Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

honeypot link

Doenças meningocócicas

Por

Larry M. Bush

, MD, FACP, Charles E. Schmidt College of Medicine, Florida Atlantic University;


Maria T. Vazquez-Pertejo

, MD, FACP, Wellington Regional Medical Center

Última modificação do conteúdo jul 2020
Clique aqui para acessar Educação para o paciente
Recursos do assunto

Os meningococos (Neisseria meningitidis) são cocos Gram-negativos que causam meningite e meningococemia. Os sintomas são geralmente graves, incluindo cefaleia, náuseas, vômitos, fotofobia, letargia, exantema, falência de múltiplos órgãos, choque e coagulação intravascular disseminada. O diagnóstico é clínico, confirmado por cultura. O tratamento é feito com penicilina ou cefalosporina de 3ª geração.

Meningococos são cocos aeróbios Gram-negativos que pertencem à família Neisseriaceae. Há 13 sorogrupos; 6 sorogrupos (A, B, C, W135, X e Y) causam a maioria das doenças em humanos.

A incidência global da doença endêmica é de 0,5 a 5/100.000, com um aumento no número de casos no inverno e na primavera nos climas temperados. Surtos localizados ocorrem mais frequentemente na África subsaariana entre a Gambia e o Senegal na região oeste e Etiópia, Eritreia e no norte do Quênia: essa região da África subsaariana é conhecida como o cinturão da meningite, englobando 26 países. Nas principais epidemias africanas (que frequentemente são causadas pelo sorogrupo A), as taxas de ataque variaram de 100 a 800/100.000 e afetaram até 200.000 pessoas/ano. Após a utilização generalizada da vacina antimeningocócica A no cinturão da meningite africana, o sorogrupo A foi substituído por outros sorogrupos de meningococos e pelo Streptococcus pneumoniae.

Nos EUA, a incidência anual varia de 0,12 a 1,1/100.000 pessoas. Nos últimos 20 anos, a incidência da doença meningocócica diminuiu anualmente. A maioria dos casos é esporádica, normalmente em crianças < 2 anos de idade; ocorre epidemia em < 2%. As epidemias tendem a ocorrer nas comunidades semifechadas (p. ex., quartéis, dormitórios de escolas, escolas, creches) e muitas vezes atingem pacientes de 5 a 19 anos de idade. Os sorogrupos B, C e Y são as causas mais frequentes da doença nos EUA; cada sorogrupo é responsável por cerca de um terço dos casos descritos. O sorogrupo A é raro nos EUA.

Doenças causadas por meningococos

Meningite e sepsia são responsáveis por mais de 90% das infecções meningocócicas.

  • Meningite

  • Meningococcemia

Infecções em pulmões, articulações, vias respiratórias, órgãos geniturinários, olhos, endocárdio e pericárdio são menos comuns.

Há relatos de que a N. meningitidis causa uretrite, mas, recentemente, a incidência da uretrite meningocócica aumentou em homens heterossexuais e em homens que fazem sexo com homens. Esses homens frequentemente informaram fazer sexo oral; N. meningitidis coloniza a nasofaringe. N. meningitidis também pode causar proctite Proctite A proctite é uma inflamação da mucosa retal, que pode resultar de infecção, doença inflamatória intestinal ou radiação. Os sintomas são desconforto retal e sangramento. O diagnóstico é feito... leia mais em homens que fazem sexo com homens.

Fisiopatologia das doenças meningocócicas

Meningococos podem colonizar a nasofaringe de portadores assintomáticos. Uma combinação de fatores é provavelmente responsável pela transição de portador a doença invasiva. Apesar das altas taxas de colonização documentadas (5 a 40% das pessoas saudáveis), que podem ser transitórias, breves ou prolongadas, a transição para doença invasiva é rara (< 1%) e ocorre principalmente em pacientes não infectados previamente. Em geral, a transmissão ocorre por contato direto com secreções respiratórias ou por inalação de núcleos de gotículas grandes de um portador nasofaríngeo. As taxas de portador na nasofaringe são mais altas entre os adolescentes e adultos jovens, que servem como reservatórios para a transmissão de N. meningitidis. As taxas de portador aumentam dramaticamente nas epidemias.

