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Hematospermia

Por

Anuja P. Shah

, MD,

  • Assistant Professor
  • David Geffen School of Medicine at UCLA
  • Los Angeles Biomedical Research Institute at Harbor-UCLA Medical Center

Última modificação do conteúdo jun 2019
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A hematospermia corresponde à presença de sangue no sêmen. Em geral, amedronta os pacientes, mas quase sempre é benigna. Os homens às vezes confundem hematúria ou sangue de um parceiro sexual com hematospermia.

Fisiopatologia

O sêmen é composto de espermatozoides dos epidídimos distais e de líquidos das vesículas seminais, próstata e glândulas de Cowper e bulbouretrais. Deste modo, qualquer lesão em todos estes locais pode causar sangramento para o sêmen.

Etiologia

A maioria dos casos é

  • Idiopática e benigna

Tais causas resolvem-se espontaneamente após alguns dias a alguns meses.

A causa mais comum conhecida é

Outras causas menos comuns incluem outras instrumentações, hiperplasia prostática benigna, infecções (p. ex., prostatite, uretrite, epididimite) e câncer da próstata (em homens > 35 a 40 anos). Ocasionalmente, tumores das vesículas seminais e testículos estão associados à hematospermia. Hemangiomas da uretra prostática ou do ducto espermático podem causar hematospermia grave.

Schistosoma haematobium, um parasita que causa doença significativa na África, partes do Oriente Médio e sudeste da Ásia, pode invadir o trato urinário, causando hematúria e, raras vezes, hematospermia. Deve-se considerar esquistossomose apenas em homens que estiveram em áreas em que a doença é endêmica. Tuberculose também é uma causa incomum de hematospermia.

Avaliação

História

História da doença atual deve observar a duração dos sintomas. Os pacientes que não fornecem informações voluntariamente devem ser especificamente questionados sobre biópsia de próstata recente. Sintomas associados importantes incluem hematúria, dificuldade em iniciar ou suspender o fluxo miccional, noctúria, queimação durante a micção e corrimento peniano. A associação com atividades sexuais também deve ser observada.

A revisão dos sistemas deve buscar os sintomas das doenças causadoras incluindo hematomas fáceis, epistaxes frequentes e sangramento gengival abundante durante a escovação ou procedimentos dentários (doenças hematológicas), febre, calafrios, sudorese noturna ou perda ponderal (câncer ou infecção da próstata).

A história clínica deve verificar especificamente doenças conhecidas da próstata, história ou exposição à tuberculose ou HIV, fatores de risco de doenças sexualmente transmitidas (p. ex., relações desprotegidas, múltiplos parceiros sexuais), alterações conhecidas do sangramento e doenças conhecidas que predispõem a sangramento (p. ex., cirrose). A história dos fármacos deve observar o uso de fármacos anticoagulantes ou antiplaquetárias. Deve-se perguntar aos pacientes sobre qualquer história familiar de câncer da próstata e viagens a regiões endêmicas de esquistossomose.

Exame físico

Deve-se inspecionar e palpar a genitália externa quanto à presença de sinais inflamatórios (eritema, massa, dolorimento), particularmente ao longo do epidídimo. O toque retal é realizado para examinar a próstata quanto ao tamanho, à dor e aos nódulos.

Sinais de alerta

Os achados a seguir são particularmente preocupantes:

  • Os sintomas duram > 1 mês na ausência de biópsia de próstata recente

  • Lesão palpável ao longo do epidídimo ou na próstata

  • Viagem a regiões endêmicas de esquistossomose

  • Sintomas sistêmicos (p. ex., febre, perda ponderal, sudorese noturna)

Interpretação dos achados

Os pacientes cujos sintomas surgem após biópsia da próstata podem ser tranquilizados de que a hematospermia não tem perigo e desaparecerá espontaneamente.

Pacientes jovens sadios com duração breve da hematospermia, história e exame físico normais, e sem história de viagens, provavelmente, também apresentam alteração idiopática.

Os pacientes com achados anormais ao exame da próstata podem apresentar câncer da próstata, hiperplasia benigna ou prostatite. Corrimento uretral sugere doenças sexualmente transmissíveis.

O edema do epidídimo sugere DST ou raramente tuberculose (mais provável em pacientes com fatores de risco de exposição ou imunodeprimidos).

Os achados característicos de alterações da hemostasia ou uso de fármacos que aumentam o risco de sangramento sugerem causa precipitante, mas não descartam uma doença de base.

Exames

Na maioria dos casos, especialmente em homens < 35 até 40 anos de idade, a hematospermia quase sempre é benigna. Caso não se encontre alteração significativa no exame físico (incluindo toque retal), realiza-se exame de urina, cultura e teste para DST, mas não são necessários exames adicionais.

Os pacientes que podem apresentar doença de base mais séria e que devem ser testados incluem

  • Duração de sintomas maior (> 1 mês)

  • Sintomas obstrutivos do trato urinário

  • Achados anormais ao exame

  • Febre, perda ponderal ou sudorese noturna

Esses resultados são particularmente preocupantes em homens > 40 anos. Os exames incluem exame de urina, cultura, antígeno prostático específico (PSA, prostate-specific antigen) e ultrassonografia transretal. Ocasionalmente são necessárias cistoscopia e ressonância nuclear magnética. Exame e análise do sêmen raramente são realizados, mas podem ser úteis quando a história de viagens sugere possível exposição ao S. haematobium.

Tratamento

O tratamento é dirigido para a causa, se conhecida. Para a maioria dos homens, a única intervenção necessária é assegurar que a hematospermia não é um sinal de câncer e não afeta a função sexual. Se houver suspeita de prostatite, tratar com sulfametoxazol-trimetoprima ou outro antibiótico por 4 a 6 semanas. Como podem causar tendinopatia, sempre que possível, não se deve usar fluoroquinolonas para infecções não complicadas do trato urinário.

Pontos-chave

  • A maioria dos casos é idiopática ou após biópsia de próstata.

  • São necessários exames, principalmente para pacientes com sintomas prolongados ou achados anormais ao exame.

  • Deve-se considerar esquistossomose em pacientes que viajaram para áreas endêmicas.

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