Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

Carregando

Distúrbios do metabolismo de tirosina

Por

Matt Demczko

, MD, Sidney Kimmel Medical College of Thomas Jefferson University

Última modificação do conteúdo jul 2018
Clique aqui para acessar Educação para o paciente
Recursos do assunto

A tirosina é um aminoácido precursor de vários neurotransmissores (p. ex., dopamina, noradrenalina, adrenalina), hormônios (p. ex., tiroxina) e da melanina; deficiências das enzimas envolvidas em seu metabolismo resultam em várias síndromes.

Há inúmeras doenças das disfunções metabólicas de fenilalanina e tirosina (ver Tabela). Ver também Abordagem ao paciente com suspeita de distúrbio metabólico hereditário e testes para distúrbios metabólicos hereditários suspeitos.

Tabela
icon

Distúrbio do metabolismo de fenilalanina e tirosina

Doença (número OMIM)

Proteínas ou enzimas deficitárias

Gene defeituoso (localização cromossômica)

Comentários

Fenilcetonúria, nas formas clássica e leve (261600)

Fenilalanina hidroxilase

PAH (12q24.1)*

Perfil bioquímico: fenilalanina plasmática elevada

Características clínicas: deficiência intelectual, problemas comportamentais

Tratamento: restrição de fenilalanina na dieta, suplementação de tirosina

Deficiência de di-hidropteridina redutase (261630)

Di-hidropteridina redutase

QDPR (4p15.31)*

Perfil bioquímico: fenilalanina plasmática elevada, biopterina urinária elevada, biopterina plasmática baixa

Características clínicas: similares à fenilcetonúria leve, mas se a deficiência do neurotransmissor não é reconhecida, há desenvolvimento de incapacidade intelectual, convulsões e distonia

Tratamento: restrição de fenilalanina na dieta, suplementação de tirosina, ácido folínico, substituição do neurotransmissor

Deficiência de pterina-4α-carbinolamina desidratase (264070)

Pterina-4α-carbinolamina desidratase

PCBD (10q22)*

Perfil bioquímico: fenilalanina plasmática elevada, neopterina e primapterina urinárias elevadas, biopterina plasmática baixa

Características clínicas: similares à fenilcetonúria leve, mas se a deficiência do neurotransmissor não é reconhecida, há desenvolvimento de incapacidade intelectual, convulsões e distonia

Tratamento: restrição de fenilalanina na dieta, suplementação de tirosina, substituição do neurotransmissor

Deficiência da síntese de biopterina

GTP-ciclo-hidrolase (233910)

GCH1 (14q22)*

Perfil bioquímico: fenilalanina plasmática elevada, biopterina plasmática baixa, neopterina urinária alta ou baixa

Características clínicas: similares à fenilcetonúria leve, mas se a deficiência do neurotransmissor não é reconhecida, há desenvolvimento de incapacidade intelectual, convulsões e distonia

Tratamento: tetra-hidrobiopterina e suplementação de neurotransmissor

6-piruvoil-tetra-hidropterina sintase (261640)

PTS (11q22-q23)*

Sepiapterina redutase (182125)

SPR (2p14-p12)*

Tirosinemia tipo I (hepatorrenal; 276700)

Fumarilacetoacetato hidrolase

FAH (15q23-q25)*

Perfil bioquímico: tirosina plasmática elevada, succinilacetona urinária e plasmática elevada

Características clínicas: cirrose, insuficiência hepática aguda, neuropatia periférica, síndrome de Fanconi

Tratamento: restrição de fenilalanina, tirosina e metionina na dieta; nitisinona (NTBC); transplante de fígado

Tirosinemia tipo II (oculocutânea; 276600)

Tirosina aminotransferase

TAT (16q22.1-q22.3)*

Perfil bioquímico: tirosina e fenilalanina plasmática elevadas

Características clínicas: insuficiência intelectual, hiperceratose palmoplantar, úlceras corneanas

Tratamento: restrição de fenilalanina e tirosina na dieta

Tirosinemia tipo III (276710)

4-hidroxifenilpiruvato dioxigenase

HPD (12q24-qter)*

Perfil bioquímico: tirosina plasmática elevada, derivados de 4-hidroxifenil urinário elevados

Características clínicas: retardo do desenvolvimento, convulsões, ataxia

Tratamento: restrição de fenilalanina e tirosina na dieta, suplementação de ascorbato

4-hidroxifenilpiruvato dioxigenase

Não genética

Perfil bioquímico: fenilalanina e tirosina plasmáticas elevadas

Características clínicas: costuma ocorrer em lactentes prematuros; principalmente assintomática

Ocasionalmente, alimentação deficiente e letargia

Tratamento: restrição de tirosina e suplementação de ascorbato somente para pacientes sintomáticos

Hawkinsinúria (140350)

Complexo 4-hidroxifenilpiruvato dioxigenase

HPD (12q24-qter)*

Perfil bioquímico: hipertirosinemia leve, hawkinsina urinária elevada

Características clínicas: retardo do desenvolvimento, acidose metabólica cetótica

