Pitiríase rósea é uma doença inflamatória autolimitada caracterizada por pápulas ou placas descamativas difusas. O diagnóstico é clínico. O tratamento normalmente é desnecessário.
A pitiríase rósea é uma doença exantemática aguda e autolimitada que se apresenta mais comumente com uma única placa eritematosa grande seguida por múltiplas pápulas e placas escamosas menores, geralmente no tronco.
A pitiríase rósea é uma condição de pele relativamente comum. Em um estudo epidemiológico populacional seminal, a taxa de incidência anual média foi de 172 por 100.000 pessoas-ano (1). Ocorre mais comumente entre os 10 e 35 anos de idade. Pode haver discreta preponderância do sexo feminino.
A causa de pitiríase rósea pode ser uma infecção viral (algumas pesquisas apontaram o herpes-vírus humano (HHV 6, 7 e 8) (2, 3). Alguns medicamentos (p. ex., inibidores da enzima conversora da angiotensina, hidroclorotiazida, captopril, barbitúricos, metronidazol, alopurinol) podem causar uma reação semelhante à pitiríase rósea.
Referências gerais
1. Chuang TY, Ilstrup DM, Perry HO, Kurland LT. Pityriasis rosea in Rochester, Minnesota, 1969 to 1978. J Am Acad Dermatol. 1982;7(1):80-89. doi:10.1016/s0190-9622(82)80013-3
2. Mubki TF, Bin Dayel SA, Kadry R: A case of pityriasis rosea concurrent with the novel influenza A (H1N1) infection. Pediatr Dermatol 28(3):341-342, 2011. doi: 10.1111/j.1525-1470.2010.01090.x
3. Prantsidis A, Rigopoulos D, Papatheodorou G, et al: Detection of human herpesvirus 8 in the skin of patients with pityriasis rosea. Acta Derm Venereol 89(6):604-606, 2009. doi: 10.2340/00015555-0703
Sinais e sintomas da pitiríase rósea
A condição classicamente tem início com uma única placa heráldica primária, de 2 a 10 cm, que geralmente surge no tronco, ou menos comumente, nas regiões proximais dos membros. Em 7 a 14 dias segue uma erupção centrípeta de pápulas e placas ovais róseas ou castanho-claras de 0,5 a 2 cm de diâmetro. As lesões apresentam borda descamativa, ligeiramente elevada (colarete descamativo) e se assemelham à erupção da tínea do corpo.
A cor rosa ou castanho não é tão evidente em pacientes com pele escura. As placas de aspecto mais rosado em pacientes com pele clara parecem violáceas e/ou hiperpigmentadas em pacientes com pele escura.
A maioria dos pacientes experimenta prurido, ocasionalmente grave. As pápulas podem dominar o quadro, com pouca ou nenhuma descamação em crianças e gestantes.
Crianças tem mais comumente a pitiríase rósea invertida (lesões nas axilas e na virilha que se espalham de modo centrífugo).
Inicialmente, a maioria das pessoas desenvolve uma mancha escamosa extensa (placa heráldica, seta) e, em 1 a 2 semanas, manchas rosadas menores podem ocorrer no tronco, braços e pernas.
Inicialmente, a maioria das pessoas desenvolve uma mancha escamosa extensa (placa heráldica, seta) e, em 1 a 2 semanas,
Imagem cedida por cortesia da Biblioteca de Imagens de Saúde Pública dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças.
Na pitiríase rósea, a placa heráldica inicial é seguida por uma erupção centrípeta de placas e pápulas ovais com uma borda ligeiramente elevada, que geralmente aparecem ao longo das linhas da pele.
Na pitiríase rósea, a placa heráldica inicial é seguida por uma erupção centrípeta de placas e pápulas ovais com uma bo
Image provided by Thomas Habif, MD.
Essa imagem mostra pápulas escamosas eritematosas, violáceas, ovoides e coalescentes formando placas na cabeça e no tronco de um paciente com pitiríase rósea.
Essa imagem mostra pápulas escamosas eritematosas, violáceas, ovoides e coalescentes formando placas na cabeça e no tro
Imagem cedida por cortesia de Karen McKoy, MD.
