Transtorno obsessivo-compulsivo é caracterizado por obsessões, compulsões ou ambas. Obsessões são ideias ou imagens ou impulsos persistentes para realização de algo. Compulsões são anseios patológicos para agir impulsivamente, os quais, se forem contidos, resultam em grande ansiedade e angústia. Obsessões e compulsões causam grande angústia e interferem nas atividades acadêmicas e sociais. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos. O tratamento é com terapia cognitivo-comportamental e inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs).
(Ver também Transtorno obsessivo-compulsivo em adultos.)
O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) em crianças e adolescentes é caracterizado pela presença de obsessões (pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e intrusivos) que causam ansiedade significativa e compulsões (comportamentos repetitivos ou atos mentais que os indivíduos se sentem compelidos a realizar em resposta às obsessões); esses atos geralmente visam reduzir a ansiedade ou prevenir um evento temido. Esse transtorno pode perturbar significativamente o funcionamento diário, o desempenho acadêmico e as interações sociais em jovens, e pode incluir condições relacionadas, como transtorno dismórfico corporal e transtorno de acumulação. A prevalência do TOC varia entre 1% e 3% em crianças e adolescentes (1). A idade de pico de início do TOC é 14,5 anos; cerca de 25% dos casos começam antes dos 14 anos, 45% antes dos 18 anos e 64% antes dos 25 anos (2). O TOC em crianças e adolescentes é caracterizado por uma predominância masculina.
Transtorno obsessivo-compulsivo engloba vários transtornos relacionados, incluindo
Tricotilomania (arrancar cabelo)
Algumas crianças, particularmente meninos, também apresentam um tipo específico de transtorno de tiques chamado TOC com traços de Tourette (3).
Referências gerais
1. Zalpuri I, Matzke M, Joshi SV. Obsessive-Compulsive Disorder in Children and Adolescents: Early Detection in Primary Care Settings. Pediatrics. Published online December 6, 2024. doi:10.1542/peds.2024-069121
2. Solmi M, Radua J, Olivola M, et al. Age at onset of mental disorders worldwide: large-scale meta-analysis of 192 epidemiological studies. Mol Psychiatry. 2022;27(1):281-295. doi:10.1038/s41380-021-01161-7
3. Katz TC, Bui TH, Worhach J, Bogut G, Tomczak KK. Tourettic OCD: Current understanding and treatment challenges of a unique endophenotype. Front Psychiatry. 2022;13:929526. Published 2022 Jul 27. doi:10.3389/fpsyt.2022.929526
Etiologia dos transtornos obsessivo-compulsivos e transtornos relacionados
Estudos sugerem que há um componente familiar (1).
Há evidências de que alguns casos com início agudo (durante a noite) foram associados à infecção (2, 3). Aqueles associados a estreptococos beta-hemolíticos do grupo B são chamados transtorno pediátrico neuropsiquiátrico autoimune associado a estreptococos (PANDAS). Aqueles associados a outras infecções são chamados síndrome neuropsiquiátrica pediátrica de início agudo (PANS). A frequência de novos casos de TOC e tiques foi maior em crianças de 5 a 11 anos infectadas com covid-19 em comparação com as não infectadas (4). Também relatou-se que a regulação positiva e a proliferação de monócitos circulantes "imaturos", que são suspeitos de entrar no encéfalo e aumentar a liberação de citocinas pró-inflamatórias, influenciam no TOC pediátrico (5, 6).
Se houver suspeita de PANDAS ou PANS, recomenda-se consulta com um especialista nesses transtornos.
O trauma perinatal (p. ex., uso de drogas ou álcool no útero, parto assistido mecanicamente) também foi implicado na patogênese do TOC (7).
Referências sobre etiologia
1. Hanna GL, Himle JA, Curtis GC, et al. A family study of obsessive-compulsive disorder with pediatric probands. Am J Med Genet B Neuropsychiatr Gen. 2005;134B(1):13-19, 2005. doi: 10.1002/ajmg.b.30138
2. Murphy TK, Kurlan R, Leckman J. The immunobiology of Tourette's disorder, pediatric autoimmune neuropsychiatric disorders associated with Streptococcus, and related disorders: A way forward. J Child Adolesc Psychopharmacol. 20(4):317-331, 2010. doi: 10.1089/cap.2010.0043
3. Esposito S, Bianchini S, Baggi E, et al. Pediatric autoimmune neuropsychiatric disorders associated with streptococcal infections: An overview. Eur J Clin Microbiol Infect Dis 33:2105-2109, 2014.
