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Abordagem a lesões esportivas

Por

Paul L. Liebert

, MD, Tomah Memorial Hospital, Tomah, WI

Última modificação do conteúdo mar 2018
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A participação nos esportes sempre apresenta risco de lesão.

Geralmente, os mecanismos de lesões nos esportes podem ser divididos em

A maioria das lesões (p. ex., fraturas, luxações, contusões dos tecidos moles, trauma fechado, entorses e estiramentos) não é única dos atletas e pode ocorrer em atividades rotineiras ou acidentes. Essas lesões são discutidas em outras partes deste Manual. Mas os atletas precisam aprender como modificar técnicas falhas que predispõem a lesões ou podem se aconselhados a adotar um período adequado de descanso para que se recuperem de uma lesão esportiva (superar a dor).

Uso excessivo

O uso excessivo é uma das causas mais comuns de lesão atlética e é o efeito cumulativo do estresse excessivo e repetitivo das estruturas anatômicas. Pode traumatizar músculos, tendões, cartilagem, ligamentos, bolsas, fáscia e osso em qualquer combinação. O risco de lesão por excesso de uso depende de interações complexas entre fatores individuais e extrínsecos.

Fatores de risco individuais incluem

  • Fraqueza muscular e inflexibilidade

  • Frouxidão articular

  • Lesão anterior

  • Desalinhamento ósseo

  • Assimetrias de membros

Fatores extrínsecos incluem

  • Erros de treinamento (p. ex., exercício sem tempo suficiente de recuperação, excesso de carga, construção de um grupo de músculos sem treinamento do grupo oposto e uso extensivo dos mesmos padrões de movimento)

  • Condições ambientais (p. ex., correr excessivamente em pistas inclinadas ou estradas movimentadas — o que estressa os membros de forma assimétrica)

  • Características dos equipamentos de treinamento (p. ex., movimentos incomuns ou não habituais, como aqueles feitos em um aparelho elíptico)

Corredores, na maioria das vezes, sofrem lesão após aumento muito rápido da intensidade ou da duração do exercício. Nadadores podem ser menos propensos a lesões de excesso, pois boiar tem efeitos protetores, embora ainda estejam em risco, particularmente com relação aos ombros, onde a maioria dos movimentos ocorre.

Trauma fechado

Trauma atlético brusco causa lesões como contusões dos tecidos moles, concussões e fraturas. Os mecanismos de lesão envolvem normalmente colisões de alto impacto com outros atletas ou objetos (p. ex., sofrer uma falta no futebol ou ser prensado contra aparadores no hóquei), quedas e golpes diretos (p. ex., em boxe e artes marciais).

Estiramentos e entorses

Entorses são lesões nos ligamentos e estiramentos são lesões nos músculos (ver também Visão geral de entorses e outras lesões do tecido mole). Eles tipicamente ocorrem com força súbita e total, mais comum durante acorrida, particularmente com mudanças repentinas de direção (p. ex., desviando e evitando competidores no futebol). Essas lesões também são comuns no treinamento de força, quando a pessoa deixa cair o peso rapidamente, em vez de movê-lo lenta e suavemente com tensão constante controlada.

Sinais e sintomas

A lesão sempre causa dor, que varia de leve a grave. Os sinais podem estar ausentes ou incluir qualquer combinação de edema dos tecidos moles, eritema, calor, pontos de sensibilidade, equimose e perda da mobilidade.

Diagnóstico

  • História e exame físico

  • Às vezes, exames de imagem

O diagnóstico deve incluir história total e exame físico. A história deve focar no mecanismo da lesão, estresse físico da atividade, lesões anteriores, tempo do início da dor, extensão e duração durante e depois da atividade. Deve-se perguntar aos pacientes sobre exposição a antibióticos do grupo das quinolonas, que podem predispor à ruptura do tendão. Teste diagnóstico (p. ex., radiografia, tomografia computadorizada TC], ressonância nuclear magnética RM], cintilografia óssea, eletromiografia) e encaminhamento a um especialista podem ser necessários.

Tratamento

  • Repouso, gelo, compressão, elevação (RGCE)

  • Analgésicos

  • Treinamento cruzado

  • Retorno gradual à atividade

RGCE

O tratamento imediato para a maioria das lesões esportivas agudas é repouso, gelo, compressão e elevação (RGCE).

Repouso previne lesão posterior e ajuda a reduzir o edema.

