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Coagulação excessiva

(trombofilia)

Por

Joel L. Moake

, MD, Baylor College of Medicine

Última revisão/alteração completa jan 2021| Última modificação do conteúdo jan 2021
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Fatos rápidos
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A coagulação excessiva (trombofilia) ocorre quando o sangue coagula muito facilmente ou excessivamente.

  • Distúrbios hereditários e adquiridos podem aumentar a coagulação do sangue.

  • Os coágulos fazem os braços ou as pernas incharem.

  • Os níveis séricos de proteínas que controlam a coagulação são medidos.

  • As pessoas podem precisar de anticoagulantes.

A maioria dos distúrbios que causam trombofilia aumenta o risco de formação de coágulos de sangue nas veias. Alguns aumentam o risco de formação de coágulos tanto em artérias quanto em veias.

Causas de coagulação excessiva

Alguns dos distúrbios que causam trombofilia são hereditários. Muitos deles são resultado de certas alterações na quantidade ou no funcionamento de certas proteínas do sangue que controlam a coagulação. Por exemplo:

Outros distúrbios que causam trombofilia são adquiridos após o nascimento. Esses distúrbios incluem a coagulação intravascular disseminada Coagulação intravascular disseminada (CID) A coagulação intravascular disseminada é um quadro clínico no qual pequenos coágulos sanguíneos se formam por toda a corrente sanguínea e obstruem pequenos vasos sanguíneos. O aumento da coagulação... leia mais (que frequentemente ocorre em pessoas com câncer) e a síndrome do anticorpo antifosfolipídeo Síndrome do anticorpo antifosfolipídeo As doenças autoimunes, incluindo a doença de Graves, são mais comuns em mulheres, sobretudo em gestantes. Os anticorpos anômalos produzidos em distúrbios autoimunes podem atravessar a placenta... leia mais (incluindo a presença do “anticoagulante” lúpico), que aumentam o risco de formação de coágulos devido à ativação excessiva de fatores de coagulação sanguínea. A hiperhomocisteinemia (uma elevação anormal da homocisteína, causada mais frequentemente por deficiências de vitamina B6 Deficiência de vitamina B6 A vitamina B6 está presente na maioria dos alimentos, mas as pessoas podem ter deficiência de vitamina B6 se não a absorverem adequadamente. Muitos alimentos contêm vitamina B6, mas o processamento... leia mais , vitamina B12 Deficiência de vitamina B12 A deficiência de vitamina B12 pode ocorrer em veganos que não tomam suplementos ou em decorrência de um distúrbio de absorção. Desenvolve-se anemia, causando palidez, fraqueza, fadiga, e, se... leia mais ou folato Deficiência de ácido fólico A deficiência de ácido fólico é comum. Visto que o organismo armazena apenas pequenas quantidades de ácido fólico, uma dieta que não o contenha ocasiona a sua deficiência em poucos meses. Não... leia mais ) é uma causa possível de trombofilia.

Outros fatores podem elevar o risco de formação de coágulos no sangue juntamente com a trombofilia. Muitos deles envolvem quadros clínicos que impedem uma pessoa de se movimentar o suficiente, fazendo o sangue se acumular nas veias. Exemplos incluem paralisia, permanecer sentado por muito tempo (especialmente em espaços reduzidos como carros ou aviões), repouso muito longo no leito, cirurgias recentes e ataque cardíaco Síndromes coronarianas agudas (ataque cardíaco; infarto do miocárdio; angina instável) Síndromes coronarianas agudas são o resultado de um bloqueio repentino em uma artéria coronariana. Esse bloqueio provoca angina instável ou ataque cardíaco (infarto do miocárdio) dependendo... leia mais Síndromes coronarianas agudas (ataque cardíaco; infarto do miocárdio; angina instável) . A insuficiência cardíaca Insuficiência cardíaca (IC) Insuficiência cardíaca é um distúrbio em que o coração não consegue suprir as necessidades do corpo, causando redução do fluxo sanguíneo, refluxo (congestão) de sangue nas veias e nos pulmões... leia mais Insuficiência cardíaca (IC) , um quadro clínico no qual o sangue não é suficientemente bombeado pela corrente sanguínea, é um fator de risco. Outros quadros clínicos que elevam a pressão nas veias, incluindo obesidade e gravidez, também aumentam o risco.

Sintomas de coagulação excessiva

A maioria dos distúrbios hereditários não começa a elevar o risco de coagulação até a idade adulta, embora os coágulos possam se formar em qualquer idade.