4. Lu Y, Tong J, Zhang D, et al. Risk of neuropsychiatric and related conditions associated with SARS-CoV-2 infection: a difference-in-differences analysis. Nat Commun. 2025;16(1):6829. Published 2025 Jul 24. doi:10.1038/s41467-025-61961-1
5. Rodriguez N, Morer A, Gonzalez-Navarro EA, et al. Inflammatory dysregulation of monocytes in pediatric patients with obsessive-compulsive disorder. J Neuroinflammation 14(1):261, 2017. doi: 10.1186/s12974-017-1042-z
6. Cosco TD, Pillinger T, Emam H, et al. Immune aberrations in obsessive-compulsive disorder: A systematic review and meta-analysis. Mol Neurobiol. 56(7):4751-4759, 2019. doi: 10.1007/s12035-018-1409-x
7. Geller DA, Wieland N, Carey K, et al. Perinatal factors affecting expression of obsessive compulsive disorder in children and adolescents. J Child Adolesc Psychopharmacol. 2008;18(4):373-379. doi:10.1089/cap.2007.0112
Fisiopatologia dos transtornos obsessivo-compulsivos e transtornos relacionados
As redes gênicas do TOC são altamente complexas e incluem aquelas envolvidas na transmissão sináptica, neurodesenvolvimento e sistemas imunitário e inflamatório (1). A análise de ligação implicou defeitos no transportador de glutamato SLC1A1 e regiões flanqueadoras no cromossomo 9, bem como no receptor de glutamato GRIN2B. Efeitos aditivos decorrentes de outros/múltiplos loci genéticos podem aumentar a gravidade do TOC (2). Exames de neuroimagem apontam para possível disfunção dentro dos circuitos córtico-estriato-talâmicos (3).
Referências sobre fisiopatologia
1.Saraiva LC, Cappi C, Simpson HB, et al. Cutting-edge genetics in obsessive-compulsive disorder. Fac Rev 9:30, 2020. doi: 10.12703/r/9-30
2. Pauls DL, Abramovitch A, Rauch SL, Geller DA. Obsessive-compulsive disorder: an integrative genetic and neurobiological perspective. Nat Rev Neurosci. 2014;15(6):410-424. doi:10.1038/nrn3746
3.Fitzgerald KD, Welsh RC, Stern ER, et al. Developmental alterations of frontal-striatal-thalamic connectivity in obsessive-compulsive disorder. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry 50(9):938-948.e3, 2011. doi: 10.1016/j.jaac.2011.06.011
Sinais e sintomas dos transtornos obsessivo-compulsivos e transtornos relacionados
Transtorno obsessivo-compulsivotem início insidioso e gradual. A maioria das crianças inicialmente mascara e luta contra os sintomas durante anos, antes que um diagnóstico definitivo seja feito.
As obsessões são tipicamente vivenciadas como preocupações ou medos involuntários de causar ou sofrer dano (p. ex., contrair uma doença fatal, ferir a si mesmas ou outras pessoas). As compulsões são atos intencionais e voluntários, geralmente com o propósito de neutralizar ou compensar medos obsessivos, por exemplo, reprimindo comportamentos, lavar-se, contar e arrumar-se excessivamente. Obsessões e compulsões podem ter alguma conexão lógica (p. ex., lavar as mãos para evitar doenças) ou podem ser ilógicas e idiossincráticas (p. ex., contar até 50 repetidamente para evitar que o vovô tenha um infarto do miocárdio). Se as crianças forem impedidas de executar suas compulsões, elas podem se tornar extremamente preocupadas e ansiosas.
A maioria das crianças tem ciência de que suas obsessões e compulsões não são normais e muitas tornam-se retraídas e caladas. Mãos avemelhadas e com rachaduras são indícios de lavagens compulsivas. Os sintomas comuns incluem
Mãos irritadas e gretadas (o sintoma típico de apresentação em crianças que lavam as mãos compulsivamente).
