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Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)

Por

John W. Barnhill

, MD, New York-Presbyterian Hospital

Última modificação do conteúdo abr 2020
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O transtorno por estresse pós-traumático (TEPT) constitui-se de lembranças recorrentes intrusivas de um evento traumático opressivo; as lembranças duram > 1 mês e começam em até 6 meses depois do evento. A fisiopatologia do transtorno não é completamente compreendida. Os sinais e sintomas também incluem evitar estímulos associados com eventos traumáticos, pesadelos e flashbacks. O diagnóstico baseia-se na história. O tratamento consiste em terapia de exposição e tratamento medicamentoso.

Quando coisas terríveis acontecem, muitas pessoas são permanentemente afetadas; em algumas, os efeitos são tão persistentes e graves que são debilitantes e constituem um transtorno. Geralmente, eventos susceptíveis de provocar TEPT são aqueles que invocam sentimentos de medo, impotência ou horror. Esses eventos podem ser experimentados diretamente (p. ex., como uma lesão grave ou a ameaça de morte) ou indiretamente (p. ex., testemunhar outros sendo seriamente feridos, mortos ou ameaçados de morte; ter conhecimento dos eventos que ocorreram a membros familiares ou amigos íntimos). Combate, agressão sexual e catástrofes naturais ou provocadas pelo homem são as causas comuns de TEPT.

A prevalência ao longo da vida se aproxima de 9%, com uma prevalência de 12 meses de cerca de 4%.

Sinais e sintomas

Os sintomas do TEPT podem ser subdivididos em categorias: intrusões, esquiva, alterações negativas da cognição e do humor e alterações da excitação e da reatividade. Mais comumente, os pacientes têm memórias indesejadas frequentes que reproduzem o evento desencadeante. Pesadelos com o evento são comuns.

Estados dissociativos transitórios durante a vigília são menos comuns, nos quais os eventos são revividos como se estivessem acontecendo (lembranças vívidas), às vezes fazendo os pacientes reagirem como se estivessem na situação original (p. ex., ruídos altos como fogos de artifício podem desencadear uma lembrança vívida de estar em combate, que por sua vez pode levar o paciente a procurar abrigo ou se jogar no chão para buscar proteção).

Pacientes evitam estímulos associados ao trauma e muitas vezes se sentem emocionalmente entorpecidos e desinteressados em relação a atividades diárias.

Às vezes os sintomas representam uma continuação do transtorno de estresse agudo Transtorno de estresse agudo O transtorno de estresse agudo (TEA) corresponde a um período breve de recordações invasivas que ocorrem 4 semanas após testemunhar ou experimentar um evento traumático. (Ver também Visão geral... leia mais , ou podem ocorrer separadamente, em até 6 meses após o trauma. Às vezes, expressão total dos sintomas é tardia, ocorrendo muitos meses ou mesmo anos após o evento traumático.

Depressão, outros transtornos de ansiedade e abuso de substâncias são comuns entre pacientes com TEPT crônico.

Além de ansiedade específica ao trauma, os pacientes podem sentir culpa por causa de suas ações durante o evento ou porque sobreviveram quando outros não.

Diagnóstico

  • Critérios clínicos

O diagnóstico é clínico e baseia-se nos critérios do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (DSM-5).

Para atender os critérios para o diagnóstico, os pacientes devem ter sido expostos direta ou indiretamente a um evento traumático e devem ter os sintomas de cada uma das seguintes categorias durante ≥ 1 mês.

