Visão geral da medicina integrativa, complementar e alternativa

PorAbhinav Singla, MD, Mayo Clinic
Reviewed ByMichael R. Wasserman, MD, California Association of Long Term Care Medicine (CALTCM)
Revisado/Corrigido: modificado out. 2025
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Visão Educação para o paciente

A medicina e saúde integrativas (MSI) e a medicina complementar e alternativa (MAC) incluem abordagens e terapias que historicamente não foram incorporadas pela medicina ocidental convencional.

Muitas vezes considera-se a MCA a medicina que não se baseia nos princípios da medicina ocidental dominante. No entanto, essa caracterização não é estritamente precisa.

Uma diferença fundamental entre a MAC e a medicina convencional é a força da evidências que corroboram suas melhores práticas. A medicina convencional, quando possível, fundamenta suas práticas apenas nas evidências científicas mais conclusivas. Em comparação, a MAC fundamenta-se em práticas moldadas em evidências empíricas — práticas baseadas nas melhores evidências disponíveis, mesmo quando essas evidências não atendem os mais altos e mais rígidos critérios de eficácia e segurança. No entanto, algumas práticas da MAC, como o uso de alguns suplementos alimentares, foram validadas por critérios científicos tradicionais.

Medicina complementar, alternativa e integrativa são termos frequentemente utilizados de forma intercambiável, mas seus significados são diferentes.

  • Medicina complementar refere-se às práticas não convencionais utilizadas junto com a medicina convencional.

  • Medicina alternativa refere-se às práticas não convencionais utilizadas em vez da medicina convencional.

  • Medicina integrativa é o atendimento de saúde que utiliza todas as abordagens terapêuticas apropriadas — convencionais e não convencionais — em um sistema de referência que se concentra na saúde, no relacionamento terapêutico e na pessoa como um todo.

O objetivo da MSI é combinar a MAC com a medicina convencional quando apropriado. Algumas técnicas da MAC são atulamente oferecidas nos hospitais e, algumas vezes, reembolsadas pelos planos de saúde. Além disso, um número crescente de instituições acadêmicas de diversos países ao redor do mundo aderiu ao Consórcio Acadêmico para Medicina Integrativa e Saúde (ACIMH), com o objetivo de oferecer uma plataforma colaborativa para que as instituições acadêmicas promovam a medicina integrativa por meio de pesquisa, educação e assistência clínica (1).

A utilização de MAC pelos pacientes varia consideravelmente entre diferentes populações e países. Nos Estados Unidos, uma pesquisa nacional de entrevista de saúde indica que as terapias MAC comumente utilizadas incluem as seguintes (2):

  • Terapia mente-corpo (12,3%)

  • Manipulação quiroprática ou osteopática (9,1%)

  • Massagem (8,8%)

  • Terapia do movimento (6,5%)

O uso de outras terapias e abordagens MCA permanece variável e às vezes difícil de quantificar (2). Nos Estados Unidos, mais de 50% dos adultos utilizaram pelo menos um suplemento dietético nos últimos 30 dias e esse uso aumentou nos últimos 20 anos (3).

Os pacientes nem sempre fornecem informações voluntárias sobre o uso dessas terapias aos profissionais de saúde. Portanto, é importante que os profissionais de saúde perguntem especificamente aos seus pacientes sobre o uso dessas terapias (incluindo fitoterápicos e suplementos nutricionais) de uma forma aberta e sem julgamentos. Entender como os pacientes utilizam a MCA pode:

  • Fortalecer a relação e construir confiança

  • Oferecer uma oportunidade de conversar sobre as evidências da MCA, sua plausibilidade e seus riscos

  • Ajudam os médicos e outros profissionais de saúde (incluindo farmacêuticos) a identificar e evitar interações potencialmente prejudiciais entre medicamentos e terapias MAC ou suplementos nutricionais

  • Monitorar a evolução do paciente

  • Ajudar os pacientes a determinar se devem procurar profissionais específicos especializados ou diplomados em MAC

  • Aprender com as experiências dos pacientes que utilizam MAC

Tabela
Tabela

Referências gerais

  1. 1. Academic Consortium for Integrative Medicine & Health. Accessed September 15, 2025.

  2. 2. Falci L, Greenlee H. Multiple chronic conditions and use of complementary and alternative medicine among U.S. adults: Results from the 2012 National Health Interview Survey Volume 13. May 5, 2016. Accessed October 3, 2025.

  3. 3. Gahche J, Bailey R, Burt V, et al. Dietary supplement use among U.S. adults has increased since NHANES III (1988-1994). NCHS Data Brief. (61):1-8, 2011.