Permanência por longo tempo no banheiro
As tarefas escolares são executadas muito lentamente (pela obsessão com os erros)
Corrigir muitas vezes a tarefa escolar
Envolvimento com comportamentos estranhos, como verificar fechadura da porta, mastigar o alimento um número certo de vezes ou evitar o contato com certos objetos
Fazer solicitações e perguntas tediosas e frequentes por dezenas ou centenas de vezes ao dia, como “você acha que eu estou com febre? Pode haver um tornado? Você acha que o carro vai pegar? E se a gente se atrasar? E se o leite azedar? E se chegar um ladrão?"
Diagnóstico dos transtornos obsessivo-compulsivos e transtornos relacionados
Avaliação psiquiátrica
Critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, Texto Revisado (DSM-5-TR)
O diagnóstico de TOC é baseado na história clínica. Uma vez estabelecida uma relação confortável com um terapeuta que não seja crítico, a criança com transtorno obsessivo-compulsivo revela suas obsessões e compulsões. Mas geralmente são necessárias várias consultas antes de se estabelecer uma relação de confiança. Deve-se considerar o contexto do desenvolvimento ao avaliar crianças pequenas com suspeita de TOC.
O diagnóstico do TOC requer que as obsessões e compulsões causem grande sofrimento e interfiram no funcionamento acadêmico e/ou social (1). A ansiedade familiar associada também deve ser investigada nos pais ou cuidadores, e encaminhamentos ou manejo apropriados devem ser instituídos.
Crianças com transtorno obsessivo-compulsivo geralmente têm sintomas de outros transtornos de ansiedade, incluindo crises de pânico, problemas de separação e fobias específicas. Estes sintomas se sobrepõem e às vezes confundem o diagnóstico. O diagnóstico diferencial pode ser desafiador nos seguintes casos:
Psicose de início precoce: ao contrário dos adultos, as crianças nem sempre distinguem a natureza irreal dos sintomas do TOC.
Transtorno do espectro autista: interesse extremo e compulsão podem ocorrer no autismo. Ao contrário do TOC, em que estes podem ser considerados intrusivos e problemáticos, crianças com autismo preferem essas atividades.
TOC de Tourette: O TOC de Tourette é um distúrbio neuropsiquiátrico distinto que combina características da síndrome de Tourette e do TOC (2). Embora crianças com TOC de Tourette possam exibir compulsões, as obsessões tradicionais são raras nesse subtipo. Em vez disso, um desconforto físico significativo frequentemente precipita as compulsões no TOC de Tourette, tornando importante reconhecer e tratar tanto os sintomas de tique da síndrome de Tourette quanto os comportamentos compulsivos associados ao TOC.
Critérios diagnósticos para PANDAS (1 critério é a presença de sintomas de TOC ou de um transtorno de tique) e para PANS (1 critério é o início abrupto e dramático de TOC ou ingestão alimentar severamente restrita) foram desenvolvidos (3, 4).
Referências sobre diagnóstico
1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR), Washington: American Psychiatric Association, 2022.
2. Katz TC, Bui TH, Worhach J, Bogut G, Tomczak KK. Tourettic OCD: Current understanding and treatment challenges of a unique endophenotype. Front Psychiatry. 2022;13:929526. Published 2022 Jul 27. doi:10.3389/fpsyt.2022.929526
3. Chang K, Frankovich J, Cooperstock M, et al. Clinical evaluation of youth with pediatric acute-onset neuropsychiatric syndrome (PANS): Recommendations from the 2013 PANS Consensus Conference. J Child Adolesc Psychopharmacol. 25(1):3-13, 2015. doi: 10.1089/cap.2014.0084
4. Swedo SE, Leckman JF, Rose NR. From research subgroup to clinical syndrome: Modifying the PANDAS criteria to describe PANS (pediatric acute-onset neuropsychiatric syndrome). Pediatr Therapeutics. 2:1-8, 2012. doi: 10.4172/2161-0665.1000113
Tratamento dos transtornos obsessivo-compulsivos e transtornos relacionados
Terapia cognitivo-comportamental (TCC) com exposição graduada e prevenção de resposta
Em geral, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs)
Às vezes, clomipramina ou antipsicóticos
TCC, ISRSs e clomipramina são opções de tratamento eficazes para a maioria dos pacientes com TOC. A prevenção de exposição e resposta é a forma comportamental mais eficaz da TCC no TOC e deve ser o tratamento de primeira linha (1). A prevenção de exposição e resposta concentra-se em expor a criança à situação indutora de ansiedade e orientá-la a abster-se de responder com comportamentos compulsivos. É importante que as crianças estejam motivadas e consigam executar as tarefas; também é essencial incluir os cuidadores primários para oferecer apoio e treinamento para o manejo dos rituais da criança.
