Ceratoses actínicas são alterações pré-cancerosas das células da pele (queratinócitos), que geralmente são resultantes de vários anos de exposição ao sol. O diagnóstico é clínico. Em geral, o tratamento inclui terapia direcionada para a lesão ou terapia direcionada para o campo.
A prevalência das ceratoses actínicas é alta e aumenta com a idade. São consideradas neoplasias intraepidérmicas de queratinócitos (1). As ceratoses actínicas são consideradas lesões pré-malignas que apresentam um risco significativo de progressão para carcinoma de células escamosas. A taxa estimada da progressão de uma ceratose actínica individual para um carcinoma de células escamosas varia amplamente, mas as estimativas de consenso na maioria das vezes variam de < 1% a 10% (2, 3). A ceratose actínica que não progride para carcinoma de células escamosas pode regredir ou persistir como ceratose actínica. Lesões que regridem podem recorrer subsequentemente.
Além de muitos anos de exposição solar, outros fatores de risco para ceratoses actínicas incluem idade avançada, imunossupressão subjacente, ter cabelo loiro ou ruivo, olhos azuis e pele clara.
Referências gerais
1. Ibrahim SF, Brown MD. Actinic keratoses: a comprehensive update. J Clin Aesthet Dermatol. 2009;2(7):43-48
2. Dodds A, Chia A, Shumack S. Actinic keratosis: rationale and management. Dermatol Ther (Heidelb). 2014;4(1):11-31. doi:10.1007/s13555-014-0049-y
3. Werner RN, Sammain A, Erdmann R, et al. The natural history of actinic keratosis: a systematic review. Br J Dermatol. 2013;169(3):502-518. doi:10.1111/bjd.12420
Sinais e sintomas de ceratoses actínicas
Em geral, a ceratose actínica tem escamas aderentes e, às vezes, é mais facilmente palpada do que vista. A ceratose actínica pode parecer espessada ou hipertrófica e, às vezes, formar um corno cutâneo. Pode ser rosa, vermelha ou, menos comumente, cinza ou marrom. Frequentemente, as lesões se desenvolvem em áreas expostas ao sol (p. ex., couro cabeludo calvo, face, pescoço lateral, extremidades distais de membros superiores ou inferiores). O envolvimento difuso do lábio é denominado queilite actínica.
Manifestações das ceratoses actínicas
História e exame físico
Raramente, biópsia (para lesões suspeitas)
Frequentemente, o diagnóstico de ceratose actínica baseia-se no exame visual e tátil; as lesões parecem ásperas e escamosas à palpação. Elas devem ser diferenciadas das ceratoses seborreicas, cujo número e tamanho aumentam com a idade. As ceratoses seborreicas tendem a parecer ceráceas e fixas na pele, mas assumem uma aparência semelhante àquela da ceratose actínica. O exame clínico detalhado mostra as características próprias de cada doença. Queratose actínica pode ser distinguida da ceratose seborreica pela aparência áspera e arenosa da escama e do eritema. Diferentemente das ceratoses seborreicas também são observadas em áreas não expostas ao sol e não são pré-malignas.
Lesões atípicas (ou seja, endurecidas ou espessadas, tamanho > 1 cm, crescimento rápido, com sangramento, ulceradas) ou que não respondem ao tratamento padrão devem ser submetidas a biópsia para exclusão de carcinoma de células escamosas (1).
Esta foto mostra uma mancha eritematosa irregular com descamação castanho-amarelada aderente.
DR P. MARAZZI/SCIENCE PHOTO LIBRARY
Referência sobre diagnóstico
1. Du Thanh A, Guillot B. Kératoses actiniques : quand biopsier ? [Actinic keratosis: when is a skin biopsy necessary?]. Eur J Dermatol. 2012 Dec;22 Suppl 1:13-6. French. doi: 10.1684/ejd.2012.1874
Tratamento das ceratoses actínicas
Terapia direcionada para lesões ou terapia direcionada para campo
As opções de tratamento dependem do número de lesões, sua localização, extensão da fotolesão e preferência do paciente, mas normalmente são divididas em terapia direcionada à lesão ou ao campo.
Na terapia direcionada à lesão, cada lesão é removida fisicamente. Essa abordagem é preferível para pacientes com apenas algumas ceratoses actínicas. A criocirurgia (congelamento com nitrogênio líquido) é a terapia direcionada para lesão mais comum. Curetagem (raspagem com uma cureta) é uma alternativa. As terapias direcionadas para lesões têm o benefício de serem procedimentos únicos feitos no consultório, mas podem não abordar alterações subclínicas e têm maior risco de cicatrizes.
