Diabetes mellitus tipo 2 em crianças e adolescentes

PorNeha Suresh Patel, DO, University of Pennsylvania School of Medicine
Reviewed ByMichael SD Agus, MD, Harvard Medical School
Revisado/Corrigido: modificado jan. 2026
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Visão Educação para o paciente

O diabetes mellitus tipo 2 é caracterizado por resistência à insulina e secreção inadequada de insulina em relação às necessidades fisiológicas. Os sintomas iniciais são relacionados à hiperglicemia e incluem polidipsia, polifagia, poliúria e visão ofuscada. O diagnóstico se faz pela medida da glicemia. O tratamento consiste em dieta, exercício e medicamentos que reduzem os níveis de glicose, incluindo metformina, insulina e medicamentos injetáveis e orais sem insulina. Complicações tardias incluem doença vascular, neuropatia periférica, neuropatia e predisposição a infecções. Complicações podem ser adiadas ou prevenidas com controle glicêmico adequado.

O aumento da prevalência da obesidade infantil levou a um aumento na incidência do diabetes tipo 2 infantil e a um aumento na proporção de diabetes tipo 2 em relação ao diabetes tipo 1 em crianças (1, 2). O diabetes tipo 2 é geralmente diagnosticado no início da adolescência com o início da puberdade, quando a resistência à insulina aumenta naturalmente e há crescimento rápido e alterações puberais. (Ver também obesidade em crianças e obesidade em adolescentes.)

Aproximadamente 75% das crianças com diabetes tipo 2 têm obesidade (3). No entanto, há considerável heterogeneidade, e a relação entre obesidade e idade de início do diabetes tipo 2 é menos clara em algumas etnias (p. ex., asiáticas, particularmente crianças japonesas) (3).

Referências gerais

  1. 1. Gesuita R, Eckert AJ, Besançon S, et al. Frequency and clinical characteristics of children and young people with type 2 diabetes at diagnosis from five world regions between 2012 and 2021: data from the SWEET Registry. Diabetologia. 2025;68(1):82-93. doi:10.1007/s00125-024-06283-5

  2. 2. Wagenknecht LE, Lawrence JM, Isom S, et al. Trends in incidence of youth-onset type 1 and type 2 diabetes in the USA, 2002-18: results from the population-based SEARCH for Diabetes in Youth study. Lancet Diabetes Endocrinol. 2023;11(4):242-250. doi:10.1016/S2213-8587(23)00025-6

  3. 3. Cioana M, Deng J, Nadarajah A, et al. The Prevalence of Obesity Among Children With Type 2 Diabetes: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Netw Open. 2022;5(12):e2247186. Published 2022 Dec 1. doi:10.1001/jamanetworkopen.2022.47186

Etiologia do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes

No diabetes tipo 2, o pâncreas produz insulina, mas existem graus variados de resistência à insulina e a secreção de insulina é insuficiente para atender à demanda aumentada causada pela resistência à insulina (deficiência relativa de insulina).

O início do diabetes tipo 2 muitas vezes coincide com o pico de resistência à insulina da puberdade fisiológica, o que pode levar a sintomas de hiperglicemia em adolescentes previamente compensados.

A causa do diabetes tipo 2 não é a destruição autoimune das células beta, mas uma complexa interação entre muitos genes e fatores ambientais, que diferem entre diferentes populações e pacientes.

O diabetes tipo 2 em crianças é diferente do diabetes tipo 2 em adultos (1). Em crianças, o declínio da função das células beta e o desenvolvimento de complicações relacionadas com o diabetes são rápidos.

Os fatores de risco para o diabetes tipo 2 são (2, 3, 4):

Referências sobre etiologia

  1. 1. Tryggestad JB, Willi SM. Complications and comorbidities of T2DM in adolescents: findings from the TODAY clinical trial. J Diabetes Complications. 2015;29(2):307-312. doi: 10.1016/j.jdiacomp.2014.10.009

  2. 2. Bellou V, Belbasis L, Tzoulaki I, Evangelou E. Risk factors for type 2 diabetes mellitus: An exposure-wide umbrella review of meta-analyses. PLoS One. 2018;13(3):e0194127. doi:10.1371/journal.pone.0194127

