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Puberdade tardia

Por

Andrew Calabria

, MD, Perelman School of Medicine at The University of Pennsylvania

Última modificação do conteúdo out 2018
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Puberdade atrasada refere-se à ausência de maturação sexual no tempo esperado. O diagnóstico é medido por hormônios gonadais (testosterona e estradiol), hormônio luteinizante e hormônio folículo estimulante. O tratamento, quando necessário, geralmente envolve reposição hormonal específica.

O atraso puberal pode resultar de atraso constitucional, que ocorre com frequência em adolescentes com história familiar de retardo de crescimento. Em geral, nessas crianças o amadurecimento é tardio e a velocidade de crescimento pré-puberdade é normal, mas há atraso no amadurecimento ósseo e no estirão puberal; o amadurecimento sexual é tardio, embora seja normal.

Outras causas são doenças genéticas (síndrome de Turner nas meninas, síndrome de Klinefelter nos meninos), disfunções do sistema nervoso central (p. ex., tumores hipotalâmicos ou hipofisários que diminuem a secreção das gonadotrofinas), radioterapia do sistema nervoso central, certas doenças crônicas (p. ex., diabetes melito, doenças intestinais inflamatórias, nefropatias, fibrose cística), síndrome de Kallman, desnutrição/transtornos alimentares, e excesso de atividade física, especialmente nas meninas.

Sinais e sintomas

A estatura dos adolescentes pode ser visivelmente menor do que a dos colegas, podem ser provocados ou intimidados e, muitas vezes, precisam de ajuda para lidar com as preocupações sociais e gerenciá-las. Embora os adolescentes normalmente se sintam desconfortáveis em ser diferentes dos colegas, os meninos são mais propensos do que as meninas a sentirem estresse psicológico e constrangimento resultantes da baixa estatura e atraso na puberdade.

Manifestações das possíveis causas do atraso puberal

Sinais de possíveis doenças crônicas incluem alteração abrupta no crescimento, desnutrição, desenvolvimento contraditório (p. ex., pelos pubianos sem desenvolvimento mamário) ou desenvolvimento puberal tardio (a puberdade começa e então não progride).

Sintomas neurológicos (p. ex., dores de cabeça, problemas de visão), polidipsia e/ou galactorreia podem sugerir um distúrbio do sistema nervoso central. Hiposmia ou anosmia pode indicar síndrome de Kallman.

Sintomas GI podem sugerir doença inflamatória intestinal. Uma imagem anormal do corpo (p. ex., falsa convicção de que está com excesso de peso) sugere a necessidade de avaliar distúrbio alimentar.

Diagnóstico

  • Critérios clínicos

  • Medição da testosterona ou estradiol, hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo-estimulante (FSH)

  • Exames de imagem

  • Exame genético

A avaliação inicial da puberdade tardia deve consistir em anamnese completa e exame físico para avaliar o desenvolvimento puberal, estado nutricional e crescimento. Dependendo dos achados, deve-se considerar exames laboratoriais para outras causas do crescimento lento:

  • Hipotireoidismo (p. ex., tireotropina, tiroxina)

  • Doenças renais (p. ex., níveis de eletrólitos, creatinina)

  • Condições inflamatórias e imunes (p. ex., anticorpos antitransglutaminase tissular, VHS)

  • Doenças hematológicas (p. ex., hemograma com diferencial)

Critérios para atraso puberal

Nas meninas, a puberdade atrasada é diagnosticada se um dos seguintes ocorre:

  • Nenhum desenvolvimento das mamas até os 13 anos

  • > 5 anos decorrem entre o início do crescimento dos seios e a menarca

  • A menstruação não ocorre até os 16 anos de idade.

Nos meninos, a puberdade atrasada é diagnosticada se um dos seguintes ocorrer:

  • Nenhuma hipertrofia dos testículos até os 14 anos de idade

  • > 5 anos transcorrem entre o crescimento inicial e completo dos órgãos genitais

Estatura baixa ou velocidade mais lenta de crescimento, ou ambos, podem ser um indicador de puberdade tardia. Embora o início da puberdade pareça ocorrer mais cedo em muitas crianças do que anos atrás, não há indicações para que os critérios que caracterizam a puberdade atrasada sejam alterados.

Exames hormonais

Medem-se os níveis de LH, FSH e testosterona ou estradiol. LH e FSH são gonadotropinas secretadas pela hipófise, que estimulam a produção dos hormônios sexuais. Os níveis de LH e FSH são os exames iniciais mais úteis (ver também Avaliação da amenorreia primária).