Complicações

Muitas pessoas com distúrbios hereditários desenvolvem coágulos na circulação venosa profunda (trombose venosa profunda Trombose venosa profunda (TVP) A trombose venosa profunda se caracteriza pela formação de coágulos de sangue (trombos) nas veias profundas, geralmente nas pernas. Coágulos de sangue podem se formar em veias lesionadas, um... leia mais Trombose venosa profunda (TVP) ) em uma perna, o que pode causar inchaço da mesma. A formação de um coágulo profundo na perna pode ser seguida por uma embolia pulmonar Embolia pulmonar (EP) A embolia pulmonar é a obstrução de uma artéria do pulmão (artéria pulmonar) pelo acúmulo de material sólido trazido através da corrente sanguínea (êmbolo), geralmente um coágulo de sangue ... leia mais . Após a formação de diversos coágulos na circulação venosa profunda, podem ocorrer inchaço e descoloração da pele mais graves (insuficiência venosa profunda crônica Insuficiência venosa crônica e síndrome pós-flebite A insuficiência venosa crônica se caracteriza por uma lesão nas veias da perna, que impede que o sangue flua normalmente. A síndrome pós-flebite é uma insuficiência venosa crônica decorrente... leia mais Insuficiência venosa crônica e síndrome pós-flebite ). Às vezes, os coágulos se formam nas veias superficiais da perna (veias próximas à superfície da pele), causando dor e vermelhidão (tromboflebite superficial Trombose venosa superficial A trombose venosa superficial é a inflamação e coagulação em uma veia superficial, geralmente nos braços ou nas pernas. A pele sobre a veia se torna avermelhada, inchada e dolorida. Os médicos... leia mais ). Com menos frequência, os coágulos podem se formar nas veias dos braços, nas veias abdominais e nas veias do interior do crânio. A síndrome do anticorpo antifosfolipídeo pode resultar em coágulos nas artérias ou nas veias.

Diagnóstico de coagulação excessiva

  • Exames de sangue para identificar a causa específica dos coágulos de sangue

  • Testes para identificar a localização dos coágulos de sangue

Uma pessoa que tenha sofrido pelo menos dois casos isolados de coágulos sanguíneos sem fator de predisposição aparente pode ter um distúrbio hereditário que cause a trombofilia. Também se pode suspeitar da existência de um distúrbio hereditário caso a pessoa com um primeiro coágulo tenha histórico familiar de coágulos sanguíneos. Uma pessoa jovem e saudável que desenvolve um primeiro coágulo sem qualquer razão aparente pode sofrer de um distúrbio hereditário.

São usados exames de sangue que medem a quantidade ou a atividade de diferentes proteínas que controlam a coagulação para identificar distúrbios hereditários específicos que causam trombofilia.

Os demais exames dependem do local de desenvolvimento do coágulo. Se houver suspeita de um coágulo na perna, é feito um ultrassom para detectar um bloqueio em uma veia da perna. Se houver suspeita de embolia pulmonar, é feita uma cintilografia nuclear Exames de imagem do tórax incluem Raios-X Tomografia computadorizada (TC) Ressonância magnética (RM) Cintilografia nuclear leia mais ou tomografia computadorizada (TC) dos pulmões.

Tratamento de coagulação excessiva

  • Anticoagulantes

Os distúrbios hereditários causadores de trombofilia são incuráveis. As pessoas que sofreram dois ou mais episódios de coágulos provavelmente serão aconselhadas a tomar um anticoagulante, por exemplo, varfarina (administrada via oral pelo resto da vida). Pessoas que tomam varfarina precisam fazer exames de coagulação de sangue com frequência. Se a pessoa tiver sofrido somente um episódio de coágulo, pode-se administrar varfarina ou heparina (por injeção) para evitar coágulos futuros, caso ela apresente risco mais elevado de formação de coágulos, incluindo durante um período prolongado de repouso no leito.

Anticoagulantes orais diretos (direct oral anticoagulants, DOACs) são medicamentos mais recentes que não necessitam de exame frequente de coagulação sanguínea e são alternativas eficazes à varfarina oral. Os DOACs incluem dabigatrana, rivaroxabana, apixabana e edoxabana.

A hiper-homocisteinemia é tratada com suplementos das vitaminas deficientes.

Os demais tratamentos dependem da localização do coágulo de sangue.

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