune caracterizada pela destruição progressiva dos ductos biliares intra-hepáticos, provocando... leia mais (também chamada de cirrose biliar primária), colangite esclerosante primária Colangite esclerosante primária (CEP) A colangite esclerosante primária consiste em uma inflamação irregular, com fibrose e estreitamentos do ducto biliar, que não tem uma causa conhecida. Entretanto, 80% dos pacientes também têm... leia mais , na hepatite alcoólica e insuficiência hepática aguda Insuficiência hepática aguda Insuficiência hepática aguda é causada mais frequentemente por fármacos e vírus. Manifestações cardinais são icterícia, coagulopatia e encefalopatia. O diagnóstico é clínico. O tratamento é... leia mais sugere um prognóstico reservado.

Bilirrubinúria reflete a presença de bilirrubina conjugada na urina; a bilirrubina se derrama na urina porque os níveis sanguíneos estão marcadamente elevados, indicando doença grave. A bilirrubina não conjugada, sendo insolúvel em água e ligada à albumina, não pode ser excretada pela urina. A bilirrubinúria pode ser detectada à beira do leito com fitas de testes urinários disponíveis comercialmente em pacientes com hepatite viral aguda Visão geral da hepatite viral aguda É a inflamação hepática difusa causada por vírus específicos hepatotrópicos que apresentam diversos modos de transmissão e epidemiologia. Um pródromo viral não específico é seguido de anorexia... leia mais ou outras doenças hepatobiliares antes mesmo da icterícia se tornar evidente. Mas a precisão diagnóstica desses exames de urina é limitada. Os resultados podem ser falsos-negativos quando a amostra de urina for armazenada por muito tempo, vitamina C tiver sido tomada ou a urina contiver nitratos (p. ex., devido a infecções do trato urinário Introdução a infecções do trato urinário As infecções do trato urinário podem ser divididas em infecções do trato urinário superior, que abrangem os rins (pielonefrite), e infecções do trato urinário inferior, que afetam a bexiga ... leia mais ). Da mesma forma, aumentos no urobilinogênio têm valor limitado, não sendo específicos nem sensíveis.

Fostafase alcalina

Aumento nos níveis dessa enzima nos hepatócitos sugere colestase. Entretanto, os resultados não são específicos, uma vez que a fosfatase alcalina consiste de diversas isoenzimas e tem ampla distribuição extra-hepática (p. ex., placenta, intestino delgado, leucócitos, rins e principalmente nos ossos).

Os níveis de fosfatase alcalina elevam-se 4 vezes acima do normal em 1 ou 2 dias após uma obstrução biliar, independentemente do local da obstrução. Os níveis podem permanecer elevados por vários dias após a resolução da obstrução, uma vez que a meia-vida da fosfatase alcalina é de cerca de 7 dias. Elevações de até 3 vezes o normal ocorrem em diversas doenças do fígado, incluindo

Elevações isoladas (quando outros testes hepáticos são normais) geralmente ocorrem em

Aumentos isolados também ocorrem na ausência de doenças hepatobiliares, como em:

Os níveis de gamaglutamiltransferase ou a 5-nucleotidase, mais específicas do fígado, podem diferenciar as fontes de origem hepática das extra-hepáticas de fosfatase alcalina melhor que o fracionamento da fosfatase alcalina, que é tecnicamente complexo. Do mesmo modo, a elevação isolada da fosfatase alcalina em pessoas idosas assintomáticas geralmente tem origem óssea (p. ex., na doença de Paget) e pode não precisar de investigações adicionais de lesão hepática.

5'–Nucleotidase

Aumentos nos níveis desta enzima são tão sensíveis quanto a fosfatase alcalina na detecção de colestase e de obstrução biliar, mas são mais específicos, quase sempre indicando uma doença hepatobiliar. Um vez que os níveis da fosfatase alcalina e da 5-nucleotidase nem sempre estão relacionados, um pode estar normal enquanto o outro está elevado.