Na terapia direcionada ao campo, aplica-se o tratamento tópico a áreas maiores e mais difusas de comprometimento (1). Essa abordagem é adequada para pacientes com múltiplas ceratoses actínicas e evidência de dano actínico crônico nas áreas adjacentes (ou seja, campo de cancerização). Os tratamentos de primeira linha incluem creme tópico de fluorouracila (5-FU) e creme tópico de imiquimode. As alternativas são gel de diclofenaco e pomada de tirbanibulina.
O 5-FU inibe a timidilato sintetase, limitando a síntese de DNA e causando a morte das células danificadas. Aplica-se creme de 5-FU a 5% 2 vezes ao dia durante 3 a 4 semanas. Um ensaio clínico randomizado demonstrou que o 5-FU é o tratamento mais eficaz para ceratoses actínicas quando comparado a outros três tratamentos de campo (2). Outro ensaio clínico randomizado sugeriu que a combinação de creme de FU a 5% com calcipotriol a 0,005% pode aumentar a eficácia do 5-FU (3).
O imiquimode é um modificador da resposta imune que estimula a indução de citocinas locais, resultando em reação inflamatória local rápida. Um ensaio clínico randomizado revelou que a aplicação do creme de imiquimode a 5%, 2 vezes por semana, por 16 semanas consecutivas, é segura e eficaz (4).
O diclofenaco é um anti-inflamatório não esteroide que inibe tanto a ciclo-oxigenase quanto a regulação positiva da cascata do ácido araquidônico. Aplica-se diclofenaco a 3% (em gel de hialurônio a 2,5%) 2 vezes ao dia durante 60 a 90 dias. O uso é limitado por sua baixa eficácia (5).
A tirbanibulina é um inibidor de microtúbulos que impede a polimerização da tubulina e a sinalização da quinase Src, induzindo à morte das células danificadas. Aplica-se pomada de tirbanibulina a 1% uma vez ao dia por 5 dias; contudo, existem dados limitados sobre segurança e eficácia (6).
Esses fármacos tópicos podem causar inflamação (muitas vezes com vermelhidão e descamação) e dor durante o tratamento e, geralmente, por 1 a 2 semanas depois.
A terapia fotodinâmica é um outro tipo de tratamento de campo (5). Envolve a aplicação tópica de um fotossensibilizador (p. ex., aminolevulinato, aminolevulinato de metila), seguida por luz de comprimento de onda específico que atinge preferencialmente a pele fotodanificada. Como o tratamento tópico de campo, a terapia fotodinâmica pode causar eritema e descamação durante o tratamento. Pode ser necessária mais de uma sessão de tratamento.
Também deve-se informar os pacientes sobre a importância das medidas de proteção solar.
Referências sobre tratamento
1. Aggarwal I, Puyana C, Chandan N, et al. Field Cancerization Therapies for the Management of Actinic Keratosis: An Updated Review. Am J Clin Dermatol.2024 May;25(3):391-405. doi: 10.1007/s40257-023-00839-8
2. Jansen M, Kessels J, Nelemans P, Kouloubis N, et al: Randomized trial of four treatment approaches for actinic keratosis. N Engl J Med 380(10):935–946, 2019. doi: 10.1056/NEJMoa1811850
3. Cunningham TJ, Tabacchi M, Eliane JP, et al: Randomized trial of calcipotriol combined with 5-fluorouracil for skin cancer precursor immunotherapy. J Clin Invest 127(1):106–116, 2017. doi: 10.1172/JCI89820
4. Lebwohl M, Dinehart S, Whiting D, et al. Imiquimod 5% cream for the treatment of actinic keratosis: results from two phase III, randomized, double-blind, parallel group, vehicle-controlled trials. J Am Acad Dermatol. 2004 May;50(5):714-21. doi: 10.1016/j.jaad.2003.12.010
5. Arcuri D, Ramchatesingh B, Lagacé F, et al. Pharmacological Agents Used in the Prevention and Treatment of Actinic Keratosis: A Review. Int J Mol Sci. 2023;24(5):4989. Published 2023 Mar 5. doi:10.3390/ijms24054989
6. Heppt MV, Dykukha I, Graziadio S, et al. Comparative Efficacy and Safety of Tirbanibulin for Actinic Keratosis of the Face and Scalp in Europe: A Systematic Review and Network Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. J Clin Med. 2022;11(6):1654. Published 2022 Mar 16. doi:10.3390/jcm11061654