A TCC, utilizada isoladamente ou com um ISRS, provavelmente é mais eficaz do que os ISRSs isoladamente (2).
ISRSs (aqueles com e sem aprovação da FDA) são os medicamentos mais eficazes e geralmente são bem tolerados (ver tabela ); todos são igualmente eficazes.
Para o TOC grave, recomenda-se uma combinação de ISRS e TCC (3).
Para o TOC refratário ao tratamento, pode-se considerar as estratégias a seguir:
Tentar outro ISRS
Potencializar o ISRS com um antipsicótico atípico (4–6) ou, menos frequentemente, lítio (7), riluzol (8) ou N-acetilcisteína (9, 10)
Clomipramina
A clomipramina (11) pode ser mais eficaz e tem uma taxa de resposta melhor do que os ISRSs em crianças, mas não em adultos (12). A clomipramina pode ter maior risco de efeitos adversos, incluindo efeitos adversos cardíacos, anticolinérgicos e convulsões.
Para TOC de Tourette, pode ser necessária a associação de um ISRS para tratar o TOC com agonistas alfa-adrenérgicos ou antipsicóticos, além da terapia de reversão de hábitos (TRH), para tratar os tiques (13).
A estimulação magnética transcraniana é outro tratamento eficaz aprovado para maiores de 18 anos pela FDA; testes para uso em crianças estão em andamento.
Se os critérios para PANS/PANDAS são atendidos, os clínicos podem tentar antibióticos (como beta-lactâmicos, que reduzem a atividade glutamatérgica) mesmo se não houver evidência de infecção (14). Mas se os sintomas persistem, os tratamentos típicos para transtorno obsessivo-compulsivo são úteis e devem ser implementados.
Referências sobre o tratamento
1. Uhre CF, Uhre VF, Lonfeldt NN, et al. Systematic review and meta-analysis: Cognitive-behavioral therapy for obsessive-compulsive disorder in children and adolescents. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 59(1)59:64-77, 2020. doi: 10.1016/j.jaac.2019.08.480
2. Steele DW, Kanaan G, Caputo EL, et al. Treatment of Obsessive-Compulsive Disorder in Children and Youth: A Meta-Analysis. Pediatrics. Published online December 6, 2024. doi:10.1542/peds.2024-068992
3. Sanchez-Meca J, Rosa-Alcazar AI, Iniesta-Sepulveda M, et al. Differential efficacy of cognitive-behavioral therapy and pharmacological treatments for pediatric obsessive-compulsive disorder: A meta-analysis. J Anxiety Disord. 28(1):31-44. doi: 10.1016/j.janxdis.2013.10.007
4. Fitzgerald KD, Stewart CM, Tawile V, et al. Risperidone augmentation of serotonin reuptake inhibitor treatment of pediatric obsessive compulsive disorder. J Child Adolesc Psychopharm. 9(2):115-123, 1999. doi: 10.1089/cap.1999.9.115
5. Figueroa Y, Rosenberg DR, Birmaher B, et al. Combination treatment with clomipramine and selective serotonin reuptake inhibitors for obsessive-compulsive disorder in children and adolescents. J Child Adolesc Psychopharmacol. 8(1):61-67, 1998. doi: 10.1089/cap.1998.8.61
6. Simeon JG, Thatte S, Wiggins D. Treatment of adolescent obsessive-compulsive disorder with a clomipramine-fluoxetine combination. Psychopharmacol Bull. 26(3):285-290, 1990.