Gamaglutamil transpeptidase (GGT)

Os níveis desta enzima aumentam em doenças hepatobiliares, principalmente na colestase e correlacionam-se fracamente com os níveis de fosfatase alcalina e 5-nucleotidase. Seus níveis não aumentam em doenças ósseas, durante a infância, ou durante a gestação. Entretanto, álcool e certos fármacos (p. ex., alguns anticonvulsivantes e a varfarina) podem causar indução enzimática microssômica (citocromo P-450), aumentando bastante a GGT e, desta forma, limitando sua especificidade.

Exames para a capacidade de síntese hepática

Tempo de protombina (TP) e quociente internacional normatizado (INR)

O TP pode ser expresso em unidades de tempo (segundos) ou, preferencialmente, como uma razão do TP nesse paciente em relação ao valor de controle do laboratório ( INR— ver Testes Exames Sangramento excessiva ou incomum pode ser indicada por vários sinais e sintomas. Os pacientes podem apresentar sangramentos nasais inexplicáveis (epistaxe), perda de sangue menstrual excessiva... leia mais ). A INR é o parâmetro laboratorial mais preciso para monitorar pacientes em uso de alguns anticoagulantes. O TP ou a INR é um exame importante para avaliar a capacidade do fígado de sintetizar fibrinogênio e fatores de coagulação dependentes de vitamina K: fatores II (protrombina), VII, IX e X. As alterações podem acontecer de forma rápida, uma vez que alguns dos fatores de coagulação envolvidos apresentam pequena meia-vida biológica (p. ex., fator VII, com uma meia-vida de apenas 6 h). Alterações indicam disfunções hepatocelulares graves e são um sinal de gravidade de doenças hepáticas agudas. Em hepatopatias crônicas, TP ou INR ascendente indica progressão da insuficiência hepática. O TP não se altera em hepatopatias leves e frequentemente se apresenta normal mesmo em pacientes cirróticos Cirrose A cirrose é o estágio final da fibrose hepática, a qual é o resultado da desorganização difusa da arquitetura hepática normal. Caracteriza-se por nódulos de regeneração cercados por tecido fibrótico... leia mais .

Proteínas séricas

Os hepatócitos sintetizam a maioria das proteínas séricas, como as globulinas alfa e beta, a albumina e a maioria dos fatores de coagulação (mas não sintetizam o fator VIII, produzido pelo endotélio vascular ou a gamaglobulina, produzida pelos linfócitos B). Os hepatócitos também sintetizam proteínas que ajudam no diagnóstico de doenças específicas:

Uma vez que o nível dessas proteínas se eleva em resposta a danos a tecidos (p. ex., inflamações), essas elevações não são específicas para doenças hepáticas.

A albumina sérica normalmente está reduzida em hepatopatias crônicas, em razão do aumento do volume de distribuição desta proteína (p. ex., ascite Ascite É a condição em que há líquido livre na cavidade peritoneal. Sua causa mais comum é a hipertensão portal. Os sintomas geralmente decorrem da distensão abdominal. O diagnóstico é alcançado com... leia mais ), da deficiência de síntese hepática, ou de ambos. Níveis < 3 g/dL (< 30 g/L) sugerem síntese diminuída, causada por um dos seguintes:

Uma vez que a albumina tem uma meia-vida de cerca de 20 dias, níveis séricos levam semanas para se alterar.