Níveis séricos elevados de LH e FSH indicam

  • Insuficiência gonadal causada por defeitos das próprias gônadas [hipogonadismo primário (hipogonadismo hipergonadotrófico)]

Nesses casos, deve-se fazer análise cariotípica para investigar síndrome de Klinefelter em meninos e síndrome de Turner em meninas. Se o cariótipo está normal, deve-se avaliar nas meninas com atraso puberal grave outras causas da insuficiência ovariana primária.

Baixos níveis de FSH e LH, juntamente com baixos níveis de testosterona e estradiol em crianças com estatura baixa e desenvolvimento puberal tardio podem indicar

Os ensaios atuais para níveis de testosterona e estradiol nem sempre distinguem os níveis puberais precoces dos pré-púberes. Atraso constitucional da puberdade é mais comumente diagnosticado em meninos, em parte porque os adolescentes sentem mais aflição se não amadurecem na mesma velocidade que seus colegas e, portanto, é mais provável que se apresentem para avaliação. Pode ser difícil diferenciar o atraso constitucional da puberdade de causas permanentes de hipogonadismo hipogonadotrópico. Doenças crônicas que causam nutrição inadequada podem atrasar a puberdade prejudicando a liberação hormonal de gonadotrofinas. É mais provável que ocorram formas permanentes do hipogonadismo hipogonadotrópico se não há resposta a um ou dois cursos curtos da terapia com testosterona. Se há suspeita de doença hipofisária, deve-se medir os níveis de outros hormônios hipofisários porque o hipogonadismo hipogonadotrópico pode ocorrer isoladamente ou em associação a outras deficiências hormonais.

Exames de imagem

Quando o crescimento é anormal, radiografia da idade óssea deve ser o primeiro exame. Determina-se a idade óssea com uma radiografia da mão esquerda (por convenção) e ela pode fornecer uma estimativa do potencial de crescimento remanescente e ajudar a prever a estatura adulta.

Pode-se indicar a avaliação da hipófise com RM para excluir tumores e anomalias estruturais na suspeita de hipogonadismo hipogonadotrófico.

Exame genético

Cerca de um terço dos casos de hipogonadismo hipogonadotrópico idiopático são genéticos, e a síndrome de Kallman é a causa mais comum (ver hipogonadismo secundário). Se outras deficiências de hormônios hipofisários são observadas, anormalidades genéticas específicas podem estar presentes (p. ex., PROP1).

Tratamento

  • Terapia hormonal

Se os meninos não mostram sinais de desenvolvimento puberal ou amadurecimento ósseo depois dos 11 ou 12 anos até os 14 anos de idade, eles podem receber tratamento durante 4 a 6 meses com enantato de testosterona em baixas doses ou cipionato de testosterona 50 a 100 mg IM 1 vez por mês. Essas doses baixas induzem a puberdade com algum grau de virilização e não colocam em risco o potencial da altura final. Depois desse período de tempo, o tratamento é interrompido e, após várias semanas ou meses, os níveis de testosterona são medidos; um aumento até níveis puberais sugere que a deficiência foi temporária em vez de permanente. Se os níveis de testosterona não estão mais altos do que o valor inicial e/ou o desenvolvimento puberal não continuar após a conclusão do tratamento, pode-se administrar um segundo ciclo de tratamento em baixas doses. Se a puberdade endógena não tiver começado após dois ciclos de tratamento, a probabilidade de deficiência permanente é maior, e deve-se reavaliar nos pacientes outras causas do hipogonadismo. Para formas permanentes do hipogonadismo, aumenta-se a dose de testosterona ao longo de um período de 18 a 24 meses para doses de reposição para adultos (ver Tratamento do hipogonadismo masculino em crianças).

Em meninas, dependendo da causa, pode-se usar a terapia hormonal para induzir a puberdade ou, em alguns casos (p. ex., a síndrome de Turner), pode ser necessária para a substituição a longo prazo. Administra-se a reposição de estrogênio na forma de comprimidos ou adesivos, e aumenta-se a dose ao longo de um período de 18 a 24 meses. As meninas podem fazer a transição para preparações de contraceptivo oral combinado de estrogênio-progestina para tratamento a longo prazo.

Pontos-chave

  • A puberdade tardia pode representar atraso constitucional ou ser causada por uma variedade de doenças genéticas ou adquiridas.

  • Medir os níveis de testosterona ou estradiol, hormônio luteinizante e hormônio folículo-estimulante.

  • Fazer radiografia da idade óssea como parte da avaliação inicial.

  • Pode-se fazer exames de imagem da hipófise e exames genéticos para diagnosticar a causa.

  • Pode-se indicar terapia hormonal para induzir a puberdade ou como reposição a longo prazo.

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