Essa imagem mostra placas escamosas e violáceas no dorso e braços de um paciente com pitiríase rósea. As placas de aspecto mais rosado em pacientes com pele clara parecem violáceas e/ou hiperpigmentadas em pacientes com pele escura.
Essa imagem mostra placas escamosas e violáceas no dorso e braços de um paciente com pitiríase rósea. As placas de aspe
Imagem cedida por cortesia de Karen McKoy, MD.
Esta foto mostra pitiríase rósea atípica (inversa) caracterizada por placas escamosas ovais nas pregas inguinais.
Esta foto mostra pitiríase rósea atípica (inversa) caracterizada por placas escamosas ovais nas pregas inguinais.
Imagem fornecida por E. Laurie Tolman, MD.
Classicamente, as lesões orientam-se ao longo das linhas de clivagem da pele, dando à pitiríase rósea uma distribuição semelhante à da árvore de Natal quando múltiplas lesões aparecem nas costas.
Um pródromo de mal-estar, cefaleia e, às vezes, artralgia pode preceder as lesões na minoria dos pacientes.
Diagnóstico da pitiríase rósea
Principalmente história e exame físico
O diagnóstico da pitiríase rósea baseia-se na aparência clínica característica e no padrão de distribuição das lesões.
Diagnósticos diferenciais incluem:
Pitiríase liquenoide crônica
O teste sorológico para sífilis é indicado quando as palmas das mãos e plantas dos pés são afetadas, a placa heráldica não é observada ou quando as lesões surgem em sequência ou distribuição inusitadas.
Tratamento da pitiríase rósea
Tratamento de suporte (terapia antipruriginosa, glicocorticoides tópicos)
Às vezes, aciclovir
Nenhum tratamento específico é necessário porque a erupção geralmente cede espontaneamente em 5 semanas e a recorrência é rara.
A exposição à luz solar ou artificial pode acelerar a cura.
A terapia antipruriginosa, como glicocorticoides tópicos, anti-histamínicos orais (p. ex., hidroxizina) ou outras medidas tópicas (p. ex., loção de calamina), pode ser utilizada conforme necessário.
Dados limitados sugerem que um curso curto de aciclovir pode ser eficaz em pacientes que se apresentam no início da doença, com doença generalizada, ou têm sintomas semelhantes aos da gripe (1). Digno de nota, pitiríase rósea durante a gravidez (especialmente nas primeiras 15 semanas de gestação) está associada a nascimento prematuro ou morte fetal. Gestantes devem receber aciclovir; no entanto, a terapia antiviral não foi comprovada para reduzir complicações obstétricas (2).
Referências sobre tratamento
1. Contreras-Ruiz J, Peternel S, Jiménez Gutiérrez C, et al: Interventions for pityriasis rosea. Cochrane Database Syst Rev 2019(10):CD005068, 2019. doi: 10.1002/14651858.CD005068.pub3
2. Stashower J, Bruch K, Mosby A, et al: Pregnancy complications associated with pityriasis rosea: A multicenter retrospective study. J Am Acad Dermatol 85(6):1648-1649, 2021. doi: 10.1016/j.jaad.2020.12.063
Pontos-chave
A pitiríase rósea é uma doença autolimitada e inflamatória da pele, possivelmente causada pelos tipos 6, 7 ou 8 de herpesvírus humano, ou medicamentos.
Uma placa heráldica inicial de 2 a 10 cm é seguida por uma erupção centrípeta de placas e pápulas ovais com uma borda escamosa ligeiramente elevada, que geralmente aparecem ao longo das linhas da pele.
O diagnóstico baseia-se na aparência clínica e distribuição.
Tratar com medicamentos antipruriginosos, conforme necessário, e possivelmente glicocorticoides tópicos e/ou luz solar.
Pitiríase rósea durante as primeiras 15 semanas de gravidez está associada a nascimento prematuro ou morte fetal.
Gestantes devem receber terapia antiviral, embora isso não tenha sido comprovado para reduzir as complicações obstétricas.