  3. 3. GBD 2021 Diabetes Collaborators. Global, regional, and national burden of diabetes from 1990 to 2021, with projections of prevalence to 2050: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2021. Lancet. 2023;402(10397):203-234. doi:10.1016/S0140-6736(23)01301-6

  4. 4. Hu S, Ji W, Zhang Y, Zhu W, Sun H, Sun Y. Risk factors for progression to type 2 diabetes in prediabetes: a systematic review and meta-analysis. BMC Public Health. 2025;25(1):1220. doi:10.1186/s12889-025-21404-4

Fisiopatologia do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes

No diabetes tipo 2, geralmente há função da insulina suficiente para evitar a cetoacidose diabética (CAD) no momento do diagnóstico, mas as crianças com diabetes tipo 2 podem, às vezes, apresentar CAD (aproximadamente 5 a 6%) (1, 2) ou, menos comumente, estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH), também conhecido como síndrome hiperglicêmica hiperosmolar não cetótica (SHHNC), em que ocorre desidratação hiperosmolar grave. O EHH ocorre com mais frequência durante períodos de estresse ou infecção, com a não aderência ao tratamento ou quando o metabolismo da glicose é prejudicado ainda mais por causa de medicamentos (p. ex., glicocorticoides). Outras perturbações metabólicas associadas à resistência à insulina podem estar presentes no diagnóstico do diabetes tipo 2 e incluem:

A aterosclerose em pacientes com diabetes tipo 2 começa na infância ou adolescência e aumenta significativamente o risco de doença cardiovascular.

Referências sobre fisiopatologia

  1. 1. Dabelea D, Rewers A, Stafford JM, et al. Trends in the prevalence of ketoacidosis at diabetes diagnosis: the SEARCH for diabetes in youth study. Pediatrics. 2014;133(4):e938-e945. doi:10.1542/peds.2013-2795

  2. 2. Praveen PA, Hockett CW, Ong TC, et al. Diabetic ketoacidosis at diagnosis among youth with type 1 and type 2 diabetes: Results from SEARCH (United States) and YDR (India) registries. Pediatr Diabetes. 2021;22(1):40-46. doi:10.1111/pedi.12979

Sinais e sintomas do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes

No diabetes tipo 2, a apresentação clínica varia amplamente. As crianças são frequentemente assintomáticas ou minimamente sintomáticas, e a doença só pode ser detectada em testes de rotina. Contudo, algumas crianças apresentam hiperglicemia sintomática (poliúria e frequência urinária, polidipsia), estado hiperglicêmico hiperosmolar, ou CAD.

Mesmo sem sintomas de hiperglicemia, indivíduos com diabetes tipo 2 frequentemente apresentam sobrepeso ou obesidade, bem como achados físicos sugestivos de resistência à insulina (p. ex., acantose nigricans, acrocórdons).

Sinais dermatológicos de resistência à insulina
Acantose nigricans (dobra do cotovelo)

Esta foto mostra acantose nigricans (pele hiperpigmentada) na dobra do cotovelo devido à resistência à insulina.

Esta foto mostra acantose nigricans (pele hiperpigmentada) na dobra do cotovelo devido à resistência à insulina.

RICHARD USATINE MD / SCIENCE PHOTO LIBRARY

Acantose nigricans (acrocórdons)

Esta foto mostra acantose nigricans (pele hiperpigmentada) e múltiplos acrocórdons devido à resistência à insulina.

Esta foto mostra acantose nigricans (pele hiperpigmentada) e múltiplos acrocórdons devido à resistência à insulina.

RICHARD USATINE MD / SCIENCE PHOTO LIBRARY

Dicas e conselhos

  • Apesar do conceito errôneo comum, a cetoacidose diabética pode ocorrer em crianças com diabetes tipo 2.

Diagnóstico de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes

  • Medição de glicose anormal ou tolerância à glicose atendendo aos critérios diagnósticos (ver tabela )

  • Determinação do tipo de diabetes (p. ex., tipo 1, tipo 2, monogênico)

  • Peptídeo C, insulina e testes de autoanticorpos pancreáticos

  • Testes laboratoriais adicionais para rastreamento de comorbidades metabólicas (p. ex., testes de função hepática, perfil lipídico em jejum, relação microalbumina/creatinina em amostra isolada de urina)

O diagnóstico de diabetes e pré-diabetes baseia-se em medições anormais de glicose ou em testes de tolerância à glicose que atendem aos critérios diagnósticos da American Diabetes Association (ver Diagnóstico de Diabetes em Crianças) (1).

