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Considerações gerais sobre o sistema nervoso periférico

Por

Michael Rubin

, MDCM, New York Presbyterian Hospital-Cornell Medical Center

Última revisão/alteração completa dez 2020| Última modificação do conteúdo dez 2020
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Recursos do assunto

O sistema nervoso periférico se refere às partes do sistema nervoso que estão fora do sistema nervoso central, isto é, fora do cérebro e da medula espinhal.

Por isso, o sistema nervoso periférico inclui:

Usar o cérebro para mover um músculo

Mover um músculo implica habitualmente uma comunicação entre o músculo e o cérebro, através dos nervos. O impulso para mover um músculo pode ter origem no cérebro, como quando uma pessoa decide conscientemente mover um músculo, por exemplo, para pegar um livro.

Ou o impulso para mover um músculo pode se originar nos órgãos dos sentidos. Por exemplo, as terminações nervosas especiais da pele (receptores sensitivos) permitem que as pessoas sintam dor ou uma mudança de temperatura. Essa informação sensorial é enviada ao cérebro e este envia uma mensagem ao músculo sobre como responder. Esse tipo de troca envolve duas vias de nervo complexas:

  • Via do nervo sensitivo ao cérebro

  • Via do nervo motor ao músculo

Usar o cérebro para mover um músculo
  • Se os receptores sensitivos da pele detectarem dor ou uma mudança de temperatura, transmitem um impulso (sinal) em direção ao cérebro.

  • O impulso viaja, ao longo de um nervo sensitivo, até a medula espinhal.

  • O impulso cruza uma sinapse (a junção entre duas células nervosas) entre o nervo sensitivo e a célula nervosa, localizado na medula espinhal.

  • O impulso cruza desde a célula nervosa na medula espinhal até o lado oposto.

  • O impulso é enviado à medula espinhal e pelo tronco cerebral até o tálamo, que é um centro de processamento de informações sensoriais localizado profundamente no cérebro.

  • O impulso cruza uma sinapse no tálamo até as fibras nervosas que transportam o impulso até o córtex sensitivo do telencéfalo (a área que recebe e interpreta as informações dos receptores sensitivos).

  • O córtex sensitivo percebe o impulso. Uma pessoa pode então decidir iniciar o movimento, que aciona o córtex motor (a área que planeja, controla e executa os movimentos voluntários) até gerar um impulso.

  • O nervo que conduz o impulso cruza para o lado oposto, na base do cérebro.

  • O impulso é enviado para baixo até a medula espinhal.

  • O impulso cruza uma sinapse entre as fibras nervosas na medula espinhal e um nervo motor, localizado na medula espinhal.

  • O impulso se desloca para fora da medula espinhal pelo comprimento do nervo motor.

  • Na junção neuromuscular (onde nervos se conectam com os músculos), o impulso passa do nervo motor para receptores na placa motora terminal do músculo, onde o impulso estimula o movimento do músculo.

Se a sensação ocorrer repentinamente e for grave (como ao pisar em uma pedra pontiaguda ou pegar uma xícara de café muito quente), o impulso pode se deslocar para a medula espinhal e diretamente para o nervo motor, desviando-se do cérebro. O resultado é uma resposta rápida de um músculo, que se afasta imediatamente do que quer que esteja causando a dor. Esta resposta é chamada de reflexo medular.

A disfunção dos nervos periféricos pode resultar de lesão a qualquer parte do nervo:

  • Axônio (parte que envia mensagens)

  • Corpo da célula nervosa

  • Bainha de mielina (as membranas que envolvem o axônio e funcionam de forma muito parecida ao isolamento em volta de fios elétricos, permitindo que os impulsos dos nervos se desloquem rapidamente)

Estrutura típica de um neurônio

Um neurônio é composto por um corpo celular grande e fibras nervosas – um prolongamento extenso (axônio), que envia impulsos elétricos e, em geral, no extremo oposto do neurônio, várias ramificações (dendritos) que recebem os impulsos. Cada axônio grande é envolvido por camadas de uma gordura denominada mielina.

Estrutura típica de um neurônio

Isolamento de uma fibra nervosa

A maior parte das fibras nervosas situadas dentro e fora do cérebro está envolvida por várias camadas de tecido composto por uma gordura (lipoproteína) denominada mielina. Essas camadas formam a bainha de mielina. De forma muito parecida ao isolamento de um fio elétrico, a bainha de mielina permite a condução dos impulsos elétricos ao longo da fibra nervosa rapidamente.

Quando a bainha de mielina está danificada, os nervos não conduzem os impulsos de forma adequada.

