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Visão geral dos distúrbios endócrinos

Por

John E. Morley

, MB, BCh,

  • Saint Louis University School of Medicine

Última modificação do conteúdo mar 2019
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Doenças endócrinas podem resultar de

  • Disfunção originada na própria glândula endócrina periférica (doenças primárias)

  • Subestimulação pela hipófise (doenças secundárias)

  • Superestimulação pela hipófise (doenças secundárias)

  • Raramente, em razão da resposta anormal dos tecidos aos hormônios (geralmente hipofunção).

As doenças podem causar a produção excessiva (hiperfunção) ou a diminuição da produção (hipofunção) de hormônios. A apresentação clínica de doenças com hipofunção geralmente é insidiosa e não específica.

Hiperfunção endócrina

A hiperfunção de uma glândula endócrina pode resultar de estímulo excessivo pela hipófise, mas é mais comum decorrer de hiperplasia ou neoplasia da própria glândula. Em alguns casos, cânceres de outros tecidos podem produzir hormônios (produção ectópica de hormônios).

O excesso de hormônios pode resultar de administração exógena. Em alguns casos, os pacientes tomam hormônios sem contar ao médico (doença factícia).

Pode ocorrer hipersensibilidade tecidual a hormônios. Os anticorpos podem estimular as glândulas endócrinas periféricas, como ocorre no hipertireoidismo da doença de Graves. A ruptura de uma glândula endócrina periférica pode liberar rapidamente os hormônios armazenados (p. ex., liberação de hormônios tireoidianos na tireoidite subaguda).

Defeitos enzimáticos na síntese dos hormônios endócrinos periféricos podem provocar produção excessiva de hormônios nas regiões proximais ao bloqueio. Por fim, a superprodução de um hormônio pode ocorrer como reação apropriada a uma doença.

Hipofunção endócrina

A hipofunção de uma glândula endócrina pode resultar da falta de estímulo pela hipófise.

Hipofunção originada dentro da própria glândula periférica pode resultar de doenças congênitas ou adquiridas (incluindo condições autoimunes, tumores, infecções, doenças vasculares e toxinas).

Doenças genéticas que causam hipofunção podem resultar de deleção de um gene ou produção de um hormônio anormal. Diminuição da produção hormonal pela glândula endócrina periférica com resultante aumento do hormônio regulador da hipófise pode provocar hiperplasia da glândula endócrina periférica. Por exemplo, se a síntese do hormônio tireoidiano é deficiente, TSH é produzido em excesso, causando bócio.

Vários hormônios precisam ser convertidos em uma forma ativa após a secreção de uma glândula endócrina periférica. Certas doenças podem bloquear essa etapa (p. ex., doenças renais podem inibir a produção da forma ativa de vitamina D). Anticorpos contra hormônios circulantes também podem bloquear o funcionamento desses hormônios.

Doenças ou fármacos podem causar aumento da depuração dos hormônios. Substâncias circulantes também podem bloquear a função dos hormônios. Anormalidades do receptor ou de qualquer outro local no tecido endócrino periférico também podem causar hipofunção.

Exames laboratoriais para doenças endócrinas

Como os sintomas dos distúrbios endócrinos podem começar de forma insidiosa e não ser específicos, o reconhecimento clínico muitas vezes demora meses ou anos. Por isso, geralmente o diagnóstico bioquímico é essencial; tipicamente requer medição dos níveis sanguíneos dos hormônios endócrinos periféricos e/ou dos hormônios hipofisários.

Como a maioria dos hormônios apresenta ritmos circadianos, as medidas devem ser feitas em um determinado horário do dia. Os hormônios que variam em curtos períodos (p. ex., LH) exigem a obtenção de 3 a 4 valores ao longo de 1 a 2 horas ou usando amostra de sangue agrupada. Hormônios com variações semanais (p. ex., testosterona) tornam necessária a obtenção de valores com intervalo de uma semana.

Medições de hormônios no sangue

Acredita-se que os hormônios livres ou biodisponíveis (hormônio não ligado a ligante específico) estejam geralmente em suas formas ativas. Os hormônios livres ou biodisponíveis costumam ser medidos por diálise de equilíbrio, ultrafiltração ou método de extração por solvente para separar o hormônio livre e ligado a albumina da globulina de ligação. Esses métodos podem ser caros e consumir muito tempo. Os ensaios de hormônios livres por competição e análogos, embora sejam utilizados comercialmente, nem sempre são precisos e não devem ser empregados.

Estimativas de hormônios no sangue

As concentrações de hormônios livres podem ser estimadas de modo indireto por meio da avaliação das concentrações da proteína ligadora, utilizando-as para ajustar as concentrações totais de hormônios. Entretanto, os métodos indiretos são imprecisos se a capacidade de ligação do hormônio à proteína estiver alterada (p. ex., por doenças).

Em alguns casos, utilizam-se outras estimativas indiretas. Por exemplo, como o hormônio de crescimento (GH) tem meia-vida sérica curta e sua detecção no plasma é difícil, o fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1), que é produzido em resposta ao GH, é frequentemente medido como índice da atividade do GH. Ainda se investiga se as medidas dos metabólitos dos hormônios circulantes indicam a quantidade de hormônios biodisponíveis.