Após invadir o corpo, N. meningitidis causa meningite e bacteremias importantes em crianças e adultos, resultando em efeitos vasculares profundos. A infecção pode se tornar rapidamente fulminante. A taxa de casos letais é 4 a 6% somente para a meningite, em comparação a até 40% para a meningococcemia com choque séptico. Dos pacientes que se recuperam, 10 a 20% ficam com sequelas graves, como surdez irreversível, retardo mental, ou perda de falanges ou extremidades.

Fatores de risco

As pessoas infectadas com mais frequência são

  • Crianças de 6 meses a 3 anos de idade

Outros grupos de alto risco incluem

  • Adolescentes

  • Recrutas militares

  • Calouros universitários que moram em dormitórios

  • Viajantes para regiões onde a doença meningocócica é comum (p. ex., certos países na África e na Arábia Saudita durante o Hajj)

  • Pessoas com asplenia anatômica ou funcional ou deficiência do complemento

  • Pessoas tratadas com eculizumabe ou ravulizumabe

  • Microbiologistas que trabalham com amostras de N. meningitidis

Infecção ou vacinação conferem imunidade tipo-específica.

A incidência da doença meningocócica é mais elevada em pessoas com aids do que na população adulta em geral. Infecção viral antecedente, unidades familiares com muitas pessoas, doença subjacente crônica e tabagismo, tanto ativo como passivo, estão associados a maior risco de doença meningocócica (1 Referência sobre fisiopatologia Os meningococos (Neisseria meningitidis) são cocos Gram-negativos que causam meningite e meningococemia. Os sintomas são geralmente graves, incluindo cefaleia, náuseas, vômitos, fotofobia... leia mais Referência sobre fisiopatologia ).

Referência sobre fisiopatologia

Sinais e sintomas das doenças meningocócicas

Pacientes com meningite Meningite bacteriana aguda A meningite bacteriana aguda é infecção bacteriana rapidamente progressiva das meninges e do espaço subaracnoide. Os resultados normalmente incluem cefaleia, febre e rigidez na nuca. O diagnóstico... leia mais comumente relatam febre, cefaleia e rigidez de nuca. Outros sintomas incluem náuseas, vômitos, fotofobia e letargia. Um exantema maculopapular ou hemorrágico petequial surge logo após a instalação da doença. Sinais meníngeos estão presentes com frequência ao exame físico.

As síndromes fulminantes incluem síndrome de Waterhouse-Friderichsen (sepse, choque importante, púrpura cutânea e hemorragia da adrenal), sepsia com falência de múltiplos órgãos, choque e coagulação intravascular disseminada. Uma meningococcemia rara e crônica provoca sintomas leves recorrentes (principalmente articulares e cutâneos).

Imagens da meningococemia

Diagnóstico das doenças meningocócicas

  • Coloração de Gram e cultura

Neisseria são cocos pequenos e Gram-negativos prontamente identificados com a coloração de Gram e por outros métodos de identificação bacteriológica padrão. Métodos sorológicos, como aglutinação do látex e coaglutinação, permitem um diagnóstico presuntivo rápido de N. meningitidis no sangue, no líquido cerebrospinal, no líquido sinovial e na urina. No entanto, os resultados positivo e negativo devem ser confirmados por cultura.

Testes de PCR (polymerase chain reaction) do líquido cerebrospinal, sangue e outros locais normalmente estéreis para N. meningitidis são mais sensíveis e específicos do que cultura e podem ser úteis quando a administração prévia de antibióticos interfere no isolamento do microrganismo.

