Causas selecionadas de tontura e vertigem

Causas selecionadas de tontura e vertigem

Causa

Achados sugestivos

Abordagem diagnóstica

Distúrbios do sistema vestibular periférico a,b

Vertigem posicional paroxística benigna

Vertigem grave, breve (< 2 minutos), rotatória, desencadeada por movimentar a cabeça em determinada direção

Latência do nistagmo de 0–30 segundos, fatigável e torcional, batendo em direção à orelha mais inferior

Óculos de Frenzel são frequentemente necessários para impedir a fixação visual e evidenciar o nistagmo

Exames neurológicos e audiológicos normais

Manobra de Dix-Hallpike para diagnosticar a característica do nistagmo posicional

Doença de Ménière

Sensação de rotação, na maioria das vezes com náuseas e vômitos, com duração de 20 minutos a 12 horas

Episódios recorrentes de zumbido unilateral, perda auditiva e sensação de plenitude auricular durante episódios de vertigem

Audiometria

RM realçada com gadolínio para excluir outras causas

Neuronite vestibular (provável causa viral)

Vertigem grave, incapacitante, súbita, sem perda auditiva ou outros achados

Dura até 1 semana, com melhora gradual do sintomas

Pode resultar em vertigem posicional

Às vezes, bastam a anamnese e o exame físico (se realizados precocemente, pode-se observar nistagmo espontâneo; se realizados dias depois, observa-se hipofunção ao teste do impulso cefálico).

Às vezes, RM contrastada com gadolínio

Pode-se diferenciar a vertigem posicional da vertigem posicional paroxística benigna por uma manobra de Dix-Hallpike

Labirintite (viral ou bacteriana)

Perda auditiva, zumbido

Audiometria

TC de osso temporal se suspeita de infecção purulenta

RM com gadolínio se perda auditiva unilateral e zumbido

Otite média (aguda ou crônica, às vezes com colesteatoma)

Otalgia, alteração no exame físico, incluindo otorreia se otite crônica

História de infecção

Audiometria

Para colesteatoma, TC para excluir formação de fístula do canal semicircular

Trauma (p. ex., ruptura de membrana timpânica, concussão labiríntica, fístula perilinfática, fratura do osso temporal, pós-concussão)

História de trauma óbvio

Outros achados dependendo do local ou da extensão do trauma

Às vezes, apenas história e exame físico

Às vezes, TC

Schwannoma vestibular ou meningioma da fossa posterior ou canal auditivo interno

Zumbido, perda auditiva, tontura e desequilíbrio unilaterais lentamente progressivos

Raramente, paralisia facial, parestesia ou ambas

Audiometria

RM com gadolínio se assimetria auditiva ou zumbido unilateral significantes

Medicações ototóxicasc

Tratamento com aminoglicosídeos (p. ex., gentamicina) recentemente instituído, geralmente com perda auditiva bilateral e perda vestibular

Audiometria

Algumas vezes avaliação vestibular com eletronistagmografia e teste com cadeira rotatória

Herpes-zóster ótico

Também afeta o gânglio geniculado, de modo que fraqueza facial e perda do paladar no mesmo lado da língua da fraqueza facial frequentemente se manifestam juntamente com perda auditiva.

Vertigem possível, porém não típica

Vesículas em pavilhão e meato acústico

História e exame físico apenas

Cinetose crônica

Sintomas persistentes após cinetose aguda

História e exame físico apenas

Distúrbios do sistema vestibular central d

Infarto ou hemorragia de tronco encefálico

Início súbito

Envolvimento da artéria coclear possivelmente causando perda auditiva e zumbido

Exame imediato por imagem (RM com contraste à base de gadolínio, se disponível; do contrário, TC)

Infarto ou hemorragia do cerebelo

Início súbito, com ataxia e outros achados cerebelares, cefaleia frequente

Rápida evolução

Exame imediato por imagem (RM com contraste à base de gadolínio, se disponível; do contrário, TC)