Crianças sem autoanticorpos, com mais de 10 anos (ou que iniciaram a puberdade) no momento do diagnóstico, obesas ou com evidência de comorbidades metabólicas, são geralmente tratadas como tendo diabetes tipo 2 (2).

O pré-diabetes é diagnosticado quando as medidas de glicemia estão entre a faixa normal e a faixa diagnóstica para diabetes (consulte a tabela ). Às vezes, é considerado um precursor ou estado transitório anterior ao desenvolvimento do diabetes tipo 2, embora os dados sobre a taxa de progressão ou riscos específicos ao pré-diabetes sejam limitados em crianças (2).

Rastreamento de diabetes tipo 2

O rastreamento é recomendado a partir dos 10 anos ou no início da puberdade em crianças que têm excesso de peso e têm ≥ 1 fator de risco adicional ou condições associadas à resistência à insulina. As condições associadas à resistência à insulina incluem:

O rastreamento pode consistir em glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c) e/ou teste oral de tolerância à glicose. O rastreamento repetido deve ser feito a cada 2 a 3 anos, ou com mais frequência se o perfil geral de risco cardiometabólico estiver piorando.

Rastreamento de comorbidades e complicações

O monitoramento de complicações agudas da hipoglicemia e da hiperglicemia (incluindo CAD e EHH) é discutido em Controle glicêmico; seu manejo é discutido em Complicações do diabetes em crianças e adolescentes. Para mais detalhes, veja Diabetes mellitus tipo 2 – complicações e Complicações de longo prazo do diabetes mellitus.

Assim como em adultos com diabetes tipo 2 (e diferentemente de crianças com diabetes tipo 1), o rastreamento de complicações de longo prazo (vasculares) em pacientes com diabetes tipo 2 começa no diagnóstico. O rastreamento inclui avaliação dos pés, olhos, função renal e proteinúria, e pressão arterial.

Pacientes com diabetes tipo 2 (diferentemente daqueles com diabetes tipo 1, nos quais as complicações se desenvolvem ao longo de muitos anos) frequentemente apresentam comorbidades no diagnóstico, como doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, hiperlipidemia e hipertensão. Os pacientes devem realizar testes de função hepática, perfil lipídico em jejum, perfil metabólico com medida da taxa de filtração glomerular e relação proteína/creatinina em amostra isolada de urina no momento do diagnóstico (2). A medição da pressão arterial e o rastreamento em saúde mental devem ser realizados por ocasião do diagnóstico e em todas as consultas relacionadas ao diabetes. Os exames oftalmológicos e dos pés devem ser realizados por ocasião do diagnóstico e anualmente. Crianças com achados clínicos sugestivos de complicações também devem ser testadas:

Referências sobre diagnóstico

  1. 1. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 2. Diagnosis and Classification of Diabetes: Standards of Care in Diabetes-2025. Diabetes Care. 2025;48(1 Suppl 1):S27-S49. doi:10.2337/dc25-S002

  2. 2. Shah AS, Barrientos-Pérez M, Chang N, et al. ISPAD Clinical Practice Consensus Guidelines 2024: Type 2 Diabetes in Children and Adolescents. Horm Res Paediatr. 2024;97(6):555-583. doi:10.1159/000543033

Tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes

  • Dieta

  • Exercício

  • Medicamento anti-hiperglicêmico, às vezes incluindo insulina

  • Controle glicêmico

Como no diabetes tipo 1, o controle glicêmico é a base do tratamento. Isso pode ser alcançado com alguma combinação de modificações no estilo de vida, incluindo modificações dietéticas, atividade física e controle de peso, medicamentos anti-hiperglicemiantes orais e insulina. Além disso, há maior ênfase na detecção e no manejo de distúrbios cardiometabólicos associados e de complicações vasculares crônicas.

