Candidíase (mucocutânea)

(Monilíase)

PorDenise M. Aaron, MD, Dartmouth Geisel School of Medicine
Reviewed ByJoseph F. Merola, MD, MMSc, UT Southwestern Medical Center
Revisado/Corrigido: modificado out. 2025
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Visão Educação para o paciente

Candidíase é uma infecção da pele e/ou mucosa envolvendo espécies de Candida, mais comumente Candida albicans. As infecções ocorrem mais frequentemente em dobras cutâneas (regiões intertriginosas, como axilares, inguinais, inframamárias e outras áreas de dobras corporais), espaços interdigitais, na pele genital, nas cutículas e na mucosa oral. Os sinais e sintomas variam de acordo com o local. O diagnóstico baseia-se principalmente na aparência clínica e é confirmado por testes como exame a fresco com hidróxido de potássio de raspados de pele ou cultura fúngica. O tratamento consiste mais frequentemente em agentes secantes, reforço da barreira cutânea e antifúngicos tópicos ou sistêmicos.

A candidíase mucocutânea é uma infecção fúngica superficial da pele causada por espécies de Candida, mais comumente Candida albicans. Em geral, apresenta-se como lesões eritematosas, maceradas e, por vezes, pustulosas em áreas intertriginosas ou outras regiões úmidas, estando frequentemente associada a fatores predisponentes, como umidade, oclusão, imunossupressão ou uso recente de antibióticos. A maioria das infecções por Candida envolve a pele e mucosas, mas a candidíase invasiva pode ocorrer em pacientes que estão imunossuprimidos; pode acarretar risco de morte. Ao contrário da candidíase mucocutânea típica, a candidíase mucocutânea crônica é um distúrbio raro de imunodeficiência primária, frequentemente geneticamente determinado, caracterizado por infecções recorrentes ou persistentes de Candida que afetam a pele, as unhas (incluindo a cutícula) e as membranas mucosas.

A candidíase sistêmica é discutida em Fungos. A candidíase vulvovaginal é discutida em Vaginite por Candida.

Etiologia da candidíase mucocutânea

Candida é um grupo de aproximadamente 150 espécies de levedura. C. albicans é responsável por cerca de 70 a 80% de todas as infecções candidiásicas (1). Outras espécies significantes incluem C. auris, C. glabrata, C. tropicalis, C. krusei, C. parapsilosis e C. dubliniensis.

Candida é uma levedura comensal ubíqua que se instala inofensivamente na pele e mucosas até que umidade, calor e alterações nas defesas imunes locais e sistêmicas proporcionem um ambiente propício para o seu crescimento.

Os fatores de risco de candidíase incluem:

  • Clima quente e úmido

  • Roupas justas

  • Higiene inadequada

  • Trocas pouco frequentes de fraldas em crianças e idosos

  • Flora mucocutânea alterada resultante de antibioticoterapia

  • Doenças inflamatórias (p. ex., psoríase) que ocorrem nas dobras da pele

  • Imunossupressão por glicocorticoides e medicamentos imunossupressores, gestação, diabetes, outras endocrinopatias (p. ex., doença de Cushing, hipoadrenalismo, hipotireoidismo), discrasias sanguíneas, HIV avançado ou defeitos das células T

A candidíase é mais comum em áreas intertriginosas, como axilas, virilhas e dobras glúteas (p. ex., assaduras), espaços entre artelhos, glande do pênis e sob as mamas. A candidíase vulvovaginal é comum em mulheres. Infecções ungueais por Candida e paroníquia podem se desenvolver após manicures feitas inadequadamente e em trabalhadores de cozinha e outros cujas mãos estão continuamente expostas à água. Em pessoas com obesidade, infecções por cândida podem ocorrer sob o pannus (prega abdominal). A candidíase da orofaringe é um sinal comum de imunossupressão local ou sistêmica.

A candidíase mucocutânea crônica é um distúrbio de imunodeficiência primária que geralmente afeta as unhas, a pele e a orofaringe. Em alguns casos, está associada a mutações no gene AIRE, que desempenha um papel na tolerância de células T, e ocorre como parte da síndrome poliglandular autoimune tipo 1 (APS1) em associação com hipoparatireoidismo e doença de Addison (também denominada síndrome Candida-endocrinopatia). É geralmente herdada de forma autossômica recessiva quando ocorre como parte de uma poliendocrinopatia autoimune. A candidíase mucocutânea crônica também pode manifestar-se isoladamente, sem outras características sistêmicas associadas. Esta forma é mais comumente devida a erros inatos da imunidade da interleucina (IL)-17 e pode ser herdada de forma autossômica recessiva ou dominante. Pacientes com candidíase mucocutânea crônica têm anergia cutânea à Candida, ausência de respostas linfoproliferativas ao antígeno de Candida (mas respostas proliferativas normais a mitógenos), mas uma resposta humoral intacta de anticorpos à Candida e outros antígenos. Também têm imunidade mediada por células T prejudicada.

Referência sobre etiologia

  1. 1. Talapko J, Juzbašić M, Matijević T, et al. Candida albicans-The Virulence Factors and Clinical Manifestations of Infection. J Fungi (Basel). 2021;7(2):79. Published 2021 Jan 22. doi:10.3390/jof7020079

Sinais e sintomas da candidíase mucocutânea

Infecções intertriginosas se manifestam como placas eritematosas pruriginosas bem delimitadas, de vários tamanhos e formas; eritema é difícil de detectar em pacientes com pele mais escura. As placas iniciais podem ser acompanhadas de pápulas ou pústulas satélites adjacentes.

Candidíase perianal produz maceração branca e prurido anal.

Candidíase vulvovaginal causa prurido e corrimentoe (ver Vaginite Candida).

