Sepse e choque séptico

PorJoseph D Forrester, MD, MSc, Stanford University
Revisado porDavid A. Spain, MD, Department of Surgery, Stanford University
Revisado/Corrigido: modificado mar. 2026
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Fatos rápidos

A sepse é um quadro clínico potencialmente fatal que surge quando a resposta do organismo a uma infecção causa danos a seus próprios tecidos e órgãos. O choque séptico é a presença de pressão arterial baixa potencialmente fatal (choque) devido a sepse que não melhora apesar do tratamento com hidratação e medicamentos.

  • Geralmente, a sepse resulta de certas infecções bacterianas, às vezes adquiridas em um hospital.

  • Ter certos quadros clínicos (como um sistema imunológico enfraquecido), certos distúrbios crônicos, uma articulação ou válvula cardíaca artificial e certas anormalidades em válvulas cardíacas aumenta o risco.

  • A princípio, as pessoas têm uma temperatura corporal alta (ou, às vezes, baixa), ocasionalmente com calafrios e fraqueza.

  • À medida que a sepse piora, o coração bate rapidamente, a respiração fica rápida, as pessoas ficam confusas e a pressão arterial cai.

  • O médico suspeita de um diagnóstico com base nos sintomas e o confirma ao detectar bactérias em uma amostra de sangue, urina ou outro material.

  • Antibióticos são administrados imediatamente, juntamente com oxigênio e hidratação intravenosa e, às vezes, medicamentos para aumentar a pressão arterial.

Geralmente, a resposta do corpo à infecção limita-se à área específica infectada, por exemplo, os sintomas de uma infecção do trato urinário ficam frequentemente limitados à bexiga. Mas, na sepse, a resposta à infecção ocorre por todo o corpo, chamada de resposta sistêmica.

Essa resposta costuma incluir uma temperatura anormalmente alta (febre) ou baixa temperatura (hipotermia), junto com um ou mais dos seguintes:

Embora muitas infecções causem esses sintomas por todo o corpo, na sepse os órgãos começam a funcionar mal e o fluxo de sangue para algumas partes do corpo se torna inadequado.

O choque séptico é a presença de pressão arterial baixa potencialmente fatal (choque) devido a sepse que não melhora apesar do tratamento com hidratação e medicamentos. Assim, os órgãos internos, tais como os pulmões, os rins, o coração e o cérebro, geralmente recebem uma quantidade insuficiente de sangue, causando seu mau funcionamento. O choque séptico é diagnosticado quando a pressão arterial permanece baixa apesar de tratamento intensivo com hidratação e medicamentos por via intravenosa. O choque séptico representa uma ameaça à vida.

Causas de sepse e choque séptico

A sepse ocorre quando uma infecção faz com que as células do corpo liberem substâncias que desencadeiam a inflamação (citocinas). Embora as citocinas ajudem o sistema imunológico a combater a infecção, elas podem ter efeitos nocivos:

  • Elas podem causar a dilatação dos vasos sanguíneos, diminuindo a pressão arterial.

  • Elas podem fazer com que o sangue coagule em vasos sanguíneos pequenos dentro dos órgãos.

Na maioria das vezes, a sepse é causada por infecção com certos tipos de bactérias. Raramente, a sepse é causada por fungos, tais como Candida, ou por vírus. Infecções que podem levar à sepse começam mais comumente nos pulmões, abdômen ou trato urinário. Na maioria das pessoas, essas infecções não levam à sepse. Porém, as bactérias às vezes se disseminam na corrente sanguínea (um estado chamado bacteremia). A sepse pode então se desenvolver. Às vezes, a infecção pode resultar de um abscesso na pele. Às vezes, como na síndrome do choque tóxico, a sepse é desencadeada por toxinas liberadas por bactérias que não se disseminaram para a corrente sanguínea.