Crianças com diabetes tipo 2 devem receber cuidados dietéticos e controle de peso com o mesmo rigor aplicado aos adultos, além de reconhecimento e manejo da dislipidemia e da hipertensão, embora as recomendações de rastreamento não sejam idênticas (1). A maioria das crianças com diabetes tipo 2 apresenta obesidade (2), portanto a modificação do estilo de vida é a base da terapia. A farmacoterapia também pode ser indicada.

Dieta e atividade física

Todas as crianças com diabetes tipo 2 devem receber educação e apoio para autocontrole do diabetes, incluindo orientação nutricional, preferencialmente com o envolvimento de um nutricionista experiente no manejo de crianças com diabetes (1, 3). A maioria dos pacientes deve ser encorajada a perder peso e, assim, aumentar a sensibilidade à insulina.

As etapas para melhorar a dieta, gerenciar a ingestão calórica e melhorar a atividade física incluem:

  • Eliminar bebidas contendo açúcar e alimentos feitos de açúcares refinados simples (p. ex., doces processados e xaropes de milho com alto teor de frutose).

  • Desencorajar pular as refeições e incentivá-las a comer de acordo com um cronograma (de preferência em família, se possível, e sem distrações de outras atividades, p. ex., televisão, computador ou videogame).

  • Evitar beliscar alimentos ao longo do dia.

  • Controlar o tamanho da porção.

  • Limitar alimentos com alto teor de gorduras e alto teor calórico em casa.

  • Aumentar a ingestão de fibras consumindo muitas frutas e vegetais.

  • Aumentar a atividade física para 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa pelo menos 3 dias por semana (de preferência 5 a 7 dias por semana).

  • Limitar o tempo de tela a < 2 horas por dia, incluindo televisão, tempo não educativo com computador, telefones celulares e outros dispositivos portáteis e videogames.

Para crianças de 3 a 13 anos, a fórmula 1000 calorias + (100 × idade da criança em anos) fornece uma estimativa da necessidade calórica diária semelhante às diretrizes publicadas (4).

A cirurgia metabólica (também chamada de cirurgia bariátrica ou de obesidade) pode ser considerada para perda de peso em crianças com 12 anos ou mais com diabetes tipo 2 e índice de massa corporal ≥35 kg/m2 (3).

Tratamento farmacológico

Para pacientes assintomáticos com hiperglicemia leve, pode-se tentar a terapia com modificação do estilo de vida, mas se as metas glicêmicas não forem atingidas em aproximadamente 3 a 6 meses, deve-se considerar a metformina.

Metformina

A metformina é um sensibilizador de insulina e é o anti-hiperglicêmico oral de primeira linha mais comum dado a pacientes < 18 anos de idade. Metformina é iniciada como monoterapia quando o nível inicial de HbA1C é < 8,5% (< 69 mmol/mol) sem acidose ou cetose, e é utilizada em conjunto com a terapia não farmacológica incluindo modificação dietética e exercício (3).

A metformina deve ser iniciada em uma dose baixa e tomada com alimentos para prevenir náuseas e dor abdominal. A dose é aumentada gradualmente até a dose alvo máxima (2 g/dia) durante um período de 3 a 6 semanas. Se disponível, formas de liberação prolongada de metformina podem diminuir os efeitos adversos gastrointestinais em alguns pacientes que não toleram formulações padrão desse medicamento.

O objetivo do tratamento é um nível de HbA1c de pelo menos < 7% (< 53 mmol/mol) e preferencialmente < 6,5% (< 48 mmol/mol). Se isso não for alcançado somente com metformina, deve-se introduzir insulina basal ou um agonista do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1). Infelizmente, em aproximadamente metade dos adolescentes com diabetes tipo 2, a monoterapia com metformina acaba falhando e insulina é necessária.

Insulina

A insulina também é iniciada em crianças que apresentam diabetes tipo 2 mais grave (HbA1C > 8,5% [> 69 mmol/mol]) (3); glargina, detemir ou insulina pré-misturada podem ser utilizadas.

Crianças com CAD ou EHH geralmente requerem insulina intravenosa inicialmente e depois passam para insulina subcutânea (3). Após a resolução da acidose, pode-se iniciar metformina.

