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Rubéola congênita

Por

Brenda L. Tesini

, MD, University of Rochester School of Medicine and Dentistry

Última modificação do conteúdo jul 2018
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A rubéola congênita é uma infecção viral adquirida da mãe durante a gestação. Os sinais são múltiplas anomalias congênitas que podem levar a morte fetal. O diagnóstico é por sorologia e cultura viral. Não há tratamento específico. A vacinação de rotina é o meio para prevenção.

A rubéola congênita é o típico resultado de infecção materna primária. A rubéola congênita é agora rara nos EUA por causa dos programas de imunização muito bem sucedidos.

Acredita-se que o vírus da rubéola invada o trato respiratório superior com subsequente viremia e disseminação do vírus para diferentes lugares, inclusive placenta. Quando o feto é infectado durante as primeiras 16 semanas de gestação, particularmente nas primeiras 8 a 10 semanas, ele fica sob alto risco de desenvolvimento de anormalidades. No início da gestação, o vírus provoca infecção intrauterina crônica. Os efeitos incluem lesão endotelial dos vasos sanguíneos, citólise direta celular e ruptura da mitose celular.

Sinais e sintomas

Em uma gestante, a rubéola pode ser assintomática ou caracterizada por sintomas nas vias respiratórias superiores, febre leve, conjuntivite, linfadenopatia (especialmente nas áreas suboccipital e auricular posterior) e exantema maculopapular. Essa doença pode ser acompanhada de sintomas articulares.

No feto pode não haver nenhum efeito, morte no útero ou múltiplas anomalias chamadas síndrome de rubéola congênita (SRC). As anormalidade mais freqüentes incluem

As manifestações menos comuns incluem trombocitopenia com púrpura, eritropoese dérmica com lesões purpúricas na pele, adenopatia, anemia hemolítica e pneumonia intersticial. É necessária observação contínua para diagnosticar perda da audição, retardo mental, comportamento anormal, endocrinopatias (p. ex., diabetes melito) ou encefalite progressiva rara. Lactentes com infecções da rubéola congênita podem desenvolver imunodeficiências, como a hipogamaglobulinemia.

Diagnóstico

  • Titulação da rubéola no soro materno

  • A detecção de vírus na mãe por meio de cultura e/ou transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase (RT-PCR) de amostras de líquido amniótico, nariz, garganta (preferível), urina, LCS, ou sangue

  • Títulos para anticorpos do lactente (medidos de modo seriado) e decteção viral como descrito acima

A sorologia da IgG para rubéola deve ser feita rotineiramente no início da gestação. Deve ser repetida nos casos de gestantes soronegativas que apresentam sinais ou sintomas da rubéola; o diagnóstico é feito por um teste sorológico positivo para anticorpos IgM, soroconversão IgG ou elevação 4 vezes entre os títulos IgG da fase aguda e da convalescença. A cultura do vírus pode ser feita com material de esfregaço nasofaríngeo; mas essa cultura é difícil de obter. PCR-TR pode ser utilizada para confirmar resultados de cultura ou detecção de RNA viral diretamente nas amostras de pacientes, bem como permitir a genotipagem e monitoramento epidemiológico de infecções por rubéola do tipo selvagem.

Deve-se medir em lactentes com suspeita da síndrome de rubéola congênita os títulos de anticorpos e obter amostras para a detecção viral. A persistência da IgG específica para rubéola após 6 a 12 meses sugere infecção congênita. A detecção de anticorpos IgM específicos contra a rubéola geralmente também indica infecção por rubéola, mas podem ocorrer resultados de IgM falso-positivos. A cultura do vírus pode ser feita com amostras da nasofaringe, da urina, do líquor, do esfregaço de leucócitos e da conjuntiva de neonatos com SRC geralmente contêm vírus; amostras da nasofaringe usualmente oferecem a melhor sensibilidade para a cultura, devendo o laboratório ser notificado sobre a suspeita de vírus da rubéola. Em alguns centros, o diagnóstico pode ser feito no período pré-natal com detecção do vírus no líquido amniótico, pela presença de IgM específicas da rubéola no sangue do feto, ou com a aplicação de técnicas de PCR-TR no sangue fetal ou biópsia das amostras da vilosidade coriônica.

Outros testes que podem se úteis incluem hemograma com diferencial, análise do líquor, exame radiográfico dos ossos para dectetar radiolucência característica. Avaliações oftalmológica e cardíaca completas também são úteis.

Tratamento

  • Aconselhamento

  • Possível imunoglobulina para a mãe

Não há tratamento específico disponível para a infecção, seja materna, seja congênita.

Mulheres expostas a rubéola em fase precoce da gestação devem ser informadas sobre o risco potencial para o feto.

Alguns especialistas recomendam a administração de imunoglobulina inespecífica (0,55 mL/kg IM) no caso de exposição precoce na gestação, mas esse tratamento não previne a infecção, e o uso de imunoglobulina deve ser considerado apenas para mulheres que se recusam a interromper a gestação.

Prevenção

A prevenção da rubéola é obtida com a vacinação. Nos EUA, lactentes recebem uma combinação de vacina contra sarampo, caxumba e rubéola. Administra-se a primeira dose aos 12–15 meses de idade e a segunda dose aos 4–6 anos de idade (ver tabela Cronograma recomendado de imunização para 0–6 anos de idade). Mulheres não grávidas pós-púberes que não estão imunizadas contra rubéola devem ser vacinadas. (Atenção: A vacinação da rubéola é contraindicada a imunodeficientes ou gestantes.) Após a vacinação, as mulheres devem ser orientadas a evitar a gestação por 28 dias.

Esforços também devem ser feitos para que grupos de alto risco sejam triados e vacinados, como hospitais, pessoal que cuida de crianças, recrutas militares, imigrantes recentes e universitários. Mulheres que, durante a triagem pré-natal, mostraram-se suscetíveis devem ser vacinadas após o parto e antes da alta hospitalar. Teoricamente, a vacinação de pessoas não imunes expostas à rubéola pode prevenir a infecção se administrada em 3 dias depois da exposição, mas esse tratamento não provou ser benéfico.

Pessoas com vacinação documentada com pelo menos uma dose da vacina contra a rubéola que contém o vírus vivo atenuado após 1 ano de idade ou que têm evidência sorológica de imunidade podem ser consideradas imunizadas contra rubéola.

Pontos-chave

  • A infecção materna por rubéola, particularmente durante o 1º trimestre, pode causar restrição do crescimento intrauterino e anormalidades do desenvolvimento graves.

  • A vacinação de rotina contra rubéola tornou a rubéola congênita rara nos EUA.

  • A vacina contra a rubéola é contraindicada na gestação, de modo que gestantes com rubéola ou expostas à ela devem ser informadas do potencial risco para o feto.

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