Eficácia de terapias alternativas

Existem 3 tipos de evidência que fornecem apoio para o uso clínico de terapias MAC:

  • Eficácia dos resultados clínicos como mostrada em ensaios clínicos controlados (considerada a evidência mais forte de uso clínico)

  • Evidência de efeito em mecanismos de ação fisiológicos estabelecidos (p. ex., modificação da atividade do ácido gama-aminobutírico [GABA] no cérebro pela valeriana), embora tal evidência não necessariamente indique eficácia em desfechos clínicos

  • Relatos históricos de uso ao longo de períodos que variam de décadas a séculos (considerado evidência de qualidade inferior)

Nos Estados Unidos, o National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH) mantém uma lista de resultados de pesquisas nesse campo.

Informações substanciais sobre MAC estão disponíveis em publicações com revisão por pares, revisões baseadas em evidências e documentos de consensos de painéis de especialistas e livros texto oficiais, muitas destas publicações foram feitas em outras línguas diferentes do inglês (p. ex., alemão, chinês). Muitos tratamentos da MAC foram estudados e considerados eficazes e/ou comparáveis ao tratamento convencional, mas outros foram considerados ineficazes, sujeitos a resultados contraditórios e heterogêneos, ou até mesmo potencialmente prejudiciais. Algumas terapias MAC, em sua maioria, não foram testadas em estudos clínicos definitivos. Os fatores que limitam tal pesquisa incluem:

  • As modalidades holísticas, ou sistema integral (p. ex., padrão de alimentação saudável) englobam um grande número de variáveis, muitas ou todas não controladas. Em comparação, a medicina baseada em evidências da ênfase a uma variável ou um pequeno número de variáveis, idealmente intervenções controladas (p. ex., medicamentos ou procedimentos).

  • Terapias MAC tendem a ser de baixo custo e reembolsadas de modo inadequado, limitando o incentivo financeiro para financiar pesquisas.

  • A regulamentação dos tratamentos e dos produtos MAC não exige comprovação de eficácia para doenças específicas.

A U.S. Food and Drug Administration (FDA), por força do Dietary Supplement Health and Education Act (DSHEA) de 1994, permite a propaganda de suplementos dietéticos e uso de dispositivos de MAC, mas restringe significativamente as alegações de eficácia. Por exemplo, sem ter que fornecer evidência de segurança ou eficácia à FDA, os fabricantes de suplementos dietéticos podem alegar benefício à estrutura ou função do corpo (p. ex., melhora a saúde cardiovascular), mas não podem alegar benefício para o tratamento de doenças (p. ex., trata hipertensão). Em 2022, a FDA atualizou o Draft Guidance for Industry na tentativa de melhorar a divulgação da história de uso seguro, estudos de segurança e rotulagem de suplementos dietéticos.

Pesquisas

O desenho de estudos de tratamento por MAC apresenta desafios além dos enfrentados por pesquisadores de tratamentos convencionais:

  • Os tratamentos podem não ser padronizados. Por exemplo, há diferentes sistemas de acupuntura, e o conteúdo e as atividades biológicas dos extratos feitos da mesma espécie de planta variam muito.

  • Os diagnósticos podem não ser padronizados. O uso de várias terapias MAC (p. ex., fitoterapia, homeopatia e acupuntura) se fundamenta em características ou experiências singulares do paciente, em vez de em uma doença ou distúrbio diagnosticado pela medicina convencional.

  • Os tratamentos da MAC podem dar ênfase à pessoa como um todo e, portanto, acolher pacientes que podem ser excluídos dos ensaios clínicos randomizados, controlados e baseados em evidências por terem comorbidades.

  • Duplo cego ou cego geralmente é impossível. Por exemplo, pacientes não podem ser cegos em relação à participação em meditação. Ospraticantes de Reiki não podem ser cegos em relação ao uso de cura pela energia.

  • Os resultados são difíceis de padronizar porque frequentemente são específicos para o indivíduo ou se concentram na saúde geral em vez de se basearem em medidas objetivas e uniformes (como pressão arterial média, nível de A1C e mortalidade).

  • Os placebos ou as intervenções de controle podem ser difíceis de criar nos tratamentos complementares. Por exemplo, em uma massagem, o componente específico poderia ser o toque, a área específica do corpo que é massageada, a técnica de massagem que é utilizada ou o tempo gasto com o paciente.

Da perspectiva da pesquisa convencional, o uso de controle com placebo é importante. O efeito placebo é complexo, particularmente ao considerar a autocura no conceito do tratamento. Os sistemas MAC, porém, reconhecem e interpretam o efeito placebo como neurobiológico com implicações mente-corpo, muitas vezes com impacto significativo sobre os sintomas e a experiência da doença (1).

Na prática, o objetivo das terapias MAC é melhorar a qualidade do ambiente de cura e da relação terapêutica e, assim, otimizar a capacidade de cura do paciente. Estudar os componentes eficazes de um tratamento MAC em comparação a um placebo inerte ou um controle em um ambiente de pesquisa continua sendo um desafio metodológico.