Os requisitos de insulina podem diminuir rapidamente durante as semanas iniciais do tratamento à medida que a secreção endógena de insulina aumenta; a insulina muitas vezes pode ser interrompida várias semanas depois de um controle metabólico aceitável ser recuperado.

Entretanto, um paciente sob terapia combinada (às vezes incluindo insulina basal) que não está atingindo as metas glicêmicas também pode necessitar de bolus de insulina prandial (3).

Outros medicamentos anti-hiperglicêmicos em crianças

Se os pacientes não alcançarem os alvos utilizando terapia dupla com metformina e insulina basal, agonistas do receptor GLP-1 podem ser adicionados como parte da terapia de intensificação. Medicamentos orais também podem ser considerados.

Liraglutida, exenatida de liberação prolongada e dulaglutida são agonistas do receptor GLP-1 que podem ser utilizados em crianças > 10 anos de idade com diabetes tipo 2 e podem ajudar a reduzir os níveis de HbA1C (3). A semaglutida injetável é outro agonista do receptor GLP-1 usado para o tratamento da obesidade em pacientes > 12 anos de idade (5). Esses anti-hiperglicêmicos orais injetáveis não insulínicos aumentam a secreção de insulina dependente de glicose e desaceleram o esvaziamento gástrico.

A liraglutida é administrada como uma injeção diária, enquanto exenatida de liberação prolongada, dulaglutida e semaglutida são administradas como injeções subcutâneas semanais, o que pode melhorar a adesão do paciente. Todos esses medicamentos promovem a perda ponderal, provavelmente por retardar o esvaziamento gástrico e reduzir o apetite. Eles são titulados para as doses de tratamento durante um período de semanas para minimizar os efeitos adversos gastrointestinais comuns, especialmente náuseas e vômitos. Agonistas de GLP-1 e exenatide podem ser utilizados se a metformina não for tolerada, ou adicionados se os níveis-alvo de HbA1c não forem alcançados em 3 meses utilizando apenas metformina. Os agonistas de GLP-1 podem ser utilizados antes do início de insulina para promover a perda ponderal e o controle glicêmico.

Empagliflozina, canagliflozina e dapagliflozina são inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2) utilizados para crianças > 10 anos de idade com diabetes tipo 2 (1, 3, 6). SGLT2 é um transportador de glicose encontrado no túbulo proximal dos rins. É responsável por aproximadamente 90% da reabsorção de glicose filtrada. Os inibidores de SGLT2 funcionam bloqueando a reabsorção acoplada de sódio e glicose dos túbulos proximais, levando a maior excreção renal de glicose e níveis mais baixos de glicemia em pacientes com diabetes tipo 2. Esses medicamentos são contraindicados para pacientes com doença renal em estágio terminal ou que estejam sob diálise. Eles podem aumentar o risco de cetoacidose diabética, em alguns casos com níveis normais de glicemia por causa do aumento da excreção renal de glicose. Os efeitos adversos desses medicamentos incluem aumento da incidência de infecções do trato urinário e infecções fúngicas genitais.

Controle glicêmico e níveis-alvo de HbA1c

Pacientes com diabetes tipo 2 geralmente automonitoram os níveis de glicemia com menos frequência do que no diabetes tipo 1, mas a frequência varia com o tratamento utilizado, os níveis de glicemia em jejum e pós-prandial, o grau de controle glicêmico considerado viável e os recursos disponíveis.

Crianças e adolescentes em uso de múltiplas injeções diárias de insulina, aqueles que estão enfermos e aqueles com controle abaixo do ideal devem monitorar os níveis de glicose pelo menos 3 vezes ao dia (7). Aqueles em regimes estáveis apenas de metformina mais insulina de longa duração (ou seja, sem insulina em bolus de ação rápida) que estão atingindo seus alvos sem hipoglicemia, podem monitorar com menos frequência, tipicamente 2 vezes ao dia (em jejum e 2 horas pós-prandial). A frequência do monitoramento deve ser maior se os alvos de controle glicêmico não forem alcançados durante a doença, ou caso sintomas de hipoglicemia ou hiperglicemia sejam sentidos. Crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 sob esquemas de insulina com múltiplas injeções diárias ou bombas de insulina devem receber sistemas MCG semelhantes aos sistemas utilizados por aqueles com diabetes tipo 1 (1).