Complicações de sepse e choque séptico

A diminuição da pressão arterial e pequenos coágulos de sangue resultam em uma série de complicações prejudiciais:

  • Há diminuição do fluxo de sangue para órgãos vitais (tais como rins, pulmões, coração e cérebro).

  • O coração tenta compensar trabalhando mais, aumentando o ritmo cardíaco e o volume de sangue bombeado. Por fim, as toxinas bacterianas e o aumento do trabalho de bombeamento enfraquecem o coração. Como resultado, o coração bombeia menos sangue e os órgãos vitais recebem ainda menos sangue.

  • Quando os tecidos não recebem sangue suficiente, eles liberam um excesso de ácido láctico (um resíduo) na corrente sanguínea, tornando o sangue ainda mais ácido (acidose).

Todos esses efeitos resultam em um ciclo vicioso de piora do mau funcionamento dos órgãos:

  • Os rins excretam pouca ou nenhuma urina e os produtos de excreção (como o nitrogênio ureico) de processos químicos no corpo se acumulam no sangue.

  • As paredes dos vasos sanguíneos podem vazar, permitindo a saída de líquido da corrente sanguínea para os tecidos e causando inchaço.

  • A função pulmonar piora porque os vasos sanguíneos nos pulmões vazam líquido que se acumula, causando dificuldade respiratória.

À medida que coágulos sanguíneos microscópicos continuam a se formar, eles consomem as proteínas no sangue que compõem os coágulos (fatores de coagulação). Em seguida, pode ocorrer sangramento excessivo (coagulação intravascular disseminada).

Fatores de risco para sepse e choque séptico

O risco de sepse é maior nas pessoas com quadros clínicos que reduzem a habilidade de combater infecções sérias. Esses quadros clínicos incluem o seguinte:

  • Ser recém-nascido (consulte Sepse no recém-nascido)

  • Ser um adulto mais velho

  • Estar grávida

  • Ter certas doenças crônicas como diabetes ou cirrose

  • Ter um sistema imunológico enfraquecido devido ao uso de medicamentos que suprimem o sistema imunológico (tias como medicamentos quimioterápicos ou corticoides [às vezes denominados glicocorticoides ou corticosteroides]) ou devido a certas doenças (por exemplo, câncer, infecção por HIV e doenças imunológicas)

  • Ter sido tratado recentemente com antibióticos ou corticoides

  • Ter sido recentemente hospitalizado (especialmente em uma unidade de cuidados intensivos)

O risco também aumenta em pessoas que são mais propensas a ter bactérias entrando na corrente sanguínea. Tais pessoas incluem aquelas que tiveram dispositivo inserido no corpo (tal como um cateter inserido em uma veia ou trato urinário, tubos de drenagem ou tubos de respiração). Quando são inseridos aparelhos médicos, eles podem mover bactérias para dentro do corpo. As bactérias podem também se acumular na superfície de tais aparelhos, tornando mais provável a infecção e a sepse. Quanto mais tempo o dispositivo é deixado no lugar, maior o risco.

Outras condições também aumentam o risco de sepse:

  • Uso de drogas ilícitas injetáveis: As drogas e agulhas usadas raramente são estéreis. Cada injeção pode causar bacteremia de graus variados. As pessoas que usam esses medicamentos estão também em risco de distúrbios que podem enfraquecer o sistema imunológico (como infecção por HIV).

  • Ter uma válvula cardíaca ou articulação artificial (prótese) ou certas anormalidades da válvula cardíaca: As bactérias podem vir a se alojar e se acumular nessas estruturas. As bactérias podem ser depois liberadas para a corrente sanguínea, contínua ou periodicamente.

  • Ter uma infecção que persista apesar do tratamento com antibióticos: Algumas bactérias que causam infecções e sepse são resistentes a antibióticos. Antibióticos não erradicam a bactéria resistente. Assim, se uma infecção persistir em pessoas que tomam antibióticos, é mais provável que seja causada por bactérias resistentes a antibióticos e que podem causar sepse.