Às vezes, em vez de níveis sanguíneos, pode-se usar a urina (p. ex., cortisol livre no exame para doença de Cushing) ou as concentrações salivares do hormônio.

Exames dinâmicos

Em vários casos, é necessário um teste dinâmico. Assim, no caso de órgãos hipofuncionantes, pode-se utilizar um teste de estimulação (p. ex., estimulação do ACTH). Na hiperfunção, pode-se utilizar um teste de supressão (p. ex., supressão com dexametasona).

Tratamento

  • Reposição hormonal deficiente

  • Supressão da produção excessiva de hormônios

As doenças com hipofunção costumam ser tratadas com terapia de reposição dos hormônios endócrinos periféricos, independentemente de o defeito ser primário ou secundário (uma exceção é o hormônio do crescimento, substituição do hormônio da hipófise usada no nanismo hipofisário). Se houver resistência ao hormônio, podem ser utilizados fármacos que reduzem a resistência (p. ex., metformina ou tiazolidinedionas para o diabetes melito tipo 2). Ocasionalmente, usa-se um fármaco hormônio-estimulante.

Radioterapia, cirurgia e fármacos que suprimem a produção hormonal são empregadas para o tratamento das hiperfunções. Em alguns casos, utiliza-se um antagonista de receptor.

Envelhecimento e endocrinologia

Os hormônios sofrem várias alterações à medida que o indivíduo envelhece.

  • A maioria das concentrações hormonais diminui.

  • Alguns níveis hormonais permanecem normais, incluindo hormônio estimulante da tiroide (TSH), hormônio adrenocorticotrófico (basal), tireoxina, cortisol (basal), 1,25-di-hidroxicolecalciferol, insulina (algumas vezes, aumenta) e estradiol (em homens).

  • Alguns níveis hormonais aumentam.

Os hormônios que aumentam, incluindo o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH — aumento da resposta ao hormônio de liberação de corticotropina), hormônio estimulador de folículos, globulina de ligação de hormônios sexuais e ativina (em homens), gonadotrofinas (em mulheres), epinefrina (em indivíduos muito idosos), paratormônio, noradrenalina, colecistocinina, peptídio intestinal vasoativo, vasopressina (também perda do ritmo circadiano) e fator atrial natriurético associam-se a defeitos de receptor ou a defeitos pós-receptor, resultando em hipofunção.

Várias alterações relacionadas ao envelhecimento são similares em pacientes com deficiências hormonais, gerando a hipótese de “fonte hormonal de juventude” (especulação de que algumas alterações associadas ao envelhecimento podem ser revertidas com reposição de um ou mais hormônios deficientes). Algumas evidências sugerem que a reposição de certos hormônios em idosos pode melhorar resultados funcionais (p. ex., força muscular, densidade óssea mineral), mas há pouca evidência em relação aos efeitos e a mortalidade. Em alguns casos, a reposição de hormônios pode ser prejudicial, como na reposição de estrogênio em algumas mulheres idosas.

Uma teoria paralela postula que as alterações relacionadas ao declínio de concentrações de hormônios com a idade representam uma lentidão protetora do metabolismo celular. Esse conceito se baseia na teoria de envelhecimento da “velocidade de vida” (quanto mais elevada a taxa metabólica do organismo, mais rapidamente ele morre). Aparentemente, esse conceito é apoiado por estudos sobre os efeitos da restrição alimentar. A restrição diminui as concentrações de hormônios que estimulam o metabolismo e, dessa forma, tornam lentas as taxas metabólicas; a restrição também prolonga a vida em roedores.

Diminuições hormonais específicas relacionadas à idade

As concentrações de desidroepiandrosterona (DHEAS) e seu sulfato diminuem de forma drástica com o envelhecimento. Apesar do otimismo acerca da suplementação de DHEA em idosos, a maioria dos estudos controlados não mostrou qualquer benefício significativo.

A pregnenolona é um precursor de todos os esteroides conhecidos. Assim como o DHEA, suas concentrações diminuem com a idade. Alguns estudos na década de 1940 demonstraram sua segurança e suas vantagens para indivíduos com artrite, mas outros não mostraram efeitos benéficos para a memória e a força muscular.

Os níveis do hormônio do crescimento e seu hormônio endócrino periférico [fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1)] diminuem com a idade. A reposição de GH em idosos às vezes aumenta a massa muscular, mas não aumenta a força muscular (embora isso possa acontecer em indivíduos desnutridos). Efeitos adversos (p. ex., síndrome do túnel do carpo, artralgias, retenção de água) são muito comuns. O GH pode ter efeito no tratamento a curto prazo de alguns pacientes idosos desnutridos; contudo, em pacientes criticamente enfermos, o GH aumenta a mortalidade. Secretagogos que estimulam a produção de GH em um padrão mais fisiológico podem aumentar as vantagens e reduzir os riscos.

As concentrações de melatonina, um hormônio produzido pela glândula pineal, também diminuem com a idade. Esse declínio pode exercer papel importante na perda dos ritmos circadianos com idade.

A reposição de estrogênio em mulheres mais velhas é discutida em Tratamento da menopausa. A reposição de testosterona em homens mais velhos é discutida em outras partes.

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