Candidíase vulvovaginal
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Achados característicos na candidíase vulvovaginal incluem secreção branca e eritema vulvar.

BIOPHOTO ASSOCIATES/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Infecções ungueais por Candida podem afetar a placa ungueal, as bordas laterais das unhas, ou ambas. A candidíase é uma causa frequente de paroníquia que se manifesta com dor, edema e eritema periungueal. Quando subungueal, caracteriza-se pela separação distal da lâmina de um ou mais dedos (onicólise), com pigmentação branca ou amarela da região subungual.

Candidíase (infecção ungueal)
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Infecções ungueais por Candida podem envolver toda a espessura da placa ungueal (onicomicose), as bordas das unhas (paroníquia) ou ambas.

Imagem cedida por cortesia de CDC/Sherry Brinkman via Biblioteca de Imagens de Saúde Pública dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

Na candidíase orofaríngea, são observadas placas esbranquiçadas nas mucosas, que podem sangrar quando raspadas (ver Interpretação dos resultados).

Afta
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Manchas brancas cremosas são vistas no interior da cavidade oral e podem sangrar quando raspadas. Esse achado é típico de afta, cuja causa é a infecção por Candida.

Image provided by Thomas Habif, MD.

Perlèche é a candidíase dos cantos da boca que causa erosão e pequenas fissuras. Pode ser decorrente de lamber os lábios, chupar o dedo, dentaduras mal adaptadas ou outras condições em que os cantos da boca ficam úmidos, proporcionando o crescimento da Candida.

Perlèche
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Perleche é a candidíase nos cantos da boca que causa pequenas erosões e fissuras.

© Springer Science+Business Media

A candidíase mucocutânea crônica é caracterizada por placas eritematosas, pustulosas, crostosas e espessas semelhantes à psoríase, em especial no nariz e fronte, estando invariavelmente associada à candidíase crônica oral.

Candidíase (mucocutânea crônica)
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Pacientes com candidíase mucocutânea crônica demonstram anergia cutânea a Candida. Eles desenvolvem placas avermelhadas, pustulosas, espessas e com crostas que podem parecer psoriáticas. As placas podem aparecer no nariz, na testa e em outros locais.

Imagem cedida por cortesia de www.doctorfungus.org © 2005.

Diagnóstico da candidíase mucocutânea

  • Principalmente exame físico

  • Exames a fresco com hidróxido de potássio

  • Cultura fúngica em casos recorrentes ou refratários

O diagnóstico da candidíase mucocutânea baseia-se no aspecto clínico e em achados de leveduras e pseudo-hifas em exames a fresco com hidróxido de potássio dos raspados de uma lesão.

A cultura lesional é útil para a identificação de espécies, especialmente em casos recorrentes ou resistentes ao tratamento, nos quais a suspeita clínica para a infecção é elevada. Em geral, isoladamente a cultura positiva não é tão útil para infecções mucocutâneas, pois Candida é onipresente nessas superfícies como organismo comensal.

Tratamento da candidíase mucocutânea

  • Algumas vezes, agentes secantes

  • Antifúngicos tópicos ou orais

As infecções intertriginosas são tratadas com agentes secativos (p. ex., compressas com solução de Burow aplicadas por 15 a 20 minutos em lesões secretantes) e antifúngicos tópicos (ver tabela ). Formulações em pó também são úteis (p. ex., miconazol em pó 2 vezes ao dia, por 2 a 3 semanas). Fluconazol por via oral, 1 vez por semana, por 2 a 4 semanas, pode ser utilizado nas candidíases intertriginosas extensas; antifúngicos tópicos podem ser utilizados simultaneamente.

Tabela
Tabela

A assadura ou dermatite das fraldas por Candida é tratada trocando mais frequentemente as fraldas, utilizando fraldas descartáveis ultra-absorventes e creme de imidazol 2 vezes ao dia. A nistatina oral é uma opção para lactentes com candidíase orofaríngea coexistente. Terapias adjuvantes ajudam a criar uma barreira útil para pacientes com infecções candidiásicas associadas a fraldas (p. ex., cremes de óxido de zinco com concentrações de 10 a 40%, disponíveis sem prescrição médica).

A paroníquia por cândida é tratada protegendo-se a região contra umidade e administração de antifúngicos tópicos ou orais. Essas infecções são quase sempre resistentes ao tratamento. Timol a 4% em álcool aplicado à área afetada 2 vezes ao dia é frequentemente útil.

Candidíase oral pode ser tratada dissolvendo uma pastilha de clotrimazol na boca 4 a 5 vezes ao dia, durante 14 dias. Outra opção é suspensão oral de nistatina. Pode-se utilizar também um antifúngico sistêmico (p. ex., fluconazol oral).

A candidíase mucocutânea crônica exige tratamento com antifúngicos orais a longo prazo com fluconazol oral.

Pontos-chave

  • Candida faz parte da flora normal da pele e pode se tornar infecciosa sob certas condições (p. ex., umidade excessiva, alteração da flora normal, imunossupressão do hospedeiro).

  • Considerar um diagnóstico de candidíase em caso de manchas eritematosas, escamosas e pruriginosas nas áreas intertriginosas e com lesões nas mucosas, em volta das unhas ou nos cantos da boca.

  • Se a aparência clínica não for diagnóstica, tentar identificar leveduras e pseudo-hifas em exames a fresco com hidróxido de potássio dos raspados de uma lesão.

  • Tratar a maioria das candidíases intertriginosas com um agente secante e antifúngico tópico.

  • Tratar a maior parte das assaduras trocando mais frequentemente as fraldas descartáveis absorventes e creme de imidazol.

  • Tratar a candidíase oral com pastilhas de clotrimazol, suspensão oral de nistatina ou um antifúngico oral.

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