A ruminação é uma doença da interação intestino-cérebro caracterizada por regurgitação (geralmente involuntária) de pequenas quantidades de alimentos do estômago (mais frequentemente 15 a 30 minutos após a ingestão) que são remastigados e, na maioria dos casos, novamente engolidos.
Os pacientes não apresentam sintomas de náuseas ou dor abdominal.
A ruminação é mais comum em adultos do que em crianças (1).
Referência geral
1. Haworth JJ, Treadway S, Hobson AR. The prevalence of rumination syndrome and rumination disorder: A systematic review and meta-analysis. Neurogastroenterol Motil. 2024;36(7):e14793. doi:10.1111/nmo.14793
Etiologia da ruminação
Pacientes com acalasia ou divertículo de Zenker podem regurgitar alimentos não digeridos sem náuseas. Na maioria dos pacientes que não apresenta essas condições esofágicas obstrutivas, a fisiopatologia é pouco compreendida. O peristaltismo reverso dos ruminantes não tem sido reportado em seres humanos.
O transtorno é caracterizado como um distúrbio comportamental e está associado a transtornos alimentares (1). O indivíduo aprende a abrir o esfíncter inferior do esôfago e a impulsionar o conteúdo gástrico para o esôfago e a faringe pelo aumento da pressão gástrica por meio de contrações rítmicas e relaxamento do diafragma.
Referência sobre etiologia
1. Kroon Van Diest AM. Rumination Syndrome. Gastroenterol Clin North Am. 2025;54(3):511-518. doi:10.1016/j.gtc.2025.02.006
Sinais e sintomas da ruminação
Náuseas, dor e disfagia não ocorrem.
Durante períodos de estresse, o paciente pode ser menos cuidadoso sobre a ruminação. Vendo o ato pela primeira vez, outras pessoas podem encaminhar o paciente para um médico.
Raramente, os pacientes regurgitam e expelem alimento suficiente para perder peso.
Diagnóstico da ruminação
Principalmente história e exame físico
Algumas vezes endoscopia, teste da motilidade esofágica ou ambos
Em geral, a ruminação é diagnosticada por simples observação. Uma história psicossocial pode revelar estresse emocional de base.
É preciso fazer endoscopia e seriografia do trato gastrointestinal alto a fim de excluir doenças que causam obstrução mecânica ou divertículo de Zenker.
A manometria esofágica e os exames para aferir o esvaziamento gástrico e a motilidade antroduodenal podem ser utilizados para identificar distúrbios de motilidade (1).
Referência sobre diagnóstico
1. Murray HB, Juarascio AS, Di Lorenzo C, et al. Diagnosis and treatment of rumination syndrome: A critical review. Am J Gastroenterol. 2019;114(4):562–578. doi:10.14309/ajg.0000000000000060
Tratamento da ruminação
Técnicas comportamentais
O tratamento da ruminação é de suporte. Pacientes motivados podem responder a técnicas comportamentais (p. ex., relaxamento, biofeedback, treinamento da respiração diafragmática [utilizar o diafragma para respirar, em vez dos músculos torácicos]) (1).
O baclofeno pode ajudar, mas os dados de segurança e eficácia a longo prazo são limitados.
Consultas psiquiátricas podem ser úteis.
Referência sobre tratamento
1. Murray HB, Juarascio AS, Di Lorenzo C, et al. Diagnosis and treatment of rumination syndrome: A critical review. Am J Gastroenterol. 2019;114(4):562–578. doi:10.14309/ajg.0000000000000060