Outros exames laboratoriais

Amônia

Compostos nitrogenados que entram no cólon (p. ex., proteínas ingeridas, ureia secretada) são degradados pelas bactérias lá residentes liberando amônia. A amônia é então absorvida e transportada via veia porta para o fígado. O fígado normal prontamente clareia a amônia do sangue portal e a converte em glutamina, que é metabolizada pelos rins em ureia para ser excretada. Em pacientes com derivações portossistêmicas e doença hepática crônica, o fígado doente não elimina a amônia, que então entra na circulação sistêmica, possivelmente contribuindo para encefalopatia portossistêmica (hepática) Encefalopatia portossistêmica A encefalopatia portossistêmica é uma síndrome neuropsiquiátrica que pode se desenvolver em pacientes com doença hepática. Geralmente, resulta de elevadas taxas de absorção entérica proteica... leia mais . Amoniemia elevada ocorre na encefalopatia hepática, mas os níveis podem estar falsamente baixos ou elevados. Em doenças hepáticas avançadas, podem elevar os níveis de amônia:

A intensidade da elevação nos níveis de amônia não se correlaciona com a gravidade da encefalopatia hepática; portanto, seus níveis têm baixa precisão no acompanhamento do tratamento.

Na insuficiência hepática aguda, níveis elevados de amônia ocorrem em razão de uma disfunção hepatocítica aguda grave e/ou necrose, em oposição à derivação portossistêmica, e pode ser um indicador de prognóstico ruim.

Imunoglobulinas séricas

Na doença hepática crônica, as imunoglobulinas séricas geralmente se elevam. Entretanto, essas elevações não são específicas e geralmente não possuem valor clínico. Seus níveis se elevam de maneira discreta nas hepatites agudas, moderadamente em hepatites crônicas ativas e de forma mais intensa nas hepatites autoimunes. O padrão de elevação das imunoglobulinas (Ig) oferece pouca ajuda, embora diferentes imunoglobulinas estejam frequentemente muito altas em vários distúrbios:

Anticorpos antimitocondriais

Esse grupo heterogêneo de anticorpos é positivo, geralmente em titulações altas, em > 95% dos pacientes com colangite biliar primária. Também se encontram elevados de forma menos intensa, ocasionalmente, em casos de:

  • Hepatites autoimunes

  • Hepatopatias induzidas por fármacos.

  • Outras doenças autoimunes (como em doenças do tecido conjuntivo, miastenia gravis, tireoidites autoimunes, doença de Addison e anemia hemolítica autoimune).

Outros anticorpos

Outros anticorpos podem auxiliar no diagnóstico de:

  • Hepatite autoimune: incluem anticorpos de músculo liso contra actina, anticorpos antinucleares (ANA), fornecendo uma fluorescência homogênea (difusa), e anticorpos antimicrossomais tipo 1 antifígado/rim (anti-LKM1).

  • Colangite biliar primária: o anticorpo antimitocondrial é fundamental para o diagnóstico.

  • Colangite esclerosante primária: anticorpo anticitoplasma de neutrófilos perinuclear (p- ANCA, perinuclear antineutrophil cytoplasmic antibody) pode elevar o índice de suspeição.

Elevações isoladas de qualquer um desses anticorpos não têm valor diagnóstico e não indicam a presença de qualquer processo patológico.

Alfafetoproteína (AFP)

A alfafetoproteína (AFP), uma glicoproteína sintetizada de forma normal no saco vitelino durante a vida embrionária e pelo fígado de fetos, encontra-se elevada em neonatos e em gestantes. A AFP decresce de forma rápida durante o primeiro ano de vida, atingindo valores adultos (normalmente, < 10 ou 20 ng/mL ou < 10 a 20 mg/L dependendo do laboratório) na idade de 1 ano. Um aumento nos níveis de AFP, mesmo que discreto, deve despertar a atenção para o diagnóstico de carcinoma hepatocelular Carcinoma hepatocelular O carcinoma hepatocelular geralmente ocorre em pacientes com cirrose e é comum em áreas onde a infecção pelos vírus das hepatites B e C é prevalente. Em geral, os sinais e sintomas são inespecíficos... leia mais . O nível de AFP geralmente se correlaciona com tamanho do tumor, grau de diferenciação e presença de metástases. Como pequenos tumores podem apresentar baixos níveis de AFP, o aumento contínuo dos seus niveis sugerem a existência de carcinoma hepatocelular, especialmente se os tumores tiverem > 3 cm de diâmetro. AFP também tem valor prognóstico.