Gelo (ou bolsa de gelo comercial) causa vasoconstrição e reduz edema, inflamação e dor nos tecidos moles. Gelo e compressas frias não devem ser aplicados diretamente à pele. Elas devem ser envolvidas em um plástico ou toalha. Deve-se mantê-las no local por no máximo 20 minutos de cada vez. Bandagem elástica pode ser usada em volta do pacote plástico bem fechado contendo gelo, para mantê-lo no lugar.

Envolver uma extremidade lesionada com bandagem elástica para compressão reduz edema e dor. A bandagem, porém, não deve ser usada muito firmemente, pois pode causar edema na extremidade distal.

A área lesionada deve ser elevada acima do nível do coração para que a gravidade facilite a drenagem do líquido, reduzindo edema e dor. Idealmente, o líquido deve drenar por uma via descendente a partir da área lesionada para o coração (p. ex., em uma lesão na mão, o cotovelo e a mão devem ficar elevados). Gelo e elevação devem ser usados periodicamente nas primeiras 24h após lesão aguda.

Controle da dor

O controle da dor envolve o uso de analgésicos, tipicamente paracetamol ou anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). Deve-se evitar o uso de AINESs para pacientes com insuficiência renal, história de gastrite ou úlcera péptica. Mas se a dor persistir por > 72 h após uma lesão aparentemente simples, recomenda-se encaminhamento a um especialista para avaliação de lesões adicionais ou mais graves. Essas lesões são tratadas apropriadamente (p. ex., com imobilização, às vezes com corticoides orais ou injetáveis). Os corticoides devem ser aplicados apenas pelo especialista e somente quando necessário, pois podem retardar a cicatrização dos tecidos moles e, algumas vezes, enfraquecer tendões e músculos lesados. A frequência das injeções deve ser monitorada por um especialista, pois injeções muito frequentes podem aumentar o risco de degeneração tecidual e ruptura do tendão ou ligamento.

Atividade

Em geral, atletas lesados devem evitar a atividade específica que causou a lesão mesmo após ocorrer cicatrização. No entanto, para minimizar o descondicionamento, eles podem fazer treinamento cruzado (desempenhar exercícios diferentes ou relacionados que não causem reincidência da lesão ou dor). A lesão também pode requerer a redução da amplitude do movimento no exercício se houver dor intolerável em certos pontos do movimento. Inicialmente, exercícios das áreas previamente lesionadas devem ser de baixa intensidade para fortalecer gradualmente os músculos, tendões e ligamentos fracos sem o risco de nova lesão. É mais importante manter uma boa amplitude de movimento, o que ajuda a direcionar o sangue para a área lesionada e acelerar a cicatrização, do que retomar rapidamente a intensidade total do treinamento por medo de perder o condicionamento. A retomada da atividade total deve ser gradual, uma vez que a dor melhore. Os atletas competitivos devem considerar consulta com profissional (p. ex., fisioterapeuta, personal trainer).

Os atletas devem ser colocados em programa graduado de exercícios e fisioterapia para restaurar flexibilidade, força e resistência. Eles também precisam se sentir psicologicamente prontos antes de voltar a uma atividade de capacidade total. Atletas competitivos podem se beneficiar de aconselhamento motivacional.

Prevenção

O exercício por si só ajuda a prevenir lesões, pois os tecidos se tornam mais resistentes e tolerantes durante atividades vigorosas. Em geral, flexibilidade e condicionamento generalizado são importantes para todos os atletas como um meio de evitar lesões.

O aquecimento geral aumenta a temperatura muscular e deixa os músculos mais flexíveis, fortes e resistentes à lesão; também melhora o desempenho na ginástica pelo aumento da preparação mental e física. Entretanto, não foi demonstrado que alongamento antes de exercícios previna as lesões. O desaquecimento (um breve período de esforço de baixo nível imediatamente após uma atividade) pode prevenir tonturas e síncope após exercício aeróbico e ajudar a remover produtos metabólicos provenientes dos exercícios, como ácido lático, dos músculos e da corrente sanguínea. Mas estudos não demonstram que o resfriamento diminua a rigidez e dor depois do exercício. A remoção do ácido lático pode ajudar a diminuir a dor muscular. O desaquecimento também ajuda a diminuir a frequência cardíaca lenta e gradualmente a níveis próximos aos de repouso.

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