Isolamento de uma fibra nervosa

As doenças dos nervos periféricos podem afetar

Se os nervos motores (que controlam a ação dos músculos) forem lesionados, os músculos podem ficar fracos ou paralisados. Se os nervos sensitivos (que transportam informações sensitivas - sobre coisas como dor, temperatura e vibração) forem lesionados, podem ocorrer sensações anormais ou é possível perder a sensação.

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Causas

Elas podem ser hereditárias ou adquiridas (causadas por exposição a toxinas, lesão, infecções ou disfunções metabólicas ou inflamatórias).

Tabela

Doenças que podem se assemelhar a doenças dos nervos periféricos

As doenças de junções neuromusculares Considerações gerais sobre as doenças de junções neuromusculares Os nervos ligam-se aos músculos na junção neuromuscular. Aqui, as terminações das fibras nervosas ligam-se a regiões especiais, localizadas na membrana do músculo, denominadas placas motoras... leia mais são distintas das doenças dos nervos periféricos, embora possam ter consequências semelhantes, tais como fraqueza muscular. A junção neuromuscular é o local em que as extremidades das fibras nervosas periféricas se ligam a regiões especiais na membrana de um músculo. As fibras nervosas liberam um mensageiro químico (neurotransmissor) que envia um impulso nervoso através da junção neuromuscular e sinaliza a um músculo que deve se contrair. As doenças das junções neuromusculares incluem

Novichok foi desenvolvido na Rússia e tem sido usado em tentativas de assassinato. Curare tem sido usado para ajudar a relaxar os músculos durante cirurgias e para paralisar e matar quando colocado na ponta de dardos envenenados.

Os distúrbios que afetam músculos em vez dos nervos (como os distúrbios do nervo periférico) também causam fraqueza muscular. Os distúrbios musculares podem ser classificados como

Os médicos fazem exames para determinar se a causa da fraqueza é um distúrbio nos músculos, na junção neuromuscular ou nos nervos.

Diagnóstico

  • Avaliação de um médico

  • Possivelmente eletromiografia e estudos de condução nervosa, exames de diagnóstico por imagem ou uma biópsia

  • Para uma suspeita de neuropatia hereditária, testes genéticos

Para diagnosticar uma doença dos nervos periféricos, os médicos solicitam às pessoas que descrevam seus sintomas, incluindo

  • Quando os sintomas iniciaram

  • Quais sintomas apareceram primeiro

  • Como os sintomas se desenvolveram com o tempo

  • Quais partes do corpo foram afetadas

  • O que alivia e o que piora os sintomas

Os médicos também perguntam sobre possíveis causas, por exemplo, se a pessoa teve alguma infecção ou outras doenças, se foi exposta a toxinas e se algum membro da família apresentou sintomas semelhantes. Esta informação dá dicas ao médico sobre a causa dos sintomas.

O que eles encontram durante o exame pode sugerir as possíveis causas e os exames que precisarão ser realizados.

Os exames podem incluir os seguintes:

Tratamento

  • Tratamento da causa quando possível

  • Alívio de sintomas

  • Possivelmente fisioterapia, terapia ocupacional e da fala e fonoaudiologia

Se uma doença estiver causando os sintomas, ela é tratada, se possível. Caso contrário, os médicos se concentram no alívio dos sintomas.

Os cuidados prestados por uma equipe de vários tipos de profissionais de saúde (uma equipe multidisciplinar) podem ajudar as pessoas a lidarem com a incapacidade progressiva. A equipe pode incluir

  • Fisioterapeutas para ajudar pessoas a continuar a utilizar os músculos

  • Terapeutas ocupacionais para recomendar dispositivos de assistência que podem ajudar as pessoas a fazerem suas atividades diárias (como dispositivos para ajudar a caminhar)

  • Fonoaudiólogos para ajudar as pessoas a se comunicarem

  • Especialistas para ajudar com problemas específicos, como dificuldades em deglutir ou respirar

Se uma doença dos nervos periféricos reduzir o tempo de vida, a própria pessoa, os membros da família e cuidadores devem falar francamente com profissionais da área da saúde sobre as decisões referentes à assistência médica, caso a pessoa fique impossibilitada de tomar essas decisões. A melhor postura é elaborar um documento legal que declare os desejos da pessoa em relação a decisões de assistência médica (chamadas instruções prévias Instruções prévias As instruções prévias sobre saúde são documentos legais que comunicam os desejos da pessoa sobre as decisões de saúde, no caso de a pessoa se tornar incapaz de tomar decisões sobre sua saúde... leia mais ), caso a pessoa fique impossibilitada de tomar essas decisões.

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