Tratamento: restrição de fenilalanina e tirosina na dieta, suplementação de ascorbato

Alcaptonúria (203500)

Homogentisato oxidase

HGD (3q21-q23)*

Perfil bioquímico: ácido homogentísico urinário elevado

Características clínicas: urina escura, ocronose, artrite

Tratamento: nenhum; suplementação de ascorbato para reduzir a pigmentação

Albinismo oculocutâneo tipo I (A e B; 203100)

Tirosinase

TYR (11q21)*

Perfil bioquímico: nenhuma anormalidade nos aminoácidos plasmáticos ou urinários; tirosinase reduzida ou ausente

Características clínicas: pigmentação ausente ou reduzida na pele, nos cabelos, na íris e na retina; nistagmo; cegueira; câncer de pele

Tratamento: proteção da pele e dos olhos da radiação actínica

*O gene foi identificado e a base molecular foi elucidada.

OMIM = herança mendeliana para homens — online (ver o banco de dados OMIM ).

Tirosinemia transitória do recém-nascido

Imaturidade transitória das enzimas metabólicas, particularmente a dioxigenase ácido 4-hidroxifenilpirúvico, às vezes leva a níveis plasmáticos elevados de tirosina (geralmente em prematuros, particularmente aqueles que receberam dietas ricas em proteína); metabólitos podem aparecer no rastreamento neonatal de rotina para fenilcetonúria (PKU).

A maioria dos lactentes é assintomática, mas alguns demonstram letargia e dificuldade alimentar.

Os níveis elevados de tirosina no plasma diferenciam a tirosinemia da PKU.

A maioria dos casos se resolve espontaneamente. Os pacientes sintomáticos devem receber dieta com restrição de tirosina (2 g/kg/dia) e 200 a 400 mg VO de vitamina C um vez/dia.

Tirosinemia tipo I

É de transmissão autossômica recessiva, causada pela deficiência da fumaril acetoacetato hidroxilase, uma importante enzima para o metabolismo da tirosina.

A doença pode manifestar-se como uma insuficiência hepática de forma fulminante no período neonatal; ou, nos lactentes maiores e nas crianças, como uma hepatite indolente sub-clínica, neuropatia periférica dolorosa, disfunção tubular renal (p. ex., acidose metabólica “ânion gap” normal, hipofosfatemia e raquitismo resistente a vitamina D). Os que sobrevivem em prazo prolongado têm alto risco de desenvolver carcinoma hepático.

Sugere-se o diagnóstico da tirosinemia tipo I é pelos níveis plasmáticos elevados de tirosina; é confirmado por exames genéticos ou altos níveis plasmáticos ou urinários de succinilacetona, bem como pela baixa atividade do fumaril acetoacetato hidroxilase nas células do sangue ou em amostras da biópsia hepática. O tratamento com nitisinona (NTBC) é eficaz nos episódios agudos e retarda a progressão.

Uma dieta pobre em fenilalanina e tirosina é recomendada. O transplante de fígado é eficaz.

Tirosinemia tipo II

É uma disfunção rara, autossômica recessiva, causada por deficiência de tirosina aminotransferase.

O acúmulo de tirosina causa ulceração cutânea e córnea. A elevação secundária de fenilalanina, embora leve, pode, se não for tratada, causar anormalidades neuropsiquiátricas.

O diagnóstico da tirosinemia tipo II é feito por elevação da tirosina no plasma, ausência de succinilacetona no plasma ou na urina e exames genéticos; medição da menor atividade enzimática na biópsia hepática geralmente não é necessária.

Esta doença é facilmente tratada com restrição leve ou moderada de fenilalanina e tirosina na dieta.

Alcaptonúria

Essa doença autossômica recessiva rara é causada por deficiência de ácido homogentísico oxidase; produtos da oxidação do ácido homogentísico se acumulam e escurecem a pele, e cristais se precipitam nas articulações.

Geralmente é diagnosticado nos adultos, deixa a pele com uma pigmentação escura (ocronose) e causa artrite. A urina escurece quando exposta ao ar, devido à presença de produtos de oxidação do ácido homogentísico. O diagnóstico da alcaptonúria é fornecido pelos elevados níveis urinários do ácido homogentísico (> 4 a 8 g/24 h).

Não existe tratamento eficiente para alcaptonúria, mas o ácido ascórbico na dose de 1 g VO uma vez/dia, aumentando a excreção urinária do ácido homogentísico, pode diminuir a deposição do pigmento.

Albinismo oculocutâneo

A deficiência de tirosinase causa ausência de pigmentação da pele e retina, levando a um alto risco de câncer de pele e perda da visão. O nistagmo está presente com frequência e a fotofobia é comum.

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família

Também de interesse

Vídeos

Visualizar tudo
Visão geral do vírus da imunodeficiência humana (HIV)
Vídeo
Visão geral do vírus da imunodeficiência humana (HIV)
Modelos 3D
Visualizar tudo
Fibrose cística: transporte defeituoso de cloreto
Modelo 3D
Fibrose cística: transporte defeituoso de cloreto

MÍDIAS SOCIAIS

PRINCIPAIS