O nível-alvo de HbA1c recomendado para diabetes tipo 2 na maioria das crianças e adolescentes é < 6,5% (< 48 mmol/mol) (1, 3). Como ocorre com todas as metas glicêmicas, os níveis são individualizados com base nas necessidades e características metabólicas do paciente. Para aqueles com maior risco de hipoglicemia, uma meta mais elevada (< 7% [< 53 mmol/mol]) pode ser apropriada.

Os níveis de HbA1c devem ser medidos a cada 3 meses na maioria das crianças com diabetes tipo 2, especialmente quando se emprega insulina ou quando o controle metabólico não é ideal. Em algumas crianças com níveis estáveis de glicose, os níveis podem ser medidos semestralmente.

Crianças com diabetes tipo 2 que não atendem aos alvos de HbA1c e/ou glicemia em jejum são candidatas à terapia intensificada (p. ex., com insulina, incluindo dosagem de insulina em bolus, agonistas do receptor de GLP-1, e/ou inibidores de SGLT-2).

Referências sobre tratamento

  1. 1. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 14. Children and Adolescents: Standards of Care in Diabetes-2025. Diabetes Care. 2025;48(1 Suppl 1):S283-S305. doi:10.2337/dc25-S014

  2. 2. Cioana M, Deng J, Nadarajah A, et al. The Prevalence of Obesity Among Children With Type 2 Diabetes: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Netw Open. 2022;5(12):e2247186. Published 2022 Dec 1. doi:10.1001/jamanetworkopen.2022.47186

  3. 3. Shah AS, Barrientos-Pérez M, Chang N, et al. ISPAD Clinical Practice Consensus Guidelines 2024: Type 2 Diabetes in Children and Adolescents. Horm Res Paediatr. 2024;97(6):555-583. doi:10.1159/000543033

  4. 4. Arnold MJ, Harding MC, Conley AT. Dietary Guidelines for Americans 2020-2025: Recommendations from the U.S. Departments of Agriculture and Health and Human Services. Am Fam Physician. 2021;104(5):533-536.

  5. 5. Weghuber D, Barrett T, Barrientos-Pérez M, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adolescents with Obesity. N Engl J Med. 2022;387(24):2245-2257. doi:10.1056/NEJMoa2208601

  6. 6. Nadgir U, Ali SR, Gogate J, Shaw W, Antunes J, Fonseca S. Treatment With Canagliflozin Versus Placebo in Children and Adolescents With Type 2 Diabetes : A Randomized Clinical Trial. Ann Intern Med. 2025;178(9):1217-1226. doi:10.7326/ANNALS-24-04017

  7. 7. Copeland KC, Silverstein J, Moore KR, et al: Management of newly diagnosed type 2 Diabetes Mellitus (T2DM) in children and adolescents. Pediatrics 131(2):364-382, 2013. doi: 10.1542/peds.2012-3494

Pontos-chave

  • O diabetes tipo 2 é causado por resistência à insulina e deficiência relativa de insulina decorrente de uma complexa interação entre vários fatores genéticos e ambientais (especialmente obesidade); a frequência desse tipo de diabetes está aumentando nas crianças e geralmente é diagnosticado após a puberdade.

  • A maioria das crianças apresenta hiperglicemia sintomática sem acidose, com frequência urinária, polidipsia e poliúria; raramente crianças com diabetes tipo 2 podem apresentar cetoacidose diabética ou estado hiperglicêmico hiperosmolar.

  • Fazer a triagem de crianças com risco de diabetes tipo 2 ou pré-diabetes.

  • Crianças com diabetes tipo 2 são inicialmente tratadas com metformina e/ou insulina; a maioria das crianças que precisam de insulina no momento do diagnóstico pode passar com sucesso para a monoterapia com metformina, mas cerca de metade delas acabará precisando de tratamento com insulina.

  • Agonistas do GLP-1 ou inibidores de SGLT-2 podem ser utilizados em combinação com metformina para melhorar o controle glicêmico.

  • Crianças têm risco de complicações microvasculares e macrovasculares por causa do diabetes; devem-se avaliar essas complicações utilizando testes de triagem regulares.

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