Sintomas de sepse e choque séptico

A maioria das pessoas tem febre, mas algumas apresentam baixa temperatura corporal. As pessoas podem ter calafrios e se sentir fracas. Outros sintomas também podem estar presentes, dependendo do tipo e da localização da infecção inicial (por exemplo, pessoas com pneumonia podem ter tosse, desconforto torácico e dificuldade em respirar). A frequência respiratória, cardíaca ou ambas podem ser rápidas.

À medida que a sepse piora, as pessoas ficam confusas e menos alertas. A pele pode estar quente e enrubescida. O pulso é rápido e forte e as pessoas respiram rapidamente. As pessoas urinam com menos frequência e em quantidades menores, e a pressão arterial diminui. Mais tarde, a temperatura corporal frequentemente cai abaixo do normal e a respiração fica muito difícil. A pele pode ficar fria, pálida e manchada ou azulada por causa do fluxo sanguíneo reduzido. O fluxo sanguíneo reduzido pode causar a morte de tecidos, incluindo tecidos em órgãos vitais (como o intestino), resultando em gangrena.

Quando se desenvolve choque séptico, a pressão arterial é baixa apesar do tratamento. Um choque séptico pode ser fatal.

Diagnóstico de sepse e choque séptico

  • Cultura de uma amostra de sangue

  • Testes para encontrar a origem da infecção (os exames geralmente incluem radiografias do tórax e outros exames de diagnóstico por imagem e culturas de amostras de líquido ou tecido)

Os médicos geralmente suspeitam de sepse quando uma pessoa com uma infecção repentinamente desenvolve uma temperatura muito alta ou baixa, uma frequência cardíaca ou frequência respiratória rápida, ou baixa pressão arterial.

Para confirmar o diagnóstico, os médicos investigam se há bactérias na corrente sanguínea (bacteremia), evidência de outra infecção que possa estar causando a sepse e um número anormal de glóbulos brancos em uma amostra de sangue.

São coletadas amostras de sangue para tentar cultivar as bactérias (fazer uma cultura) em laboratório (um processo que costuma levar de um a três dias). No entanto, se as pessoas estiverem tomando antibióticos para sua infecção inicial, as bactérias podem estar presentes, mas podem não crescer na cultura. Por vezes, retiram-se os cateteres do corpo e as pontas são cortadas e enviadas para fazer a cultura. Encontrar bactéria em um cateter que teve contato com o sangue indica que a bactéria provavelmente se encontra na corrente sanguínea.

Para verificar outras infecções que possam causar a sepse, os médicos coletam amostras de líquidos ou tecido, como urina, líquido cefalorraquidiano, tecido de feridas ou escarro expelido dos pulmões através da tosse. As amostras são submetidas a culturas e é verificado se contêm bactérias.

Radiografias do tórax e outros exames de imagem, tais como ultrassom, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) também podem vir a ser realizados para tentar encontrar a origem da infecção.

Outros testes são feitos para procurar sinais de mau funcionamento de órgãos e outras complicações da sepse. Eles incluem o seguinte:

  • Exames de sangue para medir os níveis de ácido láctico e outros produtos metabólicos de excreção, o que pode ser alto, e o número de plaquetas (células que ajudam a coagulação do sangue), o que pode ser baixo

  • Exames de sangue ou um sensor colocado no dedo (oximetria de pulso) para medir níveis de oxigênio no sangue e, assim, avaliar como estão funcionando os pulmões e os vasos sanguíneos

  • Eletrocardiograma (ECG) para investigar se há anormalidades no ritmo cardíaco e, assim, determinar se o suprimento de sangue para o coração está adequado

  • Outros testes para determinar se o choque é resultado da sepse ou de outro problema

Tratamento de sepse e choque séptico

  • Antibióticos

  • Hidratação intravenosa

  • Oxigênio

  • Retirada da fonte de infecção

  • Às vezes, medicamentos para aumentar a pressão arterial

Os médicos tratam imediatamente a sepse e o choque séptico com antibióticos. Os médicos não esperam até os resultados dos testes para confirmar o diagnóstico, pois um atraso no tratamento com antibióticos diminui enormemente as chances de sobrevida. O tratamento é feito em um hospital.