Tratamento das doenças meningocócicas

  • Ceftriaxona

  • Dexametasona

Enquanto aguardam a identificação definitiva do agente etiológico, adultos imunocompetentes com suspeita de infecção meningocócica devem receber uma cefalosporina de 3ª geração (p. ex., cefotaxima 2 g IV a cada 6 horas, ceftriaxona 2 g IV a cada 12 horas) ou meropenem (2 g IV a cada 8 horas) mais vancomicina 30 a 60 mg/kg IV a cada 8 a 12 horas. A cobertura para Listeria monocytogenes deve ser considerada para pacientes imunocomprometidos e com > 50 anos de idade, associando-se ampicilina, 2 g, IV a cada 4 h. O moxifloxacino, um antibiótico fluoroquinolona, é uma alternativa a pacientes alérgicos à penicilina e às cefalosporinas.

Depois que a N. meningitidis tiver sido definitivamente identificada, o tratamento de escolha é um dos seguintes:

  • Ceftriaxona 2 g IV a cada 12 horas

  • Penicilina 4 MUI IV a cada 4 h

Em muitos países, a penicilina G ainda é a primeira escolha para a doença meningocócica invasiva. Entretanto, como muitos países, incluindo os EUA, têm maior incidência de isolados com suscetibilidade reduzida à penicilina, esses países normalmente administram o tratamento inicial com uma cefalosporina de 3ª geração, como ceftriaxona ou cefotaxima. Além disso, ao utilizar penicilina, o tratamento de acompanhamento com ceftriaxona, ciprofloxacino ou rifampicina é necessário para eliminar o transporte nasofaríngeo. Recentemente, relataram-se dois casos na Costa Rica e seis na Índia de pacientes resistentes à penicilina e às cefalosporinas de 3ª geração.

Os corticoides diminuem a incidência de complicações neurológicas em crianças e adultos com suspeita de meningite bacteriana por Haemophilus influenzae tipo b ou S. pneumoniae. As evidências são menos claras quando a N. meningitidis é a causa. Entretanto, altas doses de corticoides pioram o resultado no choque meningocócico sem meningite e não devem ser usadas nesses casos; mas pode-se usar baixas doses de corticoides em pacientes com função suprarrenal inadequada. Quando utilizados, devem ser administrados com ou antes da primeira dose dos antibióticos. Dexametasona, 0,15 mg/kg, IV a cada 6 h, para crianças (10 mg a cada 6 h para adultos), é administrada durante 4 dias.

Prevenção das doenças meningocócicas

Profilaxia antibiótica

Contatos íntimos de pessoas com doença meningocócica estão sob risco maior de adquirir doença e devem receber antibiótico profilático. As opções incluem

  • Rifampicina, 600 mg (para crianças > 1 mês de idade, 10 mg/kg; para crianças < 1 mês, 5 mg/kg) por via oral a cada 12 h, por 4 doses

  • Ceftriaxona, 250 mg (para crianças < 15 anos de idade, 125 mg) IM em 1 dose

  • Em adultos, uma fluoroquinolona (ciprofloxacino ou levofloxacino, 500 mg, ou ofloxacino, 400 mg), por via oral, em 1 dose

Normalmente a azitromicina não é recomendada, mas um estudo recente mostrou que uma única dose de 500 mg era equivalente à rifampicina para a quimioprofilaxia e poderia ser uma alternativa para pacientes com contraindicações aos fármacos recomendados.

Há relatos de doença meningocócica resistente ao ciprofloxacino, embora rara, em diversos países (Grécia, Inglaterra, Escócia, Austrália, Espanha, Argentina, França, Índia) e em 2 estados norte-americanos (North Dakota, Minnesota). Ao escolher um antibiótico para profilaxia pós-exposição, os médicos devem considerar as notificações locais de meningococos resistentes ao ciprofloxacino.