Apesar desses desafios, foram projetados e realizados muitos estudos de alta qualidade das terapias MAC (p. ex., acupuntura e homeopatia). Por exemplo, uma revisão sistemática avaliou muitos dos estudos que investigaram processos e dispositivos de acupuntura para tratamento de insônia (2). Utilizando placebos cuidadosamente elaborados, os pesquisadores podem isolar os efeitos de alguns tratamentos MAC na resposta clínica geral. Evidências que corroboram o uso da MAC compreendem alguns resultados que são mais eficazes do que placebo ou não são inferiores aos tratamentos convencionais. Além disso, alguns estudos de alta qualidade integram a MAC e tratamentos da medicina convencional a terapias MSI (p. ex., suplementos dietéticos somados a medicamentos que causam deficiência conhecida, por exemplo, deficiência de vitamina B12 com o uso de longo prazo da metformina).

Referências sobre eficácia

  1. 1. Finniss DG, Kaptchuk TJ, Miller F, et al. Placebo effects: biological, clinical and ethical advances. Lancet. 375(9715): 686–695, 2010. doi: 10.1016/S0140-6736(09)61706-2

  2. 2. Zhang J, He Y, Huang X, Liu Y, Yu H. The effects of acupuncture versus sham/placebo acupuncture for insomnia: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Complement Ther Clin Pract. 41:101253, 2020. doi:10.1016/j.ctcp.2020.101253

Segurança das terapias alternativas

Embora a segurança da maioria das terapias MAC não tenha sido estudada em ensaios clínicos, muitas dessas terapias têm um bom histórico de segurança. Várias terapias MAC (p. ex., plantas atóxicas, técnicas de corpo e mente como meditação, ioga e práticas corporais como massagens) têm sido utilizadas há milhares de anos com escassas evidências de danos, e muitas parecem ter baixo potencial de efeitos nocivos. Entretanto, há algumas considerações de segurança, incluindo as seguintes:

  • O uso de uma abordagem alternativa para tratar uma doença potencialmente fatal que pode ser tratada com eficácia de forma convencional (p. ex., meningite ou câncer) talvez seja o maior risco da medicina alternativa, em vez do risco do nocividade direta dos tratamentos específicos

  • Os efeitos tóxicos de certas apresentações ou suplementos à base de vegetais (p. ex., hepatotoxicidade por alcaloides de pirrolizidina, Atractylis gummifera, chaparral, sálvia amarga, celidônia, Jin Bu Huan, kava-kava, poejo, ou outros; nefrotoxicidade da Aristolochia, estimulação adrenérgica da efédra)

  • Contaminação (p. ex., contaminação por metais pesados em certas preparações de ervas chinesas e ayurvédicas, contaminação de outros produtos como um PC-SPES e algumas ervas chinesas, com outros fármacos)

  • Interações entre tratamentos MAC (p. ex., botânicos, micronutrientes e outros suplementos alimentares) e outros fármacos (p. ex., indução de enzimas do citocromo P-450 [CYP3A4] pela erva-de-são-joão, resultando em diminuição e atividade dos antirretrovirais, imunossupressores e outros fármacos), particularmente quando o fármaco tem um índice terapêutico estreito

  • Como ocorre em qualquer manipulação física do corpo (incluindo técnicas convencionais, como a fisioterapia), podem ocorrer lesões temporárias ou permanentes (p. ex., lesão de nervo ou da medula por manipulação espinal em pacientes de risco, equimoses em pacientes com distúrbios hemorrágicos).

Existem atualmente alertas disponíveis sobre suplementos dietéticos prejudiciais no site web da FDA (Safety Alerts and Advisories). Historicamente, a FDA não regulamentou rigidamente a produção de suplementos alimentares, e descobriu-se que alguns estavam diluídos ou contaminados. Por exemplo, uma contaminação microbiana, especialmente por fungos, foi identificada em diversos lotes de suplementos fitoterápicos, o que pode oferecer riscos a indivíduos com comprometimento imunológico (1). Entretanto, regulamentações da FDA mais recentes agora exigem adequação às práticas de fabricação que melhorem a qualidade e segurança dos suplementos, e produtos de alta qualidade estão disponíveis por meio de certos fabricantes que estão de acordo com as boas práticas de produção da FDA.

Para ajudar a prevenir as lesões decorrentes de manipulações físicas, os pacientes devem procurar profissionais capacitados e com registro nos órgãos regulamentadores. As taxas de complicações são muito baixas quando a quiropraxia ou acupuntura são realizados por indivíduos com credenciais completas.

Referência sobre segurança

  1. 1. Veatch-Blohm ME, Chicas I, Margolis K, Vanderminden R, Gochie M, Lila K. Screening for consistency and contamination within and between bottles of 29 herbal supplements. PLoS One. 2021;16(11):e0260463. Published 2021 Nov 23. doi:10.1371/journal.pone.0260463

Informações adicionais

O recurso em inglês a seguir pode ser útil. Observe que este Manual não é responsável pelo conteúdo deste recurso.

  1. WHO traditional medicine strategy: 2014-2023

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