Enxaqueca vestibular

Vertigem ou tontura episódica e recorrente — às vezes com sintomas auditivos unilaterais, como sensação de plenitude e pressão no ouvido — podem apresentar zumbido, o qual geralmente é bilateral

É necessário obter uma história prévia de enxaquecas, com ≥ 1 características de enxaquecae em pelo menos 50% dos episódios de tontura/vertigem para diagnosticar

Naqueles sem história pessoal de enxaquecas, história familiar de enxaquecas é altamente sugestiva e pode levar ao diagnóstico de enxaqueca vestibular "provável"

Geralmente história e exame físico, mas com exames de imagem do cérebro conforme necessário para excluir outras causas

Às vezes, tentativa de profilaxia da enxaqueca

Esclerose múltipla

Deficit sensorial e motor variados do sistema nervoso central, com períodos de remissão e exacerbações recorrentes

RM com gadolínio de encéfalo e coluna vertebral

Dissecção de artéria vertebral

Frequentemente há dor na cabeça e pescoço e desequilíbrio ou ataxia aguda e grave.

Angiografia por ressonância magnética

Insuficiência vertebrobasilar

Episódios breves intermitentes, às vezes com crises de queda ou episódios de desequilíbrio extremo, distúrbio visual, confusão

Angiografia por ressonância magnética

Distúrbio global da função do sistema nervoso central f

Anemia (várias causas)

Palidez, fraqueza, às vezes com sangue nas fezes

Hemograma completo

Medicamentos g com ação em sistema nervoso central

Medicamentos utilizados recentemente ou doses aumentadas; medicamentos múltiplos, sobretudo em pacientes mais idosos

Sintomas não relacionados ao movimento ou à posição

Às vezes, apenas história e exame físico

Às vezes, dosagem do nível do medicamento (certos anticonvulsivantes)

Às vezes, tentativa de retirada da medicação

Hipoglicemia (em geral causada por medicamentos contra o diabetes)

Aumento da dose recente

Às vezes, sudorese

Glicemia capilar (durante os sintomas se possível)

Hipotensão (provocada por cardiopatias, anti-hipertensivos, perda sanguínea, desidratação ou síndromes da hipotensão ortostática, incluindo síndrome da taquicardia ortostática postural e outras disautonomias)

Sintomas ao levantar-se da posição sentada ou supina, às vezes com estimulação vagal (p. ex., micção), mas não com movimentação da cabeça ou em decúbito dorsal.

Avaliação dos sinais vitais na posição e

Ortostática, às vezes, com ECQ e teste de inclinação ortostática (tiet table test)

Hipoxemia (várias causas)

Taquipneia

Com frequência, história de doença pulmonar

Oximetria de pulso

Radiografia de tórax

Outras causas f

Tontura postural perceptiva persistente (TPPP)

Tontura crônica não rotatória (sensação interna de balanço) persistindo por > 3 meses, na maioria dos dias

Os sintomas pioram quando parado, principalmente em filas, com movimento ativo (movimento da cabeça) ou passivo (p. ex., dirigir à noite passando por postes de luz, veículos passando enquanto o paciente está parado) ou com estimulação visual (p. ex., ao entrar em um supermercado)

Frequentemente precipitada por outras doenças agudas como VPPB ou enxaqueca vestibular

Pode ser uma manifestação de um transtorno de ansiedade

História e exame físico apenas

Gestação

Pode não ser aparente

Teste de gravidez

Psiquiátricas (p. ex., crise de pânico, síndrome de hiperventilação, ansiedade, depressão)

Sintomas crônicos, breves e recorrentes

Sem relação ao movimento ou à posição, mas pode ocorrer com estresse ou desapontamento

Exames neurológicos e otológicos normais

Paciente, inicialmente, pode ser diagnosticado com distúrbio vestibular periférico, porém não responde apropriadamente à terapia