Vacinação

Ver em Vacina meningocócica Vacina meningocócica Os sorogrupos meningocócicos que mais frequentemente causam doença meningocócica a doença nos EUA são os sorogrupos B, C e Y. Sorogrupos A e W causam doença fora dos EUA. As vacinas atuais são... leia mais informações adicionais, incluindo indicações Indicações Os sorogrupos meningocócicos que mais frequentemente causam doença meningocócica a doença nos EUA são os sorogrupos B, C e Y. Sorogrupos A e W causam doença fora dos EUA. As vacinas atuais são... leia mais , contraindicações e precauções Contraindicações e precauções Os sorogrupos meningocócicos que mais frequentemente causam doença meningocócica a doença nos EUA são os sorogrupos B, C e Y. Sorogrupos A e W causam doença fora dos EUA. As vacinas atuais são... leia mais , dosagem e administração Dose e administração Os sorogrupos meningocócicos que mais frequentemente causam doença meningocócica a doença nos EUA são os sorogrupos B, C e Y. Sorogrupos A e W causam doença fora dos EUA. As vacinas atuais são... leia mais e efeitos adversos Efeitos adversos Os sorogrupos meningocócicos que mais frequentemente causam doença meningocócica a doença nos EUA são os sorogrupos B, C e Y. Sorogrupos A e W causam doença fora dos EUA. As vacinas atuais são... leia mais . Consulte também os cronogramas de vacinação para crianças e adultos do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e as recomendações de vacinas meningocócicas do Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP).

Há várias vacinas meningocócicas:

  • 2 vacinas conjugadas tetravalentes (MenACWY-D e MenACWY-CRM) que protegem contra 4 dos 6 sorogrupos patogênicos comuns do meningococo (todos, exceto B e X)

  • Uma vacina conjugada bivalente que protege contra os sorogrupos C e Y que só está disponível em combinação com toxoide tetânico e a vacina contra o Haemophilus influenzae tipo b (Hib-MenCY-TT) está disponível para lactentes com maior risco de doença meningocócica (ver também infant meningococcal vaccination recommendations da ACIP)

  • Uma vacina polissacarídea tetravalente (MPSV4) para uso em pacientes selecionados com ≥ 56 anos de idade

  • 2 vacinas monovalentes contra o sorogrupo B (MenB-4C e MenB-FHbp)

Todas as crianças devem receber MenACWY-D ou MenACWY-CRM aos 11 anos a 12 anos de idade, com uma dose de reforço aos 16 anos (ver também o cronograma de vacinação infantil de rotina Calendário de vacinação infantil A vacinação segue uma programação recomendada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), pela Prevention, American Academy of Pediatrics, pela American Academy of Family Physicians... leia mais ). Também é recomendado qualquer uma dessas vacinas para adultos com maior risco.

MenB é recomendada para pessoas ≥ 10 anos de idade com maior risco de doença meningocócica do sorogrupo B:

Pontos-chave

  • Meningite e meningococemia são responsáveis por mais de 90% das infecções meningocócicas.

  • Um estado de portador nasofaríngeo assintomático; a transmissão na maioria das vezes ocorre por contato direto com secreção respiratória de um portador.

  • Nos EUA, a maioria dos casos é esporádica, normalmente em crianças < 2 anos de idade, mas podem ocorrer epidemias, principalmente em comunidades semifechadas (p. ex., quartéis, dormitórios de universidades, escolas, creches) e muitas vezes envolve pacientes de 5 a 19 anos de idade.

  • Tratar com ceftriaxona ou penicilina; acrescentar dexametasona para pacientes com meningite.

  • Administrar a contatos próximos um antibiótico profilático.

  • Vacinar todas as crianças a partir dos 11 ou 12 anos idade, e vacinar seletivamente crianças mais jovens e outras pessoas de alto risco.

Informações adicionais

Os recursos em inglês a seguir podem ser úteis. Observe que O Manual não é responsável pelo conteúdo destes recursos.

Ver nos sites governamentais a seguir informações abrangentes e atualizadas sobre vacinação:

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
quiz link

Test your knowledge

Take a Quiz! 
ANDROID iOS
ANDROID iOS
ANDROID iOS
PRINCIPAIS