Sintomas de intrusão (≥ 1 dos seguintes):

  • Ter memórias recorrentes, involuntárias, intrusivas e/ou perturbadoras

  • Ter sonhos perturbadores recorrentes (p. ex., pesadelos) do evento

  • Agir ou sentir como se o evento estivesse acontecendo de novo, desde flashbacks até perda total de consciência do ambiente atual

  • Sentir sofrimento psicológico ou fisiológico intenso ao lembrar o evento (p. ex., aniversários do evento, sons semelhantes àqueles ouvidos durante o evento)

Sintomas de esquiva (≥ 1 dos seguintes):

  • Evitar pensamentos, sentimentos ou memórias associados ao evento

  • Evitar atividades, locais, conversas ou pessoas que desencadeiam memórias do evento

Efeitos negativos sobre a cognição e o humor (≥ 2 dos seguintes):

  • Perda de memória para partes significativas do evento (amnésia dissociativa)

  • Convicções ou expectativas negativas persistentes e exageradas sobre si mesmo, outros ou o mundo

  • Pensamentos distorcidos persistentes sobre a causa ou consequências do trauma que levam a culpar a si mesmo ou outros

  • Estado emocional negativo persistente (p. ex., medo, horror, raiva, culpa, vergonha)

  • Diminuição acentuada do interesse ou participação em atividades significativas

  • Sensação de distanciamento ou estranhamento em relação a outras pessoas

  • Incapacidade persistente de experimentar emoções positivas (p. ex., felicidade, satisfação, sentimentos amorosos)

Reatividade e excitação alteradas (≥ 2 dos seguintes):

  • Dificuldade para dormir

  • Irritabilidade ou explosões exacerbadas

  • Comportamento imprudente ou autodestrutivo

  • Problemas de concentração

  • Maior resposta de sobressalto

  • Hipervigilância

Além disso, as manifestações devem causar sofrimento significativo ou prejudicar significativamente o funcionamento social ou ocupacional e não serem atribuíveis aos efeitos fisiológicos de uma substância ou de outra doença médica.

Tratamento

  • Autocuidado (ver acima)

  • Psicoterapia

  • Tratamento farmacológico [p. ex., inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs)]

Vários tipos de psicoterapias têm sido usados com sucesso para tratar o transtorno por estresse pós-traumático (TEPT). ISRS ou outra farmcoterapia também costuma ser utilizada

Se não tratada, a gravidade do TEPT crônico frequentemente diminui sem desaparecer, mas algumas pessoas permanecem gravemente prejudicadas.

A principal forma de psicoterapia utilizada, a terapia de exposição Terapia de exposição Transtornos fóbicos específicos consistem em medos persistentes, irracionais e intensos (fobias) de situações, circunstâncias ou objetos específicos. Os medos provocam ansiedade e esquiva. As... leia mais , é feita por meio da exposição às situações que a pessoa evita porque podem precipitar recordações do trauma. A exposição fantasiosa repetida à própria experiência traumática geralmente diminui a angústia depois de um aumento inicial no desconforto.

Dessensibilização e reprocessamento do movimento ocular (DRMO) é uma forma de terapia de exposição. Para essa terapia, os pacientes são convidados a seguir o dedo em movimento do terapeuta enquanto imaginam serem expostos ao trauma.

Interromper certos comportamentos rituais, como lavagem excessiva para se sentir limpo após uma agressão sexual, também ajuda.

ISRSs Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs) Várias classes farmacológicas e fármacos podem ser usados para tratar depressão: Inibidores seletivos de recaptação de serotonina Moduladores da serotonina (bloqueadores 5-HT2) Inibidores de... leia mais podem reduzir a ansiedade e/ou a depressão. Prazosina parece útil para reduzir pesadelos. Estabilizadores de humor e antipsicóticos atípicos são às vezes prescritos, mas há poucos dados que suportam sua utilização.

Como a ansiedade é muitas vezes intensa, a psicoterapia de suporte desempenha um papel importante. Os terapeutas devem ser francamente empáticos e compreensivos, admitindo e reconhecendo o sofrimento psíquico dos pacientes e a realidade dos eventos traumáticos. No início do tratamento, muitos pacientes precisam aprender como relaxar e controlar a ansiedade (p. ex., plena atenção, exercícios respiratórios e/ou ioga) antes que consigam enfrentar a exposição que tende a ser o foco do tratamento do TEPT.

Para a culpa que o sobrevivente sente, a psicoterapia direcionada a ajudar os pacientes a entenderem e modificarem suas atitudes punitivas e de autocrítica pode ser útil.

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