7. McDougle CJ, Price LH, Goodman WK, et al. A controlled trial of lithium augmentation in fluvoxamine-refractory obsessive-compulsive disorder: Lack of efficacy. J Clin Psychopharmacol. 11(3):175-184, 1991.
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9. Afshar H, Roohafza H, Mohammad-Beigi HM, et al. N-acetylcysteine add-on treatment in refractory obsessive-compulsive disorder: A randomized, double-blind, placebo-controlled trial. J Clin Psychopharmacol. 32(6):797-803, 2012. doi: 10.1097/JCP.0b013e318272677d
10. Sarris J, Oliver G, Camfield DA, et al. N-acetyl cysteine (NAC) in the treatment of obsessive-compulsive disorder: A 16-week, double-blind, randomised, placebo-controlled study. CNS Drugs. 29(9):801-809, 2015. doi: 10.1007/s40263-015-0272-9
11. DeVeaugh-Geiss J, Moroz G, Beiderman J, et al. Clomipramine hydrochloride in childhood and adolescent obsessive-compulsive disorder—A multicenter trial. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 31(1):45-49, 1992. doi: 10.1097/00004583-199201000-00008
12. Mundo E, Maina G, Uslenghi C. Multicentre, double-blind, comparison of fluvoxamine and clomipramine in the treatment of obsessive-compulsive disorder. Int Clin Psychopharmacol. 15(2):69-76, 2000. doi: 10.1097/00004850-200015020-00002
13. Katz TC, Bui TH, Worhach J, Bogut G, Tomczak KK. Tourettic OCD: Current understanding and treatment challenges of a unique endophenotype. Front Psychiatry. 2022;13:929526. Published 2022 Jul 27. doi:10.3389/fpsyt.2022.929526
14. Cooperstock MS, Swedo SE, Pasternack MS, Murphy TK. Clinical Management of Pediatric Acute-Onset Neuropsychiatric Syndrome: Part III-Treatment and Prevention of Infections. J Child Adolesc Psychopharmacol. 2017;27(7):594-606. doi:10.1089/cap.2016.0151
Prognóstico dos transtornos obsessivo-compulsivos e transtornos relacionados
O resultado a longo prazo do TOC pediátrico é geralmente positivo quando diagnosticado e tratado precocemente. No entanto, uma minoria substancial (aproximadamente 40%) dos casos persiste na idade adulta (1), e o curso clínico é frequentemente variável, com exacerbações e remissões. Em uma metanálise, a taxa de remissão do TOC pediátrico foi de 62%, e uma menor duração da doença no início do acompanhamento se associou a taxas mais altas de remissão (2). Condições comórbidas como PANDAS e PANS podem influenciar a gravidade e o curso do transtorno.
Referências sobre prognóstico
1. Micali N, Heyman I, Perez M, et al. Long-term outcomes of obsessive-compulsive disorder: follow-up of 142 children and adolescents. Br J Psychiatry. 2010;197(2):128-134. doi:10.1192/bjp.bp.109.075317
2. Liu J, Cui Y, Yu L, et al. Long-Term Outcome of Pediatric Obsessive-Compulsive Disorder: A Meta-Analysis. J Child Adolesc Psychopharmacol. 2021;31(2):95-101. doi:10.1089/cap.2020.0051
Pontos-chave
As crianças com TOC geralmente vivenciam as obsessões como preocupações ou medos de sofrer algum dano (p. ex., contrair uma doença fatal, preocupação com punição ou retribuição, ferir-se).
Compulsões (p. ex., lavar, contar, organizar excessivamente) são feitas deliberadamente, geralmente para neutralizar ou compensar o medo obsessivo.
Não ser capaz de executar as suas compulsões, torna as crianças extremamente preocupadas e ansiosas.
Estabelecer um relacionamento confortável com a criança e manter uma atitude não crítica de modo que ela se sinta capaz de revelar suas obsessões e compulsões relacionadas.
Tentar terapia cognitivo-comportamental se as crianças estão motivadas e conseguem realizar as tarefas, mas medicamentos (em geral ISRSs) podem ser necessários.



