Transtorno de ansiedade da separação

PorJosephine Elia, MD, Sidney Kimmel Medical College of Thomas Jefferson University
Reviewed ByAlicia R. Pekarsky, MD, State University of New York Upstate Medical University, Upstate Golisano Children's Hospital
Revisado/Corrigido: modificado out. 2025
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Visão Educação para o paciente

O transtorno de ansiedade de separação caracteriza-se por medo persistente, intenso e inadequado para a fase de desenvolvimento, relacionado à separação de uma figura de apego importante ou do cuidador primário. As crianças afetadas tentam desesperadamente evitar estas separações. Quando a separação é forçada, elas tornam-se preocupadas, de maneira angustiante, com a reunificação. O diagnóstico é feito por critérios clínicos e estabelecido quando os sintomas estão presentes por 4 semanas. O tratamento é com terapia comportamental para crianças e familiares, e nos casos graves são utilizados os ISRSs.

A ansiedade por separação é uma emoção esperada experimentada por crianças muito pequenas entre cerca de 8 meses e 24 meses de idade; ela costuma desaparecer assim que as crianças desenvolvem um senso de permanência do objeto e percebem que seus cuidadores irão retornar. Enquanto dura, a separação pode causar um medo persistente e intenso de separação de um cuidador principal. Crianças afetadas por essa condição podem fazer esforços desesperados para evitar a separação e apresentar ansiedade intensa em relação ao reencontro. Em algumas crianças esta ansiedade persiste além do tempo normal, ou retorna mais tarde, e pode ser suficientemente grave para ser considerada um distúrbio. Este tipo de ansiedade geralmente ocorre em crianças pequenas e é raro após a puberdade.

Estresses da vida (p. ex., morte de um parente, amigo ou animal de estimação; mudança geográfica, mudança para uma nova escola) podem desencadear o transtorno de ansiedade de separação. Além disso, algumas pessoas têm uma predisposição genética para ansiedade.

Sinais e sintomas do transtorno de ansiedade de separação

Como o transtorno de ansiedade social, o transtorno de ansiedade de separação frequentemente se apresenta como recusa escolar (ou pré-escolar).

Cenas dramáticas ocorrem no momento da separação. As cenas de separação são geralmente dolorosas para ambas: a criança e a figura de apego (geralmente a mãe, mas pode ser qualquer um dos pais ou outro cuidador). A criança pede e implora com tal desespero que os pais são incapazes de sair, resultando em cenas prolongadas que se tornam cada vez mais difíceis de interromper. Quando estão separadas, as crianças fixam-se no reencontro com a figura de apego e preocupam-se de forma persistente e excessiva com a possibilidade de que essa pessoa tenha sofrido algum dano (p. ex., em um acidente de carro ou por uma doença grave). A criança também se recusa a dormir sozinha e insiste em ficar no mesmo quarto da pessoa à qual se sente mais ligada.

As crianças também podem somatizar suas queixas (p. ex., cefaleia, dor de estômago).

O comportamento da criança frequentemente não se altera quando a figura de apego está presente, o que pode às vezes dar a falsa impressão de que o problema é menor.

O transtorno de ansiedade de separação é frequentemente agravado pela ansiedade dos pais, o que intensifica a ansiedade da criança; o resultado é um círculo vicioso que só pode ser interrompido por um manejo sensível e adequado dos pais e da criança simultaneamente.

Diagnóstico do transtorno de ansiedade de separação

  • Avaliação psiquiátrica

  • Critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, Texto Revisado (DSM-5-TR)

Pode-se confirmar o diagnóstico do transtorno de ansiedade de separação pela história e observação dos cenários de separação. As manifestações devem estar presentes 4 semanas e causar sofrimento significativo ou prejudicar o funcionamento (p. ex., as crianças são incapazes de participar de atividades sociais ou escolares adequadas à idade) (1).

Referência sobre diagnóstico

  1. 1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR), Washington: American Psychiatric Association, 2022.

Tratamento do transtorno de ansiedade de separação

  • Terapia cognitivo-comportamental

  • Raramente ansiolíticos

O tratamento do transtorno de ansiedade de separação é com terapia cognitivo-comportamental em que separações regulares são sistematicamente reforçadas. Cenas de despedida devem ser breves, e a mãe deve ser treinada para reagir aos protestos habituais. Auxiliar a criança a ligar-se a um adulto no ambiente escolar pode ajudar.

Em casos extremos, ou quando a terapia cognitivo-comportamental é inadequada, as crianças podem se beneficiar de um ansiolítico, como um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS). Entretanto, o transtorno de ansiedade de separação frequentemente afeta crianças pequenas já aos 3 anos de idade, e a experiência com o uso desses medicamentos, bem como com estudos do citocromo P450 (CYP), é muito limitada nessa população (1–3).

Crianças tratadas com sucesso estão sujeitas a recaídas após feriados e intervalos escolares. Por este motivo, é prudente planejar separações regulares durante este período, o que ajudaria a criança a acostumar-se a ficar longe dos pais.

Referências sobre tratamento

  1. 1. Zuckerman ML, Vaughan BL, Whitney J, et al. Tolerability of selective serotonin reuptake inhibitors in thirty-nine children under age seven: a retrospective chart review. J Child Adolesc Psychopharmacol. 2007;17(2):165-174. doi:10.1089/cap.2007.0086

  2. 2. Strawn JR, Mills JA, Poweleit EA, Ramsey LB, Croarkin PE. Adverse Effects of Antidepressant Medications and their Management in Children and Adolescents. Pharmacotherapy. 2023;43(7):675-690. doi:10.1002/phar.2767

  3. 3. Aka I, Bernal CJ, Carroll R, Maxwell-Horn A, Oshikoya KA, Van Driest SL. Clinical Pharmacogenetics of Cytochrome P450-Associated Drugs in Children. J Pers Med. 2017;7(4):14. Published 2017 Nov 2. doi:10.3390/jpm7040014

Pontos-chave

  • A ansiedade de separação é uma emoção esperada vivenciada por crianças entre 8 meses e 24 meses de idade; se persistir além dessa faixa etária ou retornar mais tarde, pode ser grave o suficiente para ser considerada um transtorno.

  • Cenas dramáticas e penosas, com lamentos e súplicas, costumam ocorrer no momento da separação.

  • Uma atitude inalterada quando a pessoa à qual se apega está presente não significa que o problema é menor.

  • O tratamento envolve planejar separações regulares (inclusive durante feriados) e orientar a pessoa à qual se apega a reagir aos protestos da criança com naturalidade.

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