História e exame físico apenas

Sífilis

Sintomas crônicos com perda auditiva bilateral, flutuante e vertigens episódicas

Audiometria

Sorologia para sífilis

Distúrbios da tireoide

Alteração do peso

Intolerância ao frio ou ao calor

Testes para função tireoidiana

Fraqueza vestibular periférica não compensada

Desequilíbrio

Turvação visual (sensação interna de balanço) ao girar a cabeça

Pode ocorrer após episódios de neuronite vestibular, enxaqueca com vertigem, doença de Ménière, ou depois de traumatismo craniano ou cirurgia da orelha interna

Teste vestibular

a Sintomas geralmente são paroxísticos, graves e episódicos, em vez de contínuos. Sintomas auditivos (p. ex., zumbido, plenitude, perda auditiva) costumam indicar lesão periférica. Perda de consciência não está relacionada à tontura decorrente do distúrbio vestibular periférico.

b Distúrbios do sistema vestibular periférico listados em ordem de frequência de ocorrência.

c Diversos medicamentos, incluindo aminoglicosídios, cloroquina, furosemida e quinina. Muitos outros medicamentos são ototóxicos, mas têm mais efeitos na cóclea do que no aparelho vestibular.

d Sintomas auditivos raramente presentes, porém desequilíbrio é comum. Nistagmo não é inibido pela fixação ocular.

e As características da enxaqueca incluem fotofobia, fonofobia, aura visual ou outras auras, cefaleia unilateral pulsátil ou latejante ou gravidade da cefaleia que limita a atividade normal.

fEssas causas não devem provocar sintomas otológicos (p. ex., perda auditiva, zumbido) ou deficit focal neurológico (às vezes ocorre com hipoglicemia). Sintomas vertiginosos são raros, mas descritos.

g Existem numerosos medicamentos, incluindo a maioria dos ansiolíticos, anticonvulsivantes, antidepressivos, antipsicóticos e sedativos. Os medicamentos utilizados para tratar a vertigem também estão incluídos.

VPPB = vertigem posicional paroxística benigna; SNC = sistema nervoso central; TC = tomografia computadorizada; ECG = eletrocardiografia; RM = ressonância magnética; ITRS = infecção do trato respiratório superior.

a Sintomas geralmente são paroxísticos, graves e episódicos, em vez de contínuos. Sintomas auditivos (p. ex., zumbido, plenitude, perda auditiva) costumam indicar lesão periférica. Perda de consciência não está relacionada à tontura decorrente do distúrbio vestibular periférico.

b Distúrbios do sistema vestibular periférico listados em ordem de frequência de ocorrência.

c Diversos medicamentos, incluindo aminoglicosídios, cloroquina, furosemida e quinina. Muitos outros medicamentos são ototóxicos, mas têm mais efeitos na cóclea do que no aparelho vestibular.

d Sintomas auditivos raramente presentes, porém desequilíbrio é comum. Nistagmo não é inibido pela fixação ocular.

e As características da enxaqueca incluem fotofobia, fonofobia, aura visual ou outras auras, cefaleia unilateral pulsátil ou latejante ou gravidade da cefaleia que limita a atividade normal.

fEssas causas não devem provocar sintomas otológicos (p. ex., perda auditiva, zumbido) ou deficit focal neurológico (às vezes ocorre com hipoglicemia). Sintomas vertiginosos são raros, mas descritos.

g Existem numerosos medicamentos, incluindo a maioria dos ansiolíticos, anticonvulsivantes, antidepressivos, antipsicóticos e sedativos. Os medicamentos utilizados para tratar a vertigem também estão incluídos.

VPPB = vertigem posicional paroxística benigna; SNC = sistema nervoso central; TC = tomografia computadorizada; ECG = eletrocardiografia; RM = ressonância magnética; ITRS = infecção do trato respiratório superior.

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