Sadismo sexual é o ato de infligir sofrimento físico ou psicológico (p. ex., humilhação, terror) a outra pessoa para estimular excitação sexual e orgasmo. O transtorno de sadismo sexual refere-se ao sadismo sexual que causa sofrimento ou prejuízo funcional clinicamente significativo, ou que é realizado com uma pessoa sem consentimento.
Indivíduos com transtorno de sadismo sexual podem ter agido de acordo com seus intensos impulsos ou apresentar fantasias angustiantes ou debilitantes com conteúdo sexualmente sádico que não chegaram a pôr em prática. A condição também deve estar presente por ≥ 6 meses.
Sadismo sexual é uma forma de parafilia, mas o comportamento sexual sádico leve é uma prática sexual comum entre adultos que consentem que geralmente tem escopo limitado, é praticado de uma maneira que não causa danos e não atende os critérios clínicos para um transtorno parafílico. O sadismo existe em um espectro, e sua identificação como patológico é contingente à sua gravidade. No entanto, em casos extremos, o sadismo sexual pode levar a homicídio sexual (1).
A maioria dos sadistas sexuais tem fantasias persistentes, nas quais a excitação sexual deriva do sofrimento infligido a um parceiro, independentemente de essa pessoa consentir ou não. Quando praticado com parceiros não coniventes, constitui atividade criminosa e, provavelmente, continuará até que o sádico seja preso. Contudo, estudos baseados em dados provenientes de investigações de cena de crime sugerem que, embora o sadismo sexual não seja sinônimo de estupro, ele é caracterizado por um complexo amálgama de sexo coagido e poder exercido sobre a vítima, às vezes levando a estupro e homicídio (2). O sadismo sexual é diagnosticado em < 10% dos estupradores, mas é relatado como presente em 35% das pessoas que cometeram homicídios sexuais (3, 4).
O sadismo sexual torna-se particularmente perigoso quando se associa a transtorno de personalidade antissocial. Essa combinação de transtornos pode culminar em sadismo criminoso envolvendo sequestro ou rapto de pessoas, que podem ser feridas ou mortas (5). Indivíduos com ambas as condições são considerados particularmente recalcitrantes ao tratamento psiquiátrico (6). Esses indivíduos, quando presos e condenados, são às vezes internados compulsoriamente como predadores sexualmente violentos por décadas devido à falta de opções de tratamento eficazes (7).
Referências gerais
1. Ploeg OHJ, Grace RC, Cording JR. Sexual homicide: a descriptive analysis of demographics, behaviour, and body disposal in New Zealand. J Sexual Aggression. 2024;1–17. https://doi.org/10.1080/13552600.2024.2374084
2. Healey J, Lussier P, Beauregard E. Sexual sadism in the context of rape and sexual homicide: an examination of crime scene indicators. Int J Offender Ther Comp Criminol. 2013;57(4):402-424. doi:10.1177/0306624X12437536
3. Frances A, Wollert R. Sexual sadism: avoiding its misuse in sexually violent predator evaluations. J Am Acad Psychiatry Law. 2012;40(3):409-416.
4. Chopin J, Beauregard E, Bitzer S. Factors influencing the use of forensic awareness strategies in sexual homicide. J Crim Justice. 2020(71):1-9. 10.1016/j.jcrimjus.2020101709
5. Jones S, Chan HCO. The psychopathic–sexually sadistic offender. In Routledge International Handbook of Psychopathy and Crime. Routledge/Taylor & Francis Group; 2018:398-412.
6. Meloy JR.The psychology of wickedness: Psychopathy and sadism. Psychiatric Annals. 27(9):630-633, 1997. https://doi.org/10.3928/0048-5713-19970901-10
7. DeClue G. Paraphilia NOS (nonconsenting) and antisocial personality disorder. J Psychiatry Law. 34(4):495-514, 2006. https://doi.org/10.1177/009318530603400404
Diagnóstico do transtorno de sadismo sexual
Avaliação psiquiátrica
Os critérios clínicos para o diagnóstico do transtorno de sadismo sexual do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, Texto Revisado (DSM-5-TR) incluem os seguintes (1):
Os pacientes obtêm excitação sexual intensa e recorrente do sofrimento físico ou psicológico de outra pessoa; a excitação se expressa em fantasias, desejos intensos ou comportamentos.
Os pacientes agiram motivados pelos seus impulsos com uma pessoa sem consentimento, ou essas fantasias ou desejos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejudicam o desempenho no trabalho, os relacionamentos sociais ou outras áreas importantes da vida da pessoa.
O quadro esteve presente por ≥ 6 meses.
Ao fazer o diagnóstico usando os critérios do DSM-5-TR, o médico deve especificar se o paciente está vivendo em um ambiente controlado (p. ex., prisão, instituição) ou em remissão completa (isto é, não agiu sobre os impulsos com um parceiro que não deu seu consentimento, e não houve nenhum sofrimento/prejuízo social, ocupacional, ou outras áreas de funcionamento por pelo menos 5 anos em um ambiente não controlado).
O transtorno de sadismo sexual também pode ser diagnosticado em pacientes que negam ter fantasias ou desejos relacionados à excitação sexual desencadeada por dor ou sofrimento a outras pessoas, especialmente se esses pacientes relatarem múltiplos episódios sexuais que infligem dor ou sofrimento a uma pessoa sem consentimento.
Referência sobre diagnóstico
1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed, Text Revision. American Psychiatric Association Publishing; 2022:790-792.
Tratamento do transtorno de sadismo sexual
Às vezes, terapia cognitivo-comportamental (em grupo ou individual)
Às vezes, medicamentos antiandrogênicos
O tratamento do sadismo sexual não é necessário se os interesses, fantasias e comportamentos não envolverem pessoas sem consentimento e se não houver sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo funcional. Para aqueles cujo sadismo sexual alcança o nível de transtorno de sadismo sexual, tratamentos aplicados a outras parafilias (ver, por exemplo, Tratamento: transtorno exibicionista) são mais comumente empregadas, incluindo terapia cognitivo-comportamental em grupo ou individual, com ou sem o uso de agentes antiandrogênicos.
Quando um transtorno de personalidade antissocial também está presente, os tratamentos não se mostram particularmente eficazes. A maioria dos indivíduos com essa combinação de transtornos não se apresenta para tratamento voluntariamente e provavelmente compõe a maioria daqueles com sadismo sexual que estão encarcerados (1).
Referência sobre tratamento
1. Healey J, Lussier P, Beauregard E. Sexual sadism in the context of rape and sexual homicide: an examination of crime scene indicators. Int J Offender Ther Comp Criminol. 2013;57(4):402-424. doi:10.1177/0306624X12437536