Elevações leves da AFP também ocorrem na hepatite aguda e crônica, provavelmente refletindo a regeneração do fígado; a AFP pode ocasionalmente aumentar para 500 ng/mL na insuficiência hepática aguda (fulminante) Insuficiência hepática aguda Insuficiência hepática aguda é causada mais frequentemente por fármacos e vírus. Manifestações cardinais são icterícia, coagulopatia e encefalopatia. O diagnóstico é clínico. O tratamento é... leia mais . Algumas outras poucas situações (p. ex., teratocarcinoma embriogênico, o hepatoblastoma, algumas metástases hepáticas provenientes do trato digestório, alguns colangiocarcinomas) causam níveis de AFP bastante elevados, mas são circunstâncias incomuns e que, em geral, podem ser diferenciadas em bases clínicas e histológicas.

Sensibilidade e especificidade além de pico de AFP variam entre as populações, refletindo diferenças em fatores como prevalência das hepatites e etnia. Em áreas com prevalência relativamente baixa de hepatites (p. ex., EUA, Europa Ocidental) o valor de corte para AFP de 20 ng/mL (20 mcg/L) tem sensibilidade de 39 a 64% e especificidade de 76 a 91%. Entretanto, nem todo carcinoma hepatocelular produz AFP. Assim, AFP não é um teste de rastreamento ideal, mas é útil na detecção de carcinoma hepatocelular e pode ser usado para monitorar a resposta ao tratamento. Níveis acima do normal (> 20 ng/mL [20 mcg/L]), especialmente quando em ascensão, sugerem fortemente a presença de carcinoma hepatocelular. Em cirróticos com diagnóstico de massa hepática e valor elevado de AFP (p. ex., > 200 ng/mL [200 mcg/L]), o valor preditivo positivo do diagnóstico é elevado. Em geral, o uso combinado de ultrassonografia e AFP fornece o rastreamento adequado.

Exames para a fibrose hepática

Certos exames de sangue visam avaliar o grau de fibrose hepática Fibrose hepática Fibrose hepática é uma cicatrização exuberante em que excesso de tecido conectivo acumula-se no fígado. A matriz extracelular pode estar com produção excessiva, ou degradação deficiente, ou... leia mais . Por exemplo, FibroTestTM (conhecido como FibroSure® nos EUA) incorpora múltiplos parâmetros. Outro teste desse tipo, a razão entre a aspartato aminotransferase e as plaquetas (APRI), usa esses 2 exames laboratoriais de rotina. Esses exames de sangue costumam ser utilizados em combinação com elastografia por ultrassom Ultrassonografia Exames de imagem são essenciais para diagnosticar com precisão as doenças do trato biliar e são importantes para detectar lesões hepáticas focais (p. ex., abscessos, tumores). Eles são limitados... leia mais Ultrassonografia ou elastografia transiente controlada por vibração para avaliar a fibrose hepática, particularmente em pacientes com hepatite C crônica Hepatite C, crônica A hepatite C é uma causa comum de hepatite crônica. Muitas vezes, ela é assintomática até ocorrerem manifestações de doença hepática crônica. O tratamento é com fármacos antivirais de ação direta... leia mais e esteatose hepática não alcoólica Esteatose hepática não alcoólica (EHNA) A esteatose hepática é o acúmulo excessivo de lipídios nos hepatócitos. A esteatose hepática não alcoólica ( EHNA) é infiltração gordurosa simples (uma doença benigna chamada fígado gorduroso)... leia mais (EHNA).

Informações adicionais

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
Profissionais também leram
Teste os seus conhecimentos
Disfunção hepática pós-operatória
A laparotomia tem mais probabilidade de precipitar a insuficiência hepática aguda em pacientes com qual dos seguintes distúrbios?
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS ANDROID iOS

Também de interesse

Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS ANDROID iOS
PRINCIPAIS