Pessoas com choque séptico ou gravemente doentes são imediatamente internadas em uma unidade de terapia intensiva (UTI) para tratamento. Elas são monitoradas com frequência e talvez seja necessário realizar alguns dos exames a cada hora.

Antibióticos

Ao escolher os antibióticos iniciais, os médicos consideram qual bactéria tem maior probabilidade de estar presente, o que depende de onde a infecção começou. Por exemplo, as bactérias que causam infecção do trato urinário são normalmente diferentes das bactérias que causam infecção da pele. Além disso, os médicos consideram quais bactérias são mais comuns em infecções na comunidade da pessoa e em seu hospital específico. Frequentemente, dois ou três antibióticos são administrados simultaneamente para aumentar as possibilidades de matar as bactérias, sobretudo quando se desconhece a origem destas. Mais tarde, quando os resultados do teste são disponibilizados, os médicos podem optar pelo antibiótico mais eficaz contra a bactéria específica que causa a infecção.

Hidratação intravenosa

Pessoas com choque séptico também recebem também uma grande quantidade de hidratação pela veia (via intravenosa) para aumentar o volume de líquido na corrente sanguínea e, assim, aumentar a pressão arterial. Administrar uma pequena quantidade de líquido não é eficaz, mas administrar líquido em excesso pode causar uma congestão pulmonar grave (retenção de líquido nos pulmões).

Oxigênio

O oxigênio é suprido através de uma máscara, por cânulas nasais ou, se um tubo de respiração (endotraqueal) tiver sido inserido, através desse tubo. Se necessário, é utilizado um ventilador mecânico (uma máquina que ajuda o ar a entrar e a sair dos pulmões) para auxiliar a respiração.

Retirada da fonte de infecção

Se presentes, os abscessos são drenados. Cateteres, tubos ou outros dispositivos médicos que possam ter iniciado a infecção são retirados ou trocados. Pode ser realizada cirurgia para retirar o tecido infectado ou morto.

Outros tratamentos

Se a hidratação intravenosa não aumentar a pressão arterial, os médicos às vezes administram medicamentos que causam o estreitamento dos vasos sanguíneos (por exemplo, noradrenalina). Esses medicamentos aumentam a pressão arterial e o fluxo sanguíneo para o cérebro, coração e outros órgãos. Entretanto, como esses medicamentos podem estreitar os vasos sanguíneos dentro dos órgãos, eles às vezes diminuem o volume do fluxo sanguíneo através dos órgãos.

Às vezes, as pessoas que têm choque séptico desenvolvem uma taxa elevada de açúcar (glicose) no sangue. Como uma taxa elevada de açúcar no sangue prejudica a forma como o sistema imunológico responde a uma infecção, os médicos administram insulina pela veia às pessoas para diminuir o nível de glicose no sangue.

Corticoides (tais como a hidrocortisona) podem ser administrados na veia a pessoas cuja pressão arterial permaneça baixa apesar de terem recebido tratamento adequado com hidratação e medicamentos para aumentar a pressão arterial e apesar de a origem da infecção ter sido tratada.

Prognóstico de sepse e choque séptico

Sem tratamento, o choque séptico é fatal para a maioria das pessoas. Mesmo com tratamento, há um risco significativo de morte. Em média, a sepse é fatal em aproximadamente 25% das pessoas e, caso elas desenvolvam choque séptico, pode ser fatal em até 60% das pessoas. No entanto, o risco de morte varia consideravelmente, dependendo de muitos fatores, incluindo a rapidez com que as pessoas são tratadas, o tipo de bactérias envolvidas (principalmente se as bactérias forem resistentes a antibióticos) e o estado de saúde da pessoa.

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